{"id":22568,"date":"2024-05-10T16:23:34","date_gmt":"2024-05-10T19:23:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=22568"},"modified":"2024-05-10T16:23:34","modified_gmt":"2024-05-10T19:23:34","slug":"podcast-economistas-com-lucas-ferreira-lima-e-preciso-pensar-nos-limites-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=22568","title":{"rendered":"Podcast Economistas, com Lucas Ferreira Lima: \u201c\u00c9 preciso pensar nos limites do planeta\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Economista aborda um modelo que considere os limites planet\u00e1rios. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a economia que produz bem-estar. O ecossistema tamb\u00e9m, e ele est\u00e1 produzindo menos\u201d, argumenta Lima<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 no ar mais uma edi\u00e7\u00e3o do podcast Economistas, e o tema desta vez \u00e9 economia, sociedade e meio ambiente. A quantidade de crises causada pelas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas tem aumentado muito ao redor do mundo, e cada uma delas gera uma s\u00e9rie de impactos econ\u00f4micos e sociais. Quem fala sobre o assunto \u00e9 o economista Lucas Ferreira Lima, doutor em desenvolvimento econ\u00f4mico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>No in\u00edcio do m\u00eas de maio o Rio Grande do Sul foi afetado por fortes chuvas, que causaram enchentes nas cidades pertencentes \u00e0s bacias de diversos rios, entre eles o Taquari, o Jacu\u00ed e o Rio dos Sinos. Quando a \u00e1gua desceu na dire\u00e7\u00e3o do Gua\u00edba, tamb\u00e9m provocou uma enchente hist\u00f3rica na capital do estado, Porto Alegre, e na regi\u00e3o metropolitana. E conforme essa \u00e1gua se desloca na dire\u00e7\u00e3o da Lagoa dos Patos, antes de chegar ao Oceano Atl\u00e2ntico, tamb\u00e9m vai inundando cidades do litoral e do sul do estado.<\/p>\n<p>Para falar sobre o meio ambiente, \u00e9 preciso destacar que o ano de 2023 foi o mais quente j\u00e1 registrado. A temperatura m\u00e9dia do planeta esteve 1,45 grau celsius acima do n\u00edvel pr\u00e9-industrial, com uma varia\u00e7\u00e3o de 0,12 grau para mais ou para menos. Para se ter uma ideia da import\u00e2ncia deste n\u00famero, o Acordo Clim\u00e1tico de Paris, negociado em 2015 e assinado no ano seguinte por mais de 190 pa\u00edses, estabelece como meta de longo prazo manter a m\u00e9dia da temperatura global abaixo do limite de dois graus celsius acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais e, de prefer\u00eancia, limitar este aumento a 1,5 grau, reconhecendo que isso reduziria substancialmente os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cTemos concentra\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de tr\u00eas gases que causam efeito estufa, que s\u00e3o o carb\u00f4nico, o metano e o \u00f3xido nitroso. O carb\u00f4nico a partir dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, o metano a partir da cria\u00e7\u00e3o de gado\u201d, pontuou Lima. \u201cPrecisamos rever a quest\u00e3o da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos oceanos, cujo rito mais do que dobrou em rela\u00e7\u00e3o aos registros da d\u00e9cada de 90; a quest\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar; e as popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, decidir o que fazer com elas\u201d.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos oceanos, citada por Lima, \u00e9 um dos indicadores usados no debate. Entre 1993 e 2002 a m\u00e9dia anual era de 2,13 mil\u00edmetros por ano; j\u00e1 no per\u00edodo entre 2003 e 2012, ela subiu para 3,33 mil\u00edmetros; e entre janeiro de 2014 e dezembro de 2023 foi de 4,77.<\/p>\n<p>Outra consequ\u00eancia na eleva\u00e7\u00e3o do n\u00famero de desastres clim\u00e1ticos est\u00e1 na quantidade de pessoas que sofrem de inseguran\u00e7a alimentar. Dados da FAO (organismo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a agricultura e alimenta\u00e7\u00e3o) apontam que em 2021 havia 924 milh\u00f5es de pessoas enfrentando inseguran\u00e7a alimentar em n\u00edveis agudos \u2013 um aumento de 207 milh\u00f5es em dois anos.<\/p>\n<p><strong>Chuva no Rio Grande do Sul, seca na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p>O Rio Grande do Sul foi afetado por chuvas torrenciais no in\u00edcio de maio, mas n\u00e3o se pode esquecer que o estado tamb\u00e9m passou por outras cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas no ano passado. Por outro lado, a Amaz\u00f4nia viveu uma seca hist\u00f3rica, com a bacia do rio Amazonas chegando aos n\u00edveis m\u00ednimos em mais de 120 anos de medi\u00e7\u00e3o. Neste cen\u00e1rio, Lima alertou para a necessidade de modelos econ\u00f4micos adequados ao S\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos replicar modelos que serviram anteriormente. Hoje a realidade \u00e9 outra. Algo que acontecia uma ou duas vezes no s\u00e9culo agora acontece uma ou duas vezes na d\u00e9cada ou at\u00e9 mais\u201d, ponderou o economista. \u201cVivemos o ano passado o El Ni\u00f1o, que \u00e9 um per\u00edodo que intensifica as chuvas no Sul e a seca no Norte, mas \u00e9 cada vez mais constante. O que garante que n\u00e3o teremos no pr\u00f3ximo ano esta magnitude de chuvas no Sul ou de secas na Amaz\u00f4nia?\u201d<\/p>\n<p>O economista defende um modelo econ\u00f4mico baseado em tr\u00eas pilares: prud\u00eancia ecol\u00f3gica, justi\u00e7a social e uma economia solid\u00e1ria e ecossuficiente. Ele diferencia os conceitos de ecoefici\u00eancia e ecossufici\u00eancia: enquanto o primeiro tem foco em produzir mais com menos recursos, o segundo envolve uma transforma\u00e7\u00e3o da economia dentro dos limites planet\u00e1rios. E para respeitar estes limites, s\u00e3o necess\u00e1rios cinco passos: reverter a perda da biodiversidade; reduzir as emiss\u00f5es do sistema agroalimentar; alimentar a humanidade com as terras agr\u00edcolas j\u00e1 existentes; trabalhar com o sequestro de carbono, medida cuja principal forma de realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o reflorestamento; e aumentar a produtividade das culturas deixando de utilizar agroqu\u00edmicos, que s\u00e3o fontes de emiss\u00e3o de gases do efeito estufa.<\/p>\n<p>Lima tamb\u00e9m abordou a finalidade da economia, que \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de bem-estar. Ele utilizou um modelo no qual as transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da mat\u00e9ria prima e da energia (os chamados <em>inputs<\/em>) seriam convertidas em bem-estar. No entanto, estas mesmas transforma\u00e7\u00f5es produzem res\u00edduos, que s\u00e3o a mat\u00e9ria e a energia descartadas.<\/p>\n<p>\u201cE n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a economia que produz bem estar \u2013 e \u00e9 onde a econ\u00f4mica falha grandemente. O ecossistema produz bem-estar, e est\u00e1 inclusive produzindo menos, est\u00e1 gerando crises clim\u00e1ticas\u201d, argumentou Lima. \u201cN\u00f3s queremos crescer, crescer, mas ningu\u00e9m pergunta para que e como. Todos comemoram um crescimento de 2%, 3%, 4%. Crescer por qu\u00ea? Podemos crescer produzindo rem\u00e9dios, alimentos, mas tamb\u00e9m aumentando a produ\u00e7\u00e3o mineral, ampliando a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, produzindo cigarros. A fal\u00e1cia da teoria econ\u00f4mica \u00e9 prometer que quanto maior o crescimento, maior o bem-estar. Ele n\u00e3o est\u00e1 atrelado s\u00f3 ao consumo de bens materiais, mas tamb\u00e9m \u00e0 quest\u00e3o ecossist\u00eamica\u201d.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, os economistas t\u00eam um papel, devendo desempenhar duas tarefas complexas: parar o crescimento sem gerar uma crise e recriar os padr\u00f5es de consumo. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para pensar na quest\u00e3o do emprego, da desigualdade social, da inser\u00e7\u00e3o da mulher, sem pensar nos limites do planeta. A macroeconomia keynesiana da d\u00e9cada de 1930 j\u00e1 n\u00e3o faz sentido\u201d, questionou Lima. \u201cA segunda quest\u00e3o \u00e9 a das expectativas de consumo, que o mais dif\u00edcil de fazer. O que \u00e9 colocado no marketing \u00e9: quanto mais melhor. \u00c9 a ideia da maximiza\u00e7\u00e3o neocl\u00e1ssica\u201d. O economista citou um estudo sobre aumento de renda e felicidade \u2013 um gr\u00e1fico que faz uma curva em U invertido. \u201cGera felicidade nos est\u00e1gios iniciais, mas quando chega num determinado momento, os acr\u00e9scimos marginais de renda n\u00e3o geram acr\u00e9scimos de felicidade na mesma magnitude\u201d.<\/p>\n<p>O podcast Economista pode ser ouvido na sua plataforma favorita ou no player abaixo. Quer se aprofundar mais sobre o assunto? Assista a apresenta\u00e7\u00e3o realizada pelo economista Lucas Ferreira Lima no dia 07 de maio de 2024. Ela foi transmitida ao vivo e encontra-se dispon\u00edvel no canal do Cofecon no Youtube, e pode ser acessada clicando <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=o4qwbWmGXWg\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>AQUI<\/strong><\/span><\/a>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/113----preciso-pensar-nos-limites-do-planeta-e2jgpt3\/a-ab8m9u6\" width=\"800px\" height=\"204px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economista aborda um modelo que considere os limites planet\u00e1rios. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a economia que produz bem-estar. 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