{"id":24519,"date":"2025-01-13T12:50:45","date_gmt":"2025-01-13T15:50:45","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=24519"},"modified":"2025-01-13T12:50:48","modified_gmt":"2025-01-13T15:50:48","slug":"brasil-assume-a-presidencia-do-brics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=24519","title":{"rendered":"Brasil assume a presid\u00eancia do BRICS\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Atua\u00e7\u00e3o brasileira ter\u00e1 como pilares o fortalecimento da coopera\u00e7\u00e3o no chamado sul global e a reforma das institui\u00e7\u00f5es internacionais de governan\u00e7a<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 1\u00ba de janeiro de 2025 o Brasil assumiu a presid\u00eancia do BRICS, grupo de pa\u00edses que representam 40% da popula\u00e7\u00e3o global e 37% do PIB e t\u00eam apresentado uma contribui\u00e7\u00e3o relevante para o crescimento econ\u00f4mico global recente. O mandato tem a dura\u00e7\u00e3o de um ano e inclui a realiza\u00e7\u00e3o da reuni\u00e3o anual da c\u00fapula da institui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A presid\u00eancia brasileira adotou o lema \u201cFortalecendo a coopera\u00e7\u00e3o do sul global por uma governan\u00e7a mais inclusiva e sustent\u00e1vel\u201d e atuar\u00e1 com base em cinco prioridades: facilita\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e investimentos entre os pa\u00edses do grupo, com o desenvolvimento de meios de pagamento (em substitui\u00e7\u00e3o ao sistema Swift); promo\u00e7\u00e3o da governan\u00e7a inclusiva e respons\u00e1vel da intelig\u00eancia artificial para o desenvolvimento; aprimoramento das estruturas de financiamento para enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas; est\u00edmulo aos projetos de coopera\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses do sul global, com foco em sa\u00fade p\u00fablica; e fortalecimento institucional do BRICS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No campo da facilita\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, a cria\u00e7\u00e3o de um sistema de pagamentos tem como objetivos criar uma alternativa ao Swift, que atualmente domina as transfer\u00eancias internacionais e \u00e9 amplamente utilizado para transa\u00e7\u00f5es em d\u00f3lares. O movimento reflete a busca do bloco por maior autonomia financeira e comercial, especialmente num ambiente de tens\u00f5es geopol\u00edticas (a R\u00fassia sofre san\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios pa\u00edses pela guerra com a Ucr\u00e2nia). Ele pode envolver moedas locais, diminuindo a depend\u00eancia do d\u00f3lar, e usar a tecnologia blockchain. Al\u00e9m disso, na c\u00fapula realizada em 2024, em Kazan (R\u00fassia), a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, criticou o \u201cuso do d\u00f3lar como arma\u201d \u2013 que seria uma ferramenta norte-americana no sentido de barrar o crescimento das economias emergentes e isolar empresas do sul global.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar por moedas locais no com\u00e9rcio internacional tem levado o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, a amea\u00e7ar os pa\u00edses com o aumento da taxa\u00e7\u00e3o de seus produtos. Esta situa\u00e7\u00e3o faz com que um bloco como o BRICS ganhe em import\u00e2ncia, contrapondo-se a uma ordem internacional liderada pelos Estados Unidos e dominada pelo d\u00f3lar. Em termos de peso econ\u00f4mico, o BRICS \u00e9 maior que o G7, que une os pa\u00edses mais industrializados do mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o aprimoramento das estruturas de financiamento para enfrentar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica pode envolver a\u00e7\u00f5es como a cria\u00e7\u00e3o de um fundo clim\u00e1tico do BRICS ou o aumento do papel do Novo Banco de Desenvolvimento, uma das principais institui\u00e7\u00f5es do bloco para implementar as prioridades acordadas entre os membros do grupo. Na \u00e1rea da sa\u00fade p\u00fablica, a expans\u00e3o das parcerias para fabrica\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de vacinas e insumos m\u00e9dicos tamb\u00e9m pode ganhar um impulso importante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reforma da governan\u00e7a global foi uma bandeira que o presidente do Brasil, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, j\u00e1 levantou em setembro do ano passado, por ocasi\u00e3o da 79\u00aa Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Ele pontuou que a estrutura da organiza\u00e7\u00e3o permanece inalterada, apesar das mudan\u00e7as significativas ocorridas no cen\u00e1rio internacional desde a sua cria\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Presid\u00eancia do Brasil no BRICS<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A presid\u00eancia do BRICs \u00e9 rotativa e a cada ano a c\u00fapula elege um dos chefes de Estado dos pa\u00edses para ocupar o cargo. O Brasil presidiu o bloco em tr\u00eas ocasi\u00f5es e, de acordo com o rod\u00edzio, deveria faz\u00ea-lo em 2024 \u2013 no entanto, como no ano passado coube ao Pa\u00eds a presid\u00eancia do G20, foi acordado que o Brasil assumiria o cargo no BRICS em 2025.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na presid\u00eancia do G20 o Brasil liderou a Alian\u00e7a Global de Combate \u00e0 Fome, com um total de 148 ades\u00f5es, das quais 82 s\u00e3o de pa\u00edses. Os membros fundadores tamb\u00e9m incluem grandes organiza\u00e7\u00f5es internacionais, bancos de desenvolvimento (Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento, Banco Europeu de Investimentos, Banco Asi\u00e1tico de Desenvolvimento e Banco Interamericano de Desenvolvimento) e entidades filantr\u00f3picas (Funda\u00e7\u00e3o Rockfeller, Funda\u00e7\u00e3o Bill &amp; Melinda Gates, entre outras).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A agenda de debates \u00e9 bastante extensa e h\u00e1 mais de cem reuni\u00f5es previstas para acontecer neste ano, em Bras\u00edlia \u2013 e as primeiras j\u00e1 ocorreram nesta semana. O Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es teve um encontro do Grupo de Trabalho de Tecnologias para a Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o do BRICS; j\u00e1 o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva reuniu os ministros Rui Costa (Casa Civil), Mauro Vieira (Rela\u00e7\u00f5es Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda) e M\u00e1rcio Mac\u00eado (Secretaria-Geral).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O BRICS<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 controv\u00e9rsia quanto a cria\u00e7\u00e3o do acr\u00f4nimo BRIC. Ele foi usado pelo economista Jim O\u2019Neill, do grupo Goldman Sachs, num estudo publicado em 2001 (\u201cBuilding Better Global Economic BRICs\u201d). No entanto, \u00e9 poss\u00edvel que o termo tenha sido criado, na verdade, por uma jovem economista indiana-americana, Roopa Purushothaman. Ela aparece nos cr\u00e9ditos do relat\u00f3rio de O\u2019Neill como assistente de pesquisa do grupo do Goldman Sachs em Londres, mas foi respons\u00e1vel, junto com Dominic Wilson, pelo relat\u00f3rio \u201cDreaming with BRIC\u2019S: The Path to 2050\u201d, em elabora\u00e7\u00e3o desde 2000, mas publicado apenas em 2003. A partir da\u00ed, o acr\u00f4nico passou a ser usado mais vezes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A sigla referia-se a Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China, pa\u00edses emergentes com grande popula\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o territorial, al\u00e9m de r\u00e1pido crescimento econ\u00f4mico. Na tese proposta por Jim O\u2019Neill, o potencial dos pa\u00edses era tamanho que poderiam se tornar economias dominantes o mundo. Outros dois pa\u00edses seriam compar\u00e1veis, de acordo com um texto publicado em 2005: M\u00e9xico e Coreia do Sul. No entanto, foram inicialmente exclu\u00eddos porque eram considerados mais desenvolvidos, por serem membros da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os ministros das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores destes pa\u00edses come\u00e7aram a se reunir em 2006, por ocasi\u00e3o da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Estados Unidos. J\u00e1 no ano de 2009 foi realizada a primeira C\u00fapula do BRIC, com a presen\u00e7a dos quatro chefes de estado, em Ecaterimburgo, R\u00fassia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Expans\u00e3o do grupo<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No ano de 2010 a \u00c1frica do Sul solicitou sua inclus\u00e3o no grupo, que passou a ser BRICS. Na d\u00e9cada seguinte pouco se falou sobre a expans\u00e3o do grupo, mas ap\u00f3s a manifesta\u00e7\u00e3o de interesse do Ir\u00e3 e Argentina em 2022, outros pa\u00edses fizeram o mesmo no ano seguinte, totalizando 14 solicita\u00e7\u00f5es formais e 14 outras manifesta\u00e7\u00f5es de interesse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024 foi aprovada a entrada do Egito, Ar\u00e1bia Saudita, Emirados \u00c1rabes Unidos, Eti\u00f3pia e Ir\u00e3. J\u00e1 em 2025, sob a presid\u00eancia do Brasil, foi aceito o ingresso da Indon\u00e9sia como d\u00e9cimo-primeiro membro efetivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste cen\u00e1rio de expans\u00e3o do grupo e consolida\u00e7\u00e3o de interesses do sul global que o Brasil assume a presid\u00eancia em 2025. O momento representa uma oportunidade estrat\u00e9gica para consolidar o BRICS como um agente de transforma\u00e7\u00e3o na governan\u00e7a global, promovendo uma agenda que privilegia a coopera\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses e enfrenta desafios como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e as desigualdades econ\u00f4micas. Com uma pauta articulada, o Brasil busca incentivar solu\u00e7\u00f5es inovadoras que atendam \u00e0s demandas das economias emergentes, bem como fortalecer as posi\u00e7\u00f5es do bloco e se posicionar como um agente relevante nas rela\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atua\u00e7\u00e3o brasileira ter\u00e1 como pilares o fortalecimento da coopera\u00e7\u00e3o no chamado sul global e a reforma das institui\u00e7\u00f5es internacionais de governan\u00e7a No dia 1\u00ba de janeiro de 2025 o Brasil assumiu a presid\u00eancia do BRICS, grupo de pa\u00edses que representam<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=24519\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":24535,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-24519","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24519"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24519"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24519\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24536,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24519\/revisions\/24536"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/24535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}