{"id":22435,"date":"2024-04-12T15:55:03","date_gmt":"2024-04-12T18:55:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=22435"},"modified":"2024-04-12T15:55:03","modified_gmt":"2024-04-12T18:55:03","slug":"podcast-economistas-como-a-educacao-das-meninas-para-o-lar-se-reflete-nas-profissoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=22435","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Como a educa\u00e7\u00e3o das meninas para o lar se reflete nas profiss\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><em>Por que existem profiss\u00f5es masculinizadas ou feminilizadas? E como a desigualdade de g\u00eanero impacta no mercado de trabalho? Ou\u00e7a o podcast desta semana, com Lucilene Morandi e Shirley Bas\u00edlio<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 no ar a edi\u00e7\u00e3o 109 do podcast Economistas e o tema desta vez s\u00e3o os reflexos das desigualdades no mercado de trabalho. Quando se fala em desigualdade, a primeira que vem \u00e0 mente \u00e9 a de renda, mas existem outras que tamb\u00e9m s\u00e3o bastante relevantes \u2013 como a de g\u00eanero e a de ra\u00e7a. Escute o podcast na sua plataforma preferida ou no player abaixo.<\/p>\n<p>Por que \u00e9 necess\u00e1rio tratar da desigualdade de g\u00eanero ao falar de economia e qual \u00e9 a import\u00e2ncia de analisar dados a respeito de homens e mulheres? A economista Lucilene Morandi, professora associada da Universidade Federal Fluminense, conta que a primeira luta feminista por direitos diz respeito ao voto, para que as mulheres pudessem ter independ\u00eancia, autonomia de decis\u00f5es e participa\u00e7\u00e3o \u2013 ou seja, cidadania. A segunda foi pela educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 1961 as mulheres no Brasil tinham curr\u00edculos diferenciados. As meninas aprendiam menos matem\u00e1tica que os meninos. Havia textos tentando explicar que era uma perda de receita p\u00fablica ensinar a elas mais do que o b\u00e1sico. \u00c9 algo que hoje n\u00f3s considerar\u00edamos vergonhoso\u201d, comenta Morandi. \u201cFazia parte do curr\u00edculo das meninas a economia do lar, que era a prepara\u00e7\u00e3o para o casamento\u201d.<\/p>\n<p>Desde que as mulheres passaram a ter mais acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o no Brasil, o n\u00famero de anos de escolaridade foi aumentando. Na d\u00e9cada de 1980 a m\u00e9dia feminina superou a masculina. Desde a d\u00e9cada de 1970 h\u00e1 mais mulheres do que homens cursando o ensino m\u00e9dio e na d\u00e9cada de 1990 esta realidade passou a ocorrer tamb\u00e9m no ensino superior. Mas Lucilene Morandi observa que os cursos superiores ainda s\u00e3o masculinizados ou feminilizados.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 cursos em que a maioria s\u00e3o mulheres e outros em que a maioria s\u00e3o homens\u201d, observa Morandi. \u201cNos cursos de exatas as mulheres s\u00e3o minoria. Elas ainda s\u00e3o maioria nos cursos de cuidados, como educa\u00e7\u00e3o, servi\u00e7o social, artes e medicina. Mas quando abrimos a medicina por categorias, as mulheres est\u00e3o em fun\u00e7\u00f5es como auxiliar de enfermagem e enfermeiras. Mesmo quando m\u00e9dicas, elas est\u00e3o em \u00e1reas que t\u00eam rendimentos menores\u201d.<\/p>\n<p>Para a economista, a explica\u00e7\u00e3o para esta realidade encontra-se no fato de que as mulheres, desde cedo, s\u00e3o educadas para o trabalho de cuidados. \u201cEu fico irritada quando entro numa loja de brinquedos, porque claramente h\u00e1 uma se\u00e7\u00e3o para meninos e outra para meninas. Na de meninas h\u00e1 bonecas, casinhas e que tais. Na dos meninos h\u00e1 bolas, tratores, foguetes, avi\u00f5es\u201d, afirma Morandi. \u201cAs mulheres s\u00e3o educadas para a casa, para o interior. Os homens s\u00e3o educados para conquistar o mundo e lutar da porta para fora\u201d. Quando v\u00e3o escolher um curso superior, homens e mulheres escolhem aquilo que conhecem.<\/p>\n<p>Os trabalhos dom\u00e9sticos tamb\u00e9m s\u00e3o um dos fatores que interferem na diferen\u00e7a de rendimentos. As mulheres dedicam mais horas semanais a este tipo de trabalho do que os homens. E quando se faz um recorte de ra\u00e7a, a quantidade de horas das mulheres pretas e pardas \u00e9 ainda maior. \u201cEsta distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o muda ao longo do tempo. Os homens t\u00eam em torno de 10 horas de trabalho n\u00e3o remunerado por semana e as mulheres t\u00eam 22\u201d, comenta Morandi. \u201cE n\u00e3o importa o papel da mulher dentro da fam\u00edlia, se ela \u00e9 a respons\u00e1vel, c\u00f4njuge ou companheira, filha, enteada ou outra condi\u00e7\u00e3o qualquer, ela sempre tem mais horas do que os homens. E quando elas se casam, aumenta a realiza\u00e7\u00e3o deste tipo de trabalhos, enquanto os homens diminuem\u201d.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de rendimentos entre as mulheres e os homes vem caindo. Em 2013 era de cerca de 27%; em 2022 estava em 21%. Morandi encontra no preconceito a explica\u00e7\u00e3o para este dado e afirma que, segundo a teoria econ\u00f4mica, o rendimento de um trabalhador reflete a sua qualifica\u00e7\u00e3o e as mulheres possuem mais anos de estudo do que os homens. A economista Shirley Bas\u00edlio, que atuou mais de quatro d\u00e9cadas na \u00e1rea de governan\u00e7a corporativa, apresentou alguns dados sobre a desigualdade no acesso a cargos de lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 54% das mulheres com 15 anos ou mais comp\u00f5em a for\u00e7a de trabalho formal no Brasil, segundo dados do IBGE em 2019\u201d, aponta Shirley. \u201cApenas 17% dos cargos de diretoria e dos conselhos s\u00e3o ocupados por mulheres. Dentro deste universo, 75% delas s\u00e3o brancas e apenas 18% s\u00e3o negras. Se para acessar cargos de lideran\u00e7a a mulher branca tem que quebrar um teto de vidro, no caso das negras este teto \u00e9 blindado\u201d.<\/p>\n<p>Outro dado do mercado de trabalho diz respeito ao n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o. Entre os homens sem filhos, um total de 82,8% est\u00e3o ocupados; j\u00e1 entre os homens com filhos, este percentual sobe para 89%. Entre as mulheres, acontece o contr\u00e1rio: o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o das que n\u00e3o t\u00eam filhos \u00e9 de 66,2% e cai cerca de dez pontos percentuais depois que elas se tornam m\u00e3es. Para que uma mulher possa se manter no mercado de trabalho depois de ter filhos, \u00e9 de grande import\u00e2ncia ter uma rede de apoio, uma vez que os afazeres dom\u00e9sticos demandam tempo. Quando h\u00e1 uma crian\u00e7a pequena, \u00e9 preciso cuidar dela ou repassar este trabalho a outra pessoa. Hoje muitas av\u00f3s t\u00eam participado do trabalho de cuidar dos netos.<\/p>\n<p>\u201cA crian\u00e7a tem que estar na escola em determinado hor\u00e1rio. Para isso, tem que acordar, tem que estar alimentada, tem que tomar banho. Uma pessoa idosa tem que tomar rem\u00e9dio. N\u00e3o \u00e9 um trabalho que a pessoa respons\u00e1vel faz se quiser. Ela \u00e9 obrigada a fazer. E a sociedade olha para a mulher como sendo a respons\u00e1vel\u201d, observa Morandi. \u201cSe ela n\u00e3o conseguir repassar este trabalho, ela n\u00e3o tem como ir ao mercado de trabalho. As mulheres est\u00e3o mais em empregos de tempo parcial do que os homens, e as pretas e pardas muito mais. Isso implica em menor rendimento m\u00e9dio, maior pobreza feminina e inclusive menor rendimento na aposentadoria\u201d.<\/p>\n<p>A economista Shirley Bas\u00edlio fala sobre a import\u00e2ncia da rede de apoio com a qual contou durante a sua trajet\u00f3ria profissional. \u201cSempre tive uma rede de apoio. At\u00e9 por isso, consegui chegar aonde cheguei. Meu marido sempre me ajudou. Antes de casar-me, meus pais sempre me ajudaram\u201d, conta Shirley. \u201cSomos sete mulheres em casa. Tive muito apoio da minha m\u00e3e e das minhas irm\u00e3s para cuidar dos meus filhos enquanto eu estudava, j\u00e1 quando estava casada. Sempre tive esta rede de apoio muito forte, o que me ajudou a fazer tudo o que precisava para alcan\u00e7ar as oportunidades que o Grupo S\u00edlvio Santos me oferecia\u201d.<\/p>\n<p>Shirley olha para o futuro com otimismo e recomenda que as jovens economistas se capacitem e tenham redes de apoio. \u201c\u00c9 importante a educa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, a participa\u00e7\u00e3o em cursos, workshops e confer\u00eancias, a constru\u00e7\u00e3o de redes de relacionamentos com mulheres do setor, o networking e a rede de apoio. Sem esta rede, talvez eu n\u00e3o conseguisse metade do que consegui\u201d, reflete a economista. \u201cNosso futuro vai mudar. A desigualdade vai mudar, estamos caminhando nesta dire\u00e7\u00e3o. As empresas est\u00e3o debatendo o tema e valorizando a diversidade. Se todos estivermos juntos nesta causa, o resultado ser\u00e1 significativo\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/109---Podcast-Economistas-Como-a-educao-das-meninas-para-o-lar-se-reflete-nas-profisses-e2iav73\/a-ab5np5d\" width=\"800px\" height=\"204px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que existem profiss\u00f5es masculinizadas ou feminilizadas? E como a desigualdade de g\u00eanero impacta no mercado de trabalho? 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