{"id":21317,"date":"2023-10-13T18:31:00","date_gmt":"2023-10-13T21:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=21317"},"modified":"2023-10-13T18:31:00","modified_gmt":"2023-10-13T21:31:00","slug":"economia-formacao-mercado-de-trabalho-genero-e-diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=21317","title":{"rendered":"Economia, Forma\u00e7\u00e3o, Mercado de Trabalho, G\u00eanero e Diversidade"},"content":{"rendered":"<p>O que leva \u00e0 diferen\u00e7a entre homens e mulheres nos sal\u00e1rios e na ocupa\u00e7\u00e3o de cargos de lideran\u00e7a? De que maneira as pol\u00edticas de forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e profissional podem impactar a participa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero? Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de uma participa\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas? Em que \u00e1reas do mercado de trabalho a igualdade de g\u00eanero tem se desenvolvido melhor? Qual o impacto da maternidade na carreira das mulheres? E como incentivar mais mulheres a ingressar e permanecer no campo das Ci\u00eancias Econ\u00f4micas?\u00a0 Estas e outras quest\u00f5es foram discutidas no Semin\u00e1rio Economia, Forma\u00e7\u00e3o, Mercado de Trabalho, G\u00eanero e Diversidade realizado no dia 11 de outubro, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>O evento teve como objetivo abordar quest\u00f5es cruciais relacionadas \u00e0 igualdade de g\u00eanero no campo das ci\u00eancias econ\u00f4micas e oferecer uma plataforma para a discuss\u00e3o de pol\u00edticas, tend\u00eancias e pr\u00e1ticas que promovam um ambiente mais equitativo e inclusivo para a mulher, e contou com grandes refer\u00eancias femininas no campo da ci\u00eancia econ\u00f4mica brasileira. Com v\u00e1rias abordagens, dada a complexidade da tem\u00e1tica, o debate teve foco no mercado de trabalho, na forma\u00e7\u00e3o das economistas, no ensino nas universidades, no desenvolvimento econ\u00f4mico e na quest\u00e3o racial, sempre buscando entender a quest\u00e3o de g\u00eanero, ra\u00e7a e diversidade ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Na Mesa de Abertura do evento, v\u00e1rios participantes mencionaram a import\u00e2ncia do trabalho de Claudia Goldin, anunciada nesta semana como ganhadora do Pr\u00eamio Nobel de Economia de 2023, e da contribui\u00e7\u00e3o dada por ela ao estudo das diferen\u00e7as econ\u00f4micas de g\u00eanero. Tamb\u00e9m foram destacados o papel do Sistema Cofecon\/Corecons e a import\u00e2ncia de que o debate de g\u00eanero v\u00e1 al\u00e9m do espa\u00e7o acad\u00eamico.<\/p>\n<p>A Mesa 01, cuja modera\u00e7\u00e3o foi realizada pela conselheira Federal Maria de F\u00e1tima Miranda, trouxe a tem\u00e1tica economia e mercado de trabalho. Andr\u00e9a Cristhine Prodhol Kovalczuk, vice-presidente do Corecon-PR, abordou o tema \u201cA Mulher na Per\u00edcia Econ\u00f4mico-Financeira\u201d. Mostrou a import\u00e2ncia dos n\u00facleos de per\u00edcia nos Corecons e sua rela\u00e7\u00e3o com os Grupos de Trabalho Mulher Economista. Comentou a import\u00e2ncia da Comiss\u00e3o de Per\u00edcia Econ\u00f4mico-Financeira do Cofecon que, em parceria com os Corecons, tem divulgado bastante a atividade. Al\u00e9m de falar o que \u00e9 per\u00edcia, demonstrando as vantagens da profiss\u00e3o e algumas caracter\u00edsticas importantes para exerc\u00ea-la refor\u00e7ou que o n\u00famero de mulheres que exercem essa atividade tem crescido nos \u00faltimos anos. A vice-presidente do Corecon-SC, Eliane Maria Martins, falou sobre o agroneg\u00f3cio e o meio ambiente \u00e0 luz do trabalho do economista. Silvana Parente, diretora de Economia Popular e Solidaria do Cear\u00e1, trouxe a problem\u00e1tica dos microempreendedores individuais, e abordou as causas e porqu\u00eas da desigualdade de g\u00eanero no mercado de trabalho. Chamou aten\u00e7\u00e3o para o trabalho n\u00e3o remunerado das mulheres e para a necessidade de mais pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a economia dos cuidados. Finalizou a sua fala com a economia solid\u00e1ria, uma estrat\u00e9gia exitosa para minimizar as desigualdades sociais, especialmente de g\u00eanero e diversidade. Luiza Borges Dulci, gerente de projetos da Secretaria Geral da Presid\u00eancia, abordou a economia dos cuidados.<\/p>\n<p>A Mesa especial teve como destaque da presen\u00e7a da economista ministra Esther Dweck, da pasta da Gest\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7os P\u00fablicos que abordou \u201cEquidade de G\u00eanero e Diversidade: impulsionando a inova\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento econ\u00f4mico\u201d. Come\u00e7ou sua exposi\u00e7\u00e3o destacando o recente Pr\u00eamio Nobel de Economia recebido pela americana Claudia Goldin por seus estudos sobre a evolu\u00e7\u00e3o do papel das mulheres no mercado de trabalho e o <em>gap<\/em> salarial e de oportunidades entre homens e mulheres ao longo do ciclo de vida. A ministra destacou que gra\u00e7as \u00e0 for\u00e7a do movimento de mulheres e \u00e0s pr\u00f3prias transforma\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio socioecon\u00f4mico, a atua\u00e7\u00e3o feminina hoje n\u00e3o mais se restringe \u00e0 esfera reprodutiva. Entretanto, os avan\u00e7os ainda s\u00e3o muito t\u00edmidos na igualdade de g\u00eanero, em especial no mercado de trabalho e nos espa\u00e7os de poder.<\/p>\n<p>A ministra apresentou uma s\u00e9rie de dados sobre a desigualdade de g\u00eanero, tais como a baixa participa\u00e7\u00e3o das mulheres nos cursos de ci\u00eancias econ\u00f4micas e nas \u00e1reas de C&amp;T, a baixa participa\u00e7\u00e3o das mulheres como candidatas nas elei\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias de 2016 a 2022 no Brasil e n\u00edveis de ocupa\u00e7\u00e3o e sal\u00e1rio de homens e mulheres no Brasil e nos pa\u00edses da OCDE, entre outros dados. Destacou que o desenvolvimento brasileiro requer um estado empreendedor, apoiador, indutor e estrat\u00e9gico para o enfrentamento das desigualdades, destacando que reduzir a desigualdade de g\u00eanero contribuir\u00e1 para o desenvolvimento, dadas as qualifica\u00e7\u00f5es e potencialidades das mulheres, que hoje t\u00eam sido desperdi\u00e7adas.<\/p>\n<p>Por fim, discorreu sobre uma s\u00e9rie de pol\u00edticas p\u00fablicas inseridas em sua pasta e nas demais pastas do governo para o enfrentamento das desigualdades estruturais, como a for\u00e7a tarefa para revisar a lei de a\u00e7\u00f5es afirmativas; a amplia\u00e7\u00e3o do percentual de reserva de vagas cota para mulheres negras; a possibilidade de reserva de vagas para ind\u00edgenas e quilombolas\u00a0 no concurso unificado que est\u00e1 sendo estruturado pela sua pasta; e o programa de combate ao racismo e est\u00edmulo de lideran\u00e7as negras no setor p\u00fablico. Abordou tamb\u00e9m as a\u00e7\u00f5es desenvolvidas pelo atual governo para a retomada do desenvolvimento, a exemplo da desconstitucionaliza\u00e7\u00e3o da regra fiscal e da retomada dos programas Bolsa Escola, Minha Casa, Minha Vida, Mais M\u00e9dicos, Brasil Sorridente, Plano de Renegocia\u00e7\u00e3o de Cr\u00e9dito (Desenrola Brasil), Plano Nacional de Vacina\u00e7\u00e3o, relan\u00e7amento do PPA aberto e com participa\u00e7\u00e3o social, entre outras a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A conselheira federal Ana Cl\u00e1udia Arruda, moderadora da mesa, destacou a import\u00e2ncia do momento atual da vida nacional brasileira com o novo governo, que traz novas esperan\u00e7as de enfrentamento das desigualdades e fortalecimento dos valores nacionais, tais como a democracia, o respeito \u00e0 legalidade e ao estado democr\u00e1tico de direito, o respeito aos direitos humanos, sendo, sobretudo, um governo de solu\u00e7\u00e3o para as disparidades sociais e regionais. A economista destacou que este \u00e9 o esp\u00edrito do governo da ministra Esther Dweck. Ana Cl\u00e1udia Arruda destacou, tamb\u00e9m, a import\u00e2ncia do concurso nacional unificado, apresentado pela ministra, como forma de acesso para os candidatos das regi\u00f5es Norte e Nordeste, bem como a import\u00e2ncia de contrata\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de concurso p\u00fablico, de gestores comprometidos com a boa gest\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, t\u00e3o necess\u00e1rias ao processo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>A Mesa 02 teve como moderadora a Conselheira Federal Fl\u00e1via Vinhaes, e trouxe a tem\u00e1tica Economia G\u00eanero e Diversidade. Maria Eduarda Tannuri Pianto pontuou que a educa\u00e7\u00e3o como principal fator para a desigualdade de g\u00eanero j\u00e1 \u00e9 algo superado e as mulheres t\u00eam maior escolaridade do que os homens, mas estes permanecem com remunera\u00e7\u00f5es superiores. Comentou que h\u00e1 um padr\u00e3o de remunera\u00e7\u00e3o mais baixo para as mulheres com filhos e que mulheres brancas com n\u00edvel superior t\u00eam as maiores remunera\u00e7\u00f5es dentre as mulheres. Defendeu hor\u00e1rios de jornada mais flex\u00edveis para as mulheres, al\u00e9m da implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio \u00e0 maternidade, como disponibiliza\u00e7\u00e3o de creches e escolas em tempo integral.<\/p>\n<p>J\u00e1 Maria Sylvia Macchione Saes, vice-diretora da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o, Contabilidade e Atu\u00e1ria da USP, falou que a desigualdade de g\u00eanero atinge todos os pa\u00edses. Argumentou que o papel definido pela sociedade para a mulher nunca foi valorizado, se comparado ao trabalho dito produtivo. Pontuou que at\u00e9 o Censo de 1910 o principal trabalho feminino era o trabalho dom\u00e9stico. Sylvia comentou o estudo premiado no Nobel de Economia, que concluiu n\u00e3o ter havido uma ascens\u00e3o constante da mulher no mercado de trabalho e sim um movimento em forma de \u201cU\u201d desde a sociedade agr\u00e1ria, na qual a mulher trabalhava na propriedade rural junto ao homem, passando pela sociedade industrial, em que o homem ia para o mercado de trabalho e a mulher ficava no \u00e2mbito dos cuidados, at\u00e9 a transi\u00e7\u00e3o para a sociedade dos servi\u00e7os, em que a mulher melhora a sua escolaridade e tem acesso a p\u00edlula contraceptiva, al\u00e9m da valoriza\u00e7\u00e3o do seu papel, o que a recoloca nas atividades produtivas. Sylvia tamb\u00e9m citou que nos pa\u00edses desenvolvidos as mulheres s\u00e3o respons\u00e1veis por 45% da produ\u00e7\u00e3o dos alimentos, enquanto ainda acumulam trabalho dom\u00e9stico, ocasionando mais horas trabalhadas por semana do que os homens.<\/p>\n<p>A vice-presidente do Corecon- BA, Isabel dos Santos Ribeiro, apresentou diversos indicadores do mercado de trabalho na Bahia, apontando a alta informalidade e a baixa remunera\u00e7\u00e3o, se comparados entre os dados do Nordeste e de outras regi\u00f5es. O setor p\u00fablico \u00e9 respons\u00e1vel pelas melhores remunera\u00e7\u00f5es no estado. As mulheres, al\u00e9m de menor participa\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o maioria ente os desempregados, e o movimento verificado na Bahia acontece em todo o Brasil. Outro dado apresentado foi que 25,3% das chefes de fam\u00edlia negras trabalhavam como empregadas dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Marilane Teixeira, professora da Universidade Estadual de Campinas, elogiou a lei que obriga a igualdade salarial e de crit\u00e9rios remunerat\u00f3rios entre mulheres e homens para trabalho de igual valor ou no exerc\u00edcio da mesma fun\u00e7\u00e3o. Ressaltou que \u00e9 necess\u00e1rio repensar a economia atrav\u00e9s de outra perspectiva. Afinal, o processo de inser\u00e7\u00e3o das mulheres negras e pobres se d\u00e1 atrav\u00e9s da forma que elas se inserem na atividade reprodutiva, justo a fra\u00e7\u00e3o da sociedade que tem maior dificuldade de acesso e perman\u00eancia no mercado de trabalho. Entre as mulheres que se encontram fora do mercado de trabalho, 1\/3 delas n\u00e3o procura emprego porque est\u00e1 envolvida com tarefas de cuidado. A professora pontuou que j\u00e1 no acesso ao mercado de trabalho, o sal\u00e1rio de entrada das mulheres \u00e9 inferior ao do homem. Por fim, disse que as pol\u00edticas de combate \u00e0 desigualdade social, mesmo promovendo melhoras de forma geral, n\u00e3o conseguem atingir o n\u00facleo duro da desigualdade de sexo.<\/p>\n<p>A Mesa 03 abordou a tem\u00e1tica Ensino de Economia, G\u00eanero e Ra\u00e7a. A media\u00e7\u00e3o foi conduzida pela presidente do Corecon de Goias Kerssia Preda Kamenach. Em 2021, um total de 3.784 homens conclu\u00edram o curso de economia, enquanto o n\u00famero de mulheres foi de 2.048, o que representa uma diferen\u00e7a de 1.736 graduados a mais do sexo masculino. Essa discrep\u00e2ncia tem impactos significativos na representatividade das mulheres na \u00e1rea de economia. Estudo apresentado pelo Corecon-MG aponta que nas universidades do estado as estudantes do sexo feminino correspondem a apenas 39% do total de alunos matriculados no curso de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas. Essa desigualdade tamb\u00e9m se reflete no corpo docente do curso.<\/p>\n<p>Uma parte da explica\u00e7\u00e3o para esse cen\u00e1rio pode estar na percep\u00e7\u00e3o da sociedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rea de economia, que muitas vezes \u00e9 vista como dominada por homens. No entanto, \u00e9 importante destacar que o Conselho Federal de Economia tem trabalhado ativamente para mostrar que as mulheres desempenham um papel fundamental nessa profiss\u00e3o e que a economia \u00e9 uma \u00e1rea que pode ser igualmente exercida por indiv\u00edduos de ambos os sexos.<\/p>\n<p>Participaram da mesa Adriana Amado, professora da faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o Contabilidade e Gest\u00e3o P\u00fablica da UnB; Valquiria Assis, presidente do Corecon-MG; Vilma Guimar\u00e3es, conselheira do Corecon-DF; e Kellen Brito, professora do Curso de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da Universidade Federal do Piau\u00ed<\/p>\n<p>A mesa de encerramento teve como tema \u201cDesenvolvimento econ\u00f4mico e igualdade racial: desafios para o Brasil\u201d, com a modera\u00e7\u00e3o da conselheira federal Teresinha de Jesus Ferreira da Silva, coordenadora da Comiss\u00e3o Mulher Economista do Cofecon.<\/p>\n<p>Thais Custodio, Coordenadora da Rede de Economistas Pretas e Pretos, iniciou o di\u00e1logo falando da import\u00e2ncia do debate para o Pa\u00eds, levando em conta o desmonte de pol\u00edticas sociais que s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento econ\u00f4mico. Ela comentou como pensar um projeto pol\u00edtico de um pa\u00eds continental heterog\u00eaneo como o Brasil, com 54% de pessoas negras (pretas e pardas), e como estes espa\u00e7os de lideran\u00e7a e de poder de decis\u00e3o seguem distantes para essa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Luciana Acioly, pesquisadora do IPEA e Conselheira do Corecon-DF.\u00a0 Iniciou o debate mencionando a fil\u00f3sofa americana e feminista Nancy Fraser com seu livro \u201cFeminismo para os 99% &#8211; um manifesto\u201d, que faz uma discuss\u00e3o sobre o feminismo e a agenda liberal que torna esse tema bem distante para a grande maioria das mulheres. Fraser discute a diferen\u00e7a entre pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas de reconhecimento (ou representa\u00e7\u00e3o). O reconhecimento est\u00e1 atrelado a demanda das mulheres de estarem devidamente representadas nos f\u00f3runs, nas estruturas de poder, nas estruturas decis\u00f3rias. A cr\u00edtica de Nancy Fraser \u00e9 que a representa\u00e7\u00e3o tem sido uma bandeira adotada e alinhada \u00e0 pol\u00edtica neoliberal, e privilegia a meritocracia, a liberdade de mercado, o individualismo, a redu\u00e7\u00e3o do tamanho do estado, e nas entre linhas assume a bandeira do antirracista, do n\u00e3o homof\u00f3bico, nas estrat\u00e9gias de mercado. Por\u00e9m, a agenda neoliberal tem mostrado seus efeitos delet\u00e9rios sobre a seguran\u00e7a econ\u00f4mica e o bem-estar social, sobretudo da maioria das mulheres.<\/p>\n<p>J\u00e1 a distribui\u00e7\u00e3o diz respeito a economia, a pactua\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas. A discuss\u00e3o relevante \u00e9 o trabalho, os seguros, quem paga impostos, exatamente o que as mulheres precisam em termos de apoio para ocuparem os lugares que merecem. Na representa\u00e7\u00e3o, \u00e9 como se toda a popula\u00e7\u00e3o estivesse representada, ou seja, no feminismo para 1% que \u00e9 apropriado pelo mercado, mas na sua concretude n\u00e3o existe ali de fato a presen\u00e7a das pessoas historicamente marginalizadas. O que podemos tirar de Fraser:\u00a0 existe uma d\u00edvida hist\u00f3rica com a inclus\u00e3o, portanto \u00e9 preciso juntar as duas agendas a da representa\u00e7\u00e3o e da distribui\u00e7\u00e3o (que d\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es mais sal\u00e1rios, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, seguro-desemprego, creche). Discutir essa quest\u00e3o \u00e0 luz da especificidade brasileira. \u00c9 isso que as mulheres economistas devem estar atentas: agenda de pol\u00edticas que deve ir al\u00e9m da representa\u00e7\u00e3o e incluir as pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O evento foi realizado pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon) em conjunto com os Conselhos Regionais de Economia (Corecons) do Distrito Federal, Bahia, Rio de Janeiro, Paran\u00e1, Santa Catarina, Pernambuco, Goi\u00e1s e S\u00e3o Paulo, com o apoio da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o, Contabilidade e Gest\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas (FACE \u2013 UnB), do Programa de Educa\u00e7\u00e3o Tutorial DEG \u2013 UnB (PET) e do Centro Acad\u00eamico de Economia da Universidade de Bras\u00edlia (CAECO UnB), e foi realizado no audit\u00f3rio da FACE.<\/p>\n<p>Confira o evento na \u00edntegra clicando <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wSObAGx5M58&amp;list=PLGjD_gmSCx9_ZiV8F551YGYmZkbjFXQjz&amp;pp=iAQB\">AQUI.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que leva \u00e0 diferen\u00e7a entre homens e mulheres nos sal\u00e1rios e na ocupa\u00e7\u00e3o de cargos de lideran\u00e7a? 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