{"id":23627,"date":"2024-09-20T17:37:05","date_gmt":"2024-09-20T20:37:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=23627"},"modified":"2024-09-20T17:37:05","modified_gmt":"2024-09-20T20:37:05","slug":"lugar-de-mulher-e-na-ciencia-tecnologia-e-informacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23627","title":{"rendered":"Lugar de mulher \u00e9 na ci\u00eancia, tecnologia e informa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>No Semin\u00e1rio da Mulher Economista e Diversidade, \u00c9rika Leal, Juliana Duffles, M\u00e1rcia Rapini e Tania Teixeira discutem como a pandemia, a maternidade e outras quest\u00f5es afetam a participa\u00e7\u00e3o feminina na pesquisa<\/em><\/p>\n<p>\u00c9rika viu as fotos de ex-professores na parede da faculdade e notou a predomin\u00e2ncia masculina. Juliana comentou que a desindustrializa\u00e7\u00e3o afeta o SUS. M\u00e1rcia se questionou se as mulheres estavam conseguindo realizar atividades de pesquisa durante a pandemia. Tania se pergunta se a ci\u00eancia s\u00f3 tem lugar para mulheres sem filhos. Todas estas quest\u00f5es fizeram parte da terceira mesa do 2\u00ba Semin\u00e1rio Mulher Economista e Diversidade, que teve media\u00e7\u00e3o de Beatriz Cavalcante e coment\u00e1rios de Teresinha de Jesus Ferreira da Silva e foi realizada no dia 13 de setembro na Universidade Federal de Minas Gerais. O v\u00eddeo pode ser assistido <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TRYrsNp5AL0\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>AQUI<\/strong><\/span><\/a>.<\/p>\n<p><span data-teams=\"true\"><span class=\"ui-provider a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z ab ac ae af ag ah ai aj ak\" dir=\"ltr\">O semin\u00e1rio foi organizado pela Comiss\u00e3o Mulher Economista e Diversidade do Cofecon, coordenada pela conselheira Teresinha de Jesus Ferreira da Silva, em parceria com o Conselho Regional de Economia de Minas Gerais, presidido pela economista Valqu\u00edria Assis, e com outros Corecons.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00c9rika Leal<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9rika Leal, professora do Instituto Federal do Esp\u00edrito Santo e doutora em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, falou do momento enquanto se dirigia ao evento. \u201cVim andando pelo corredor, vendo as fotos de ex-professores, e h\u00e1 uma predomin\u00e2ncia masculina. Hoje, diante de um audit\u00f3rio majoritariamente feminino, j\u00e1 come\u00e7amos a entender qu\u00e3o simb\u00f3lico \u00e9 este momento que estamos vivendo\u201d, apontou. Destacou tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de homenagear figuras femininas como a professora Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares. \u201cOuvimos por muitos anos que esse n\u00e3o era o nosso lugar, que economia era coisa de homem, porque era muito dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p>A palestrante trouxe dados sobre a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas esferas de poder da ci\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o. Apesar de avan\u00e7os significativos em termos de titula\u00e7\u00e3o, com mais de 56% dos t\u00edtulos de mestre e doutor concedidos a mulheres em 2021, Leal ressaltou que essa presen\u00e7a feminina n\u00e3o se traduz nos cargos de lideran\u00e7a e nos financiamentos. &#8220;Quando falamos de poder, a hist\u00f3ria \u00e9 outra. De 51 at\u00e9 2018, n\u00e3o houve uma mulher sequer na presid\u00eancia do CNPQ&#8221;, observou. \u201cNas universidades federais, em 2018, t\u00ednhamos apenas 28% de mulheres nos cargos de reitora. Vimos um retrocesso terr\u00edvel numa decis\u00e3o recente no Esp\u00edrito Santo, a primeira reitora eleita n\u00e3o tomou posse. Na Academia Brasileira de Ci\u00eancias, em mais de um s\u00e9culo, somente em 2022 a primeira mulher, Helena Nader, chegou \u00e0 presid\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Ao abordar os editais de inova\u00e7\u00e3o, \u00c9rika Leal apresentou dados que revelam uma diferen\u00e7a ainda mais gritante. &#8220;Nos editais voltados para inova\u00e7\u00e3o, especialmente aqueles com maior complexidade e financiamento, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres cai drasticamente&#8221;, explicou. Ela tamb\u00e9m compartilhou a experi\u00eancia da professora Cristina Engel, primeira mulher a presidir a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Esp\u00edrito Santo (FAPES). Sob sua lideran\u00e7a, foi lan\u00e7ado o edital &#8220;Mulheres na Ci\u00eancia&#8221;, que apoiou exclusivamente mulheres pesquisadoras, com 1,5 milh\u00e3o de reais investidos em 2022 e mais 51 projetos financiados em 2023. &#8220;Quando temos mulheres no poder, as pol\u00edticas come\u00e7am a ser feitas para todos, e n\u00e3o apenas para eles&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Juliana Duffles<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisadora Juliana Duffles, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) mencionou uma vis\u00e3o integrada sobre as ci\u00eancias. \u201cSou economista. Sempre estudei pol\u00edtica social. Em geral, os mundos da pol\u00edtica social, industrial e de ci\u00eancia e tecnologia s\u00e3o apartados. O que fazemos na Fiocruz \u00e9 ter uma vis\u00e3o integrada. N\u00e3o podemos enxergar as transforma\u00e7\u00f5es sociais descoladas da l\u00f3gica econ\u00f4mica produtiva e da ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o\u201d, comentou. &#8220;A Fiocruz nasceu como fabricante de soros e, desde o in\u00edcio, se consolidou como uma base produtiva que contribuiu para a sa\u00fade p\u00fablica&#8221;.<\/p>\n<p>Duffles sublinhou a import\u00e2ncia de um desenvolvimento que n\u00e3o se restringe ao crescimento econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es sociais. Para isso, citou refer\u00eancias te\u00f3ricas como Schumpeter, Marx, Celso Furtado e Keynes, que embasam o conceito de complexo econ\u00f4mico industrial da sa\u00fade, uma pol\u00edtica p\u00fablica que busca fortalecer a base produtiva e tecnol\u00f3gica do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). &#8220;N\u00f3s precisamos pensar a estrutura produtiva e tecnol\u00f3gica que dar\u00e1 suporte a uma sociedade mais justa, capaz de oferecer um sistema universal de sa\u00fade&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Segundo a economista, o Brasil possui o maior sistema universal de sa\u00fade do mundo, o SUS, que movimenta quase 10% do PIB e emprega cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o ocupada no pa\u00eds. &#8220;\u00c9 um sistema produtivo que exige alt\u00edssima inova\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de ser chave para o desenvolvimento econ\u00f4mico, o complexo econ\u00f4mico da sa\u00fade \u00e9 vital para a soberania nacional&#8221;, declarou. Ela ressaltou, no entanto, que a fragilidade industrial e tecnol\u00f3gica do Brasil prejudica o SUS, tornando-o dependente de importa\u00e7\u00f5es de equipamentos e insumos. &#8220;Nos \u00faltimos 40 anos, o Brasil passou por um processo intenso de desindustrializa\u00e7\u00e3o, e isso reflete diretamente na capacidade do SUS de fornecer sa\u00fade universal&#8221;, alertou.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1rcia Rapini<\/strong><\/p>\n<p>A professora M\u00e1rcia Rapini, que neste ano recebeu do Corecon-MG o pr\u00eamio Mulher Economista, falou acerca do trabalho que realizou sobre as mulheres na pandemia. &#8220;Durante o lockdown em Belo Horizonte, que durou 1 ano e 10 meses, eu tinha meus filhos em casa e me perguntei: ser\u00e1 que as mulheres est\u00e3o conseguindo fazer pesquisa?\u201d, questionou. Rapini detalhou como seu trabalho, iniciado na pandemia, buscou mapear as iniciativas das universidades p\u00fablicas e o financiamento direcionado a projetos relacionados \u00e0 Covid-19. &#8220;O financiamento que chegou permitiu respirar, tirar projetos da gaveta e reorientar para as quest\u00f5es da Covid&#8221; explicou, evidenciando a capacidade acumulada das universidades federais em enfrentar a crise.<\/p>\n<p>Um dos dados mais impactantes apresentados foi a diminui\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das mulheres na apresenta\u00e7\u00e3o de projetos durante o primeiro semestre de 2020. &#8220;As mulheres s\u00f3 conseguiram se organizar e enviar mais propostas de projetos a partir de 2021,&#8221; afirmou Rapini. A pesquisa mostrou que apenas 4,1% das pesquisadoras com filhos conseguiam trabalhar normalmente, enquanto 28% das m\u00e3es com filhos at\u00e9 6 anos publicavam regularmente, em compara\u00e7\u00e3o com 52% dos pais na mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m revelou que as mulheres se destacaram em projetos de financiamento que n\u00e3o eram especificamente direcionados \u00e0 Covid, mostrando que, mesmo em um cen\u00e1rio de escassez de recursos, elas buscaram alternativas para garantir seu espa\u00e7o na pesquisa. &#8220;As desigualdades j\u00e1 existentes foram acentuadas durante a pandemia, e as quest\u00f5es com que as mulheres se preocupam ficaram fora do radar,&#8221; afirmou Rapini. &#8220;A pesquisa deve refletir as preocupa\u00e7\u00f5es e realidades de todos os g\u00eaneros, pois a subrepresenta\u00e7\u00e3o leva \u00e0 lacunas no entendimento dos impactos da Covid-19,&#8221; finalizou a economista, fazendo um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o por maior inclus\u00e3o e diversidade na pesquisa cient\u00edfica.<\/p>\n<p><strong>Tania Teixeira<\/strong><\/p>\n<p>A conselheira federal Tania Teixeira come\u00e7ou trazendo a participa\u00e7\u00e3o feminina no \u00e2mbito do Sistema Cofecon\/Corecons. \u201cNuma representa\u00e7\u00e3o de classe profissional como a nossa, a gente observa uma participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m dif\u00edcil. Temos tentado de forma muito decisiva ampliar a participa\u00e7\u00e3o da mulher nos f\u00f3runs decis\u00f3rios, seja nos Corecons, seja no Cofecon\u201d, apontou a economista, que \u00e9 ex-presidente do Corecon-MG. \u201cHoje temos um n\u00famero muito mais significativo de mulheres, professoras, pesquisadoras, profissionais, que est\u00e3o buscando ampliar essa participa\u00e7\u00e3o de forma qualitativa. O lugar da mulher \u00e9 onde ela quiser\u201d.<\/p>\n<p>Tania levantou preocupa\u00e7\u00f5es sobre a desigualdade de g\u00eanero. &#8220;\u00c9 preciso questionar por que existem t\u00e3o poucas mulheres na ci\u00eancia e refletir sobre os entraves que dificultam sua participa\u00e7\u00e3o efetiva no conhecimento&#8221;, destacou. Tamb\u00e9m mencionou sua experi\u00eancia acad\u00eamica na Europa, onde, mesmo em um ambiente mais incentivador, as mulheres enfrentam desafios semelhantes. &#8220;A pergunta que fica \u00e9: a ci\u00eancia s\u00f3 tem espa\u00e7o para mulheres que n\u00e3o t\u00eam filhos?&#8221;, questionou, enfatizando a necessidade de repensar o papel da maternidade na carreira cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m apontou dados alarmantes sobre a presen\u00e7a feminina na pesquisa. &#8220;As mulheres representam apenas 30% dos investigadores no setor privado e um ter\u00e7o na comunidade docente&#8221;, afirmou. &#8220;Precisamos estar dentro dos n\u00facleos de inova\u00e7\u00e3o, contribuindo para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. N\u00e3o podemos deixar que as desigualdades nos governem&#8221;, concluiu, enfatizando a necessidade de a\u00e7\u00f5es concretas para promover a equidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Semin\u00e1rio da Mulher Economista e Diversidade, \u00c9rika Leal, Juliana Duffles, M\u00e1rcia Rapini e Tania Teixeira discutem como a pandemia, a maternidade e outras quest\u00f5es afetam a participa\u00e7\u00e3o feminina na pesquisa \u00c9rika viu as fotos de ex-professores na parede da<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23627\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23628,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-23627","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23627"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23627"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23627\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/23628"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}