{"id":23847,"date":"2024-10-04T15:31:18","date_gmt":"2024-10-04T18:31:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=23753"},"modified":"2025-08-26T12:48:28","modified_gmt":"2025-08-26T15:48:28","slug":"podcast-economistas-como-um-banco-comunitario-pode-fazer-a-diferenca-no-territorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23847","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Como um banco comunit\u00e1rio pode fazer a diferen\u00e7a no territ\u00f3rio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Epis\u00f3dio fala sobre os bancos Alegrias, em Paraty, e Jardim Bot\u00e2nico, em Jo\u00e3o Pessoa. Conhe\u00e7a suas atividades, projetos e impactos sobre a comunidade em que atuam<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os bancos comunit\u00e1rios s\u00e3o uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento local que vem ganhando cada vez mais espa\u00e7o no Brasil. Eles geralmente s\u00e3o criados em territ\u00f3rios economicamente e socialmente vulner\u00e1veis e funcionam com base nos princ\u00edpios da economia solid\u00e1ria, aumentando o volume de transa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas nestes espa\u00e7os. E o podcast Economistas desta semana fala sobre dois deles. Ou\u00e7a na sua plataforma favorita ou no player abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p><\/p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/132---Como-um-banco-comunitrio-pode-fazer-a-diferena-no-territrio-e2p85o5\/a-abihfev\" height=\"204px\" width=\"800px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1990 o Banco Palmas foi pioneiro no uso de moeda social local e no desenvolvimento de uma metodologia para apoiar comunidades de baixa renda. Ele opera no Conjunto Palmeira, um bairro localizado na periferia de Fortaleza, no Cear\u00e1, e que tinha 25 mil habitantes. A partir do sucesso desta experi\u00eancia, o modelo tem sido replicado em outros lugares do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Banco Alegrias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, numa comunidade quilombola de Paraty, no Rio de Janeiro, a Rede Alegrias iniciou um movimento para criar uma moeda social que valorizasse os talentos das pessoas. O movimento foi inspirado na moeda Inkiri, que circula na Ecovila Inkiri Piracanga, na Bahia. Foi assim que surgiu a moeda Alegrias. A iniciativa encontrou apoio em algumas institui\u00e7\u00f5es e a moeda social ganhou for\u00e7a durante a pandemia e j\u00e1 circula entre v\u00e1rias pessoas e estabelecimentos da cidade. O passo seguinte foi a cria\u00e7\u00e3o de um banco, uma iniciativa que contou com o suporte da Rede Paulista de Bancos Comunit\u00e1rios<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s trouxemos, no momento da cria\u00e7\u00e3o do banco comunit\u00e1rio, a experi\u00eancia da moeda complementar, que us\u00e1vamos h\u00e1 quatro anos. E esta moeda nos ensinou muito sobre o valor da comunidade e quanto ela \u00e9 importante para o fortalecimento dessa economia\u201d, explica M\u00e1rcia Targino, gestora do Banco Alegrias. \u201cO relacionamento e as trocas nos mostraram o valor que tem estar dentro de uma comunidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto do Banco Alegrias na cidade de Paraty pode ser medido por meio de n\u00fameros. Desde o in\u00edcio do trabalho, mais de 278 mil reais foram convertidos em moeda social. Mas quando se leva em conta a circula\u00e7\u00e3o de dinheiro dentro da comunidade, o valor de compras e vendas supera 1 milh\u00e3o de reais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s fazemos trimestralmente o relat\u00f3rio de transpar\u00eancia. Como o banco comunit\u00e1rio e a moeda social podem transformar o territ\u00f3rio, como isso pode trazer dignidade. Hoje temos, em circula\u00e7\u00e3o, 77 mil Alegrias\u201d, conta M\u00e1rcia. Dos 278 mil reais originalmente convertidos em moeda social, uma parte foi utilizada para pagamento de boletos \u2013 algo permitido pelo aplicativo E-dinheiro. \u201cEm circula\u00e7\u00e3o e compra\/venda, mais de tr\u00eas vezes este valor circulou dentro da comunidade na forma de moeda social. Os n\u00fameros mostram que tanto a moeda social como os bancos comunit\u00e1rios podem fazer diferen\u00e7a mesmo tendo um pequeno n\u00famero de associados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do banco comunit\u00e1rio, a Rede Alegrias promoveu outras iniciativas de sucesso. Em 2021 ela realizou um curso de capacita\u00e7\u00e3o em economia local, moedas sociais e finan\u00e7as solid\u00e1rias; no ano seguinte, um curso sobre solu\u00e7\u00f5es criativas para desafios sociais contempor\u00e2neos; e em 2023, finan\u00e7as regenerativas como ferramenta de constru\u00e7\u00e3o de futuros desej\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Banco Jardim Bot\u00e2nico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2013 foi inaugurado na Para\u00edba o Banco Jardim Bot\u00e2nico. As discuss\u00f5es come\u00e7aram um ano e meio antes, com a cria\u00e7\u00e3o de um Conselho Gestor e um Conselho de Avalia\u00e7\u00e3o de Cr\u00e9dito. O fundador, Daniel Santos Pereira, foi at\u00e9 Fortaleza com algumas pessoas da comunidade para conhecer a experi\u00eancia do Banco Palmas. A moeda social Orqu\u00eddea foi lan\u00e7ada em 2012, durante o II Encontro Nordestino de Incubadoras de Empreendimentos Solid\u00e1rios, e no ano seguinte a sede do banco foi inaugurada numa cerim\u00f4nia que teve a presen\u00e7a de v\u00e1rios representantes de institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e do poder p\u00fablico estadual e municipal, al\u00e9m de universidades e moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s temos a parceria do Comit\u00ea de Energias Renov\u00e1veis, de um projeto de extens\u00e3o universit\u00e1ria da Universidade Federal da Para\u00edba e do Instituto Federal de Ci\u00eancia e Tecnologia\u201d, comenta Daniel. \u201cEste projeto visa fazer com que o nosso banco comunit\u00e1rio crie a primeira cooperativa de cr\u00e9dito solar comunit\u00e1ria no estado e possamos garantir energia limpa, de qualidade e a baixo custo para os moradores da comunidade e para o banco comunit\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferente de outros bancos que atuam em cidades inteiras ou bairros, o banco Jardim Bot\u00e2nico atua na Comunidade S\u00e3o Rafael, que n\u00e3o chega a ser um bairro em Jo\u00e3o Pessoa. O mapeamento das necessidades desta comunidade foi um fator importante para direcionar as atividades do banco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cT\u00ednhamos dificuldade para fazer com que a nossa comunidade atuasse em outras \u00e1reas para gerar crescimento sustent\u00e1vel dentro do territ\u00f3rio. Quando fomos conhecer a experi\u00eancia do Banco Palmas, uma das a\u00e7\u00f5es da metodologia \u00e9 o mapeamento socioecon\u00f4mico\u201d, comentou. \u201cMapeamos a comunidade para saber o que ela precisava e como o banco poderia ajudar. Visitamos casa por casa para saber quantos moradores existiam, quantos eram homens, mulheres, crian\u00e7as, quantos trabalhavam com carteira assinada ou tinham seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio, ou se trabalhavam em empreendimentos coletivos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi\u00e3o foi constatado que 70% das pessoas da comunidade estavam gerando renda dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Eram cerca de 70 estabelecimentos comerciais, 3.500 habitantes e 500 resid\u00eancias. O mapeamento tamb\u00e9m permitiu verificar que dentro da Comunidade S\u00e3o Rafael havia equipamentos p\u00fablicos (como uma escola, uma unidade de sa\u00fade, uma pra\u00e7a, uma passarela met\u00e1lica, uma esta\u00e7\u00e3o elevat\u00f3ria de esgoto e uma r\u00e1dio \u2013 que \u00e9, inclusive a r\u00e1dio mais antiga da Para\u00edba), e o trabalho do banco tamb\u00e9m passou por discutir a melhor forma de mant\u00ea-los.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o dessa usina solar em parceria com a UFPB, o banco est\u00e1 investindo numa padaria comunit\u00e1ria e numa horta comunit\u00e1ria. Poderemos ter uma produ\u00e7\u00e3o de p\u00e3es para vend\u00ea-los mais barato\u201d, aponta Pereira. \u201cMais pessoas poder\u00e3o comer e comprar p\u00e3o, e elas v\u00e3o economizar para comprar outras coisas e estimular a economia do nosso territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro projeto \u00e9 um biodigestor de esgoto para a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural. \u201cEsse g\u00e1s vai alimentar os fornos da nossa padaria, diminuindo ainda mais o custo dos p\u00e3es. Ao mesmo tempo, criaremos este espa\u00e7o 100% sustent\u00e1vel ambientalmente e financeiramente, que \u00e9 a sede do banco comunit\u00e1rio Jardim Bot\u00e2nico\u201d, comemora. \u201cCom isso, poderemos fazer um debate mais aprofundado sobre sustentabilidade com os moradores da periferia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Epis\u00f3dio fala sobre os bancos Alegrias, em Paraty, e Jardim Bot\u00e2nico, em Jo\u00e3o Pessoa. 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