{"id":23617,"date":"2024-09-20T17:26:30","date_gmt":"2024-09-20T20:26:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=23617"},"modified":"2024-09-20T17:26:30","modified_gmt":"2024-09-20T20:26:30","slug":"a-automacao-e-o-trabalho-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23617","title":{"rendered":"A automa\u00e7\u00e3o e o trabalho feminino"},"content":{"rendered":"<p><em>Ana Hermeto, Marilane Teixeira e L\u00facia Garcia discutem a inser\u00e7\u00e3o feminina nas carreiras de tecnologia e como as tarefas s\u00e3o afetadas pela automa\u00e7\u00e3o, durante o 2\u00ba Semin\u00e1rio da Mulher Economista e Diversidade<\/em><\/p>\n<p>A primeira mesa do 2\u00ba Semin\u00e1rio Mulher Economista e Diversidade teve como tema \u201cAs mulheres, a tecnologia e o futuro do trabalho\u201d e contou com as professoras Ana Hermeto e Marilane Teixeira e a pesquisadora L\u00facia Garcia. A media\u00e7\u00e3o foi da economista Andr\u00e9a Prodhol, com coment\u00e1rios de Eul\u00e1lia Alvarenga. A mesa de debates pode ser assistida <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=K1LY2kHeDbM\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>AQUI<\/strong><\/span><\/a>.<\/p>\n<p><span data-teams=\"true\"><span class=\"ui-provider a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z ab ac ae af ag ah ai aj ak\" dir=\"ltr\">O semin\u00e1rio foi realizado nos dias 12 e 13 de setembro pela Comiss\u00e3o Mulher Economista e Diversidade do Cofecon, coordenada pela conselheira Teresinha de Jesus Ferreira da Silva, em parceria com o Conselho Regional de Economia de Minas Gerais, presidido pela economista Valqu\u00edria Assis, e com outros Corecons.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Ana Hermeto<\/strong><\/p>\n<p>A professora Ana Hermeto apontou que a automatiza\u00e7\u00e3o, a robotiza\u00e7\u00e3o e a intelig\u00eancia artificial de forma diferenciada, considerando a divis\u00e3o de g\u00eanero nas ocupa\u00e7\u00f5es e nas tarefas dentro de cada ocupa\u00e7\u00e3o. \u201cPrever os efeitos de g\u00eanero dessas mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas \u00e9 bastante complicado. Podemos pensar num potencial de retrocesso de conquistas de igualdade de g\u00eanero\u201d, argumentou Ana. \u201cA flexibiliza\u00e7\u00e3o do trabalho pode ser uma volta das mulheres ao trabalho nos pr\u00f3prios domic\u00edlios, o duplo fardo\u201d.<\/p>\n<p>Proje\u00e7\u00f5es da OCDE sobre os impactos iniciais da automa\u00e7\u00e3o apontam que 48% das mulheres e 52% dos homens podem perder os empregos no mundo. \u201cTarefas mais cognitivas, de intera\u00e7\u00e3o pessoal e setores de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o menos afetados por estas disrup\u00e7\u00f5es\u201d, apontou a professora. \u201cPor outro lado, este \u00e9 um retrocesso na pr\u00f3pria ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o das mulheres em todos os setores e esse empoderamento feminino em termos de ocupa\u00e7\u00e3o de fato\u201d.<\/p>\n<p>Ela v\u00ea as mulheres relativamente protegidas pela import\u00e2ncia de habilidades pessoais e sociais atualmente n\u00e3o automatiz\u00e1veis. \u201cO que os nossos dados mostram, as mulheres trabalham em menos atividades rotineiras do que os homens. Ent\u00e3o, menos afetadas pela automa\u00e7\u00e3o digitaliza\u00e7\u00e3o e robotiza\u00e7\u00e3o, mas mais em tarefas que podem ser afetadas pela intelig\u00eancia artificial\u201d, observa Hermeto. Por fim, ela mencionou que as ocupa\u00e7\u00f5es na \u00e1rea de ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica pagam sal\u00e1rios melhores, mas t\u00eam maior desigualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Ana Hermeto \u00e9 professora associada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde atua na \u00e1rea de Demografia Econ\u00f4mica e Economia Social. Com doutorado em Demografia pela UFMG e p\u00f3s-doutorado pela Universitat de Barcelona, Ana coordena o Grupo de Pesquisas em Economia e Demografia da Estratifica\u00e7\u00e3o Social (PEDES) e tem experi\u00eancia em avalia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e microeconometria.<\/p>\n<p><strong>Marilane Teixeira<\/strong><\/p>\n<p>A professora Marilane Teixeira apresentou uma abordagem mais geral e iniciou mostrando que incorpora\u00e7\u00e3o da tecnologia ao mundo do trabalho se d\u00e1 de forma acelerada. \u201cDiferentemente de per\u00edodos anteriores, elas afetam a vida de milhares de pessoas, e n\u00e3o s\u00f3 daquelas que est\u00e3o envolvidas no processo de realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho\u201d, comentou. \u201cElas d\u00e3o um novo sentido inclusive \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da nossa vida em sociedade e afetam muito mais as mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Outro ponto levantado foi o a baixa inser\u00e7\u00e3o feminina em carreiras de ci\u00eancia e tecnologia. &#8220;Apenas uma mulher para cada quatro homens consegue acessar empregos nas \u00e1reas de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o&#8221;, destacou, citando dados da Unesco. Al\u00e9m disso, a inser\u00e7\u00e3o das mulheres em cargos de maior prest\u00edgio \u00e9 limitada: &#8220;As mulheres est\u00e3o nas mesmas ocupa\u00e7\u00f5es, mas quando voc\u00ea olha a distribui\u00e7\u00e3o das tarefas, elas n\u00e3o est\u00e3o nas fun\u00e7\u00f5es de ponta&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m trouxe o dado de que, no Brasil, cerca de 70% a 75% das mulheres est\u00e3o associadas a um conjunto de ocupa\u00e7\u00f5es ditas femininas. \u201cPelas suas caracter\u00edsticas, s\u00e3o atividades mais cognitivas, interpessoais, que estariam inclusive menos propensas \u00e0 automa\u00e7\u00e3o. A atividade de cuidados cresce tremendamente neste processo, dadas as mudan\u00e7as demogr\u00e1ficas\u201d, comentou. Ela tamb\u00e9m observou que as novas tecnologias n\u00e3o conseguem romper com a tradicional divis\u00e3o sexual do trabalho. \u201cS\u00e3o pap\u00e9is sociais que s\u00e3o atribu\u00eddos a homens e mulheres na distribui\u00e7\u00e3o do trabalho reprodutivo\u201d.<\/p>\n<p>Marilane Teixeira \u00e9 doutora em Ci\u00eancia Econ\u00f4mica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde tamb\u00e9m realizou p\u00f3s-doutorado em Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social. Sua pesquisa abrange temas de Economia e Desenvolvimento, com foco na evolu\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho e suas implica\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p><strong>L\u00facia Garcia<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisadora L\u00facia Garcia, do Dieese, argumentou que a apropria\u00e7\u00e3o capitalista das tecnologias resulta em novas formas de subordina\u00e7\u00e3o das mulheres. \u201cA tecnologia \u00e9 uma extens\u00e3o do trabalho humano, mas sua apropria\u00e7\u00e3o ao longo dos ciclos tecnol\u00f3gicos tem contribu\u00eddo para uma intensifica\u00e7\u00e3o das desigualdades de g\u00eanero\u201d, afirmou a professora. Ela explicou que a representa\u00e7\u00e3o feminina nas tecnologias de IA, com vozes e perfis predominantemente femininos, reflete uma sedu\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica: \u201cremete \u00e0 ideia de que, assim como as mulheres, essas tecnologias est\u00e3o a servi\u00e7o da sociedade\u201d.<\/p>\n<p>A palestrante destacou que as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas t\u00eam exacerbado a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, com jornadas inst\u00e1veis e uma expectativa de disponibilidade cont\u00ednua. \u201cO trabalho digital muitas vezes requer uma disponibilidade constante, o que imp\u00f5e uma carga desproporcional sobre as mulheres, que j\u00e1 s\u00e3o respons\u00e1veis pelo trabalho n\u00e3o remunerado\u201d, explicou. \u201cEstamos vendo um aumento na vigil\u00e2ncia e na press\u00e3o por desempenho emocional, que frequentemente recai sobre as mulheres de maneira desproporcional\u201d.<\/p>\n<p>L\u00facia tamb\u00e9m destacou que a intermit\u00eancia do trabalho e a remunera\u00e7\u00e3o baseada em resultados comprometem a posi\u00e7\u00e3o feminina. \u201cA instabilidade nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e a redu\u00e7\u00e3o de direitos laborais, como afastamentos e aposentadorias, s\u00e3o riscos reais para a sustentabilidade das mulheres no mercado de trabalho\u201d, alertou. \u201cAs mulheres est\u00e3o se articulando e encontrando maneiras de enfrentar essas novas condi\u00e7\u00f5es. A negocia\u00e7\u00e3o coletiva e a inclus\u00e3o da economia do cuidado nas agendas p\u00fablicas s\u00e3o passos importantes para mudar esse quadro\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>L\u00facia Garcia \u00e9 mestre em Economia pela UFRGS e T\u00e9cnica S\u00eanior do Dieese. Com vasta experi\u00eancia na coordena\u00e7\u00e3o de pesquisas sobre emprego e desemprego, atualmente supervisiona o projeto \u201cObservat\u00f3rio do Trabalho do Rio Grande do Sul\u201d e contribui para an\u00e1lises socioecon\u00f4micas essenciais para a compreens\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es no mercado de trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Hermeto, Marilane Teixeira e L\u00facia Garcia discutem a inser\u00e7\u00e3o feminina nas carreiras de tecnologia e como as tarefas s\u00e3o afetadas pela automa\u00e7\u00e3o, durante o 2\u00ba Semin\u00e1rio da Mulher Economista e Diversidade A primeira mesa do 2\u00ba Semin\u00e1rio Mulher Economista<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23617\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23618,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-23617","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23617"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23617\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/23618"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}