{"id":23185,"date":"2024-08-16T16:07:14","date_gmt":"2024-08-16T19:07:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=23185"},"modified":"2024-08-16T16:07:14","modified_gmt":"2024-08-16T19:07:14","slug":"podcast-economistas-luiz-carlos-bresser-pereira-explica-o-novo-desenvolvimentismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23185","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Luiz Carlos Bresser-Pereira explica o novo desenvolvimentismo"},"content":{"rendered":"<p><em>Professor participou de debate no Cofecon e destacou a import\u00e2ncia de elementos como c\u00e2mbio depreciado, juros menores e a desvantagem de tentar crescer com poupan\u00e7a externa<\/em><\/p>\n<p>O Conselho Federal de Economia realizou nesta ter\u00e7a-feira (13) um debate com o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira. O tema foi \u201cNovo desenvolvimentismo: introduzindo uma teoria econ\u00f4mica e economia pol\u00edtica\u201d, t\u00edtulo do novo livro do professor, no qual ele aborda esta corrente de pensamento.<\/p>\n<p>\u201cEstou agradecido pela sua participa\u00e7\u00e3o em mais uma iniciativa do Cofecon, e tamb\u00e9m porque j\u00e1 bebi muito desta fonte que s\u00e3o os seus escritos\u201d, expressou o presidente do Cofecon, Paulo Dantas da Costa, ao finalizar o debate. \u201cAgrade\u00e7o pela sua presen\u00e7a e tamb\u00e9m por essa aula que nos deu\u201d, completou a vice-presidente Fl\u00e1via Vinhaes.<\/p>\n<p>Para introduzir a teoria do novo desenvolvimentismo, Bresser repassou algumas escolas de pensamentos dominantes, como a mercantilista, a neocl\u00e1ssica, a keynesiana e a neoliberal, referindo-se a esta \u00faltima como um desastre para os Estados Unidos e Europa e ainda maior para o Brasil e a Am\u00e9rica Latina e \u00e0 keynesiana como muito boa, mais realista e vi\u00e1vel, mas pensada para os pa\u00edses ricos e para o curto prazo. \u00a0\u201cFui formado na teoria desenvolvimentista cl\u00e1ssica, estruturalista, que \u00e9 a de Celso Furtado e Ra\u00fal Prebisch. Ela foi muito efetiva em orientar o crescimento que o Brasil teve entre 1930 e 1970, quando realizou sua revolu\u00e7\u00e3o industrial e capitalista e o pa\u00eds se desenvolveu enormemente. \u00c9 uma teoria muito boa, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 suficiente\u201d, apontou Bresser.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o \u00e9 suficiente, ele aponta para a necessidade de uma nova teoria, que se apoie na teoria keynesiana e na desenvolvimentista cl\u00e1ssica. Surge, ent\u00e3o, o novo desenvolvimentismo. \u201cUma forma de come\u00e7ar a falar sobre ele \u00e9 que existe, na teoria econ\u00f4mica, uma ideia das condi\u00e7\u00f5es gerais da acumula\u00e7\u00e3o de capital, e havendo acumula\u00e7\u00e3o com incorpora\u00e7\u00e3o de progresso t\u00e9cnico, o pa\u00eds se desenvolva\u201d, comentou Bresser. \u201cUma estrat\u00e9gia fundamental de desenvolvimento \u00e9 conseguir aumentar a taxa de investimentos ou a taxa de acumula\u00e7\u00e3o de capital\u201d.<\/p>\n<p>Entre as condi\u00e7\u00f5es microecon\u00f4micas, h\u00e1 a educa\u00e7\u00e3o (\u201co mais importante, a meu ver\u201d, mencionou o professor); um sistema constitucional e legal bem feito, que garanta a propriedade e os contratos; um Estado que garanta os investimentos em infraestrutura, porque \u00e9 o Estado quem tem que garantir isso; e a constru\u00e7\u00e3o de um sistema de financiamento que seja capaz de garantir investimentos locais. \u201cKeynes surgiu com uma nova condi\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica: a tend\u00eancia \u00e0 insufici\u00eancia de demanda\u201d, observou Bresser. \u201c\u00c9 preciso que o Estado intervenha para garantir que haja demanda suficiente. A partir de 1936 este conhecimento tornou-se universal\u201d.<\/p>\n<p>Mas haver demanda n\u00e3o basta \u2013 e \u00e9 a\u00ed que entra a teoria novo desenvolvimentista. \u201c\u00c9 preciso que haja acesso \u00e0 demanda. A empresa que quer exportar ou vender para o mercado interno, numa economia razoavelmente aberta, precisa ter acesso \u00e1 demanda. E ela pode n\u00e3o ter acesso se a taxa de c\u00e2mbio for apreciada ao longo do prazo\u201d, explicou Bresser. \u201cSe isso acontecer, mesmo que haja demanda suficiente, as empresas n\u00e3o v\u00e3o ter acesso a ela e n\u00e3o adianta nada. A teoria novo desenvolvimentista mostra que existe uma tend\u00eancia \u00e0 sobreaprecia\u00e7\u00e3o c\u00edclica e cr\u00f4nica de longo prazo. Se o Estado n\u00e3o cuidar disso, os pa\u00edses em desenvolvimento n\u00e3o se desenvolver\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Quando o c\u00e2mbio est\u00e1 apreciado, os custos das empresas aumentam e as receitas em real diminuem. \u201cEm consequ\u00eancia, elas n\u00e3o podem exportar, e se estiverem fornecendo para o mercado interno, as importa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m acontecer\u00e3o a um pre\u00e7o mais barato do que ela \u00e9 capaz de produzir. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel\u201d, aponta o professor. \u201c\u00c9 preciso evitar isso. E esta \u00e9 a principal mensagem do novo desenvolvimentismo\u201d.<\/p>\n<p>A taxa de c\u00e2mbio tende a ser apreciada por duas raz\u00f5es. A primeira \u00e9 que pa\u00edses em desenvolvimento, como \u00e9 o caso do Brasil, tendem a ter permanentemente um d\u00e9ficit em conta corrente. Para financi\u00e1-lo, entram mais capitais do que saem, o que aprecia o c\u00e2mbio. \u201cAs pessoas acreditam que quanto mais voc\u00ea recebe de empr\u00e9stimos ou investimentos diretos, mais voc\u00ea cresce. O pa\u00eds se desenvolve quando recebe investimento e, se n\u00e3o receber, n\u00e3o vai crescer. Isso \u00e9 absolutamente falso\u201d, ponderou Bresser. \u201cQuando voc\u00ea tem um d\u00e9ficit em conta corrente o c\u00e2mbio se aprecia, as empresas n\u00e3o podem exporta, n\u00e3o podem enfrentar a competi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o investem. Trabalhadores e empres\u00e1rios de n\u00edvel baixo, m\u00e9dio e alto e todos os rentistas ganham em poder aquisitivo e consomem mais. Ent\u00e3o a poupan\u00e7a externa n\u00e3o se soma \u00e0 poupan\u00e7a interna, mas substitui\u201d.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o leva a um quadro de populismo cambial. \u201cOs governantes querem ser reeleitos. Para isso, precisam de uma taxa de c\u00e2mbio apreciada, que deixe todos felizes. Eles tamb\u00e9m querem fazer obras e para isso t\u00eam que tomar empr\u00e9stimos, ou mostrar que atra\u00edram multinacionais para a sua regi\u00e3o\u201d, argumentou o professor. \u201cDo ponto de vista local, aquele munic\u00edpio \u00e9 beneficiado, mas para o Brasil como um todo n\u00e3o \u00e9 bom, devido a este processo macroecon\u00f4mico de car\u00e1ter cambial\u201d.<\/p>\n<p>A teoria novo desenvolvimentista d\u00e1 um papel fundamental \u00e0 taxa de c\u00e2mbio, mas tamb\u00e9m d\u00e1 grande import\u00e2ncia \u00e0 taxa de juros. \u201cN\u00e3o se pode promover o desenvolvimento de um pa\u00eds se a taxa de juros for muito alta. Mas, infelizmente, nos pa\u00edses em desenvolvimento ela tem que ser relativamente alta\u201d, explicou Bresser. \u201cExiste uma taxa internacional, e a nossa precisa ser um pouco mais alta, porque temos o chamado risco-pa\u00eds. Se eles pagam entre 1% e 2% de juro real, podemos pagar mais 1,5%. Seria razo\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 bom, mas o que vamos fazer? Mas n\u00f3s pagamos 7,5%, 8%. N\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>E por que a taxa de juros \u00e9 t\u00e3o alta? O novo desenvolvimentismo tem duas raz\u00f5es para explicar. \u201cUma \u00e9 a pol\u00edtica de crescer com poupan\u00e7a externa, tendo d\u00e9ficit em conta corrente. Voc\u00ea precisa atrair capitais e ter uma taxa atrativa para eles, mais do que simplesmente o risco-pa\u00eds\u201d, comentou Bresser. \u201cMas h\u00e1 outro motivo: o poder dos financistas e dos rentistas que dominam nossa economia, e no Brasil essa gente \u00e9 poderosa, porque esse poder vem de bastante tempo, e eles n\u00e3o aceitam que a taxa de juros real seja menos de 6%\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, uma caracter\u00edstica do novo desenvolvimentismo \u00e9 o nacionalismo econ\u00f4mico \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 propriamente uma novidade, porque j\u00e1 estava presente no desenvolvimentismo cl\u00e1ssico. Bresser aponta que os pa\u00edses ricos n\u00e3o querem que o Brasil se industrialize. \u201cComo \u00e9 que eles ganham conosco? De duas maneiras. Primeiro, exporta\u00e7\u00e3o de capitais: o imperialismo nasceu na Inglaterra, quando havia capital sobrando e n\u00e3o havia mais investimento produtivo. Esse capital era exportado para gerar lucros em outros lugares. Exportar capital e receber juros, ou preferencialmente dividendos\u201d, observou o professor. \u201cSegundo, querem manter as trocas desiguais. Exportar para o Brasil produtos ou servi\u00e7os sofisticados, com alto valor agregado per capita, e que pagam sal\u00e1rios elevados, e importar commodities, mercadorias de baixo valor agregado per capita, que pagam baixos sal\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/126---Luiz-Carlos-Bresser-Pereira-explica-o-novo-desenvolvimentismo-e2n93ol\/a-abg03gi\" width=\"800px\" height=\"204px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor participou de debate no Cofecon e destacou a import\u00e2ncia de elementos como c\u00e2mbio depreciado, juros menores e a desvantagem de tentar crescer com poupan\u00e7a externa O Conselho Federal de Economia realizou nesta ter\u00e7a-feira (13) um debate com o ex-ministro<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23185\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23198,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12],"tags":[],"class_list":["post-23185","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-podcast"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23185"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23185\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/23198"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}