{"id":22482,"date":"2024-04-26T15:36:17","date_gmt":"2024-04-26T18:36:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=22482"},"modified":"2024-04-26T15:36:17","modified_gmt":"2024-04-26T18:36:17","slug":"podcast-economistas-inflacao-e-hiperinflacao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=22482","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Infla\u00e7\u00e3o e hiperinfla\u00e7\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Desde o primeiro surto inflacion\u00e1rio, na d\u00e9cada de 1940, at\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o do Plano Real, o Brasil conviveu com per\u00edodos de infla\u00e7\u00e3o alta. Andr\u00e9 Roncaglia fala sobre o assunto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 no ar mais uma edi\u00e7\u00e3o do podcast Economistas e nesta semana temos o segundo epis\u00f3dio da s\u00e9rie Mem\u00f3rias e Futuro da Economia Brasileira, um projeto do Cofecon para estimular o conhecimento da nossa hist\u00f3ria. O tema \u00e9 a infla\u00e7\u00e3o e a hiperinfla\u00e7\u00e3o ao longo do S\u00e9culo 20 e quem fala sobre o assunto \u00e9 o economista Andr\u00e9 Roncaglia, doutor em Economia do Desenvolvimento pela Universidade de S\u00e3o Paulo e professor da mesma institui\u00e7\u00e3o. Ou\u00e7a no player abaixo ou na sua plataforma favorita.<\/p>\n\n\n\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/111---Inflao-e-hiperinflao-no-Brasil-e2iu21p\/a-ab77pdb\" width=\"800px\" height=\"204px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro grande ciclo inflacion\u00e1rio no brasil \u00e9 registrado na d\u00e9cada de 1940. Entre os anos de 1940 e 1949 a infla\u00e7\u00e3o acumulada superou os 215%, uma m\u00e9dia de 12,2% ao ano. \u201cA Segunda Guerra Mundial afeta muito o cen\u00e1rio externo brasileiro e o balan\u00e7o de pagamentos, com a dificuldade do Brasil de importar as mercadorias e as restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio, o que afeta a capacidade de manter uma trajet\u00f3ria est\u00e1vel da nossa moeda\u201d, explica o economista. \u201cA combina\u00e7\u00e3o de desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial e press\u00f5es que v\u00eam da falta de alimento e de insumos internamente, isso tudo gera press\u00e3o inflacion\u00e1ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEla \u00e9 depois parcialmente moderada, pelo arranjo que se faz no governo Dutra, com controle cambial e restri\u00e7\u00f5es \u00e0s importa\u00e7\u00f5es e uma canaliza\u00e7\u00e3o desse impulso econ\u00f4mico e din\u00e2mico para o setor industrial &#8211; o que acaba sendo chamado em algumas teses de industrializa\u00e7\u00e3o inconsciente\u201d, explica Roncaglia. \u201cOs anos 50 s\u00e3o muito importantes. Existe esse esfor\u00e7o de Get\u00falio Vargas para iniciar esse processo de industrializa\u00e7\u00e3o consciente, com a cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias empresas estatais e novas institui\u00e7\u00f5es do desenvolvimento, combinadas exatamente com o problema da importa\u00e7\u00e3o, que vinha com a paralisa\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional, com medo da extens\u00e3o da guerra da Coreia\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das press\u00f5es cambiais, a industrializa\u00e7\u00e3o trouxe conflitos distributivos que se refletiram na infla\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 1950 \u2013 que acumulou 460% em dez anos. \u201cResultou na cria\u00e7\u00e3o de uma classe oper\u00e1ria que pressiona por eleva\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, e o Jo\u00e3o Goulart, que era ministro do Trabalho no governo Vargas, sempre procurava dar aumentos aos trabalhadores, o que pressionava a infla\u00e7\u00e3o\u201d, conta Roncaglia. \u201cAt\u00e9 meados dos anos 60, a estrutura fiscal brasileira era altamente indutora e alimentadora da infla\u00e7\u00e3o. Ela n\u00e3o conseguia tributar as classes de renda mais elevada, enquanto gerava press\u00f5es de gastos na base da sociedade, seja pelo investimento, seja pela tentativa de melhorar a distribui\u00e7\u00e3o de renda via sal\u00e1rios ou sal\u00e1rio m\u00ednimo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1964 a infla\u00e7\u00e3o supera 90%, registrando o \u00edndice mais alto at\u00e9 ent\u00e3o. O Plano de A\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica do Governo permitiu controlar a infla\u00e7\u00e3o nos dez anos seguintes. \u201cEle inicia com um arrocho salarial muito forte, uma regra que tentava concentrar o conflito distributivo disperso na sociedade. O governo centraliza isso numa superindexa\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, com uma regra de crescimento que leva em conta a infla\u00e7\u00e3o anterior e um ganho de produtividade em torno de 2%. S\u00f3 que na sequ\u00eancia vem o milagre econ\u00f4mico, o PIB cresceu a taxas de 10%\u201d, aponta o economista. \u201cO governo centralizou o controle sobre os sal\u00e1rios e come\u00e7ou um processo de reconstru\u00e7\u00e3o da capacidade fiscal do Estado, o que, de certa forma, leva ao nosso arranjo fiscal at\u00e9 os dias de hoje. Muito do que conhecemos foi criado naquele per\u00edodo, desde impostos como o embri\u00e3o do ICMS at\u00e9 institui\u00e7\u00f5es como o Banco Central\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A indexa\u00e7\u00e3o mencionada por Roncaglia apareceu n\u00e3o s\u00f3 nos sal\u00e1rios, mas tamb\u00e9m nos t\u00edtulos p\u00fablicos e privados de d\u00edvida. No curto prazo, a medida reduziu a incerteza, permitindo o reajuste nominal dos contratos de acordo com a infla\u00e7\u00e3o passada. Entretanto, o professor menciona que embora o Plano de A\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica do Governo tenha controlado a infla\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1960, a indexa\u00e7\u00e3o trouxe um elemento que alimentou a hiperinfla\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEle tamb\u00e9m acabou gerando ali as sementes da instabilidade que viria depois. Na medida em que o governo aplica esse estatuto da indexa\u00e7\u00e3o, que nesse caso tem um aspecto formal, a persist\u00eancia do ambiente inflacion\u00e1rio faz com que essa indexa\u00e7\u00e3o formal v\u00e1 gradativamente se disseminando na sociedade na forma de indexa\u00e7\u00e3o informal, inserindo na din\u00e2mica da infla\u00e7\u00e3o um elemento de autossustenta\u00e7\u00e3o que depois viria a ser chamado de in\u00e9rcia inflacion\u00e1ria\u201d, afirma Roncaglia. \u201cAo mesmo tempo que isso consegue acalmar e estabilizar a economia, de certa forma, cria na, vamos dizer, na programa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da economia, uma sensibilidade imensa a choques de custo e choques externos\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O professor D\u00e9rcio Garcia Munhoz escreveu que o processo inflacion\u00e1rio, antes dos anos 80, era visto como um aliado para que a economia pudesse manter altas taxas de crescimento, mas que a partir daquela d\u00e9cada ele passou a ser um inimigo a ser combatido. Em 1980, logo ap\u00f3s o segundo choque do petr\u00f3leo, a infla\u00e7\u00e3o anual chegou \u00e0 marca de cem por cento, o que era algo in\u00e9dito para a economia brasileira naquele momento, mas tamb\u00e9m um n\u00famero que seria facilmente superado nos anos seguintes, quando o brasil enfrentou a crise da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cParticularmente, h\u00e1 uma contribui\u00e7\u00e3o do ex-ministro Delfim Netto. No in\u00edcio do governo Figueiredo ele toma a decis\u00e3o de encurtar o intervalo entre o reajuste dos sal\u00e1rios, no contexto da indexa\u00e7\u00e3o, de um ano para seis meses. Isso essencialmente duplicava o ritmo de crescimento da infla\u00e7\u00e3o\u201d, observa Roncaglia. \u201cAlguns meses depois, ele fez uma maxidesvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio. \u00c9 como se preparasse o solo para o crescimento da infla\u00e7\u00e3o e, na sequ\u00eancia, empurrasse todos os custos para cima. Veja a sensibilidade que o sistema de pre\u00e7os assume quando a infla\u00e7\u00e3o se dissemina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda metade da d\u00e9cada de 1980, o governo Sarney foi marcado por uma s\u00e9rie de planos econ\u00f4micos com o objetivo de combater a infla\u00e7\u00e3o. Em 1986 o Plano Cruzado utilizou o mecanismo do congelamento de pre\u00e7os. No entanto, mesmo com a infla\u00e7\u00e3o virtualmente controlada, ainda havia press\u00f5es de pre\u00e7os, a balan\u00e7a de pagamentos do pa\u00eds estava bastante deteriorada e houve uma queda importante nas reservas internacionais, o que tornou invi\u00e1vel a sua manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs outros planos foram, de certa maneira, adapta\u00e7\u00f5es deste primeiro. Numa data de surpresa, ele disse que nenhum pre\u00e7o mais pode subir. Era o chamado choque heterodoxo. A partir disso, tenta-se fazer uma corre\u00e7\u00e3o de categorias de contratos, sejam financeiros, sejam de outros pre\u00e7os. At\u00e9 que todos consigam equilibrar seu patamar de renda no n\u00edvel de pre\u00e7os congelado\u201d, conta Roncaglia. \u201cPor que isso \u00e9 um problema? Porque congela uma distor\u00e7\u00e3o. Este desequil\u00edbrio n\u00e3o era corrigido, ele persistia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA ideia do plano era, conforme o tempo fosse passando e os efeitos nocivos da infla\u00e7\u00e3o fossem eliminados, que a pr\u00f3pria din\u00e2mica da economia, favorecida pelo setor externo via importa\u00e7\u00f5es, amorteceria estes desequil\u00edbrios\u201d, relembra o economista. \u201cMas o choque era t\u00e3o potente que gerou um surto de consumo. Havia muita demanda represada por causa da infla\u00e7\u00e3o. E quando o governo tentou flexibilizar o c\u00e2mbio para poder garantir super\u00e1vits comerciais, essa deteriora\u00e7\u00e3o gerou press\u00f5es internas. O governo come\u00e7ou a fazer puxadinhos, soltando os pre\u00e7os, e aquele desequil\u00edbrio que ficou congelado volta a aparecer\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o Plano Cruzado seguiram-se v\u00e1rios outros planos de estabiliza\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m fracassaram em seus objetivos. Entre eles, podemos citar o Plano Cruzado 2, o Plano Bresser e o Plano Ver\u00e3o, ainda no governo Sarney; e os Planos Collor 1 e 2 no governo de Fernando Collor de Mello. Ap\u00f3s um per\u00edodo de breve estabiliza\u00e7\u00e3o, a cada um destes planos seguia-se uma infla\u00e7\u00e3o ainda maior, que superou os 1.000% em 1988 e os 2.000% em 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1994 foi implementado o Plano Real, que introduziu durante um per\u00edodo de quatro meses a unidade real de valor, a URV. Ela tinha sua cota\u00e7\u00e3o atualizada diariamente e servia como par\u00e2metro de valor para transa\u00e7\u00f5es. No dia primeiro de julho, foi implantada a nova moeda, o Real, com uma taxa de convers\u00e3o de 2.750 cruzeiros reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, a infla\u00e7\u00e3o no Brasil tem estado sob controle e apenas quatro vezes ela encerrou o ano com um \u00edndice acima de 10%. O Banco Central persegue metas de infla\u00e7\u00e3o que, durante v\u00e1rios anos, foram de 4,5% e que hoje est\u00e3o em 3%. Se por um lado existe, nos dias atuais, muita discuss\u00e3o quando a infla\u00e7\u00e3o se posiciona acima da meta estabelecida pelo conselho monet\u00e1rio nacional, por outro tamb\u00e9m \u00e9 verdade que nunca mais voltamos ao n\u00edvel de infla\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 1940.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o primeiro surto inflacion\u00e1rio, na d\u00e9cada de 1940, at\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o do Plano Real, o Brasil conviveu com per\u00edodos de infla\u00e7\u00e3o alta. 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