{"id":24820,"date":"2025-02-11T14:25:13","date_gmt":"2025-02-11T17:25:13","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=24820"},"modified":"2025-02-11T17:06:41","modified_gmt":"2025-02-11T20:06:41","slug":"aumentar-a-taxa-selic-e-provocar-a-dominancia-fiscal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=24820","title":{"rendered":"Aumentar a taxa Selic \u00e9 provocar a domin\u00e2ncia fiscal"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Artigo de opini\u00e3o de Odilon Guedes*, presidente do Corecon-SP, publicado originalmente no <br>Correio Braziliense<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Pagar R$ 1 trilh\u00e3o de juros piora a situa\u00e7\u00e3o fiscal, abala a confian\u00e7a do investidor e pressiona para novos aumentos de juros, um efeito bola de nev<\/em>e<\/p>\n\n\n\n<p>Os argumentos para as constantes eleva\u00e7\u00f5es da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) por parte do Banco Central perdem consist\u00eancia quando fazemos uma an\u00e1lise mais profunda das consequ\u00eancias das decis\u00f5es do Copom nos fundamentos econ\u00f4micos. Hoje, temos um juro de 13,25% ao ano no Brasil, a segunda maior taxa do mundo, abaixo somente da Argentina. Mas esse patamar \u00e9 realmente necess\u00e1rio? N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9!<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima ata, o Copom destaca que o cen\u00e1rio de infla\u00e7\u00e3o de curto prazo segue adverso. E cita os pre\u00e7os de alimentos, que se elevaram de forma significativa por conta da estiagem; os bens industrializados, por conta do c\u00e2mbio e a in\u00e9rcia da infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Segundo o Copom, a an\u00e1lise de curto prazo, que, em se concretizando as proje\u00e7\u00f5es do cen\u00e1rio de refer\u00eancia, a infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses permanecer\u00e1 acima do limite superior do intervalo de toler\u00e2ncia da meta nos pr\u00f3ximos seis meses consecutivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro argumento se desfaz rapidamente. N\u00e3o \u00e9 a taxa de juros que vai resolver a estiagem e baratear o pre\u00e7o dos alimentos. Neste caso, n\u00e3o h\u00e1 o que fazer em termos de pol\u00edtica monet\u00e1ria. \u00c9 como tomar um rem\u00e9dio com efeitos colaterais que n\u00e3o vai combater a doen\u00e7a principal. Ali\u00e1s, os pre\u00e7os dos produtos agropecu\u00e1rios est\u00e3o caindo, conforme dados do IGP-M de 30\/1 e o d\u00f3lar est\u00e1 voltando ao seu novo normal abaixo dos R$6,00.<\/p>\n\n\n\n<p>A proje\u00e7\u00e3o para o IPCA de 2025, segundo o relat\u00f3rio Focus, \u00e9 de 5,5% ao ano, o que significa um ponto percentual acima da meta, de 4,5% ao ano. Mas sabe-se que as proje\u00e7\u00f5es nem sempre se concretizam. Ali\u00e1s, o mercado errou 95% das previs\u00f5es sobre economia e Bolsa desde 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Fato concreto \u00e9 que o IPCA &#8220;estourou&#8221; o teto e encerrou 2024 em 4,83% ao ano. Mas o &#8220;estouro&#8221; de 0,33 p.p., quando colocado em n\u00fameros claros, se torna p\u00edfio. O 0,33 p.p, na m\u00e9dia do conjunto de pre\u00e7os, significa um valor de R$ 4,69 em rela\u00e7\u00e3o ao sal\u00e1rio-m\u00ednimo de 2024 (R$ 1.412,00).<\/p>\n\n\n\n<p>Para enfrentar essa insignificante perda de poder de compra, o Banco Central j\u00e1 aumentou a Selic em dois pontos porcentuais e culpa a irresponsabilidade fiscal do governo. Ironia \u00e0 parte, o pr\u00f3prio Bacen, com essa postura, est\u00e1 aprofundando o deficit fiscal do governo, e isso n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de perceber.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal gasto or\u00e7ament\u00e1rio do governo federal no ano passado foi com os juros dessa d\u00edvida, cerca de R$ 950,4 bilh\u00f5es, ou 8,05% do PIB.&nbsp; Com o aumento previsto da Selic em 3 p.p&nbsp; (dois pontos nas \u00faltimas reuni\u00f5es e um previsto para a pr\u00f3xima), os gastos com os juros da d\u00edvida p\u00fablica aumentar\u00e3o mais R$ 150 bilh\u00f5es e, em 2025, ficar\u00e1 acima de R$ 1 trilh\u00e3o. Algo inacredit\u00e1vel. Em termos comparativos, o Programa Bolsa Fam\u00edlia, que deve atender 20,9 milh\u00f5es de fam\u00edlias neste ano, dever\u00e1 despender cerca de R$ 166,3 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Pagar R$ 1 trilh\u00e3o de juros piora a situa\u00e7\u00e3o fiscal, abala a confian\u00e7a do investidor e pressiona para novos aumentos de juros, um efeito bola de neve.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado da economia real, o efeito da taxa de juros \u00e9 ainda mais nocivo. O acr\u00e9scimo da Selic al\u00e9m de desestimular os investimentos nas mais diversas \u00e1reas, pode levar \u00e0 contra\u00e7\u00e3o do setor industrial que propicia grande quantidade de empregos, desenvolve tecnologia e paga os melhores sal\u00e1rios do pa\u00eds. No longo prazo, o resultado \u00e9 mais um empurr\u00e3o na desindustrializa\u00e7\u00e3o e para o aumento do custo da produ\u00e7\u00e3o, que acaba sendo repassado aos pre\u00e7os. O resultado? Infla\u00e7\u00e3o futura. Tend\u00eancias similares vemos no com\u00e9rcio e servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos atualmente o velho dilema entre o rem\u00e9dio e o veneno. A Selic atual deixou de ser ant\u00eddoto h\u00e1 alguns meses para se tornar mais nociva \u00e0 economia brasileira. Al\u00e9m do impacto dos juros que ampliam o deficit nominal de forma muito mais intensa que qualquer pol\u00edtica social de transfer\u00eancia de renda do governo, temos o fato de que a contra\u00e7\u00e3o da economia provocada pela Selic alta reduz a arrecada\u00e7\u00e3o do governo. Por \u00faltimo, a redu\u00e7\u00e3o da competitividade dos diversos setores, pelo desest\u00edmulo ao investimento diante dos juros altos, prejudica nossa posi\u00e7\u00e3o no mercado internacional e eleva a infla\u00e7\u00e3o futura.<\/p>\n\n\n\n<p>*Odilon Guedes \u00e9 economista, mestre em Economia PUC\/SP, professor universit\u00e1rio e presidente do Conselho Regional de Economia de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de opini\u00e3o de Odilon Guedes*, presidente do Corecon-SP, publicado originalmente no Correio Braziliense Pagar R$ 1 trilh\u00e3o de juros piora a situa\u00e7\u00e3o fiscal, abala a confian\u00e7a do investidor e pressiona para novos aumentos de juros, um efeito bola de<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=24820\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":24823,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-24820","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24820"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24820"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24820\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24825,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24820\/revisions\/24825"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/24823"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}