{"id":24512,"date":"2025-01-10T16:32:01","date_gmt":"2025-01-10T19:32:01","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=24512"},"modified":"2025-01-10T16:36:58","modified_gmt":"2025-01-10T19:36:58","slug":"perspectivas-positivas-e-oportunidades-para-a-engenharia-em-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=24512","title":{"rendered":"Perspectivas positivas e oportunidades para a engenharia em 2025"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Texto publicado originalmente no portal do Sindicato dos Engenheiros no Estado de S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil fechou 2024 e entrou no ano novo embalado por indicadores dignos de comemora\u00e7\u00e3o. Segundo previs\u00f5es da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) pode ultrapassar os 3,5%. O desemprego no terceiro trimestre recuou a 6,4%, ficando no menor patamar da s\u00e9rie hist\u00f3rica medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Por fim, o mesmo \u00f3rg\u00e3o divulgou em dezembro que 8,7 milh\u00f5es de pessoas sa\u00edram, em 2023, da linha&nbsp; da pobreza \u2013 renda&nbsp;<em>per capita<\/em>&nbsp;no n\u00facleo familiar abaixo de R$ 665,00 pelos crit\u00e9rios do Banco Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m dos n\u00fameros, afirma o economista Antonio Corr\u00eaa de Lacerda, houve melhoria efetiva nas condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o. Na avalia\u00e7\u00e3o do professor-doutor do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Economia Pol\u00edtica da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP), isso se deu tanto pelo incremento na atividade econ\u00f4mica, que gerou emprego e renda, quanto pela retomada de programas sociais como Minha Casa, Minha Vida e Farm\u00e1cia Popular. \u201cEntre 2016 e 2022, prevaleceu a ideia da retirada do Estado da prote\u00e7\u00e3o social, da articula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas econ\u00f4micas, como um incentivador da economia. O que mudou com o Governo Lula foi a vis\u00e3o do papel do Estado para&nbsp;acelerar o desenvolvimento\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>Desempenhando tamb\u00e9m as fun\u00e7\u00f5es de membro da Comiss\u00e3o de Estudos Estrat\u00e9gicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) e de assessor da Presid\u00eancia da institui\u00e7\u00e3o, ele classifica como crucial a mudan\u00e7a de rumo e aposta em resultados positivos em 2025, com a manuten\u00e7\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o dos investimentos produtivos, recupera\u00e7\u00e3o industrial e avan\u00e7os nas agendas energ\u00e9ticas e ambientais. Centrais no projeto, afirma ele, s\u00e3o os programas estruturantes como Nova Ind\u00fastria Brasil (NIB), Programa de Transi\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica (PTE) e&nbsp; novo Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), \u201ciniciativas completamente em linha\u201d com o projeto \u201c<a href=\"https:\/\/www.crescebrasil.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento\u201d<\/a>&nbsp;da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Engenheiros (FNE).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Importante tamb\u00e9m ser\u00e1 a aguardada mudan\u00e7a de rota na pol\u00edtica monet\u00e1ria com a troca do comando do Banco Central, agora presidido por Gabriel Gal\u00edpolo. A esperan\u00e7a \u00e9 que, em m\u00e9dio prazo, a taxa de juros, que chegou a 12,25% em dezembro, se reduza, favorecendo o cr\u00e9dito, a produ\u00e7\u00e3o e o consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta entrevista ao&nbsp;<strong>Jornal do Engenheiro<\/strong>, Lacerda alerta tamb\u00e9m para os desafios representados pelas tens\u00f5es entre Executivo e Congresso e pelo cen\u00e1rio global de conflitos armados e crise clim\u00e1tica. Apesar dos obst\u00e1culos, ele acredita que o Brasil pode seguir avan\u00e7ando, mas v\u00ea como essencial a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil nos rumos do Pa\u00eds.&nbsp; \u201cEu acho que as entidades representativas, os sindicatos, n\u00f3s economistas, engenheiros, demais representantes profissionais, temos que exercer um papel cada vez mais ativo no sentido da exig\u00eancia de que as medidas sejam tomadas muito mais ao encontro do interesse coletivo do que setorizado ou individual\u201d, enfatiza. Confira a seguir e no v\u00eddeo ao final.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ano passado chegou ao fim com v\u00e1rios indicadores positivos, como queda no desemprego, menos pessoas abaixo da linha da pobreza e crescimento do PIB. Qual o seu balan\u00e7o dos resultados econ\u00f4micos do Brasil em 2024? A que se devem as melhorias?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que voc\u00ea pontuou corretamente, a avalia\u00e7\u00e3o da economia tem que ser feita, em \u00faltima inst\u00e2ncia, como \u00e9 que ela melhora a vida das pessoas. Para al\u00e9m das grandes aplica\u00e7\u00f5es financeiras, do c\u00e2mbio, dos juros, das taxas de desempenho do mercado financeiro como um todo, tem a vida das pessoas. E a vida dos brasileiros melhorou muito nos \u00faltimos dois anos e, particularmente, em 2024, porque a economia cresceu muito mais do que o esperado. J\u00e1 pelo segundo ano consecutivo, n\u00f3s temos um desempenho da&nbsp;economia muito melhor do que o inicialmente previsto pelo chamado mercado. Em 2023, no come\u00e7o do ano, todas as perspectivas apontavam um crescimento inferior a 1%. O resultado final foi de 3,2%. Em 2024, os primeiros progn\u00f3sticos eram de 1,5%, revistos depois para 2%, 2,5%, e tudo indica que o resultado ser\u00e1 acima de 3%. Algu\u00e9m j\u00e1 lembrou com propriedade que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o come PIB. Isso \u00e9 verdade. S\u00f3 que o PIB afeta todos os demais indicadores, porque uma economia crescendo representa mais sal\u00e1rios, mais renda, mais emprego, mais capacidade de consumo. Especialmente quando esse crescimento \u00e9 combinado com estabilidade relativa dos pre\u00e7os. N\u00e3o \u00e9 que a gente n\u00e3o tenha infla\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 uma infla\u00e7\u00e3o controlada. E outro ponto relevante \u00e9 se voc\u00ea combina isso tudo com outras medidas que favorecem a vida da popula\u00e7\u00e3o. Quando se retoma o Minha Casa, Minha Vida, que \u00e9 ligado \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, o Farm\u00e1cia Popular, que garante medicamentos para doen\u00e7as cr\u00f4nicas&#8230; Ent\u00e3o o meu balan\u00e7o \u00e9 muito positivo do que ocorreu em 2024. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E n\u00e3o h\u00e1 risco de descontrole inflacion\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O desempenho da infla\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 muito parecido e melhor, em alguns casos, que a m\u00e9dia internacional. Agora, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que, para a vida das pessoas, o fato de existir infla\u00e7\u00e3o representa um aumento do custo de vida. E isso tem que ser combatido da melhor forma poss\u00edvel, ampliando a oferta de alimentos, reduzindo o poder de forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os das empresas, os chamados oligop\u00f3lios e monop\u00f3lios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que medidas propiciaram essas melhorias nos \u00faltimos dois anos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 que mudou, fundamentalmente, do Governo Lula 3 em rela\u00e7\u00e3o aos seus dois antecessores mais pr\u00f3ximos? Entre 2016 e 2022, prevaleceu a ideia do chamado Estado m\u00ednimo, da retirada do Estado da prote\u00e7\u00e3o social, da articula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas econ\u00f4micas, como um incentivador da economia. O que mudou com o Governo Lula foi a vis\u00e3o do papel do Estado, dos bancos p\u00fablicos, das pol\u00edticas p\u00fablicas para acelerar o desenvolvimento. Ent\u00e3o, nos governos anteriores j\u00e1 mencionados, havia uma f\u00e9 inabal\u00e1vel de que as for\u00e7as do mercado se encarregariam de tornar poss\u00edvel o crescimento econ\u00f4mico com melhora da vida das pessoas. N\u00e3o h\u00e1 precedente na economia mundial de pa\u00edses que s\u00f3 via mercado tenham obtido esse desenvolvimento. O Brasil entrou na rota das melhores pr\u00e1ticas internacionais e das boas experi\u00eancias para que a economia voltasse a gerar emprego e renda, desse um tecido de prote\u00e7\u00e3o aos mais vulner\u00e1veis e, com isso, tamb\u00e9m obtivesse algum desempenho favor\u00e1vel de uma forma mais ampla, n\u00e3o restrita s\u00f3 aos mais favorecidos. A economia se recuperando significa tamb\u00e9m a arrecada\u00e7\u00e3o do Estado melhor, ent\u00e3o isso d\u00e1 mais espa\u00e7o, teoricamente, para a execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sociais. E em termos pr\u00e1ticos, quando o cidad\u00e3o que usa os servi\u00e7os p\u00fablicos vai a um posto de sa\u00fade retirar o seu rem\u00e9dio no programa Farm\u00e1cia Popular, isso n\u00e3o \u00e9 trivial. Em \u00e9pocas recentes passadas, isso parou de funcionar, isso \u00e9 uma melhoria \u00f3bvia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apesar dos indicadores positivos, o governo tem enfrentado cr\u00edticas e tem havido dificuldades junto ao Congresso e ao mercado financeiro especialmente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes as medidas tomadas pelo governo, embora favore\u00e7am a popula\u00e7\u00e3o, recebem cr\u00edticas por parte do mercado financeiro ou por parte do Congresso. Porque a\u00ed n\u00f3s entramos no chamado campo da economia pol\u00edtica. Existe hoje uma disputa entre o Legislativo e o Executivo na execu\u00e7\u00e3o de medidas, especialmente as chamadas emendas parlamentares. E isso, evidentemente, reflete essa tens\u00e3o. Da mesma forma, o mercado financeiro revela o interesse dos chamados rentistas. S\u00f3 para citar um dado, a rolagem da d\u00edvida p\u00fablica, ou seja, a d\u00edvida que o Estado brasileiro tem junto aos agentes econ\u00f4micos e pela qual todos n\u00f3s, pessoas que aplicamos no mercado financeiro, somos indiretamente beneficiados, mas que evidentemente a parte mais representativa fica com o setor financeiro, \u00e9 de R$ 800 bilh\u00f5es nos \u00faltimos 12 meses. Quanto isso \u00e9 comparativamente? Isso \u00e9 mais de 20 vezes o que a Uni\u00e3o investe em infraestrutura. Ent\u00e3o o que est\u00e1 em jogo, muitas vezes, no posicionamento tanto do mercado financeiro quanto parlamentar s\u00e3o interesses na disputa por esses recursos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda sobre a tens\u00e3o com o mercado financeiro, h\u00e1 a quest\u00e3o da taxa de juros. O Banco Central vem mantendo elevada a Selic e n\u00e3o h\u00e1 sinais de mudan\u00e7a nessa tend\u00eancia no curto prazo. Qual a sua avalia\u00e7\u00e3o dessa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As taxas de juros elevadas causam grandes malef\u00edcios \u00e0 economia. O primeiro deles \u2013 a gente acabou de tratar \u2013 \u00e9 o impacto sobre a d\u00edvida p\u00fablica. Segundo \u00e9 que torna o cr\u00e9dito e o financiamento mais caros, proibitivos, praticamente, isso inibe, portanto, o crescimento dos investimentos. E de uma certa forma voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 estimulando a atividade financeira em detrimento da produ\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o se algu\u00e9m vai tomar uma decis\u00e3o entre criar um neg\u00f3cio ou aplicar no mercado financeiro, a concorr\u00eancia dos t\u00edtulos p\u00fablicos e dos t\u00edtulos privados \u00e9 muito grande, porque eles oferecem uma taxa de rentabilidade que muitas vezes n\u00e3o \u00e9 obtida na produ\u00e7\u00e3o, na atividade que gera PIB. N\u00f3s estamos num momento de transi\u00e7\u00e3o, porque [neste m\u00eas de] janeiro muda a presid\u00eancia e uma parte significativa da diretoria do Banco Central. Algumas mudan\u00e7as est\u00e3o ocorrendo. A meta de infla\u00e7\u00e3o continua muito r\u00edgida \u2013 3% ao ano, com varia\u00e7\u00e3o de um ponto e meio a mais ou a menos, ent\u00e3o de 1,5% a 4,5%. Por outro lado, essa meta que era restrita ao ano em curso \u00e9 agora cont\u00ednua, ou seja, a ser alcan\u00e7ada permanentemente, o que d\u00e1 um pouco mais de flexibilidade. E n\u00f3s vamos ter uma diretoria do Banco Central, a meu ver, mais comprometida com a economia como um todo, e n\u00e3o apenas com a vis\u00e3o financeira. At\u00e9 pela forma\u00e7\u00e3o dos diretores e do futuro presidente, isso dever\u00e1 mudar. Ent\u00e3o eu diria que no curto prazo n\u00e3o d\u00e1 para dar um cavalo de pau na pol\u00edtica monet\u00e1ria, nas taxas de juros. Mas a minha vis\u00e3o de m\u00e9dio e longo prazos \u00e9 muito positiva. Tem que haver uma sintonia muito grande entre os minist\u00e9rios da \u00e1rea econ\u00f4mica e o Banco Central. Ent\u00e3o, sim, no curto prazo, n\u00f3s vamos ter uma eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros, que j\u00e1 est\u00e1 muito alta e vai continuar crescendo. Mas no m\u00e9dio e longo prazo acredito numa redu\u00e7\u00e3o. Eu entendo que, para al\u00e9m de compet\u00eancias individuais e qualquer outra caracter\u00edstica, a diretoria e a presid\u00eancia que assumem t\u00eam uma vis\u00e3o menos dogm\u00e1tica do papel da pol\u00edtica monet\u00e1ria, do papel das taxas de juros e de como se combate a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diante dos indicadores atuais e dessa sinaliza\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as na pol\u00edtica monet\u00e1ria, o que esperar para 2025? Qual a sua expectativa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho uma vis\u00e3o muito positiva. O resultado do crescimento da economia, do emprego, da renda e tamb\u00e9m da estabilidade dos pre\u00e7os tem a ver com as medidas que voc\u00ea toma. E o dado sobre o PIB, o \u00faltimo [dispon\u00edvel] \u00e9 do terceiro trimestre [de 2024], trouxe na sua estrutura fatores muito positivos. Isso porque, al\u00e9m do crescimento do consumo, que \u00e9 vis\u00edvel, n\u00f3s estamos tendo tamb\u00e9m o crescimento do investimento. Ou seja, a capacidade produtiva est\u00e1 aumentando. Estamos produzindo mais m\u00e1quinas e equipamentos, estamos investindo mais em infraestrutura. Ent\u00e3o isso tende a dar maior sustentabilidade no crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais impactos o cen\u00e1rio internacional pode ter na economia brasileira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil n\u00e3o est\u00e1 isolado do mundo, que vive desafios. \u00c9 um cen\u00e1rio p\u00f3s-pandemia que mudou a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre os pre\u00e7os relativos que afetam muito a composi\u00e7\u00e3o das cadeias internacionais de suprimentos. N\u00f3s tivemos e estamos tendo o efeito geopol\u00edtico das guerras entre Israel e Hamas, R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, agora [novo] conflito no Oriente M\u00e9dio [com a queda de Bashar al-Assad na S\u00edria]. Tudo isso afeta o comportamento dos pre\u00e7os b\u00e1sicos das economias como um todo, o pre\u00e7o do petr\u00f3leo, taxas de juros internacionais. E tamb\u00e9m, em termos pr\u00e1ticos, o pr\u00f3prio abastecimento. [Afeta] o pre\u00e7o de alimentos, de energia, de mat\u00e9rias-primas, das&nbsp;<em>commodities<\/em>&nbsp;no mercado internacional. Por um lado, \u00e0s vezes favorece o Brasil, porque \u00e9 um grande produtor de&nbsp;<em>commodities<\/em>, caf\u00e9, soja, carnes, milho, petr\u00f3leo. Por outro, voc\u00ea tem uma press\u00e3o de oferta, que a gente chama de um encarecimento de custos, que se reflete no mercado dom\u00e9stico. Algu\u00e9m poderia perguntar, somos o maior produtor e exportador de caf\u00e9, como \u00e9&nbsp;que o pre\u00e7o internacional afeta o dom\u00e9stico? Porque tudo isso que a gente est\u00e1 falando, mais a crise clim\u00e1tica, afeta o comportamento dos pre\u00e7os internacionais e a\u00ed entram os fatores de oferta e demanda, ou seja, de venda e produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o apenas f\u00edsico, porque isso tamb\u00e9m tem influ\u00eancia no mercado financeiro futuro. Ent\u00e3o h\u00e1 muita especula\u00e7\u00e3o, as&nbsp;<em>commodities<\/em>&nbsp;viraram tamb\u00e9m ativos financeiros. Assim como as taxas de c\u00e2mbio, ou seja, por exemplo, a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar afeta tamb\u00e9m o mercado dom\u00e9stico, por isso que tem tanto impacto. Tudo isso traz press\u00f5es inflacion\u00e1rias, aumento do custo de vida e risco de desabastecimento, que \u00e9 isso que tem que ser combatido. Ent\u00e3o, os desafios s\u00e3o muito grandes. N\u00f3s temos uma guerra tecnol\u00f3gica e comercial envolvendo as grandes pot\u00eancias, Estados Unidos e China, mas tamb\u00e9m a Uni\u00e3o Europeia. O Brasil n\u00e3o est\u00e1 parado, est\u00e1 se realinhando frente a esse novo quadro geoecon\u00f4mico. O Brasil voltou a ser um grande&nbsp;<em>player<\/em>&nbsp;nesse mercado internacional. Tudo \u00e9 muito desafiador, mas n\u00f3s temos todas as condi\u00e7\u00f5es. Quais s\u00e3o as nossas potencialidades? Somos um grande produtor no complexo agropecu\u00e1rio, mineral e petrol\u00edfero. Ent\u00e3o, fornecedor de alimentos e de energia e com autossufici\u00eancia h\u00eddrica, todos fatores que s\u00e3o muito importantes para o nosso desenvolvimento. E al\u00e9m disso, tamb\u00e9m qualitativamente, temos a matriz energ\u00e9tica mais limpa do mundo, 50% da nossa energia vem de fontes renov\u00e1veis, enquanto a m\u00e9dia internacional \u00e9 de 15%. Quando tomamos a matriz el\u00e9trica, esse percentual chega a quase 90%. N\u00f3s estamos falando da energia h\u00eddrica, e\u00f3lica, solar e da biomassa. Esse \u00e9 um grande potencial brasileiro. O Brasil, no \u00e2mbito do G-20, da COP 29, que foi realizada agora, e da COP 30, que ser\u00e1 realizada no Pa\u00eds, se destaca. E, na pr\u00e1tica, o que isso significa? Novos recursos, o Fundo Clima, o Fundo Amaz\u00f4nia recebem aportes de pa\u00edses porque o Brasil \u00e9 importante no jogo da descarboniza\u00e7\u00e3o, no combate \u00e0 emiss\u00e3o dos gases de efeito estufa, e, portanto, de um mundo que combate o aquecimento global. O Brasil tem essa enorme potencialidade e \u00e9 isso que nos d\u00e1 um cen\u00e1rio futuro muito positivo. A gente sabe que nada \u00e9 autom\u00e1tico, mas temos amplas condi\u00e7\u00f5es de continuar desempenhando muito bem e oferecendo uma qualidade de vida melhor para os brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nesse contexto, ser\u00e1 vi\u00e1vel promover a recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria ou a implanta\u00e7\u00e3o da neoindustrializa\u00e7\u00e3o, como o governo vem qualificando? Haver\u00e1 mais oportunidades para os engenheiros?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tr\u00eas programas estruturantes por parte do governo federal que s\u00e3o muito importantes para a retomada dos investimentos e, portanto, para a sustentabilidade desse crescimento em termos econ\u00f4micos, sociais e ambientais. O primeiro deles \u00e9 a Nova Ind\u00fastria Brasil (NIB), o programa de pol\u00edtica industrial, da neoindustrializa\u00e7\u00e3o, que foi lan\u00e7ado no come\u00e7o [de 2024] e j\u00e1 est\u00e1 em execu\u00e7\u00e3o. Abarca seis grandes miss\u00f5es, como, por exemplo, o complexo industrial e de servi\u00e7os da sa\u00fade, infraestrutura, digitaliza\u00e7\u00e3o, enfim, todas aquelas \u00e1reas que afetam diretamente a nossa capacidade produtiva. O NIB age em conson\u00e2ncia com o segundo programa estruturante, que \u00e9 o Plano de Transi\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica (PTE), que \u00e9 de intensifica\u00e7\u00e3o da nossa transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para um caminho mais sustent\u00e1vel. [E a h\u00e1] o novo Plano de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), de investimentos de R$ 1,8 trilh\u00e3o em quatro anos. Todos esses programas s\u00e3o de matura\u00e7\u00e3o mais de m\u00e9dio prazo, mas afetam o curto prazo. Os indicadores industriais finalmente come\u00e7am a reagir depois de anos de baixo desempenho. N\u00f3s estamos tendo alguns setores com forte intensifica\u00e7\u00e3o dos investimentos. Isso j\u00e1 come\u00e7a a se refletir nas contas nacionais, nos n\u00fameros do PIB. A forma\u00e7\u00e3o bruta de capital, que s\u00e3o os investimentos, est\u00e1 crescendo a 10% ao ano. Com um crescimento econ\u00f4mico geral de 3%, voc\u00ea est\u00e1 tendo um crescimento do investimento de 10%. Esse \u00e9 um indicador muito importante e que aponta sustentabilidade, porque voc\u00ea elimina gargalos potenciais futuros. Tudo isso, sem d\u00favida, cria oportunidades para o desempenho da economia e \u00e9 \u00f3bvio que a engenharia exerce um papel fundamental nisso, porque quem estrutura tecnicamente os projetos \u00e9 o conhecimento da engenharia, e isso retoma o papel dos engenheiros no processo de desenvolvimento brasileiro. E todas essas iniciativas est\u00e3o completamente em linha com as ideias do \u201cCresce Brasil\u201d. \u00c9 muito importante que haja essa conson\u00e2ncia, porque, embora a iniciativa do Estado via pol\u00edticas p\u00fablicas seja relevante, o maior executor, at\u00e9 pelos recursos dispon\u00edveis, \u00e9 o setor privado. Nesses dois \u00e2mbitos, p\u00fablico e privado, a engenharia exerce um papel muito relevante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que papel a reforma tribut\u00e1ria, cuja regulamenta\u00e7\u00e3o foi aprovada em dezembro, tem nessa perspectiva positiva para a economia brasileira? Que impacto ter\u00e1?<br><\/strong>Impacto muito positivo, foi um avan\u00e7o expressivo, depois de 30 anos, na reforma dos impostos indiretos, aqueles que incidem sobre produtos e servi\u00e7os e que t\u00eam, no cen\u00e1rio atual, 27 legisla\u00e7\u00f5es diferentes. Isso causa um grande transtorno para os agentes econ\u00f4micos, as empresas, as pessoas. Isso sendo uniformizado e simplificado \u00e9 um grande avan\u00e7o, que tende a diminuir tamb\u00e9m as distor\u00e7\u00f5es existentes. Qual o passo seguinte? Seria a segunda fase da reforma tribut\u00e1ria, que \u00e9 sobre a renda, o imposto direto. N\u00f3s temos hoje uma tributa\u00e7\u00e3o direta que \u00e9 regressiva, ou seja, quem ganha mais paga menos, ao contr\u00e1rio da tend\u00eancia internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Perspectivas positivas, portanto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, mas \u00e9 preciso lembrar que muitas das medidas dependem tamb\u00e9m do engajamento tanto dos demais poderes, especialmente o Legislativo, quanto do nosso comprometimento como sociedade. Eu acho que as entidades representativas da sociedade, os sindicatos, n\u00f3s economistas, engenheiros, demais representantes profissionais, temos que exercer um papel cada vez mais ativo no sentido da exig\u00eancia de que as medidas sejam tomadas muito mais ao encontro do interesse coletivo do que setorizado ou individual. Esse \u00e9 um aspecto relevante. Ent\u00e3o a perspectiva \u00e9 excelente do ponto de vista do que est\u00e1 sendo feito, mas n\u00f3s temos que intensificar essa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, esse papel que a sociedade deve exercer no apoio ou rejei\u00e7\u00e3o daquilo que lhe \u00e9 ou n\u00e3o favor\u00e1vel. Acho que isso \u00e9 uma mensagem importante que se diga, porque nada ocorre por acaso. E gostaria de destacar aqui o papel dos bancos p\u00fablicos, especialmente do BNDES, que est\u00e1 de volta ao seu papel hist\u00f3rico, muito relevante em tudo isso que n\u00f3s estamos falando, na reindustrializa\u00e7\u00e3o, na retomada da infraestrutura, no aumento dos investimentos, na gera\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de qualidade, no financiamento \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, das medidas sociais. O BNDES tem 72 anos, um quadro t\u00e9cnico de 2,5 mil colaboradores e uma diretoria alinhada hoje com os interesses coletivos. Na vis\u00e3o que prevaleceu no per\u00edodo a que me referi, de 2016 a 2022, de pretenso Estado m\u00ednimo, os bancos p\u00fablicos, de uma forma geral, foram atrofiados. Est\u00e3o voltando a desempenhar esse papel, mas como s\u00f3i acontecer, destruir \u00e9 muito mais f\u00e1cil do que construir. Ent\u00e3o o desafio de todos n\u00f3s \u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es, no caso que estamos falando aqui, principalmente as econ\u00f4micas, para atuar em prol desse desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Se preferir, assista ao v\u00eddeo da entrevista:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/darR3J1u-VU?si=AKEdTrgIad0uKN9b\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto publicado originalmente no portal do Sindicato dos Engenheiros no Estado de S\u00e3o Paulo O Brasil fechou 2024 e entrou no ano novo embalado por indicadores dignos de comemora\u00e7\u00e3o. Segundo previs\u00f5es da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), o crescimento do Produto<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=24512\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":24513,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-24512","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24512"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24512"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24512\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24518,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24512\/revisions\/24518"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/24513"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}