{"id":21549,"date":"2023-11-09T12:18:26","date_gmt":"2023-11-09T15:18:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=21549"},"modified":"2023-11-09T12:18:26","modified_gmt":"2023-11-09T15:18:26","slug":"mulheres-destacam-importancia-da-diversidade-nao-podemos-tratar-o-brasil-pelas-medias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=21549","title":{"rendered":"Mulheres destacam import\u00e2ncia da diversidade: &#8220;N\u00e3o podemos tratar o Brasil pelas m\u00e9dias"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Afirma\u00e7\u00e3o da presidente do IPEA, Luciana Servo, aconteceu durante o F\u00f3rum da Mulher economista, realizado nesta quarta-feira em S\u00e3o Lu\u00eds. Kellen Brito e Potyra Terena tamb\u00e9m participaram do debate.<\/em><\/p>\n<p>Na manh\u00e3 desta quarta-feira (08) foi realizado em S\u00e3o Lu\u00eds, Maranh\u00e3o, o F\u00f3rum da Mulher Economista e Diversidade, espa\u00e7o de debates que vem ganhando cada vez mais espa\u00e7o nos eventos do Sistema Cofecon\/Corecons. Os debates contaram com a participa\u00e7\u00e3o das economistas Luciana Servo, presidente do IPEA, e Kellen Brito, pesquisadora da UFPI, al\u00e9m da educadora Potyra Terena.<\/p>\n<p>Luciana foi a primeira a falar e, ao apresentar a agenda estrat\u00e9gica do IPEA para 2024 a 2026, enfatizou a import\u00e2ncia das quest\u00f5es de g\u00eanero para o atual governo como um tema transversal. \u201cTodos os minist\u00e9rios ter\u00e3o que trabalhar com elas \u2013 e, no Brasil, as quest\u00f5es de g\u00eanero e de ra\u00e7a est\u00e3o imbricadas\u201d. No dia 1\u00ba de dezembro o Brasil assumir\u00e1, durante um ano, a presid\u00eancia do G20 e conduzir\u00e1 a discuss\u00e3o das prioridades internacionais para este grupo de pa\u00edses. \u201cTodos os minist\u00e9rios est\u00e3o coordenando grupos de trabalho para discutir com os representantes dos v\u00e1rios pa\u00edses. A agenda de g\u00eanero foi algo muito importante quando a Argentina presidiu o G20\u201d.<\/p>\n<p>A economista tamb\u00e9m falou sobre a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no setor p\u00fablico. \u201cN\u00e3o \u00e9 que elas n\u00e3o consigam acessar. Elas s\u00e3o invis\u00edveis. Para chegar em cargos de gest\u00e3o, precisam superar um teto de vidro, e para as mulheres negras, este teto \u00e9 de concreto\u201d, afirmou, em refer\u00eancia \u00e0s dificuldades invis\u00edveis que as mulheres enfrentam para crescer na carreira e chegar a posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a. Ela tamb\u00e9m informou que o Instituto abrir\u00e1 um concurso p\u00fablico e convidou as economistas a se inscreverem. \u201cO IPEA \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o predominantemente masculina e branca. Cerca de 78% s\u00e3o homens. Precisamos ter mais representatividade dentro do setor p\u00fablico. N\u00f3s, economistas, gostamos de usar as m\u00e9dias, mas n\u00e3o podemos tratar o Brasil por elas\u201d.<\/p>\n<p>Kellen Brito iniciou sua fala discutindo o conceito do \u201chomo economicus\u201d \u2013 abstra\u00e7\u00e3o usada para personificar a teoria de que as escolhas econ\u00f4micas s\u00e3o feitas de forma racional. \u201cEle \u00e9 homem, \u00e9 branco, tem no m\u00e1ximo 45 ou 50 anos, pode transitar por v\u00e1rios espa\u00e7os da sociedade e \u00e9 livre\u201d, expressou a economista, criticando o fato de que a teoria econ\u00f4mica \u00e9 constru\u00edda em torno desse personagem. \u201cQuando falamos de mulheres, cores, etnias, genero e personalidade, estamos trazendo \u00e0 tona n\u00e3o um privil\u00e9gio, mas a exist\u00eancia, que muitas vezes a economia, baseada nas m\u00e9dias, dilui\u201d.<\/p>\n<p>Kellen, que \u00e9 uma refer\u00eancia em economia feminista, fez uma diferencia\u00e7\u00e3o entre a economia de g\u00eanero e a economia feminista. \u201cA economia de g\u00eanero usa o mesmo referencial e metodologia tradicional para fazer uma an\u00e1lise de dados sobre as mulheres. S\u00f3 vai existir uma mudan\u00e7a de paradigmas quando se usa a economia feminista\u201d, explicou. Ao abordar dados do Brasil, ela explicou que as mulheres t\u00eam mais escolaridade e expectativa de vida que os homens, mas menos renda. \u201cO sal\u00e1rio da mulher cresce at\u00e9 que ela se torna m\u00e3e. Quando ela tem filhos, cai 21% por filho e s\u00f3 come\u00e7a a voltar depois do oitavo ano\u201d.<\/p>\n<p>Potyra Terena agradeceu o convite para o debate dizendo que \u201c\u00e9 a primeira vez que a economia se lembra de n\u00f3s. E n\u00f3s, povos ind\u00edgenas, fazemos economia solid\u00e1ria no nosso territ\u00f3rio\u201d. Ela observa que as mulheres ind\u00edgenas foram empoderadas em seu territ\u00f3rio. \u201cQuando temos que esperar nosso companheiro para que ele participe de uma discuss\u00e3o, ele s\u00f3 vai participar porque n\u00f3s existimos enquanto mulheres. E quando falamos, alguns acham que estamos tomando o lugar deles, mas estamos em nosso lugar\u201d.<\/p>\n<p>Potyra tamb\u00e9m expressou que \u201cn\u00f3s, ind\u00edgenas, estamos no sistema capitalista e precisamos de algumas coisas, mas pensamos que podemos produzir coisas bonitas com a nossa personalidade\u201d. Ela tamb\u00e9m trouxe ao debate a invisibiliza\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas em diversas pesquisas econ\u00f4micas. \u201cPesquisa de desemprego, por exemplo: voc\u00ea j\u00e1 viu ind\u00edgena desempregado? Eu estou no mercado de trabalho, mas nunca deixei de fazer o que sempre produzi, que \u00e9 artesanato. As pesquisas de voc\u00eas dizem que as mulheres est\u00e3o tendo filhos mais tarde, mas ela n\u00e3o se aplica ao nosso territ\u00f3rio\u201d, disse. E comentou que seu companheiro \u00e9 bisav\u00f4. \u201cE isso n\u00e3o nos impede de sermos felizes. Nada me impediu de seguir a minha trajet\u00f3ria, aquilo que eu havia pensado para mim\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":21551,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,1],"tags":[],"class_list":["post-21549","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulhereconomista","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21549"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21549"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21549\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/21551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}