{"id":23065,"date":"2024-07-26T14:17:10","date_gmt":"2024-07-26T17:17:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=23065"},"modified":"2024-07-26T14:17:10","modified_gmt":"2024-07-26T17:17:10","slug":"podcast-economistas-qual-e-a-regiao-que-mais-recebe-recursos-do-desenvolvimento-regional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=23065","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Qual \u00e9 a regi\u00e3o que mais recebe recursos do desenvolvimento regional?"},"content":{"rendered":"<p><em>Estudo de pesquisador do IPEA analisou quatro instrumentos de desenvolvimento regional de 2010 a 2021. Spoiler: regi\u00e3o que recebe mais recursos n\u00e3o \u00e9 o Nordeste<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 no ar a edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 123 do podcast Economistas, e o tema desta vez \u00e9 o financiamento do desenvolvimento regional. O pesquisador Aristides Monteiro, do IPEA, realizou um estudo englobando o per\u00edodo de 2010 a 2021 e analisando dados de quatro instrumentos de pol\u00edticas territoriais: o cr\u00e9dito rural, os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), os fundos constitucionais e os investimentos federais. O podcast Economistas pode ser ouvido na sua plataforma preferida ou no player abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/123---Podcast-Economistas-Qual--a-regio-que-mais-recebe-recursos-do-desenvolvimento-regional-e2mg72f\" width=\"800px\" height=\"204px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>O per\u00edodo do estudo \u00e9 caracterizado por dois momentos: o primeiro deles at\u00e9 2014, com a economia brasileira apresentando algum crescimento, e o segundo de 2015 a 2021, com uma recess\u00e3o profunda e uma recupera\u00e7\u00e3o lenta, mudan\u00e7as macroecon\u00f4micas (como o teto de gastos) e uma nova recess\u00e3o causada pela pandemia, com uma recupera\u00e7\u00e3o estat\u00edstica.<\/p>\n<p>Entre estes instrumentos de pol\u00edtica regional, os fundos constitucionais s\u00e3o os que possuem um car\u00e1ter territorial expl\u00edcito. Aristides aponta outro problema, uma vez que, exceto os investimentos p\u00fablicos federais, os demais instrumentos s\u00e3o operados por institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias: \u201cO cr\u00e9dito rural, os desembolsos do BNDES e os fundos constitucionais s\u00e3o comandados pela demanda. O produtor vai ao banco, apresenta a demanda e o banco entrega o recurso\u201d, afirmou Monteiro. \u201cA capacidade de indu\u00e7\u00e3o governamental sobre estes recursos \u00e9 limitada. Pode ser sugerida esta ou aquela finalidade, mas em \u00faltima inst\u00e2ncia \u00e9 o gerente do banco quem comanda a pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cRetrocedemos, porque produzimos um ambiente de muita incerteza para os investimentos do setor privado e o investimento federal desabou. N\u00e3o foi utilizada a capacidade do setor p\u00fablico de se sobrepor \u00e0 crise ou atuar anticiclicamente\u201d, aponta Monteiro.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Alguns dados ajudam a entender a diferen\u00e7a entre as duas partes do per\u00edodo englobado pelo estudo. No per\u00edodo 2010-2014 a taxa m\u00e9dia de investimentos era 20,5% do PIB e, ap\u00f3s a crise de 2015, ela caiu para 16%. Al\u00e9m disso, em 2010-2014 o investimento p\u00fablico da Uni\u00e3o somou 422 bilh\u00f5es de reais em cinco anos, contra 297 bilh\u00f5es em sete anos em 2015-2021. Nos mesmos per\u00edodos, os recursos das quatro ferramentas de desenvolvimento regional analisadas no estudo somaram 3 trilh\u00f5es (2010-2014) e 2,5 trilh\u00f5es (2015-2021).<\/p>\n<p>Outra medida que d\u00e1 a dimens\u00e3o de como as duas partes do per\u00edodo de estudo s\u00e3o diferentes tem a ver com o total de recursos, como propor\u00e7\u00e3o do PIB, usados nos quatro instrumentos de pol\u00edticas com impacto territorial. Entre 2010 e 2014 os montantes variavam entre 6,2% e 7,5%; j\u00e1 em 2015-2021, variaram entre 3,7% e 5,2%.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo passou para 16% do PIB. Antes da crise era de 20,5%, o que j\u00e1 n\u00e3o era alto. Discutia-se que j\u00e1 n\u00e3o era alto e que era preciso melhorar para o Brasil se colocar em outro patamar\u201d, recorda Monteiro. \u201cRetrocedemos, porque produzimos um ambiente de muita incerteza para os investimentos do setor privado e o investimento federal desabou. N\u00e3o foi utilizada a capacidade do setor p\u00fablico de se sobrepor \u00e0 crise ou atuar anticiclicamente\u201d.<\/p>\n<p>O estudo apontou que, entre as ferramentas utilizadas, o cr\u00e9dito rural tem maior impacto nas regi\u00f5es Sul e Centro-Oeste; os desembolsos do BNDES s\u00e3o mais sentidos no Sul e no Sudeste; os Fundos Constitucionais beneficiam o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste; e os investimentos federais atingem mais o Nordeste e o Sudeste.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cPrecisamos pensar al\u00e9m, com atividades industriais associadas, e tamb\u00e9m com servi\u00e7os urbanos, para viabilizar a dota\u00e7\u00e3o de infraestruturas urbanas\u201d, pontua Aristides Monteiro.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Quando tomamos os quatro instrumentos em seu conjunto, entre 2010 e 2021 foram aplicados 4,4 trilh\u00f5es de reais, sendo a regi\u00e3o Sudeste a captadora do maior montante: 1,7 trilh\u00e3o. O Centro-Oeste vem em terceiro lugar, com 722 bilh\u00f5es. Mas ao dividir o montante aplicado pela popula\u00e7\u00e3o de cada regi\u00e3o, o dado surpreende: o maior desembolso por habitante ocorre no Centro-Oeste, com mais de cinco mil reais ao ano, o que representa mais do que o dobro da m\u00e9dia nacional. Em grande parte, isso se explica pelo cr\u00e9dito rural, que \u00e9 bastante forte na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs instrumentos de financiamento que n\u00e3o t\u00eam uma orienta\u00e7\u00e3o territorial expl\u00edcita t\u00eam muito mais poder de atuar e mudar o territ\u00f3rio do que os recursos da pol\u00edtica regional tradicional\u201d, aponta Monteiro.<\/p>\n<p>Os dados mostram que na regi\u00e3o Centro-Oeste a atividade agropecu\u00e1ria (e a agroind\u00fastria) est\u00e3o buscando recursos em quase todas as fontes dispon\u00edveis. O Fundo Constitucional do Centro-Oeste \u00e9 o que tem a maior propor\u00e7\u00e3o de recursos captados pela agroind\u00fastria, com m\u00e9dia de mais de 60% nos \u00faltimos vinte anos. Na vis\u00e3o do pesquisador, os recursos do Fundo Constitucional deveriam servir para estimular uma diversifica\u00e7\u00e3o produtiva na regi\u00e3o, e n\u00e3o uma especializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTemos reiteradamente discutido a reorienta\u00e7\u00e3o dos bancos e das estrat\u00e9gias de pol\u00edtica regional para aumentar a complexidade produtiva regional. Pode ser inclusive na pr\u00f3pria cadeia de gr\u00e3os, o que n\u00e3o pode \u00e9 exportar apenas gr\u00e3os in natura ou produtos com pouca especializa\u00e7\u00e3o e valor agregado\u201d, pontua Aristides. \u201cPrecisamos pensar al\u00e9m, com atividades industriais associadas, e tamb\u00e9m com servi\u00e7os urbanos, para viabilizar a dota\u00e7\u00e3o de infraestruturas urbanas\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEstamos dando cada vez mais subs\u00eddios para as atividades do campo, como carnes e gr\u00e3os. S\u00e3o atividades que n\u00e3o geram impostos e que n\u00e3o adicionam \u00e0 fonte de recursos que v\u00e3o capturar. Os instrumentos da pol\u00edtica regional e os Fundos Constitucionais est\u00e3o sob risco porque sua trajet\u00f3ria de crescimento tende a ser decrescente. Precisamos olhar para a sua viabilidade futura\u201d, comenta Aristides Monteiro.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Monteiro tamb\u00e9m argumenta que, com as fontes de financiamento p\u00fablico capturadas pelo setor agropecu\u00e1rio na regi\u00e3o Centro-Oeste, h\u00e1 dificuldades para financiar novos setores e atividades como inova\u00e7\u00e3o, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e uma matriz de transportes n\u00e3o poluentes. Mas o pesquisador aponta, ainda, para outro perigo: que a desindustrializa\u00e7\u00e3o vivida pela economia brasileira afete as fontes de recursos.<\/p>\n<p>\u201cOs Fundos Constitucionais s\u00e3o financiados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e pelo Imposto de Renda. Como a economia brasileira est\u00e1 se desindustrializando, o IPI reduz a sua participa\u00e7\u00e3o\u201d, comenta o pesquisador. E afirma que n\u00e3o se trata de criticar este ou aquele setor, mas de pensar na viabilidade dos pr\u00f3prios Fundos Constitucionais como instrumentos de desenvolvimento. \u201cEstamos dando cada vez mais subs\u00eddios para as atividades do campo, como carnes e gr\u00e3os. S\u00e3o atividades que n\u00e3o geram impostos e que n\u00e3o adicionam \u00e0 fonte de recursos que v\u00e3o capturar. Os instrumentos da pol\u00edtica regional e os Fundos Constitucionais est\u00e3o sob risco porque sua trajet\u00f3ria de crescimento tende a ser decrescente. Precisamos olhar para a sua viabilidade futura\u201d.<\/p>\n<p>Aristides Monteiro \u00e9 doutor em economia aplicada pela Universidade de Campinas e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada. Ele tamb\u00e9m foi secret\u00e1rio de estado da Ci\u00eancia, Tecnologia e Meio Ambiente no estado de Pernambuco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo de pesquisador do IPEA analisou quatro instrumentos de desenvolvimento regional de 2010 a 2021. 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