{"id":21566,"date":"2023-11-10T17:26:59","date_gmt":"2023-11-10T20:26:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=21566"},"modified":"2023-11-10T17:26:59","modified_gmt":"2023-11-10T20:26:59","slug":"xxv-cbe-a-importancia-da-sustentabilidade-para-a-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=21566","title":{"rendered":"XXV CBE: A import\u00e2ncia da sustentabilidade para a economia"},"content":{"rendered":"<p><em>Mesas de debate do eixo Sustentabilidade trataram dos povos tradicionais, economia solid\u00e1ria e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/em><\/p>\n<p>Uma das quest\u00f5es mais importantes da economia contempor\u00e2nea \u00e9 a sustentabilidade. O modelo econ\u00f4mico vigente precisa ser inclusivo e inserir no mercado de trabalho e de consumo uma quantidade de pessoas que hoje est\u00e3o fora, respeitando os limites da natureza. Em resumo, precisa ser sustent\u00e1vel. Por isso, a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica tem sido um tema importante na discuss\u00e3o econ\u00f4mica, e n\u00e3o foi diferente durante o XXV Congresso Brasileiro de Economia, realizado de 07 a 09 de novembro, em S\u00e3o Lu\u00eds. O eixo Sustentabilidade tamb\u00e9m discutiu povos tradicionais e economia solid\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Sustentabilidade, povos tradicionais e desenvolvimento da Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p>O economista Danilo Ara\u00fajo Fernandes trouxe a ideia de que natureza e cultura n\u00e3o s\u00e3o universos diferentes. \u201cA cultura \u00e9 fruto de um processo hist\u00f3rico de aprendizado pelo qual a forma de intera\u00e7\u00e3o homem-natureza determina, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o caminho tecnol\u00f3gico percorrido\u201d, afirmou. Este princ\u00edpio pode ser pensado tanto para a produ\u00e7\u00e3o rural quanto para a ind\u00fastria. Assim, vemos o desenvolvimento de diversas trajet\u00f3rias orientadas por dois paradigmas na Amaz\u00f4nia: o agropecu\u00e1rio (paradigma industrialista aplicado ao rural) e o agroextrativista (com conserva\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do bioma). Ele caracterizou algumas destas trajet\u00f3rias (camponesas e patronais) e mostrou, inclusive, suas localiza\u00e7\u00f5es em mapas, englobando um per\u00edodo de mais de 20 anos. Danilo mostrou que, tanto do ponto de vista te\u00f3rico quanto emp\u00edrico, \u00e9 preciso aprofundar os conceitos e o entendimento das vari\u00e1veis de economia. Tamb\u00e9m apresentou uma vis\u00e3o do territ\u00f3rio e dos arranjos produtivos locais, defendendo a multiplicidade de atividades econ\u00f4micas que mant\u00eam a floresta e trazem condi\u00e7\u00f5es de vida dignas para as popula\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p>A economista Cristina Fr\u00f3es de Borja Reis, que \u00e9 subsecret\u00e1ria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico Sustent\u00e1vel no Minist\u00e9rio da Fazenda, apresentou algo que classificou como priorit\u00e1rio dentro do minist\u00e9rio: o Plano de Transforma\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica. \u201cEle visa mudar o paradigma tecnol\u00f3gico, produtivo, financeiro, econ\u00f4mico e cultural da sociedade\u201d, comentou. A transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica tem algumas tend\u00eancias que foram apresentados pela economista: a bioeconomia, o adensamento tecnol\u00f3gico, a economia circular, a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, a solu\u00e7\u00e3o dos n\u00f3s na infraestrutura e as finan\u00e7as sustent\u00e1veis. \u201cDentro da subsecretaria n\u00f3s estamos terminando a regula\u00e7\u00e3o do mercado de carbono e da taxonomia sustent\u00e1vel brasileira\u201d, informou. Por fim, apontou que este novo paradigma de desenvolvimento tem que ter tr\u00eas objetivos: a gera\u00e7\u00e3o de trabalho decente e aumento da produtividade; a justi\u00e7a ambiental; e a redu\u00e7\u00e3o de desigualdades, inclusive entre territ\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>Economia solid\u00e1ria e sustentabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Carlos Eduardo Soares de Oliveira J\u00fanior, presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de S\u00e3o Paulo, destacou a import\u00e2ncia do economista no apoio a projetos de economia solid\u00e1ria. \u201cExiste muito campo de trabalho para o economista, seja na consultoria para elaborar projetos, na sistematiza\u00e7\u00e3o de metodologias e na execu\u00e7\u00e3o dos programas de gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda\u201d, argumentou. \u201cAlguns acham que \u00e9 modismo, mas penso que \u00e9 algo que veio para ficar\u201d. Ele abordou algumas formas de financiamento para estes neg\u00f3cios, tais como rifas, \u201cvaquinhas\u201d ou a atua\u00e7\u00e3o de mecenas. \u201cMas isso n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel no longo prazo\u201d, questionou. H\u00e1 outras formas como emendas parlamentares, funda\u00e7\u00f5es, cooperativas, bancos comunit\u00e1rios, associa\u00e7\u00f5es, fundos ou parcerias estrat\u00e9gicas\u201d.<\/p>\n<p>O professor Anderson Oriente, economista com mias de 20 anos de experi\u00eancia em economia solid\u00e1ria, economia popular, economia criativa e gest\u00e3o de projetos sociais, falou da economia solid\u00e1ria como op\u00e7\u00e3o de carreira. \u201cA economia solid\u00e1ria \u00e9 uma economia com centralidade humana. Tem trabalhadores aut\u00f4nomos, produtores de alimentos, distribuidores, costureiros, inclusive os chamados uberizados, e de certa forma existe possibilidade de coopera\u00e7\u00e3o e associa\u00e7\u00e3o desses trabalhadores. Mas muitas vezes est\u00e3o na informalidade, de maneira individualizada\u201d, contextualizou. \u201cOs princ\u00edpios b\u00e1sicos s\u00e3o a autogest\u00e3o, solidariedade, coopera\u00e7\u00e3o em vez de competi\u00e7\u00e3o, igualdade entre homens e mulheres\u201d. Ele questiona o fato de que federa\u00e7\u00f5es industriais s\u00f3 s\u00e3o t\u00e3o fortes porque em algum momento as pol\u00edticas p\u00fablicas apoiaram estes setores. \u201cMas quem mais precisa n\u00e3o tem pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A educadora Potyra Terena trouxe sua experi\u00eancia e conhecimentos que, afirma com orgulho, \u201cv\u00eam dos meus ancestrais\u201d \u2013 conhecimentos que permitem reafirmar seus direitos e estabelecer um lugar no mundo. Ela falou sobre as formas de gera\u00e7\u00e3o de renda das comunidades ind\u00edgenas que prezam, acima de tudo, pelo atendimento das necessidades de seus povos. \u201cN\u00f3s, ind\u00edgenas, fazemos economia solid\u00e1ria no nosso territ\u00f3rio. Fazemos parte de um sistema capitalista, mas produzimos as nossas pr\u00f3prias coisas, com a nossa personalidade. O que fazemos nas nossas terras \u00e9 autogest\u00e3o, \u00e9 economia\u201d, expressou. \u201cN\u00f3s estamos no mercado de trabalho e, al\u00e9m de diversas atividades, produzimos o nosso artesanato\u201d.<\/p>\n<p>Renato Dagnino apresentou algumas reflex\u00f5es. Ele argumenta que as compras p\u00fablicas representam 18% do PIB, mas que as compras s\u00e3o feitas somente das empresas. \u201cEst\u00e3o falando em neoindustrializa\u00e7\u00e3o, em reindustrializa\u00e7\u00e3o empresarial e cr\u00e9ditos para a empresa e n\u00f3s estamos dizendo: e a economia solid\u00e1ria? Por que essas compras n\u00e3o podem ser feitas junto \u00e0 economia solid\u00e1ria? Por que somente as empresas devem receber subs\u00eddios? Por que as empresas solid\u00e1rias, as associa\u00e7\u00f5es, as cooperativas, n\u00e3o podem receber um subs\u00eddio estatal?\u201d, questionou. Ele ressalta que o Brasil tem a taxa de juros mais alta do mundo e que isso tem consequ\u00eancias. Colocou tamb\u00e9m que a neoindustrializa\u00e7\u00e3o est\u00e1 firmada sobre este pressuposto, mas que o empres\u00e1rio brasileiro n\u00e3o vai inovar. \u201cA neoindustrializa\u00e7\u00e3o est\u00e1 baseada na ideia de que se a taxa de juros cair, se o empres\u00e1rio for subsidiado, ele vai entrar na quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial, vai se tornar competitivo e agregar valor \u00e0s commodities. O romance est\u00e1 bem armado. Mas n\u00f3s temos que perguntar quem \u00e9 o empres\u00e1rio que vai fazer isso. O uso mais intensivo de tecnologia \u00e9 das multinacionais, e elas n\u00e3o receber\u00e3o ordem de ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e sustentabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Celio Fernando Bezerra Melo falou sobre as potencialidades naturais do Brasil na \u00e1rea das energias renov\u00e1veis e como elas representam uma oportunidade de desenvolvimento. \u201cTemos que entender que nosso pa\u00eds \u00e9 expoente no assunto da energia renov\u00e1vel. Mas temos a capacidade de fazer muito mais. Isso depende de um planejamento estrat\u00e9gico de longo prazo. Precisamos ter ousadia para avan\u00e7ar neste sentido e investir nas inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que est\u00e3o baseadas no princ\u00edpio da sustentabilidade econ\u00f4mica, social e ambiental\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>O economista Julio Grudzien Neto destacou que a pauta da sustentabilidade \u00e9 reconhecidamente suprapartid\u00e1ria. \u201cA partir de agora, n\u00e3o existe desenvolvimento que n\u00e3o seja na dire\u00e7\u00e3o da sustentabilidade. Se n\u00e3o for sustent\u00e1vel, n\u00e3o \u00e9 desenvolvimento\u201d, argumentou o economista. Ele tamb\u00e9m defendeu a realiza\u00e7\u00e3o de investimentos na \u00e1rea de energia renov\u00e1vel. Ele mesmo atua na Companhia Paranaense de Energia El\u00e9trica (Copel) e mencionou tamb\u00e9m alguns desafios para a infraestrutura energ\u00e9tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesas de debate do eixo Sustentabilidade trataram dos povos tradicionais, economia solid\u00e1ria e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica Uma das quest\u00f5es mais importantes da economia contempor\u00e2nea \u00e9 a sustentabilidade. 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