{"id":22272,"date":"2024-03-15T16:12:53","date_gmt":"2024-03-15T19:12:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=22272"},"modified":"2024-03-15T16:12:53","modified_gmt":"2024-03-15T19:12:53","slug":"podcast-economistas-juliane-furno-analisa-a-economia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=22272","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Juliane Furno analisa a economia brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Economista abordou temas como travas para o crescimento econ\u00f4mico brasileiro, responsabilidade fiscal e gastos, a import\u00e2ncia da ind\u00fastria e o enfrentamento \u00e0 desigualdade<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quais s\u00e3o as principais travas para o crescimento econ\u00f4mico brasileiro? \u00c9 poss\u00edvel ter responsabilidade fiscal aumentando o gasto p\u00fablico? Qual \u00e9 a import\u00e2ncia da ind\u00fastria para a economia brasileira? E como enfrentar a desigualdade, que \u00e9 uma das caracter\u00edsticas mais marcantes da nossa economia? Estes assuntos foram discutidos no podcast Economistas desta semana e quem conversa conosco \u00e9 a economista Juliane Furno, mestre e doutora em Desenvolvimento Econ\u00f4mico pela Unicamp e assessora da presid\u00eancia do BNDES. Clique <a href=\"https:\/\/spotifyanchor-web.app.link\/e\/72bhjcUDZHb\">AQUI<\/a> para ouvir.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de mar\u00e7o o IBGE divulgou o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2023, com um crescimento de 2,9% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. O resultado superou em muito as expectativas existentes no in\u00edcio do ano passado, quando grande parte das proje\u00e7\u00f5es indicava um n\u00famero inclusive abaixo de 1%. As proje\u00e7\u00f5es para 2024 t\u00eam melhorado nas \u00faltimas semanas, mas apontam um n\u00famero inferior em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Com dois anos seguidos de crescimento em torno de 3%, o Brasil supera um per\u00edodo de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, no qual cresceu pouco ou nada quando se toma o conjunto do per\u00edodo de 2014 a 2021. Mas quais s\u00e3o as travas que impedem que a economia brasileira cres\u00e7a mais? \u201cEm primeiro lugar e mais importante, a trava fiscal. O arcabou\u00e7o fiscal limita os gastos p\u00fablicos a uma op\u00e7\u00e3o discricion\u00e1ria do Estado. O Estado n\u00e3o pode mais manejar a pol\u00edtica fiscal de acordo com objetivos de curto ou longo prazo ou levando em considera\u00e7\u00e3o a an\u00e1lise mais minuciosa do cen\u00e1rio real\u201d, aponta a economista Juliane Furno. Ela argumenta que o teto de gastos trazia uma heran\u00e7a ideol\u00f3gica: a de que os gastos p\u00fablicos precisam ser controlados por lei. \u201cIsso \u00e9 um rebaixamento do que era anteriormente a organiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica fiscal do Estado\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cEm primeiro lugar e mais importante, a trava fiscal. O arcabou\u00e7o fiscal limita os gastos p\u00fablicos a uma op\u00e7\u00e3o discricion\u00e1ria do Estado. O Estado n\u00e3o pode mais manejar a pol\u00edtica fiscal de acordo com objetivos de curto ou longo prazo ou levando em considera\u00e7\u00e3o a an\u00e1lise mais minuciosa do cen\u00e1rio real\u201d<\/em><\/p><p><em>Juliane Furno, assessora da presid\u00eancia do BNDES<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Outra trava \u00e9 a monet\u00e1ria. \u201cDeve existir sinergia entre a pol\u00edtica fiscal e a monet\u00e1ria para pensar o crescimento e o desenvolvimento de forma integral, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a estabilidade de pre\u00e7os, mas o crescimento, a gera\u00e7\u00e3o de emprego. E o governo n\u00e3o tem mais isso, com a taxa de juros relegada a um Banco Central aut\u00f4nomo\u201d, afirma Juliane. \u201cOutra trava \u00e9 o desenvolvimento. Uma economia que gera emprego essencialmente no setor de servi\u00e7os, que \u00e9 basicamente composto de trabalhadores que prestam servi\u00e7os com baixo valor adicionado, pouco ligado \u00e0 estrutura industrial, \u00e9 uma economia incapaz de internalizar progresso t\u00e9cnico e acumula\u00e7\u00e3o de capital\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro tema macroecon\u00f4mico relevante diz respeito \u00e0s finan\u00e7as p\u00fablicas \u2013 que tiveram um d\u00e9ficit de 230 bilh\u00f5es de reais em 2023. A meta para 2024 \u00e9 zero, mas existe certo ceticismo a respeito desta possibilidade. \u201cEstamos partindo da prioridade errada. Estamos dizendo que o d\u00e9ficit vai ser zero, mas estamos perguntando quanto essas \u00e1reas precisam de recomposi\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento? Precisamos encontrar um equil\u00edbrio entre a necessidade de recomposi\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e as finan\u00e7as p\u00fablicas\u201d, comenta Furno. \u201cParece que s\u00e3o os direitos que t\u00eam que caber num or\u00e7amento espremido, e n\u00e3o os direitos que foram consolidados e acordados como essenciais que precisam, para se fazer cumprir, de um tipo de or\u00e7amento que seja vi\u00e1vel para que eles se consolidem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em> \u201cEstamos partindo da prioridade errada. Estamos dizendo que o d\u00e9ficit vai ser zero, mas estamos perguntando quanto essas \u00e1reas precisam de recomposi\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento? Precisamos encontrar um equil\u00edbrio entre a necessidade de recomposi\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e as finan\u00e7as p\u00fablicas\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 poss\u00edvel ter responsabilidade social e aumentar os gastos ao mesmo tempo? \u201cA pergunta \u00e9 maravilhosa e provocativa em v\u00e1rios sentidos, e a resposta \u00e9 sim. \u00c9 poss\u00edvel aumentar despesas fazendo superavit, desde que o tipo de despesas mobilize principalmente aqueles setores que mais consomem, e que consomem produtos que infelizmente s\u00e3o mais tributados, mobilizando o com\u00e9rcio e o mercado interno e gerando maior capacidade de arrecada\u00e7\u00e3o fiscal para o pr\u00f3prio Estado\u201d, responde Juliane.<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria teve um crescimento de 1,6% em 2023, mas a produ\u00e7\u00e3o industrial cresceu apenas 1,2% e ainda est\u00e1 longe do pico da s\u00e9rie hist\u00f3rica, obtido em 2011, segundo dados da FIESP. Desde a d\u00e9cada de 1990 o setor vem perdendo espa\u00e7o na economia brasileira e o governo lan\u00e7ou, neste ano, o programa Nova Ind\u00fastria Brasil, com uma previs\u00e3o de 300 bilh\u00f5es de reais em investimentos at\u00e9 2026.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>\u201cA ind\u00fastria \u00e9 um elemento extremamente importante para o desenvolvimento de qualquer economia\u201d, afirma a economista. \u201cUm emprego no setor industrial tende a gerar v\u00e1rios empregos indiretos nos setores de com\u00e9rcio, servi\u00e7os e prim\u00e1rio. Al\u00e9m disso, a ind\u00fastria gera os empregos mais qualificados, al\u00e9m de trazer soberania e menor vulnerabilidade \u00e0 din\u00e2mica internacional\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o programa Nova Ind\u00fastria Brasil, ele est\u00e1 estruturado em seis miss\u00f5es e cada uma delas tem uma finalidade. \u201cA ideia \u00e9 melhorar o SUS, o sistema de saneamento, corrigir o desequil\u00edbrio ambiental, construir uma nova matriz energ\u00e9tica, uma ind\u00fastria que seja menos intensiva em recursos naturais e fortalecer as cadeias agroalimentares para garantir a erradica\u00e7\u00e3o da fome. Neste sentido, \u00e9 uma pol\u00edtica muito bem desenhada\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos problemas mais marcantes da economia s\u00e3o as desigualdades sociais. Quais seriam as pol\u00edticas mais adequadas para o seu enfrentamento? Para Juliane Furno, uma combina\u00e7\u00e3o entre pol\u00edticas universais e focalizadas. \u201cPol\u00edticas universais s\u00e3o aquelas que beneficiam a todos: a valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, formaliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, aumento de vagas no ensino superior, fortalecimento da seguridade social. Ao mesmo tempo, temos que ter pol\u00edticas focalizadas, embora as universais ajudem os grupos minorizados\u201d, observa. \u201cA valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo tem um potencial grande para diminuir a desigualdade de g\u00eanero, racial e de renda. Como as mulheres e os negros est\u00e3o na base da pir\u00e2mide social, s\u00e3o os que t\u00eam o emprego mais prec\u00e1rio e recebem sal\u00e1rio m\u00ednimo, quando ele aumenta, a renda destas pessoas tamb\u00e9m aumenta. Mas tamb\u00e9m precisamos de pol\u00edticas focalizadas, como o Bolsa-Fam\u00edlia e as a\u00e7\u00f5es afirmativas. Um mix destes dois elementos tem potencial de olhar para a desigualdade de forma mais geral\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O podcast Economistas pode ser escutado na sua plataforma favorita ou no player abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/105---Juliane-Furno-analisa-a-economia-brasileira-e2h4r5d\/a-ab2qavr\" width=\"800px\" height=\"204px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economista abordou temas como travas para o crescimento econ\u00f4mico brasileiro, responsabilidade fiscal e gastos, a import\u00e2ncia da ind\u00fastria e o enfrentamento \u00e0 desigualdade Quais s\u00e3o as principais travas para o crescimento econ\u00f4mico brasileiro? \u00c9 poss\u00edvel ter responsabilidade fiscal aumentando o<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=22272\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22273,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-22272","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22272"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22272\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/22273"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}