{"id":22996,"date":"2024-07-12T16:04:16","date_gmt":"2024-07-12T19:04:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=22996"},"modified":"2024-07-12T16:04:16","modified_gmt":"2024-07-12T19:04:16","slug":"podcast-economista-petrobras-de-vargas-ao-pre-sal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=22996","title":{"rendered":"Podcast Economista: Petrobras, de Vargas ao pr\u00e9-sal"},"content":{"rendered":"<p><em>Jo\u00e3o Rodrigues Neto, Marco Antonio Martins da Rocha e Pedro Paulo Zahluth Bastos falam sobre a hist\u00f3ria da empresa e sua import\u00e2ncia na industrializa\u00e7\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o da economia brasileira<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 no ar mais uma edi\u00e7\u00e3o do podcast Economistas e o tema, desta vez, \u00e9 a hist\u00f3ria de uma das principais empresas do Brasil, a Petrobras. Ela desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds e sua import\u00e2ncia vai al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis. Quer saber mais? O epis\u00f3dio est\u00e1 dispon\u00edvel na sua plataforma favorita ou no player abaixo.<\/p>\n<p><strong>In\u00edcio da explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo<\/strong><\/p>\n<p>Embora o primeiro registro de perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os de petr\u00f3leo no Brasil tenha acontecido no S\u00e9culo XIX, foi somente no S\u00e9culo XX, ap\u00f3s a segunda guerra mundial, que o debate sobre a explora\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a tomar corpo no pa\u00eds. O assunto envolvia diversas quest\u00f5es, como a soberania nacional, os recursos minerais, a industrializa\u00e7\u00e3o e a atua\u00e7\u00e3o das empresas estrangeiras no nosso territ\u00f3rio. O debate foi dividido em duas correntes, sendo uma delas favor\u00e1vel \u00e0 abertura do setor de petr\u00f3leo para a iniciativa privada, e a outra almejando o monop\u00f3lio estatal. Para defender esta \u00faltima tese foi organizada uma campanha, que ficou conhecida como \u201cO Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cVargas tinha uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica de desenvolvimento do pa\u00eds e da articula\u00e7\u00e3o da rede para propiciar o salto qualitativo na industrializa\u00e7\u00e3o brasileira. Este processo resultou na cria\u00e7\u00e3o de grandes empresas estatais\u201d, conta Rodrigues.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O professor Jo\u00e3o Rodrigues Neto, p\u00f3s-doutor em economia da energia, do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural pelo El Colegio de M\u00e9xico (Colmex), fala sobre o contexto daquele momento. \u201cVargas tinha uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica de desenvolvimento do pa\u00eds e da articula\u00e7\u00e3o da rede para propiciar o salto qualitativo na industrializa\u00e7\u00e3o brasileira. Este processo resultou na cria\u00e7\u00e3o de grandes empresas estatais\u201d, conta Rodrigues, citando o Conselho Nacional do Petr\u00f3leo (1938), o Conselho Nacional de \u00c1guas e Energia El\u00e9trica (1939), a Companhia Sider\u00fargica Nacional (1940), a Vale (1942), a Companhia Nacional de \u00c1lcalis (1943) e a Companhia Hidrel\u00e9trica do S\u00e3o Francisco (1945). \u201cEssas empresas estatais teriam o papel de criar a infraestrutura necess\u00e1ria ao desenvolvimento do processo de industrializa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQual \u00e9 o tom do segundo governo Vargas? Em discurso pronunciado em Salvador, ele falou que gostaria que os capitais estrangeiros viessem para o Brasil mas, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o desejava que eles viessem se apropriar da riqueza brasileira\u201d, explica Rodrigues. \u201cA partir de 1951 ele se volta para a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e da riqueza no subsolo. Neste contexto foi institu\u00eddo o monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo e criada a Petrobras\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cSe voltarmos na d\u00e9cada de 1950, naquele momento estava em montagem a \u2018civiliza\u00e7\u00e3o do hidrocarboneto\u2019. O petr\u00f3leo n\u00e3o era s\u00f3 uma base da movimenta\u00e7\u00e3o de transportes, mas da gera\u00e7\u00e3o de energia, que em boa parte do mundo \u00e9 feita pela via termoel\u00e9trica. Em muitos casos, ele substitui o transporte ferrovi\u00e1rio pelo rodovi\u00e1rio, e tamb\u00e9m se difundem todas as fibras sint\u00e9ticas, o pl\u00e1stico e a borracha sint\u00e9tica\u201d, contextualiza o professor Marco Antonio Martins da Rocha, pesquisador do N\u00facleo de Economia Industrial e Tecnol\u00f3gica da Unicamp.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O setor petrol\u00edfero era visto pelo ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas como um elemento central no processo de industrializa\u00e7\u00e3o pesada (dos meios de produ\u00e7\u00e3o) do Brasil \u2013 algo fundamental para que uma sociedade de base agr\u00e1ria e artesanal possa se tornar industrial e mecanizada. A industrializa\u00e7\u00e3o pesada envolve a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, tecnologias avan\u00e7adas e m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o em larga escala, aumentando a capacidade de produzir de bens e servi\u00e7os, gerando empregos e impulsionando o crescimento econ\u00f4mico. Em 03 de outubro de 1953 foi assinada a Lei 2.004, conhecida como Lei do Petr\u00f3leo, estabelecendo o monop\u00f3lio estatal sobre a explora\u00e7\u00e3o e criando a Petrobras.<\/p>\n<p>\u201cSe voltarmos na d\u00e9cada de 1950, naquele momento estava em montagem a \u2018civiliza\u00e7\u00e3o do hidrocarboneto\u2019. O petr\u00f3leo n\u00e3o era s\u00f3 uma base da movimenta\u00e7\u00e3o de transportes, mas da gera\u00e7\u00e3o de energia, que em boa parte do mundo \u00e9 feita pela via termoel\u00e9trica. Em muitos casos, ele substitui o transporte ferrovi\u00e1rio pelo rodovi\u00e1rio, e tamb\u00e9m se difundem todas as fibras sint\u00e9ticas, o pl\u00e1stico e a borracha sint\u00e9tica\u201d, contextualiza o professor Marco Antonio Martins da Rocha, pesquisador do N\u00facleo de Economia Industrial e Tecnol\u00f3gica da Unicamp. \u201cE como desdobramentos dessa cadeia, a petroqu\u00edmica estava come\u00e7ando a ocupar seu lugar\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA refinaria Presidente Bernardes passou a produzir etileno, propileno, benzeno e am\u00f4nio. A partir da\u00ed a Petrobras criou a primeira unidade brasileira que produzisse a pir\u00f3lise da nafta, resultando no surgimento de um n\u00facleo petroqu\u00edmico para a produ\u00e7\u00e3o de resinas pl\u00e1sticas, fertilizantes, metanol e outros produtos\u201d, comenta Rodrigues.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o de um setor petrol\u00edfero, com todas as cadeias produtivas ligadas a ele, era o cerne da industrializa\u00e7\u00e3o no paradigma fordista, explica Marco Antonio. \u201cEle garantia sua autonomia energ\u00e9tica, a sustenta\u00e7\u00e3o da matriz log\u00edstica e possui um encadeamento significativo na ind\u00fastria de bens de capital e de insumos b\u00e1sicos de forma geral. Tudo isso fazia o setor de petr\u00f3leo ser muito estrat\u00e9gico. A industrializa\u00e7\u00e3o acabava se originando a partir dele\u201d.<\/p>\n<p>Quando foi conclu\u00edda a instala\u00e7\u00e3o da Petrobras, em 1954, foram incorporadas ao patrim\u00f4nio da empresa a refinaria de S\u00e3o Francisco do Conde, na Bahia; a refinaria Presidente Bernardes, que seria inaugurada no ano seguinte em Cubat\u00e3o; e a frota nacional de petroleiros. \u201cA refinaria Presidente Bernardes passou a produzir etileno, propileno, benzeno e am\u00f4nio. A partir da\u00ed a Petrobras criou a primeira unidade brasileira que produzisse a pir\u00f3lise da nafta, resultando no surgimento de um n\u00facleo petroqu\u00edmico para a produ\u00e7\u00e3o de resinas pl\u00e1sticas, fertilizantes, metanol e outros produtos\u201d, comenta Rodrigues. \u201cEm seguida a Petrobras deu um passo importante com a implanta\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica de fertilizantes nitrogenados a partir da utiliza\u00e7\u00e3o de gases residuais, produzindo am\u00f4nia, \u00e1cido n\u00edtrico, nitrato de am\u00f4nio, entre outros produtos. E construiu uma f\u00e1brica de asfalto integrada \u00e0 refinaria Presidente Bernardes\u201d.<\/p>\n<p><strong>Inaugura\u00e7\u00e3o da primeira refinaria<\/strong><\/p>\n<p>Em 1961 a empresa atinge um marco importante: a inaugura\u00e7\u00e3o da primeira refinaria totalmente constru\u00edda por ela, em Duque de Caxias. Esta conquista simbolizou a capacidade do Pa\u00eds de dominar toda a cadeia produtiva do petr\u00f3leo, da explora\u00e7\u00e3o ao refino. Al\u00e9m disso, trouxe maior seguran\u00e7a energ\u00e9tica para o Brasil, incentivou investimentos em pesquisa e desenvolvimento no setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s e ajudou a promover a industrializa\u00e7\u00e3o. A inaugura\u00e7\u00e3o da refinaria tamb\u00e9m fortaleceu a balan\u00e7a comercial brasileira, uma vez que diminuiu a necessidade de importar derivados.<\/p>\n<p>\u201cA internaliza\u00e7\u00e3o da capacidade de refino foi importante porque permitiu adentrar numa s\u00e9rie de outros setores da industrializa\u00e7\u00e3o pesada, estrat\u00e9gicos para que form\u00e1ssemos nosso pr\u00f3prio parque industrial. Tornou poss\u00edvel avan\u00e7ar ou, pelo menos, atrair e encadear investimentos a partir do parque de refino\u201d, continua Marco Antonio. \u201cA petroqu\u00edmica vai se encadeando a partir da expans\u00e3o da nossa capacidade. O petr\u00f3leo foi fundamental, ele abriu as trajet\u00f3rias de outros setores e possibilitou um setor forte de insumos industriais que, no fim das contas, garantia em si a pr\u00f3pria industrializa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Petr\u00f3leo no mar<\/strong><\/p>\n<p>Nos primeiros anos de exist\u00eancia da Petrobras, a tentativa de explora\u00e7\u00e3o de campos terrestres, sobretudo na Amaz\u00f4nia, n\u00e3o teve resultados comercialmente vi\u00e1veis. A empresa, ent\u00e3o, passou a buscar petr\u00f3leo no mar. Em 1968 ela construiu sua primeira plataforma, que tinha capacidade de operar em \u00e1guas com at\u00e9 30 metros de profundidade. Com esta plataforma foi descoberto, no ano seguinte, o primeiro campo de petr\u00f3leo no mar brasileiro, no estado de Sergipe. Mais tarde, em 1974, foi descoberto petr\u00f3leo na bacia de campos, pr\u00f3xima \u00e0 divisa do Rio de Janeiro com o Esp\u00edrito Santo, e esta regi\u00e3o chegou a ser respons\u00e1vel por mais de 80% da produ\u00e7\u00e3o nacional de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u201cA Petrobras, nos primeiros anos, basicamente foi uma empresa de refino. A explora\u00e7\u00e3o s\u00f3 deslanchou com as novas tecnologias, que j\u00e1 envolviam um desenvolvimento da ind\u00fastria e da engenharia nacionais\u201d, aponta Pedro Paulo Zaluth Bastos, doutor em ci\u00eancias econ\u00f4micas pela Unicamp. \u201cAs descobertas em Sergipe e Campos tiveram enorme import\u00e2ncia j\u00e1 ao longo da d\u00e9cada de 1970 e principalmente na de 1980. Um ter\u00e7o da melhoria do superavit comercial brasileiro veio da substitui\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Choque do Petr\u00f3leo e os contratos de risco<\/strong><\/p>\n<p>A crise trazida pelo primeiro Choque do Petr\u00f3leo, em 1973, levou a uma campanha pela abertura da explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no Brasil para empresas estrangeiras por meio dos contratos de risco. Os defensores da ideia argumentavam que a amplia\u00e7\u00e3o dos investimentos levaria a um aumento r\u00e1pido na produ\u00e7\u00e3o brasileira, diminuindo a depend\u00eancia externa do pa\u00eds &#8211; o petr\u00f3leo importado correspondia a 78% do consumo interno, o que em 1975 representava tr\u00eas bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Al\u00e9m disso, questionava-se a capacidade de financiamento da empresa, com a argumenta\u00e7\u00e3o de que ap\u00f3s 20 anos de investimentos a Petrobras ainda n\u00e3o havia descoberto novas jazidas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cE o esfor\u00e7o feito a partir de 1973 n\u00e3o foi algo conjuntural. O Brasil precisava avan\u00e7ar e garantir uma autonomia energ\u00e9tica, sobretudo na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, porque permitiria avan\u00e7ar o processo de industrializa\u00e7\u00e3o \u2013 e haveria uma restri\u00e7\u00e3o para importar, porque o pre\u00e7o tinha alcan\u00e7ado um patamar muito superior ao das d\u00e9cadas anteriores. E o petr\u00f3leo garantia uma folga no nosso balan\u00e7o de pagamentos, um ganho estrutural para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas\u201d, argumenta Marco Antonio.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cO papel das empresas estrangeiras na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil sempre foi marginal, e a abertura n\u00e3o mudou este quadro, se levarmos em conta a participa\u00e7\u00e3o nos esfor\u00e7os de amplia\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o. Tudo vem, majoritariamente, do esfor\u00e7o da Petrobras, tanto de prospec\u00e7\u00e3o quanto de gera\u00e7\u00e3o de tecnologia\u201d, argumenta Marco Antonio. \u201cE o esfor\u00e7o feito a partir de 1973 n\u00e3o foi algo conjuntural. O Brasil precisava avan\u00e7ar e garantir uma autonomia energ\u00e9tica, sobretudo na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, porque permitiria avan\u00e7ar o processo de industrializa\u00e7\u00e3o \u2013 e haveria uma restri\u00e7\u00e3o para importar, porque o pre\u00e7o tinha alcan\u00e7ado um patamar muito superior ao das d\u00e9cadas anteriores. E o petr\u00f3leo garantia uma folga no nosso balan\u00e7o de pagamentos, um ganho estrutural para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas\u201d.<\/p>\n<p>O professor aponta, ainda, que este esfor\u00e7o vem de uma empresa que, necessariamente, precisava ser p\u00fablica. \u201cUma empresa privada, naquele momento, n\u00e3o investiria, n\u00e3o se mobilizaria estrategicamente para a explora\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas, n\u00e3o assumiria esse risco. Havia uma incerteza muito alta. Poderia n\u00e3o dar em nada, mas deu no pr\u00e9-sal\u201d, aponta Marco Antonio. \u201cQuem assume esse risco \u00e9 a empresa estatal, quem gera essa tecnologia e se organiza para essa miss\u00e3o \u00e9 a empresa estatal, que hoje vem garantindo nossa capacidade de acumula\u00e7\u00e3o de reservas cambiais\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO papel das empresas estrangeiras na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil sempre foi marginal, e a abertura n\u00e3o mudou este quadro, se levarmos em conta a participa\u00e7\u00e3o nos esfor\u00e7os de amplia\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o. Tudo vem, majoritariamente, do esfor\u00e7o da Petrobras, tanto de prospec\u00e7\u00e3o quanto de gera\u00e7\u00e3o de tecnologia\u201d, argumenta Marco Antonio.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Jo\u00e3o Rodrigues Neto menciona o resultado da possibilidade dos contratos de risco frente a expectativa de que eles contribu\u00edssem decisivamente para o crescimento da produ\u00e7\u00e3o no Brasil. Ao todo, foram celebrados 246 contratos de risco e perfurados 196 po\u00e7os, com uma \u00fanica descoberta comercialmente vi\u00e1vel. \u201cInfelizmente, foram frustradas essas expectativas. Atribuiu-se o insucesso \u00e0 complexa geologia brasileira\u201d, explicou o professor. \u201cA exce\u00e7\u00e3o ficou por conta da Pectem, subsidi\u00e1ria da Shell, que descobriu o campo de g\u00e1s de Merluza na bacia de Santos. Posteriormente, na mesma bacia, a Petrobras descobriu petr\u00f3leo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Quebra do monop\u00f3lio da empresa<\/strong><\/p>\n<p>Com a san\u00e7\u00e3o da Lei 9.478\/97 a Petrobras deixou de ter o monop\u00f3lio na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil. O texto permite que outras empresas, constitu\u00eddas sob as leis brasileiras e com sede no Brasil, passassem a atuar em todos os elos da cadeia do petr\u00f3leo, em regime de concess\u00e3o ou mediante autoriza\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o. Com a abertura, hoje existem diversas companhias retirando \u00f3leo e g\u00e1s das reservas brasileiras, mas na atividade de refino a companhia continua sendo respons\u00e1vel pela quase totalidade da produ\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cO que levou a essa medida foi basicamente uma press\u00e3o das multinacionais, e dos Estados Unidos em particular, e a concess\u00e3o feita pelo governo brasileiro, que imaginou que o importante era produzir petr\u00f3leo, independentemente da dire\u00e7\u00e3o. As empresas j\u00e1 tinham campos em v\u00e1rios lugares do mundo e n\u00e3o realizaram movimento de prospec\u00e7\u00e3o no Brasil, ent\u00e3o o objetivo se frustrou\u201d, explica Pedro Paulo Zahluth Bastos. \u201cTamb\u00e9m havia um projeto de privatizar a Petrobras, alterando seu nome temporariamente para Petrobrax. A Petroquisa, infelizmente, foi privatizada. Mas s\u00f3 se conseguiu de novo explorar petr\u00f3leo no Brasil por meio dos investimentos que a Petrobras realizou e que deram resultado na descoberta do pr\u00e9-sal\u201d.<\/p>\n<p><strong>O pr\u00e9-sal<\/strong><\/p>\n<p>A descoberta do pr\u00e9-sal, em 2006, foi um marco para a ind\u00fastria mundial do petr\u00f3leo e trouxe um debate sobre o modelo de explora\u00e7\u00e3o, com tr\u00eas correntes diferentes de pensamento. Uma delas defendia o retorno \u00e0 antiga Lei do Petr\u00f3leo (Lei 2.004\/53), uma segunda defendia o modelo de concess\u00e3o e uma terceira defendia o modelo de partilha \u2013 que acabou sendo introduzido no Brasil por meio da Lei 12.351.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA press\u00e3o das multinacionais levou em 2016 \u00e0 revis\u00e3o da pol\u00edtica de partilha. Mais tarde, houve uma grande desverticaliza\u00e7\u00e3o da Petrobras, com a perda de apoio no sistema de distribui\u00e7\u00e3o, o que foi ruim para a economia brasileira\u201d, fala Bastos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cO governo brasileiro instituiu modelos de partilha exatamente para poder ter um controle estrat\u00e9gico do processo de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, de maneira que a Petrobras estivesse participando dos blocos de explora\u00e7\u00e3o, ainda que associada a outras empresas. O principal problema do sistema de concess\u00f5es \u00e9 que a empresa pode, eventualmente, querer explorar o petr\u00f3leo sem nenhuma vis\u00e3o de longo prazo, enquanto o sistema de partilha permite uma explora\u00e7\u00e3o mais racional e estrat\u00e9gica\u201d, explica Bastos. \u201cA press\u00e3o das multinacionais levou em 2016 \u00e0 revis\u00e3o da pol\u00edtica de partilha. Mais tarde, houve uma grande desverticaliza\u00e7\u00e3o da Petrobras, com a perda de apoio no sistema de distribui\u00e7\u00e3o, o que foi ruim para a economia brasileira\u201d.<\/p>\n<p>A partir de 2017 o pr\u00e9-sal passou a responder por mais da metade da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s no Brasil. Al\u00e9m disso, o volume extra\u00eddo poderia permitir que o Pa\u00eds tivesse autossufici\u00eancia em petr\u00f3leo, mas n\u00e3o h\u00e1 em territ\u00f3rio nacional uma capacidade de refino compat\u00edvel com a demanda de consumo.<\/p>\n<p><strong>Descarbonzia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Um dos desafios que se imp\u00f5em sobre a economia mundial \u00e9 a necessidade de reduzir o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis a fim de conter os impactos clim\u00e1ticos. Al\u00e9m disso, o petr\u00f3leo n\u00e3o \u00e9 uma fonte de energia renov\u00e1vel. De que maneira, ent\u00e3o, uma empresa petrol\u00edfera pode ter uma influ\u00eancia positiva na transi\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono?<\/p>\n<p>\u201cA maior parte delas est\u00e3o investindo e mobilizando ativos em rela\u00e7\u00e3o a novas fontes de energia. \u00c9 racional, numa empresa privada, percebendo que seu mercado tem uma s\u00e9rie de complica\u00e7\u00f5es no futuro, come\u00e7ar a se movimentar por uma diversifica\u00e7\u00e3o\u201d, aponta Marco Antonio. \u201cPensar na Petrobras tendo um papel ativo em termos de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica n\u00e3o seria nenhuma jabuticaba. Seria algo a par do que vem acontecendo no mundo. Devemos pensar a Petrobras como um elemento central numa autonomia em rela\u00e7\u00e3o a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e energias renov\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p><strong>Esta edi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o do podcast \u00e9 parte do projeto Mem\u00f3rias e Futuro da Economia Brasileira, criado pelo Cofecon em 2024 para estimular o conhecimento da nossa hist\u00f3ria econ\u00f4mica e discutir o futuro que queremos criar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Rodrigues Neto \u00e9 doutor em economia aplicada pelo Instituto de Economia da Unicamp, com p\u00f3s-doutorado em economia da energia, do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural pelo El Colegio de M\u00e9xico (Colmex). \u00c9 professor titular do departamento de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p>Marco Antonio Martins da Rocha \u00e9 mestre e doutor em teoria econ\u00f4mica pela Unicamp e tem como principais \u00e1reas de estudos a economia industrial e a hist\u00f3ria do pensamento econ\u00f4mico. \u00c9 pesquisador do N\u00facleo de Economia Industrial e Tecnol\u00f3gica e professor da Unicamp.<\/p>\n<p>Pedro Paulo Zahluth Bastos \u00e9 doutor em ci\u00eancias econ\u00f4micas pela Unicamp. Foi presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores em Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica e chefe do departamento de Pol\u00edtica e Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica do Instituto de Economia da Unicamp, onde hoje \u00e9 livre docente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/121---Petrobras--de-Vargas-ao-pr-sal-e2lv62o\/a-abe8reg\" width=\"800px\" height=\"204px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Rodrigues Neto, Marco Antonio Martins da Rocha e Pedro Paulo Zahluth Bastos falam sobre a hist\u00f3ria da empresa e sua import\u00e2ncia na industrializa\u00e7\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o da economia brasileira Est\u00e1 no ar mais uma edi\u00e7\u00e3o do podcast Economistas e o<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=22996\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22998,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12],"tags":[],"class_list":["post-22996","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-podcast"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22996"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22996"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22996\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/22998"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}