{"id":23201,"date":"2024-08-16T17:54:12","date_gmt":"2024-08-16T20:54:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=23201"},"modified":"2024-08-16T17:54:12","modified_gmt":"2024-08-16T20:54:12","slug":"seminario-na-camara-discutiu-progressividade-tributaria-e-reducao-das-desigualdades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23201","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio na C\u00e2mara discutiu progressividade tribut\u00e1ria e redu\u00e7\u00e3o das desigualdades"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Evento foi promovido pelo Cofecon, Corecon-DF e Aslegis e debateu quest\u00f5es como austeridade, reforma tribut\u00e1ria, avan\u00e7os, obst\u00e1culos e formas de tornar nossa tributa\u00e7\u00e3o mais justa<br><br><\/em>Na tarde de 15 de agosto a C\u00e2mara dos Deputados recebeu o semin\u00e1rio \u201cReforma Tribut\u00e1ria Progressiva e Redu\u00e7\u00e3o das Desigualdades no Brasil\u201d, realizado em parceria pelo Cofecon, Corecon-DF e Associa\u00e7\u00e3o dos Consultores Legislativos e de Or\u00e7amento e fiscaliza\u00e7\u00e3o Financeira da C\u00e2mara dos Deputados (Aslegis). Os debates contaram com a participa\u00e7\u00e3o dos economistas Clara Mattei e Evil\u00e1sio Salvador, do auditor fiscal Isac Falc\u00e3o e do consultor legislativo Marcelo Sobreiro Maciel. O evento pode ser assistido na \u00edntegra clicando <a href=\"https:\/\/youtu.be\/WZctzH9u5j0\">AQUI<\/a> e as fotos podem ser acessadas clicando <a href=\"https:\/\/flic.kr\/s\/aHBqjBDBVG\">AQUI<\/a> ou pelo \u00e1lbum abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p><p><\/p><a data-flickr-embed=\"true\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/196930704@N08\/albums\/72177720319567566\" title=\"Seminario Orcamento Publico e Legislativo - 16\/08\/2024\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/live.staticflickr.com\/65535\/53927153424_d69e4bed86.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" alt=\"Seminario Orcamento Publico e Legislativo - 16\/08\/2024\"><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do Cofecon, Paulo Dantas da Costa, foi o mediador do debate. Em sua fala na mesa de abertura, ele destacou o PL 3.178\/2024, protocolado na \u00faltima quarta-feira (14), que trata da atualiza\u00e7\u00e3o da Lei 1.411. \u201cN\u00f3s estamos tendo a possibilidade de discutir, no \u00e2mbito do parlamento, um projeto de lei que busque atualizar o trabalho do economista na sociedade brasileira\u201d, contou Dantas, em refer\u00eancia \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o que deu vida jur\u00eddica \u00e0 profiss\u00e3o de economista no Brasil. \u201cNa nossa lei, que \u00e9 de 1951, a atividade \u00e9 descrita apenas como economia e finan\u00e7as. S\u00e3o dois universos com dimens\u00f5es extraordin\u00e1rias e n\u00e3o h\u00e1 nada amarrado. Esperamos que a nova legisla\u00e7\u00e3o venha a contemplar as atividades que sejam pr\u00f3prias dos economistas brasileiros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Luciana Acioly, presidente do Corecon-DF, n\u00e3o basta dizer que o tema do semin\u00e1rio \u00e9 de alta relev\u00e2ncia. \u201cEle trata de mudan\u00e7as constitucionais importantes que est\u00e3o mexendo com a vida de todos, com muitos desdobramentos. Mas a reforma n\u00e3o busca s\u00f3 a efici\u00eancia, tem que alcan\u00e7ar tamb\u00e9m a justi\u00e7a social\u201d, comentou a presidente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cTivemos outro semin\u00e1rio muito rico e concorrido\u201d, afirmou o presidente da Aslegis, Pedro Garrido da Costa Lima, em refer\u00eancia ao evento anterior, que teve com tema o or\u00e7amento p\u00fablico. \u201cDepois discutiremos outras mudan\u00e7as que precisamos para termos um melhor desenvolvimento econ\u00f4mico e social no Brasil. Hoje temos aqui uma gama riqu\u00edssima de palestrantes e presen\u00e7as ilustres\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A mesa de abertura contou tamb\u00e9m com o coordenador da Comiss\u00e3o de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Cofecon, Heric Santos Hosso\u00e9; com o coordenador da Comiss\u00e3o de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Corecon-DF, Roberto Piscitelli; e com o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Or\u00e7amento, M\u00e1rcio Gimene.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Clara Mattei: \u201causteridade tem a ver com tributa\u00e7\u00e3o regressiva\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A professora Clara Mattei iniciou sua fala trazendo n\u00fameros do conflito na Faixa de Gaza. \u201cTemos dados que dizem que 8% da popula\u00e7\u00e3o de Gaza foi morta. Crian\u00e7as perdendo as pernas, mais de 20 mil \u00f3rf\u00e3os e o Congresso dos Estados Unidos mandando 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares adicionais em armamentos para Israel\u201d, comentou a economista. \u201cTemos que discutir nossas pol\u00edticas no contexto do que o capitalismo significa para as pessoas, sobretudo no sul global. Essa n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. O crescimento econ\u00f4mico e o lucro s\u00e3o feitos do sofrimento das pessoas, das crian\u00e7as em Gaza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ela destaca que a austeridade n\u00e3o significa simplesmente a redu\u00e7\u00e3o dos gastos do Estado, mas sim uma redistribui\u00e7\u00e3o dos recursos que afeta principalmente os trabalhadores e as classes populares. Ela argumenta que, sob o capitalismo, o Estado atua para garantir a transfer\u00eancia de recursos para os poucos que acumulam capital, muitas vezes em detrimento do bem-estar social. <br><br>\u201cAusteridade tem a ver com tributa\u00e7\u00e3o regressiva. Aumentar os tributos de consumo, enquanto estruturalmente isentamos de taxa\u00e7\u00e3o aqueles que vivem dos impostos\u201d, criticou Mattei. \u201cTemos bilion\u00e1rios no Brasil que n\u00e3o pagam tributos pelos juros\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A economista afirma que a austeridade, longe de ser uma ferramenta para equilibrar o or\u00e7amento ou combater a infla\u00e7\u00e3o, tem um papel pol\u00edtico fundamental no capitalismo. \u201cEla serve para disciplinar os trabalhadores, for\u00e7ando-os a aceitar condi\u00e7\u00f5es de trabalho prec\u00e1rias e baixos sal\u00e1rios, o que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, garante a manuten\u00e7\u00e3o do sistema econ\u00f4mico baseado na explora\u00e7\u00e3o. Isso tamb\u00e9m protege os lucros dos mais ricos, ao mesmo tempo que imp\u00f5e sacrif\u00edcios aos mais vulner\u00e1veis\u201d, observou. \u201c\u00c9 por isso que \u00e9 importante fazer notar que a austeridade n\u00e3o tem a ver com o Estado gastando menos, tem a ver com ele evitar gastar no \u00e2mbito social enquanto subsidiam guerras e investidores de todo tipo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a professora aponta que a estrutura tribut\u00e1ria regressiva transfere cerca de 30% do PIB das classes trabalhadoras para a elite a cada ano, agravando as desigualdades sociais. Ela critica fortemente a evas\u00e3o fiscal e a ren\u00fancia de tributos \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es, o que impede que o Estado arrecade recursos suficientes para financiar pol\u00edticas p\u00fablicas essenciais. O problema n\u00e3o \u00e9 a falta de recursos, mas a forma como o sistema fiscal \u00e9 estruturado para beneficiar os mais ricos. \u201cA ordem do capital n\u00e3o \u00e9 natural, requer um desemprego alto, precariedade alta. O ponto central \u00e9 entender que estes n\u00e3o s\u00e3o problemas para o nosso sistema econ\u00f4mico, s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es, porque a prioridade \u00e9 estabilizar a rela\u00e7\u00e3o de classes que \u00e9 fundamental para o crescimento\u201d, afirmou Mattei<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, Clara conclui que qualquer tentativa de implementar uma tributa\u00e7\u00e3o progressiva \u2014 taxando mais os ricos e aliviando os impostos sobre o consumo \u2014 n\u00e3o \u00e9 apenas uma batalha econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m uma luta pol\u00edtica. \u201cIsso desafia diretamente a l\u00f3gica do capitalismo, que depende da precariedade e da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho para manter sua estrutura de acumula\u00e7\u00e3o de capital\u201d, explicou. Para transformar radicalmente a sociedade, ela defende que precisamos questionar e ir al\u00e9m das bases do sistema econ\u00f4mico atual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Evil\u00e1sio Salvador: \u201co sistema tribut\u00e1rio \u00e9 uma forma de perpetuar a desigualdade\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O professor Evil\u00e1sio Salvador abordou a quest\u00e3o de avan\u00e7ar na reforma tribut\u00e1ria progressiva e na redu\u00e7\u00e3o da desigualdade no Brasil, destacando que o sistema tribut\u00e1rio atual \u00e9 um fator que perpetua desigualdades hist\u00f3ricas. Ele lembra que \u201ca capacidade que o Estado tem de mobilizar recursos ultrapassa a quest\u00e3o tribut\u00e1ria\u201d, e critica a estrutura do sistema, que muitas vezes opera para a acumula\u00e7\u00e3o de capital e n\u00e3o para a redistribui\u00e7\u00e3o de renda e riqueza. \u201cO que est\u00e1 por detr\u00e1s deste debate \u00e9: por que o sistema tribut\u00e1rio brasileiro n\u00e3o opera no sentido de redistribui\u00e7\u00e3o de renda e riqueza? Ele condena os mais pobres a financiar o Estado e manter as pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, questionou o economista.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Salvador enfatizou que a desigualdade no Brasil n\u00e3o se limita \u00e0 quest\u00e3o de classe, mas tamb\u00e9m se manifesta de maneira racial e regional. \u201cTemos uma desigualdade federativa ser\u00edssima. Quem \u00e9 que est\u00e1 l\u00e1 embaixo na pir\u00e2mide? \u00c9 a popula\u00e7\u00e3o negra\u201d, apontou. E acrescentou: \u201cSe \u00e9 para trabalhar a tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo, por que n\u00e3o reduzir a cesta de consumo das mulheres e permitir a reprodu\u00e7\u00e3o social? O Estado perpetua a desigualdade. O sistema tribut\u00e1rio \u00e9 uma forma de perpetuar a desigualdade. As mais afetadas s\u00e3o as mulheres negras, quilombolas, os ind\u00edgenas, precarizados, v\u00edtimas diretas da pol\u00edtica de austeridade. As contrarreformas trabalhistas e previdenci\u00e1rias e as desonera\u00e7\u00f5es s\u00e3o um exemplo de reprodu\u00e7\u00e3o destas desigualdades\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m abordou a queda na participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios na renda nacional, que caiu 12,9% em cinco anos, estando atualmente no pior patamar em 16 anos, resultando em \u201cum Brasil novamente entre os pa\u00edses com baixos sal\u00e1rios, empregos precarizados e multid\u00f5es sobrantes\u201d. Salvador destacou que a participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios no PIB foi de 31% em 2021, mostrando uma revers\u00e3o da tend\u00eancia de alta ocorrida entre 2004 e 2016. \u201cCito tamb\u00e9m o relat\u00f3rio divulgado no dia 11 de julho sobre a riqueza global. Nos \u00faltimos 15 anos, a concentra\u00e7\u00e3o aumentou 16,8% no Brasil. O Pa\u00eds est\u00e1 em segundo lugar num ranking de desigualdade. At\u00e9 2028 ser\u00e3o 83 mil novos milion\u00e1rios que n\u00e3o pagam impostos. A tabela do Imposto de renda, a partir da faixa de 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos, vai perdendo a produtividade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto destacado foi a financeiriza\u00e7\u00e3o da economia, onde \u201co sistema tribut\u00e1rio n\u00e3o acompanhou a cria\u00e7\u00e3o de novos produtos financeiros\u201d. Salvador criticou o fato de que o Brasil deixou de tributar lucros e dividendos desde 1996. Citou ainda que em 1970, para cada real alocado em investimento ou forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo, havia 25 centavos em aplica\u00e7\u00f5es financeiras. Em 2020, para cada real, existem R$ 6,38 em ativos financeiros. Ele sugere que uma reforma profunda deveria incluir a taxa\u00e7\u00e3o de grandes fortunas e lucros remetidos ao exterior, o que poderia trazer bilh\u00f5es em arrecada\u00e7\u00e3o adicional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Isac Falc\u00e3o: \u201cn\u00e3o se pode reduzir substancialmente a desigualdade tributando o consumo\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cFicamos em vig\u00e9simo lugar nos Jogos Ol\u00edmpicos pelo n\u00famero de medalhas de ouro, mas no quesito desigualdade ficamos muito mais perto do p\u00f3dio\u201d, afirmou Isac Falc\u00e3o ao iniciar sua fala. \u201cEm 1988 o constituinte colocou a igualdade como valor supremo no Brasil, e no artigo 3\u00ba a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. Mas isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para resolver ou para reduzir substancialmente os n\u00edveis de desigualdade se voc\u00ea n\u00e3o tiver um sistema tribut\u00e1rio igualmente progressivo. No cap\u00edtulo que trata do sistema tribut\u00e1rio, temos o princ\u00edpio da capacidade contributiva, segundo o qual quem tem mais deve pagar mais, e quem tem menos deve pagar proporcionalmente menos. N\u00e3o h\u00e1 outra forma de reduzir a desigualdade\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Falc\u00e3o observa que a reforma tribut\u00e1ria come\u00e7ou pelo campo do consumo, que \u00e9 estruturalmente regressivo, e que \u201cn\u00e3o se pode reduzir substancialmente a desigualdade por meio da tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo. As pessoas que t\u00eam menor capacidade contributiva consomem mais da sua renda do que as que t\u00eam maior capacidade &#8220;. Ele destaca que, apesar de mecanismos como o princ\u00edpio da essencialidade tentarem mitigar os efeitos regressivos, &#8220;voc\u00ea continua tributando proporcionalmente mais os que t\u00eam menos&#8221;. Falc\u00e3o tamb\u00e9m levanta d\u00favidas sobre as simula\u00e7\u00f5es do Banco Mundial, que sugerem uma melhora para os mais pobres. Segundo ele, h\u00e1 elementos omitidos nas an\u00e1lises, como a desonera\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os consumidos pelos mais ricos, o que acaba &#8220;aumentando uma al\u00edquota que atinja a todos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o cashback de 20% para os mais pobres, Falc\u00e3o questiona: &#8221; Essa \u00e9 a progressividade da tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo. Como o Brasil vai ficar menos desigual com a vig\u00eancia?&#8221; E, apesar da possibilidade de melhorias na cumulatividade que podem beneficiar a ind\u00fastria e o PIB, ele afirma que &#8220;aquele valor supremo a igualdade, aquilo que nos notabiliza e nos coloca no p\u00f3dio mundial, \u00e9 esse problema parece que n\u00f3s ainda n\u00e3o atacamos. parece que n\u00f3s ainda n\u00e3o atacamos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Falc\u00e3o tamb\u00e9m fala sobre a tributa\u00e7\u00e3o dos fundos exclusivos offshore, mencionando que &#8220;n\u00e3o tinha lei, era uma interpreta\u00e7\u00e3o&#8221;, mas que reverter isso exige &#8220;lei, anterioridade, negocia\u00e7\u00e3o, tudo&#8221;. Ele reconhece a desigualdade no Brasil como uma &#8220;institui\u00e7\u00e3o poderos\u00edssima, imut\u00e1vel, mais perene que a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o&#8221;, menciona que cada isen\u00e7\u00e3o dada a um super rico \u00e9 compensada pela aus\u00eancia de corre\u00e7\u00e3o na tabela do imposto de renda e defende que, enquanto n\u00e3o houver leis para tributar os mais ricos, devemos investir na receita federal, colocando recursos priorit\u00e1rios no combate ao planejamento tribut\u00e1rio abusivo. \u201cH\u00e1 uma variedade de formas de planejamento tribut\u00e1rio abusivo, que sangram os cofres brasileiros em dezenas ou centenas de bilh\u00f5es de reais por ano\u201d, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marcelo Sobreiro Maciel: \u201cno Brasil, n\u00e3o h\u00e1 divis\u00e3o partid\u00e1ria bem estabelecida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 agenda tribut\u00e1ria\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Maciel enfatizou que o tema da progressividade tribut\u00e1ria e combate \u00e0 desigualdade esteve afastado do centro do debate econ\u00f4mico por muito tempo, mas que a obra de Thomas Piketty ajudou a fomentar esta discuss\u00e3o. Ele citou tamb\u00e9m o trabalho de Sergio Gobetti apresentado no Cofecon utilizando n\u00fameros da Receita Federal. Al\u00e9m disso, ele reconhece que a crise financeira global de 2008 teve um papel importante ao provocar uma s\u00e9rie de reformas e iniciativas de troca de informa\u00e7\u00f5es fiscais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Sobreiro alinha sua perspectiva com outros especialistas ao dizer que &#8220;\u00e9 muito dif\u00edcil ter algum otimismo&#8221; sobre mudan\u00e7as nesse campo, dadas as limita\u00e7\u00f5es estruturais. No entanto, ele pontua alguns sinais de avan\u00e7o em \u00e1reas como a tributa\u00e7\u00e3o sobre fundos exclusivos, heran\u00e7as e propriedades, embora esses aspectos tamb\u00e9m estejam em fase de desenvolvimento. \u201cEm \u00e1reas como subven\u00e7\u00f5es de ICMS o progresso \u00e9 dificultado por interesses empresariais e for\u00e7as pol\u00edticas que atuam para impedir o impacto dessas reformas\u201d, apontou.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por fim, Sobreiro trouxe um ponto interessante sobre como o debate no Brasil sobre tributa\u00e7\u00e3o tem avan\u00e7ado, mesmo atravessando diferentes governos e ideologias. Ele destaca, por exemplo, que propostas de tributa\u00e7\u00e3o de dividendos surgiram no governo Temer, continuaram em debate sob Paulo Guedes no governo Bolsonaro e seguiram com o governo atual, indicando que, &#8220;no Brasil, n\u00e3o h\u00e1 uma divis\u00e3o partid\u00e1ria bem estabelecida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 agenda tribut\u00e1ria. Isso sugere que, diferentemente dos EUA, onde a mobiliza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica tem sido decisiva, o Brasil segue um caminho menos marcado por essas din\u00e2micas, e mais dependente de fatores institucionais e conjunturais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os palestrantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A economista Clara Mattei \u00e9 professora associada do departamento de economia da New School of Social Research, em New York, Estados Unidos, e autora do livro A Ordem do Capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Evil\u00e1sio da Silva Salvador \u00e9 economista, doutor em pol\u00edtica social (UnB) e p\u00f3s-doutor em Servi\u00e7o Social (UERJ). \u00c9 autor do livro Fundo P\u00fablico e Seguridade Social no Brasil, entre outras publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Isac Falc\u00e3o \u00e9 auditor fiscal da Receita Federal e presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco).<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo Sobreiro Maciel \u00e9 graduado em engenharia el\u00e9trica e mestre em ci\u00eancia pol\u00edtica. Atualmente \u00e9 consultor legislativo da \u00c1rea de direito tribut\u00e1rio e tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><p><\/p><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WZctzH9u5j0?si=yamihvbCKtB24gkI\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evento foi promovido pelo Cofecon, Corecon-DF e Aslegis e debateu quest\u00f5es como austeridade, reforma tribut\u00e1ria, avan\u00e7os, obst\u00e1culos e formas de tornar nossa tributa\u00e7\u00e3o mais justa Na tarde de 15 de agosto a C\u00e2mara dos Deputados recebeu o semin\u00e1rio \u201cReforma Tribut\u00e1ria<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23201\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23205,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-23201","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23201"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23201"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23201\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/23205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}