{"id":22623,"date":"2024-05-17T16:00:07","date_gmt":"2024-05-17T19:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=22623"},"modified":"2024-05-17T16:00:07","modified_gmt":"2024-05-17T19:00:07","slug":"podcast-economistas-o-que-atrapalha-o-crescimento-economico-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=22623","title":{"rendered":"Podcast Economistas: O que atrapalha o crescimento econ\u00f4mico da Am\u00e9rica Latina?"},"content":{"rendered":"<p><em>Economista Ant\u00f4nio Prado aponta que baixo investimento, endividamento e impactos ambientais afetam negativamente a economia da regi\u00e3o. OCDE projeta alta de 1,4% em 2024<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 no ar a edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 114 do podcast Economistas e o tema, desta vez, \u00e9 o crescimento econ\u00f4mico da Am\u00e9rica Latina. A Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) divulgou um estudo no qual prev\u00ea uma alta de 1,4% para o conjunto das sete maiores economias da regi\u00e3o, e quem fala sobre o assunto \u00e9 o economista Ant\u00f4nio Jos\u00e9 Corr\u00eaa do Prado, ex-secret\u00e1rio-adjunto da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal) e conselheiro do Corecon-SP.<\/p>\n<p>O grupo das sete maiores economias da regi\u00e3o \u00e9 composto por Brasil, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia, Argentina, Peru, Chile e Costa Rica. O relat\u00f3rio da OCDE projeta uma alta de 3,6% na Costa Rica, 2,3% no Peru e Chile, 2,2% no M\u00e9xico, 1,9% no Brasil, 1,2% na Col\u00f4mbia e uma retra\u00e7\u00e3o de 3,3% na Argentina. Em conjunto, o crescimento projetado para o bloco \u00e9 de 1,4% &#8211; uma desacelera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a 2023, quando o mesmo conjunto de pa\u00edses cresceu 1,9%.<\/p>\n<p>Para o economista Ant\u00f4nio Prado, h\u00e1 fatores de longo prazo que atrapalham o crescimento dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. \u201cEssas economias v\u00eam passando por um processo de pol\u00edticas monet\u00e1rias restritivas\u201d, explicou Prado. \u201cMas h\u00e1 fatores de longo prazo explicando o crescimento dessas economias. A Cepal fez um c\u00e1lculo desde a d\u00e9cada de 1950 com um n\u00famero maior de pa\u00edses. No per\u00edodo de 1951 a 1979, a m\u00e9dia de crescimento foi de 5,5%; de 1980 a 2009, 2,7%; e de 2010 a 2024, 1,6%. A taxa m\u00e9dia de longo prazo \u00e9 de 1,9%\u201d.<\/p>\n<p>Por que isso ocorre? \u201cTem v\u00e1rios fatores estruturais importantes, mas primeiro uma baixa taxa de crescimento dos investimentos de todas essas economias\u201d, avaliou o economista. \u201cIsso impacta o n\u00edvel de produtividade da Am\u00e9rica Latina, que hoje \u00e9 ainda menor do que o encontrado nos anos 80. Isso prejudica muito o crescimento de longo prazo\u201d.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio divulgado pela OCDE, o principal fator apontado como respons\u00e1vel por enfraquecer o crescimento da Am\u00e9rica latina neste momento \u00e9 a falta de demanda externa. Entre os principais parceiros econ\u00f4micos da regi\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o prev\u00ea um crescimento de 2,6% para os Estados Unidos, 4,9% para a China e 0,7% para a zona do euro. Prado aponta que a demanda externa tamb\u00e9m vem sendo afetada pelo baixo crescimento do com\u00e9rcio mundial<\/p>\n<p>\u201cO volume tem diminu\u00eddo desde a pandemia. O crescimento do com\u00e9rcio mundial desde o final da Segunda Guerra foi um motor importante de crescimento de todas as economias\u201d, comentou o conselheiro do Corecon-SP. \u201cEsse motor est\u00e1 se apagando, e isso vem acontecendo desde a crise financeira de 2008 e, em especial, desde 2012, quando a segunda fase afetou a Europa. Esta an\u00e1lise da OCDE chama a aten\u00e7\u00e3o para um fator fundamental, que \u00e9 o dinamismo do com\u00e9rcio internacional\u201d.<\/p>\n<p>Outro ponto para o qual o relat\u00f3rio chama a aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o os riscos que a regi\u00e3o enfrenta devido \u00e0s tens\u00f5es geopol\u00edticas globais e \u00e0 volatilidade dos mercados financeiros. A economia da regi\u00e3o \u00e9 afetada pela varia\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os do d\u00f3lar e das commodities. Al\u00e9m disso, parceiros comerciais importantes est\u00e3o, de alguma forma, envolvidos em conflitos.<\/p>\n<p>Mas outro fator para o qual o economista chama a ten\u00e7\u00e3o \u00e9 o endividamento da regi\u00e3o. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o importante porque, no momento, a taxa de juros praticada nos Estados Unidos \u00e9 de 5,5% ao ano, o que eleva o custo de capta\u00e7\u00e3o de recursos no exterior \u2013 e n\u00e3o h\u00e1 sinaliza\u00e7\u00e3o de que esta taxa venha a cair antes do fim de 2024.<\/p>\n<p>\u201cAs quest\u00f5es geopol\u00edticas t\u00eam efeitos importantes. Afetam pre\u00e7os fundamentais como o petr\u00f3leo e os fertilizantes, e tamb\u00e9m as economias mais pr\u00f3ximas, que s\u00e3o nossos parceiros comerciais. \u00c9 o caso da Europa. A taxa de crescimento baixo tem rela\u00e7\u00e3o com a guerra R\u00fassia-Ucr\u00e2nia\u201d, observou Prado. \u201cMas temos tamb\u00e9m nossos problemas internos, e que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a economia norte-americana. Quando a taxa de juros americana sobe, ela impacta a nossa pol\u00edtica monet\u00e1ria. \u00c9 uma caracter\u00edstica dos pa\u00edses da regi\u00e3o, n\u00e3o tanto do Brasil, depender de financiamento com emiss\u00e3o de d\u00edvida soberana, que vem custando cada vez mais caro\u201d.<\/p>\n<p>A OCDE tamb\u00e9m apontou para o fato de que os desastres clim\u00e1ticos podem afetar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da regi\u00e3o. Na mesma semana em que foi divulgado o relat\u00f3rio, o Rio Grande do Sul sofreu um desastre clim\u00e1tico sem precedentes. As chuvas intensas levaram ao transbordamento de rios, deixando um rastro de inunda\u00e7\u00f5es e destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que alerta esta situa\u00e7\u00e3o traz para a economia da Am\u00e9rica Latina? \u201c\u00c9 um impacto importante, porque o Rio Grande do Sul tem um peso de cerca de 12% na produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os do pa\u00eds. N\u00e3o sabemos o que vai ocorrer em termos de resultado da safra, que vinha sendo bom. T\u00ednhamos uma proje\u00e7\u00e3o de queda na safra de gr\u00e3os de 8% no pa\u00eds, ent\u00e3o \u00e9 prov\u00e1vel que haja um aumento nesta previs\u00e3o de quebra de safra em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, que foi um ano bom\u201d, afirmou Prado. \u201c\u00c9 muito importante passar a considerar esses eventos clim\u00e1ticos extremos como eventos que acontecer\u00e3o de forma mais frequente e intensa\u201d.<\/p>\n<p>O podcast Economistas pode ser escutado na sua plataforma favorita ou pelo player abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/114---O-que-atrapalha-o-crescimento-econmico-da-Amrica-Latina-e2jprv7\/a-ab9ceg5\" width=\"800px\" height=\"204px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economista Ant\u00f4nio Prado aponta que baixo investimento, endividamento e impactos ambientais afetam negativamente a economia da regi\u00e3o. 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