{"id":23421,"date":"2024-09-06T11:50:32","date_gmt":"2024-09-06T14:50:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=23421"},"modified":"2024-09-06T11:50:32","modified_gmt":"2024-09-06T14:50:32","slug":"podcast-economistas-voce-pegaria-um-emprestimo-com-400-de-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23421","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Voc\u00ea pegaria um empr\u00e9stimo com 400% de juros?"},"content":{"rendered":"<p><em>Segundo o SPC, cerca de 38% dos inadimplentes no Brasil possuem compras parceladas no cart\u00e3o de cr\u00e9dito em atraso. Economista Edval Landulfo fala sobre o assunto<\/em><\/p>\n<p>Voc\u00ea pegaria um empr\u00e9stimo se soubesse que a taxa de juros \u00e9 de 400% ao ano? Por mais que a pergunta pare\u00e7a absurda, essa \u00e9 a realidade de muitos brasileiros e o economista Edval Landulfo fala sobre o assunto na edi\u00e7\u00e3o desta semana do podcast Economistas. Ele \u00e9 especialista em controladoria e finan\u00e7as e vice-presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia. O podcast pode ser ouvido em sua plataforma preferida ou no player abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/129---Voc-pegaria-um-emprstimo-com-400-de-juros-e2o35qu\" width=\"800px\" height=\"204px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>Um dos maiores vil\u00f5es da inadimpl\u00eancia e do endividamento no Brasil \u00e9 o cart\u00e3o de cr\u00e9dito. De acordo com dados do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SPC), cerca de 38% dos inadimplentes possuem compras parceladas no cart\u00e3o de cr\u00e9dito em atraso.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente aprendemos a ter cr\u00e9dito antes da educa\u00e7\u00e3o financeira. As pessoas usam o cart\u00e3o como um ref\u00fagio para aquele dinheiro que n\u00e3o deu para completar o m\u00eas e buscam esta forma de cr\u00e9dito para comprar, principalmente, bens de consumo ou algum servi\u00e7o imediato, sem fazer um planejamento\u201d, explica Landulfo. \u201cElas usam o cart\u00e3o de cr\u00e9dito como uma extens\u00e3o do sal\u00e1rio, e isso fica complicado quando se tem uma renda limitada. Aquele pouquinho vai criando um grande problema financeiro. Quando falamos de rotativo, \u00e9 preciso primeiro ter um entendimento de juros compostos\u201d.<\/p>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o bastante comum \u00e9 a de um consumidor n\u00e3o conseguir pagar o valor total da fatura do cart\u00e3o. Neste caso, haver\u00e1 uma cobran\u00e7a de juros sobre o valor n\u00e3o quitado, fazendo com que a d\u00edvida aumente \u2013 o que pode atrapalhar de forma decisiva o planejamento de uma pessoa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua renda.<\/p>\n<p>\u201cEsse valor restante ter\u00e1 um acr\u00e9scimo de juros e encargos no m\u00eas seguinte, e a pessoa vai pagar, al\u00e9m da fatura j\u00e1 programada para o m\u00eas posterior, esse restante que n\u00e3o foi pago, e vai ter algo entre 13% a 16% de juros\u201d, comenta o economista. \u201cO ideal sempre \u00e9 procurar n\u00e3o entrar nesta ciranda financeira negativa e fazer um planejamento. Se por acaso isso n\u00e3o for poss\u00edvel, o ideal \u00e9 que busque a forma de liquidar essa d\u00edvida sem se endividar mais\u201d.<\/p>\n<p>A troca de uma d\u00edvida mais cara por outra mais barata \u00e9 um passo que precisa ser dado com aten\u00e7\u00e3o. \u201cPrecisamos entender, para n\u00e3o cair numa nova cilada, saber se assumir aquela obten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito n\u00e3o vai impactar negativamente no meu or\u00e7amento e criar uma nova complica\u00e7\u00e3o para pagar aquele empr\u00e9stimo\u201d.<\/p>\n<p>Recentemente a Lei 14.690, de 03 de outubro de 2023, estabeleceu que os emissores de cart\u00e3o de cr\u00e9dito deveriam submeter anualmente ao Conselho Monet\u00e1rio nacional limites para as taxas de juros e encargos financeiros cobrados no cr\u00e9dito rotativo e no parcelamento do saldo devedor das faturas, e que se os limites n\u00e3o fossem aprovados em 90 dias, o total dos juros e encargos n\u00e3o poder\u00e1 superar o valor original da d\u00edvida. Com o encerramento do prazo, a nova regra passou a valer para as d\u00edvidas feitas a partir de janeiro de 2024.<\/p>\n<p>\u201cEu costumava brincar em sala de aula dizendo que para fazer uma d\u00edvida de 1 milh\u00e3o com apenas 100 reais eram precisos apenas 52 meses, porque a d\u00edvida acumulava juros sobre juros. Agora essa brincadeira n\u00e3o serve mais\u201d, comenta Landulfo. \u201cO objetivo do Banco Central \u00e9 que as pessoas n\u00e3o tenham tanta dificuldade para pagar ou fiquem sem cr\u00e9dito. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, mas, na pr\u00e1tica, \u00e9 uma d\u00edvida do mesmo jeito. \u00c9 preciso ter aten\u00e7\u00e3o, as parcelas assumidas precisam caber no or\u00e7amento para que a pessoa n\u00e3o fique inadimplente e para que isso n\u00e3o venha acarretar novas negocia\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Quando um consumidor tem uma d\u00edvida com uma operadora de cart\u00e3o de cr\u00e9dito e considera que os juros cobrados s\u00e3o muito altos, ele pode buscar outra institui\u00e7\u00e3o financeira que ofere\u00e7a juros menores e realizar a portabilidade da d\u00edvida. \u201cEla pode pedir um DDC, que \u00e9 um Documento Descritivo de Cr\u00e9dito, com as informa\u00e7\u00f5es daquela d\u00edvida. E leva para outra institui\u00e7\u00e3o, para que ela fa\u00e7a uma proposta. Com essa proposta em m\u00e3os, ela vai \u00e0 emissora do cart\u00e3o de cr\u00e9dito original\u201d, informa o economista. \u201cQuando voc\u00ea leva a proposta para a institui\u00e7\u00e3o original, ela tem um dia para responder se cobre ou n\u00e3o essa nova proposta. Se cobrir, \u00f3timo. Se n\u00e3o, leva essa d\u00edvida para a institui\u00e7\u00e3o que ofereceu juros melhores. Lembrando que n\u00e3o deve haver cobran\u00e7a nenhuma de taxas ou encargos para efetuar a portabilidade\u201d.<\/p>\n<p>Embora este instrumento tenha a inten\u00e7\u00e3o de fazer as institui\u00e7\u00f5es competirem entre si para oferecer juros menores, Landulfo acredita que, na pr\u00e1tica, nem sempre vai acontecer. Isso porque as empresas n\u00e3o s\u00e3o obrigadas a apresentar uma proposta de juros menores e, al\u00e9m disso, elas dialogam entre si. Por isso, ele acredita que num primeiro momento os juros n\u00e3o cair\u00e3o como o Banco Central espera. E tamb\u00e9m opina que aprender a organizar suas pr\u00f3prias finan\u00e7as \u00e9 mais importante do que aprender a negociar com outras institui\u00e7\u00f5es em busca de juros menores.<\/p>\n<p>\u201cTudo o que vir para facilitar o pagamento dos juros por parte dos clientes ser\u00e1 bem-vindo. \u00c9 preciso conversar com especialistas da \u00e1rea para que este cr\u00e9dito se torne mais em conta e as pessoas possam utiliz\u00e1-lo com sabedoria\u201d, afirma. \u201cCart\u00e3o de cr\u00e9dito nunca poder\u00e1 ser extens\u00e3o da renda quando a pessoa estiver em apertos. Por isso a educa\u00e7\u00e3o financeira vem em primeiro lugar, para trazer a compreens\u00e3o de que primeiro \u00e9 preciso fazer o dinheiro e organizar as finan\u00e7as para depois utilizar qualquer tipo de cr\u00e9dito\u201d.<\/p>\n<p>No caso de uma pessoa n\u00e3o conseguir pagar os juros de uma d\u00edvida com uma operadora de cart\u00e3o de cr\u00e9dito, vale sempre a m\u00e1xima de tentar trocar uma d\u00edvida mais cara por uma mais barata. O economista menciona, inclusive, a possibilidade de conseguir um empr\u00e9stimo com algum amigo ou familiar que tenha dinheiro investido e no qual os juros sejam substitu\u00eddos pelos rendimentos deste investimento.<\/p>\n<p>\u201cO ideal \u00e9 abrir o jogo para estes entes e familiares. Se a pessoa tiver um investimento e voc\u00ea se prop\u00f5e a pagar aquela rentabilidade, \u00e9 muito melhor pagar a um amigo ou irm\u00e3o do que pagar os juros de um empr\u00e9stimo\u201d, observa o vice-presidente do Corecon-BA. \u201cN\u00e3o tendo essa possibilidade, \u00e9 preciso entar mais de uma vez, olhar atentamente para o or\u00e7amento e ver se consegue encaixar uma parcela para um cr\u00e9dito mais em conta e quitar esses juros mais altos. Sempre com a ressalva de que n\u00e3o pode ficar inadimplente. Nesse caso, em vez de uma d\u00edvida, a pessoa ter\u00e1 duas, tr\u00eas ou quatro\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo o SPC, cerca de 38% dos inadimplentes no Brasil possuem compras parceladas no cart\u00e3o de cr\u00e9dito em atraso. 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