{"id":22658,"date":"2024-05-24T18:07:50","date_gmt":"2024-05-24T21:07:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=22658"},"modified":"2024-05-24T18:07:50","modified_gmt":"2024-05-24T21:07:50","slug":"artigo-g7-g20-e-brics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=22658","title":{"rendered":"Artigo: G7, G20 e BRICS"},"content":{"rendered":"<p><em>Por J\u00falio Miragaya, economista, doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico Sustent\u00e1vel, conselheiro do Conselho Federal de Economia e ex-presidente da Codeplan. Texto publicado originalmente no portal Bras\u00edlia Capital<\/em><\/p>\n<p>Sabe aquela hist\u00f3ria da pessoa que ficava no port\u00e3o de casa e, todo domingo, ao ver uma mulher passar para ir \u00e0 missa, dizia ao vizinho que ela estava gr\u00e1vida. Repetiu isso por 10 anos e, certo domingo, a mulher passou com a barriga saliente, e ele disse ao vizinho: \u201cEu n\u00e3o disse que ela estava gr\u00e1vida!\u201d. \u00c9 mais ou menos assim o que ocorre com os analistas econ\u00f4micos ocidentais, que h\u00e1 anos afirmam com arrogante convic\u00e7\u00e3o que a economia chinesa passar\u00e1 a apresentar crescimento modesto, e, invariavelmente, d\u00e3o com os burros n\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Vejamos a seguinte manchete recente da CNN: \u201cA economia da China superou as expectativas do mercado e registrou um crescimento de 5,3% do PIB no primeiro trimestre de 2024. A alta superou a proje\u00e7\u00e3o do mercado, de cerca de 4,6%\u201d. Comparemos com a manchete do site InfoMoney: \u201cPIB dos EUA sobe 1,6% no primeiro trimestre de 2024, abaixo do esperado\u201d.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, n\u00e3o obstante as recorrentemente equivocadas proje\u00e7\u00f5es de analistas econ\u00f4micos t\u00e3o bem remunerados, nada de novo no front. H\u00e1 dez ou quinze anos se dizia que a economia chinesa crescia em torno de 10% ao ano porque a sua base era pequena, relativamente \u00e0 norte-americana. Mas agora tem a mesma dimens\u00e3o e o PIB da China cresce duas ou tr\u00eas vezes mais que o dos EUA. E n\u00e3o fossem os estrondosos gastos militares, pr\u00f3ximos a US$ 1 trilh\u00e3o\/ano, e \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de armamentos, de US$ 205 bilh\u00f5es (42% das exporta\u00e7\u00f5es mundiais), o PIB dos EUA teria crescimento em torno de zero.<\/p>\n<p>Cerca de 60% dos pa\u00edses do mundo t\u00eam a China como principal parceiro comercial, ao passo que n\u00e3o mais que 15% t\u00eam os EUA como parceiro de maior relev\u00e2ncia. Analistas econ\u00f4micos imparciais projetam que em 2050 o PIB da China ser\u00e1 quase o dobro do PIB nominal norte-americano e o triplo do PIB\/PPC. Tais n\u00fameros revelam que o imp\u00e9rio norte-americano j\u00e1 iniciou sua fase descendente, a exemplo de in\u00fameros casos na Hist\u00f3ria do Planeta. Gradativamente, vai sendo superado pela China como pot\u00eancia hegem\u00f4nica.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que pensa \u201cBananinha Bolsonaro\u201d, o futuro do Brasil dever\u00e1 estar mais ligado \u00e0 ascendente China do que ao decadente EUA. E se as pot\u00eancias ocidentais j\u00e1 deixaram de lado o G-7 e buscam fortalecer o G-20, visando nele ter hegemonia, para o Brasil e demais pa\u00edses chamados \u201cemergentes\u201d a \u201cbola da vez\u201d deve ser o BRICS, que tende a se consolidar como um espa\u00e7o de articula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses perif\u00e9ricos contra o dom\u00ednio exercido na economia global pelas pot\u00eancias ocidentais, que passa pela ditadura do d\u00f3lar, pelas rela\u00e7\u00f5es desiguais relativas a investimentos, pelas imposi\u00e7\u00f5es ditadas por suas empresas transnacionais etc.<\/p>\n<p>Entre os atuais dez membros do BRICS, com as exce\u00e7\u00f5es do rico, mas pequenino Emirados \u00c1rabes Unidos, e da pobre, mas populosa Eti\u00f3pia, est\u00e3o algumas das principais economias do chamado \u201cSul Global\u201d. Mas, se China, \u00cdndia, R\u00fassia, Brasil, Ir\u00e3, Ar\u00e1bia Saudita, Egito e \u00c1frica do Sul j\u00e1 garantem ao BRICS um PIB superior ao do G-7, \u00e9 importante destacar que pa\u00edses com economias poderosas e que j\u00e1 integram o G-20, como Indon\u00e9sia, M\u00e9xico e Turquia, n\u00e3o podem ficar fora do BRICS. E suas admiss\u00f5es devem ser objeto de debate na sua pr\u00f3xima c\u00fapula, em outubro pr\u00f3ximo, em Kazan (R\u00fassia).<\/p>\n<p>Do mesmo modo, pa\u00edses com enormes mercados internos (superiores a 200 milh\u00f5es de habitantes), com economias em franca ascens\u00e3o e enorme peso regional, como Nig\u00e9ria (maior PIB da \u00c1frica) e Paquist\u00e3o (pot\u00eancia nuclear) t\u00eam que ser n\u00e3o s\u00f3 integrados ao BRICS, como tamb\u00e9m admitidos no G-20.<\/p>\n<p>Esta deveria ser uma discuss\u00e3o a ser suscitada pelo Brasil na pr\u00f3xima c\u00fapula do G-20, em 18 e 19 novembro, no Rio de Janeiro. E na \u201cfila\u201d ainda estariam Tail\u00e2ndia, Vietn\u00e3, Filipinas e Bangladesh. Este seria o caminho para colocar freio no \u00edmpeto insano e devastador do imperialismo norte-americano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por J\u00falio Miragaya, economista, doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico Sustent\u00e1vel, conselheiro do Conselho Federal de Economia e ex-presidente da Codeplan. 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