{"id":23954,"date":"2024-10-24T15:48:44","date_gmt":"2024-10-24T18:48:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=23954"},"modified":"2024-10-24T15:48:44","modified_gmt":"2024-10-24T18:48:44","slug":"quais-sao-as-licoes-do-nobel-de-economia-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23954","title":{"rendered":"Quais s\u00e3o as li\u00e7\u00f5es do Nobel de Economia para o Brasil?"},"content":{"rendered":"<p><em>A relev\u00e2ncia dessa teoria para o Brasil \u00e9 imediata e profunda. Nosso pa\u00eds, rico em recursos e potencial humano, ainda luta para alcan\u00e7ar n\u00edveis de desenvolvimento compat\u00edveis com suas aspira\u00e7\u00f5es. A pergunta que ecoa \u00e9: por qu\u00ea? Artigo de opini\u00e3o por Eduardo Ara\u00fajo*, publicado originalmente no jornal A Gazeta<\/em><\/p>\n<p>O Pr\u00eamio Nobel de Economia de 2024 lan\u00e7a luz sobre um tema crucial para o desenvolvimento brasileiro: o papel das institui\u00e7\u00f5es. Acemoglu, Robinson e Johnson, os laureados, demonstraram como as &#8220;regras do jogo&#8221; moldam o destino econ\u00f4mico das na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sua pesquisa revela que pa\u00edses pr\u00f3speros compartilham um tra\u00e7o comum: institui\u00e7\u00f5es inclusivas que promovem oportunidades amplas e inova\u00e7\u00e3o. Em contraste, na\u00e7\u00f5es estagnadas frequentemente sofrem com institui\u00e7\u00f5es extrativas, que concentram poder e riqueza. Essa distin\u00e7\u00e3o oferece uma lente poderosa para examinarmos os desafios do Brasil.<\/p>\n<p>A teoria desses economistas merece um olhar mais atento. Institui\u00e7\u00f5es inclusivas, argumentam eles, caracterizam-se por garantir direitos de propriedade, criar condi\u00e7\u00f5es equitativas e incentivar investimentos em novas tecnologias e habilidades. Elas promovem a inova\u00e7\u00e3o e permitem que novas ideias e empresas flores\u00e7am, substituindo as antigas quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por outro lado, institui\u00e7\u00f5es extrativas concentram poder e oportunidade nas m\u00e3os de uma elite. Elas desestimulam a inova\u00e7\u00e3o, pois as elites temem mudan\u00e7as que possam amea\u00e7ar seu poder. Essa teoria explica por que algumas na\u00e7\u00f5es prosperam enquanto outras, mesmo ricas em recursos, permanecem pobres.<\/p>\n<p>A relev\u00e2ncia dessa teoria para o Brasil \u00e9 imediata e profunda. Nosso pa\u00eds, rico em recursos e potencial humano, ainda luta para alcan\u00e7ar n\u00edveis de desenvolvimento compat\u00edveis com suas aspira\u00e7\u00f5es. A pergunta que ecoa \u00e9: por qu\u00ea? A resposta, sugerem os Nobel, pode estar em nossas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Duas \u00e1reas cruciais &#8211; educa\u00e7\u00e3o e tributa\u00e7\u00e3o &#8211; ilustram como institui\u00e7\u00f5es podem tanto impulsionar quanto frear o progresso. Analis\u00e1-las sob essa \u00f3tica pode revelar caminhos para um futuro mais pr\u00f3spero.<\/p>\n<p>O sistema educacional brasileiro, infelizmente, exemplifica institui\u00e7\u00f5es com tra\u00e7os extrativistas. A disparidade gritante entre escolas p\u00fablicas e privadas perpetua desigualdades. O Ideb de 2023 \u00e9 revelador: no ensino m\u00e9dio, escolas p\u00fablicas alcan\u00e7aram 4,1, enquanto as privadas chegaram a 5,6.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 mero n\u00famero; representa oportunidades negadas e talentos desperdi\u00e7ados. Al\u00e9m disso, apenas 37% das crian\u00e7as de 0 a 3 anos t\u00eam acesso a creches p\u00fablicas, muito abaixo da m\u00e9dia de 77% nos pa\u00edses da OCDE. Um sistema verdadeiramente inclusivo garantiria educa\u00e7\u00e3o de qualidade para todos, independentemente da origem socioecon\u00f4mica.<\/p>\n<p>O sistema tribut\u00e1rio brasileiro tamb\u00e9m carrega caracter\u00edsticas extrativas, principalmente em sua regressividade. Dados da Receita Federal mostram que 44% da arrecada\u00e7\u00e3o em 2021 veio de tributos sobre consumo, que oneram proporcionalmente mais os pobres.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/bf6e68bde123eb723d577e4ca31ff4f159284ed6-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23959\"\/><figcaption>Esplanada dos Minist\u00e9rios, com Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes ao fundo, em Bras\u00edlia. Cr\u00e9dito: Ricardo Penna<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio contrasta fortemente com pa\u00edses desenvolvidos. No Canad\u00e1, por exemplo, cerca de 50% da receita prov\u00e9m de impostos progressivos, contra apenas 22% no Brasil. Um sistema tribut\u00e1rio inclusivo distribuiria o \u00f4nus fiscal de forma mais equitativa, fomentando crescimento e reduzindo desigualdades.<\/p>\n<p>A li\u00e7\u00e3o do Nobel de Economia \u00e9 clara: para prosperar, o Brasil precisa transformar suas institui\u00e7\u00f5es extrativas em inclusivas. Isso significa repensar fundamentalmente como estruturamos nossos sistemas educacional e tribut\u00e1rio, entre outros. N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, mas \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 demonstrou capacidade de mudan\u00e7a institucional positiva, como na transi\u00e7\u00e3o para a democracia. Agora, o desafio \u00e9 aprofundar essas transforma\u00e7\u00f5es. Construir institui\u00e7\u00f5es verdadeiramente inclusivas n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o econ\u00f4mica; \u00e9 um imperativo moral para um pa\u00eds que aspira \u00e0 grandeza. O futuro do Brasil depende disso.<\/p>\n<p><em>* Eduardo Ara\u00fajo, \u00e9 consultor do Tesouro Estadual na Sefaz-ES. Conselheiro no Conselho Federal de Economia. Mestre em Pol\u00edticas P\u00fablicas pela Universidade de Oxford<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A relev\u00e2ncia dessa teoria para o Brasil \u00e9 imediata e profunda. Nosso pa\u00eds, rico em recursos e potencial humano, ainda luta para alcan\u00e7ar n\u00edveis de desenvolvimento compat\u00edveis com suas aspira\u00e7\u00f5es. A pergunta que ecoa \u00e9: por qu\u00ea? Artigo de opini\u00e3o<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23954\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-23954","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23954"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23954"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23954\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}