{"id":23899,"date":"2024-10-18T17:59:08","date_gmt":"2024-10-18T20:59:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=23899"},"modified":"2025-01-08T00:52:14","modified_gmt":"2025-01-08T03:52:14","slug":"since-2024-gt3-teve-debates-sobre-desenvolvimento-regional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23899","title":{"rendered":"SINCE 2024: GT3 teve debates sobre desenvolvimento regional"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Representantes das cinco regi\u00f5es do Brasil abordaram temas locais e nacionais envolvendo produtividade, desenvolvimento territorial, poupan\u00e7as e potencialidades locais<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Grupo de Trabalho n\u00ba 3 do SINCE teve como tema o debate sobre a conjuntura econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica do Brasil \u2013 e, nesta edi\u00e7\u00e3o, as discuss\u00f5es estiveram relacionadas ao desenvolvimento regional. O grupo contou com palestras de representantes das cinco regi\u00f5es, sendo eles os economistas Haroldo da Silva e Wallace Marcelino (Sudeste), Kerssia Preda Kamenach (Centro-Oeste), Kleber Mour\u00e3o (Norte), Lauro Chaves Neto (Nordeste) e Carlos Eduardo Pitz (Sul).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sudeste<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Haroldo da Silva falou sorbe alguns dos principais desafios globais (os Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel) e brasileiros e questionou em que os economistas poderiam contribuir para ajudar a endere\u00e7\u00e1-los. \u201cMeu tema mais importante hoje \u00e9 a produtividade\u201d, iniciou o economista, citando uma frase de Paul Krugman (\u201cA produtividade n\u00e3o \u00e9 tudo na economia, mas, a longo prazo, \u00e9 quase tudo\u201d). \u201cO crescimento da produtividade, ou a capacidade de produzir mais com menos, \u00e9 tudo o que realmente importa para o aumento dos padr\u00f5es de vida. E se os outros melhorarem, mas n\u00f3s melhorarmos menos, ficarmos para tr\u00e1s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Haroldo apresentou alguns n\u00fameros: o volume de pesquisa e desenvolvimento no PIB coreano \u00e9 de 4,56%, contra 1,2% no Brasil; a manufatura corresponde a 27% do PIB chin\u00eas contra 10% no Brasil. \u201cO IPEA fez um trabalho sobre a produtividade no Brasil. De 1947 a 1980, nossa produtividade per capita cresceu 4,5%. De 1981 a 2021, 0,8%. Estamos patinando\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>O economista Wallace Marcelino Pereira apresentou gr\u00e1ficos com informa\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o Sudeste. \u201cDe acordo com a teoria da mudan\u00e7a estrutural, as economias avan\u00e7am da agricultura para a ind\u00fastria, e na desindustrializa\u00e7\u00e3o ocorre o crescimento do setor de servi\u00e7os \u2013 s\u00e3o servi\u00e7os modernos, que capturam o conhecimento da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o e conseguem agregar valor\u201d, explica Wallace. \u201cO Sudeste, pelo seu passado industrial, consegue atrair este setor de servi\u00e7os moderno. Mas eles se concentram em S\u00e3o Paulo\u201d, citou, demonstrando preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com a taxa de informalidade no Brasil (39 a 40% nos \u00faltimos anos, enquanto no Nordeste \u00e9 um pouco menor: 33 a 34%).<\/p>\n\n\n\n<p>O economista tamb\u00e9m apresentou dados sobre as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. \u201cEm S\u00e3o Paulo e Minas Gerais os setores que mais emitem s\u00e3o os processos industriais, no Rio de Janeiro s\u00e3o os res\u00edduos e no Esp\u00edrito Santo a agropecu\u00e1ria\u201d, comentou. Wallace abordou tamb\u00e9m a quest\u00e3o fiscal, que vem sendo muito debatida. \u201cNa condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds perif\u00e9rico, temos um grande problema que demandar\u00e1 uma massa de recursos muito significativa. N\u00e3o podemos pensar na quest\u00e3o de ajuste fiscal \u2013 claro que \u00e9 importante controlar as contas, mas tamb\u00e9m temos que reestruturar a economia, ou ent\u00e3o ficaremos para tr\u00e1s, e n\u00f3s n\u00e3o podemos ficar para tr\u00e1s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Centro-Oeste<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Kerssia Preda Kamenach falou sobre a economia da regi\u00e3o Centro-Oeste e, de forma mais espec\u00edfica, de seu estado: Goi\u00e1s. \u201cAs pessoas estavam em busca de ouro nos s\u00e9culos 17 e 18. O ouro encontrado ali era de aluvi\u00e3o, um processo ainda mais complicado\u201d, comentou. \u201cAs outras atividades econ\u00f4micas vieram depois. A agropecu\u00e1ria originalmente era voltada para o consumo local, porque havia dificuldade de escoar esta produ\u00e7\u00e3o. Com a chegada da ferrovia, esta posi\u00e7\u00e3o melhorou. A moderniza\u00e7\u00e3o da nossa infraestrutura ocorreu na d\u00e9cada de 1970\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Kerssia mencionou que quando as pessoas falam da regi\u00e3o Centro-Oeste, imediatamente pensam no agroneg\u00f3cio, e trouxe uma s\u00e9rie de n\u00fameros da regi\u00e3o que a contextualizam dentro do cen\u00e1rio econ\u00f4mico nacional. Tamb\u00e9m falou sobre os arranjos produtivos locais (APLs) citando que o Centro-Oeste tem 25, e 22 deles est\u00e3o em Goi\u00e1s. Como desafios enfrentados pela regi\u00e3o, apontou que existe cr\u00e9dito, mas que nem sempre ele \u00e9 liberado: \u201cO empres\u00e1rio precisa dar uma garantia real de 130% e nem sempre ele consegue pleitear este recurso. Al\u00e9m disso, as taxas do FCO rural s\u00e3o mais baixas que as do FCO empresarial, o que estimula as atividades agropecu\u00e1rias, concentrando a economia\u201d, explanou. \u201cGoi\u00e1s tem incentivos fiscais mas n\u00e3o tem energia que consiga suportar a implanta\u00e7\u00e3o de mais ind\u00fastrias; al\u00e9m disso, v\u00e1rias rodovias est\u00e3o em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es e falta m\u00e3o de obra qualificada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Norte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Kleber Mour\u00e3o afirmou que a regi\u00e3o Norte do Brasil \u00e9 pouco conhecida e pouco valorizada. \u201cTemos uma grande \u00e1rea do territ\u00f3rio nacional, com sete estados e 450 munic\u00edpios \u2013 o estado de S\u00e3o Paulo, sozinho, tem mais\u201d, observou. \u201cApenas um munic\u00edpio da regi\u00e3o Norte est\u00e1 entre os 100 melhores IDHs do Pa\u00eds (Palmas, no Tocantins), mas 37 encontram-se entre os 100 piores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele caracterizou as economias de cada estado e as principais atividades da regi\u00e3o, concluindo que a estrutura produtiva \u00e9 de baixa complexidade \u2013 e tem os quatro estados com PIB mais baixo no Brasil. \u201cO Norte \u00e9 uma regi\u00e3o produtora e exportadora de bens prim\u00e1rios e semielaborados porque tem defici\u00eancias em infraestrutura, conflitos agr\u00e1rios, inseguran\u00e7a jur\u00eddica e reduzida presen\u00e7a do poder do Estado\u201d, diagnosticou, citando tamb\u00e9m a isen\u00e7\u00e3o de ICMS trazida pela Lei Kandir. \u201cTemos algumas potencialidades: uma das maiores biodiversidades do planeta, com uma infinidade de recursos naturais, proximidade da Europa, \u00c1frica, Am\u00e9rica do Norte e, pelo canal do Panam\u00e1, \u00c1sia; e carregamos a marca Amaz\u00f4nia, que vende\u201d. Como solu\u00e7\u00f5es, falou da import\u00e2ncia do planejamento e da presen\u00e7a do poder p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nordeste<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O conselheiro federal Lauro Chaves Neto falou sobre o desenvolvimento territorial e mencionou os desafios da regi\u00e3o Nordeste. \u201cTerrit\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 algo que cai do c\u00e9u. Voc\u00ea desenha um territ\u00f3rio com algumas caracter\u00edsticas. Se falarmos de Nordeste, o desenho \u00e9 um; mas h\u00e1 outro desenho incluindo o norte de Minas Gerais e do Esp\u00edrito Santo\u201d, comentou. Ele caracterizou a diferen\u00e7a entre desenvolvimento end\u00f3geno e ex\u00f3geno e falou sobre o porto de Pec\u00e9m. \u201cH\u00e1 20 anos, era uma col\u00f4nia de pescadores. O desenvolvimento end\u00f3geno seria desenvolver a col\u00f4nia. Mas aquele era o lugar do Cear\u00e1 com melhores condi\u00e7\u00f5es para ter um porto, o que transformou o territ\u00f3rio. Hoje temos uma sider\u00fargica da Arcelor Mittal. O desenvolvimento ex\u00f3geno causa mais transforma\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 o end\u00f3geno que traz o desenvolvimento social, a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e a inclus\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Calculando grosseiramente, quase um ter\u00e7o do PIB do nordeste est\u00e1 no estado da Bahia; outro ter\u00e7o est\u00e1 no Cear\u00e1 e Pernambuco; e o terceiro ter\u00e7o est\u00e1 nos demais estados. O crescimento dos \u00faltimos anos esteve alinhado com o crescimento Brasileiro (mas com um resultado bastante melhor em 2022). \u201cDesenvolvimento regional n\u00e3o \u00e9 apenas correr, mas correr mais r\u00e1pido do que os outros, para recuperar o atraso\u201d, comentou. Ele tamb\u00e9m abordou os n\u00fameros do PIB da regi\u00e3o (14% do Brasil, com 27% da popula\u00e7\u00e3o, o que d\u00e1 pouco mais da metade do PIB per capita nacional). \u201cN\u00e3o \u00e9 problema do governo atual, nem do anterior, nem do que veio antes. Estes n\u00fameros s\u00e3o assim desde que s\u00e3o medidos. A Sudene fez muitos esfor\u00e7os, mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudou. Hoje o Nordeste tem uma vantagem competitiva que nunca existiu: os aeroportos de Fortaleza e Recife se tornam hubs internacionais, a cadeia do hidrog\u00eanio verde tem muito potencial no estado do Cear\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O economista Carlos Eduardo Pitz abordou a quest\u00e3o das vulnerabilidades regionais e a poupan\u00e7a. \u201cAs enchentes no Rio Grande do Sul foram uma externalidade que traz o debate sobre as reservas financeiras das fam\u00edlias brasileiras. Como vamos recuperar o estado se a maioria das fam\u00edlias n\u00e3o tem poupan\u00e7as para viver por tr\u00eas meses\u201d, questionou. \u201cNo final do dia, a poupan\u00e7a \u00e9 igual ao investimento, dizia Keynes. No Brasil, essa conta n\u00e3o fecha. N\u00e3o temos investimento porque n\u00e3o temos poupan\u00e7a. As garantias exigidas de 130% para tomada de cr\u00e9dito s\u00e3o assim porque h\u00e1 demanda por cr\u00e9dito e n\u00e3o h\u00e1 dinheiro dispon\u00edvel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No plano macroecon\u00f4mico, Pitz apontou que a China tem 40% de sua renda bruta em poupan\u00e7as, enquanto no Brasil a taxa est\u00e1 em torno de 15 a 16%, quando a necessidade do pa\u00eds \u00e9 de 25%. Ele tamb\u00e9m citou que uma parte importante da poupan\u00e7a das fam\u00edlias estava em im\u00f3veis. \u201cNa teoria, investimento em im\u00f3vel n\u00e3o tem risco. Mas vem uma enchente e leva 45% do patrim\u00f4nio das fam\u00edlias\u201d, pontuou. \u201cH\u00e1 22% em fundos de investimento. Isso foi muito \u00fatil, mas n\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os dos que sofreram com a enchente. A poupan\u00e7a destas pessoas foi perdida\u201d. Por \u00faltimo, ele abordou o comportamento do brasileiro, colocando uma parte consider\u00e1vel da renda em consumo e pouco em poupan\u00e7a e investimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Confira as fotos do evento:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<a data-flickr-embed=\"true\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/201637772@N07\/albums\/72177720321302884\" title=\"28\u00ba SINCE\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/live.staticflickr.com\/65535\/54074354569_bb646c4973_z.jpg\" width=\"640\" height=\"480\" alt=\"28\u00ba SINCE\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Representantes das cinco regi\u00f5es do Brasil abordaram temas locais e nacionais envolvendo produtividade, desenvolvimento territorial, poupan\u00e7as e potencialidades locais O Grupo de Trabalho n\u00ba 3 do SINCE teve como tema o debate sobre a conjuntura econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica do<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23899\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[60,2],"tags":[],"class_list":["post-23899","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-acoes-da-presidencia-dantas","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23899"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23899"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23899\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24454,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23899\/revisions\/24454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}