{"id":21314,"date":"2023-10-13T16:42:23","date_gmt":"2023-10-13T19:42:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=21314"},"modified":"2023-10-13T16:42:23","modified_gmt":"2023-10-13T19:42:23","slug":"seminario-mesa-2-discute-impactos-da-maternidade-no-salario-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=21314","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio: Mesa 2 discute impactos da maternidade no sal\u00e1rio das mulheres"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"ui-provider ec boy boz bpa bpb bpc bpd bpe bpf bpg bph bpi bpj bpk bpl bpm bpn bpo bpp bpq bpr bps bpt bpu bpv bpw bpx bpy bpz bqa bqb bqc bqd bqe bqf\" dir=\"ltr\"><i>Debatedoras apontaram a maternidade como um fator decisivo na diferen\u00e7a salarial existente entre homens e mulheres<\/i><\/span><\/p>\n<p>\u201cEconomia, G\u00eanero e Diversidade\u201d. Este foi o tema da segunda mesa de debates do semin\u00e1rio Economia, Forma\u00e7\u00e3o, Mercado de Trabalho, G\u00eanero e Diversidade, realizado no dia 11 de outubro pelo Cofecon. A mesa contou com a participa\u00e7\u00e3o das economistas Maria Eduarda Tannuri-Pianto, Maria Sylvia Macchione Saes, Isabel Santos Ribeiro e Marilane Teixeira, com media\u00e7\u00e3o da conselheira federal Fl\u00e1via Vinhaes.<\/p>\n<p>\u201cPor muitos anos a desigualdade no mercado de trabalho era considerada como causada por diferen\u00e7as de educa\u00e7\u00e3o e escolhas educacionais. As diferen\u00e7as de educa\u00e7\u00e3o n\u00f3s j\u00e1 superamos\u201d, afirmou Tannuri-Pianto ao abrir sua fala. \u201cEstas desigualdades est\u00e3o ligadas \u00e0 maternidade e rela\u00e7\u00f5es das fam\u00edlias\u201d.<\/p>\n<p>Ela citou os trabalhos realizados por algumas de suas alunas \u2013 um deles traz dados sobre aumento da escolaridade com recorte de ra\u00e7a. Um ter\u00e7o das mulheres brancas nascidas entre 1980 e 1989 t\u00eam n\u00edvel superior, enquanto as outras t\u00eam 17% (contra 25% e 12% dos homens). \u201cAinda assim, as mulheres ganham menos. Esta diferen\u00e7a est\u00e1 diminuindo, ela era de 46% em 1981 e \u00e9 de 25 a 26% em 2022. Fechamos 20% de diferen\u00e7a em quarenta anos\u201d, constatou. \u201cOutra aluna quis isolar o impacto da maternidade nesta determina\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, o que foi poss\u00edvel fazendo diversas compara\u00e7\u00f5es. Quando um filho \u00e9 beb\u00ea, mulheres com filhos pequenos ganham mais que outras mulheres, trabalham menos, mas com o passar do tempo isso vai mudando, elas voltam a trabalhar mais e h\u00e1 mulheres ganhando 15% menos que as outras s\u00f3 porque tiveram filhos. Essa curva de rendimento nunca \u00e9 recuperada\u201d.<\/p>\n<p>O trabalho de outra aluna abordava a quantidade de horas gastas em trabalhos de cuidados. Quando uma mulher tem c\u00f4njuge, s\u00e3o 5 a 6 horas semanais a mais. \u201cAs mulheres brancas, com n\u00edvel superior, que t\u00eam marido com n\u00edvel superior, s\u00e3o privilegiadas, mas ainda assim est\u00e3o sempre trabalhando mais horas que os homens. E as meninas de 13 a 17 anos gastam 9 horas e meia a mais com trabalho dom\u00e9stico do que os meninos\u201d.<\/p>\n<p>A professora Maria Sylvia falou sobre a conquista do direito ao voto \u2013 e, para as mulheres que n\u00e3o recebiam sal\u00e1rio, o voto no Brasil continuou sendo facultativo at\u00e9 1965. \u201cEssa quest\u00e3o se liga ao papel da mulher, definido na sociedade, ligado \u00e0 atividade dom\u00e9stica e cria\u00e7\u00e3o dos filhos. Eram tarefas nunca valorizadas como trabalho produtivo\u201d, explicou. \u201cO trabalho n\u00e3o remunerado dom\u00e9stico ainda \u00e9, em grande parte, responsabilidade das mulheres, e tem um agravamento quando colocamos a quest\u00e3o de ra\u00e7a. O Brasil tem 9% do trabalho dom\u00e9stico do mundo inteiro, o que significa que temos uma p\u00e9ssima distribui\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>Maria Sylvia economista exibiu gr\u00e1ficos que aparecem nos trabalhos da economista Claudia Goldin, mostrando que a posi\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho, ao longo dos \u00faltimos 200 anos, foi uma curva em forma de U. \u201cNo in\u00edcio havia um papel muito grande na divis\u00e3o do trabalho, essencialmente agr\u00edcola. Isso foi diminuindo at\u00e9 que, a partir da d\u00e9cada de 1930, come\u00e7a a haver uma ascens\u00e3o no mercado formal de trabalho\u201d, comentou. \u201cOutro dado interessante s\u00e3o as disparidades de sal\u00e1rio: no in\u00edcio \u00e9 muito similar ao do homem; a partir do momento da maternidade, passa a ser inferior ao de outras mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Os sintomas dessa desigualdade se expressam em menores sal\u00e1rios e poucas mulheres em cargos de lideran\u00e7a. \u201cAs mulheres evitam o chamado trabalho ganancioso, que remunera melhor as atividades que demandam mais horas e s\u00e3o menos flex\u00edveis. Elas precisam de mais flexibilidade e optam por isso, mesmo que ganhem menos. Elas t\u00eam maior avers\u00e3o \u00e0 competi\u00e7\u00e3o. Na sociedade matriarcal, esse tipo de problema n\u00e3o existe\u201d, observa. Ela tamb\u00e9m trouxe o dado de que as mulheres s\u00e3o respons\u00e1veis por 45% da produ\u00e7\u00e3o de alimentos nos pa\u00edses em desenvolvimento, e que cerca de 90% do que as mulheres rurais recebem no campo \u00e9 reinvestido na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. \u201cAs mulheres no campo cooperam e tendem a gerenciar bens comuns de forma mais eficiente que o mercado\u201d.<\/p>\n<p>A economista Isabel Santos Ribeiro trouxe ao debate a experi\u00eancia do estado da Bahia. \u201cTemos o s\u00e9timo PIB do Brasil, mas com uma popula\u00e7\u00e3o mal remunerada e com alto grau de informalidade. As pessoas ganham pouco, com trabalho pouco qualificado\u201d, afirmou. \u201cEm 2021, n\u00f3s t\u00ednhamos 2,9 milh\u00f5es de pessoas na informalidade na Bahia. Em muitas cidades baianas o maior empregador \u00e9 o setor p\u00fablico, e \u00e9 o que melhor remunera\u201d.<\/p>\n<p>Outro dado trazido por Isabel mostra que as empresas com 1 a 4 empregados representam 58% dos empregos com carteira assinada. \u201cA pequena empresa carrega o emprego com baixa remunera\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo que o pa\u00eds precisa repensar\u201d, pontuou. E trouxe a quest\u00e3o de g\u00eanero: \u201cConsiderando a for\u00e7a de trabalho, 44% eram mulheres, mas elas eram maioria entre os desempregados (55%). O resultado aparece na taxa de desocupa\u00e7\u00e3o: 11%, no caso das mulheres, contra 6,9% dos homens. Fora da for\u00e7a de trabalho, 64% s\u00e3o mulheres\u201d.<\/p>\n<p>A professora Marilane Teixeira afirma que a ideia da neutralidade, na economia, invisibilizou as mulheres, tanto no pensamento econ\u00f4mico quanto do ponto de vista do pensamento delas. \u201cQueremos repensar a economia atrav\u00e9s de outras perspectivas. Na economia feminista, a teoria da reprodu\u00e7\u00e3o social \u00e9 muito importante. Do ponto de vista do sistema, interessa ter as mulheres como pap\u00e9is definidos no \u00e2mbito da casa, da fam\u00edlia e do cuidado\u201d, argumenta. \u201cVamos passar pela d\u00e9cada da crise dos cuidados, e o que n\u00f3s n\u00e3o queremos \u00e9 que isso sobrecarregue as mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Marilane tamb\u00e9m pontuou que as mulheres t\u00eam dificuldade de acesso ao mercado de trabalho e dificuldade para permanecer nele. \u201cN\u00e3o podemos encarar com naturalidade que 43 milh\u00f5es de mulheres estejam fora do mercado de trabalho, enquanto os homens nesta situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o 22 milh\u00f5es\u201d, questionou. \u201cNo Brasil, temos 9 a 10 milh\u00f5es de empregos na ind\u00fastria, e 6 milh\u00f5es em trabalho dom\u00e9stico, sendo boa parte mulheres negras. E quando v\u00e3o para o mercado de trabalho, h\u00e1 um processo de discrimina\u00e7\u00e3o que \u00e9 aviltante. H\u00e1 crit\u00e9rios para avaliar desempenho, como disponibilidade. O que \u00e9 disponibilidade? Jantar com cliente, fazer horas extras, viajar\u201d. E encerrou questionando o que vale mais, o mercado ou a vida.<\/p>\n<p>A mesa \u201cEconomia, G\u00eanero e Diversidade\u201d, segunda mesa de debates do semin\u00e1rio Economia, Forma\u00e7\u00e3o, Mercado de Trabalho, G\u00eanero e Diversidade, pode ser assistida no v\u00eddeo abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/hZw3V9ve1Zk?si=POPM75CQR3FY9VPK\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Debatedoras apontaram a maternidade como um fator decisivo na diferen\u00e7a salarial existente entre homens e mulheres \u201cEconomia, G\u00eanero e Diversidade\u201d. Este foi o tema da segunda mesa de debates do semin\u00e1rio Economia, Forma\u00e7\u00e3o, Mercado de Trabalho, G\u00eanero e Diversidade, realizado<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=21314\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21315,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,2],"tags":[],"class_list":["post-21314","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulhereconomista","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21314"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21314"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21314\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/21315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}