{"id":21287,"date":"2023-10-06T10:11:01","date_gmt":"2023-10-06T13:11:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=21287"},"modified":"2023-10-06T10:11:01","modified_gmt":"2023-10-06T13:11:01","slug":"lacerda-aborda-industrializacao-em-entrevista-a-tv-247","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=21287","title":{"rendered":"Lacerda aborda industrializa\u00e7\u00e3o em entrevista \u00e0 TV 247"},"content":{"rendered":"<p><em>Conselheiro federal foi entrevistado pelo jornalista Leonardo Attuch nesta segunda-feira (02), com transmiss\u00e3o pelo YouTube<\/em><\/p>\n<p>O conselheiro federal Antonio Corr\u00eaa de Lacerda foi entrevistado na noite desta segunda-feira (02) pelo jornalista Leonardo Attuch. A conversa foi transmitida pelo canal TV 247 no YouTube. O v\u00eddeo pode ser assistido clicando <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=JZenPOQrvzY\">AQUI.<\/a><\/p>\n<p>O primeiro tema abordado foi a melhora das expectativas econ\u00f4micas. \u201cJ\u00e1 na transi\u00e7\u00e3o fizemos um trabalho de redesenho da pol\u00edtica econ\u00f4mica. O governo anterior havia juntado minist\u00e9rios sob o argumento da racionalidade. Todos os que conheciam minimamente a estrutura de poder na \u00e1rea econ\u00f4mica sabiam que n\u00e3o poderia funcionar\u201d, criticou Lacerda. \u201cForam resgatadas as fun\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas. A Fazenda, que cuida do or\u00e7amento; o Planejamento, com vis\u00e3o de m\u00e9dio e longo prazo; restaurou-se o papel do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior; e foi criado um quarto minist\u00e9rio, que \u00e9 o da Gest\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o do setor p\u00fablico. E, al\u00e9m disso, o resgate dos bancos p\u00fablicos e das empresas estatais. S\u00e3o mudan\u00e7as estruturais em curso que est\u00e3o trazendo resultados de curto prazo, mas que apresentar\u00e3o principalmente resultados de m\u00e9dio e longo prazo\u201d.<\/p>\n<p>A industrializa\u00e7\u00e3o foi o assunto que dominou quase toda a entrevista. O Brasil vive, h\u00e1 muitos anos, um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o e o conselheiro federal, inclusive, tem um livro publicado sobre o assunto: \u201cReindustrializa\u00e7\u00e3o: Para o Desenvolvimento Brasileiro\u201d. \u201cA opera\u00e7\u00e3o Lava Jato teve um papel desestabilizador. O af\u00e3 de criminalizar o Estado e a pol\u00edtica econ\u00f4mica trouxe malef\u00edcios terr\u00edveis para a ind\u00fastria, a infraestrutura e as empresas\u201d, argumentou Lacerda. \u201cA corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 inerente ao capitalismo, ocorre nas melhores pra\u00e7as, mas a forma de combate foi distorcida no Brasil. A ind\u00fastria n\u00e3o \u00e9 somente do acionista, mas dos demais interessados: empregados, clientes, fornecedores e a pr\u00f3pria sociedade. A empresa \u00e9 uma grande contribuinte da arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Se h\u00e1 um problema de corrup\u00e7\u00e3o, afaste os dirigentes, puna os dirigentes e eventualmente a empresa, mas sem inviabiliz\u00e1-la, porque isso se traduz num malef\u00edcio para a economia\u201d.<\/p>\n<p>O entrevistador mencionou um processo de \u201cruraliza\u00e7\u00e3o\u201d do Brasil, com o agroneg\u00f3cio ganhando cada vez mais espa\u00e7o. \u201cN\u00e3o podemos deixar de nos favorecermos das vantagens comparativas e competitivas que temos no complexo agropecu\u00e1rio, mineral e petrol\u00edfero. Isso faz parte da nossa estrutura. Mas o Brasil n\u00e3o pode se acomodar nestes setores sem desenvolver a ind\u00fastria\u201d, observou o economista. \u201cN\u00e3o temos qualquer precedente de um pa\u00eds com as dimens\u00f5es do Brasil que tenha se desenvolvido sem uma ind\u00fastria forte. Temos mais de 200 milh\u00f5es de habitantes, somos um pa\u00eds com grande desigualdade e s\u00f3 vamos super\u00e1-la com a neoindustrializa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o significa abrir m\u00e3o dos complexos j\u00e1 citados, onde temos vantagem comparativa, com resultados ineg\u00e1veis para a balan\u00e7a comercial. Mas \u00e9 preciso qualificar nossa produ\u00e7\u00e3o, e isso se faz com a transforma\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O economista aponta que a desindustrializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno mundial. \u201cEm pa\u00edses como Estados Unidos e Alemanha a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria caiu depois que o pa\u00eds atingiu um n\u00edvel de renda per capita elevado, proporcionando o crescimento do setor de servi\u00e7os. E alguns pa\u00edses desenvolvidos terceirizaram sua produ\u00e7\u00e3o nas d\u00e9cadas de 1990 e 2000 para o leste asi\u00e1tico, afetando sua capacidade industrial\u201d, pontuou. \u201cMas nenhum pa\u00eds com as caracter\u00edsticas do Brasil est\u00e1 sofrendo desindustrializa\u00e7\u00e3o. Coreia e China vivem uma amplia\u00e7\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para trazer ao Brasil uma nova industrializa\u00e7\u00e3o, adequada \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, \u00e0 economia de baixo carbono e aos demais desafios atuais, Lacerda destaca que uma pol\u00edtica industrial tem um papel muito importante. \u201cEla est\u00e1 presente na maioria dos pa\u00edses, \u00e0s vezes com um nome diferente. O plano americano tem o nome de Inflation Reduction Act, mas traz no seu bojo a industrializa\u00e7\u00e3o. A ind\u00fastria 4.0 est\u00e1 no plano alem\u00e3o de desenvolvimento, com objetivos muito claros\u201d, observou. \u201cNo caso brasileiro, tudo isso precisa contar com o papel do BNDES, dos demais bancos p\u00fablicos e das ag\u00eancias de fomento. S\u00f3 o PAC tem previs\u00e3o de investimentos de 1,4 trilh\u00e3o de reais at\u00e9 2026 e 80% disso ser\u00e1 do setor privado. Da\u00ed o papel relevante que o BNDES pode exercer ao oferecer linhas de cr\u00e9dito e financiamento competitivos diante dessa necessidade de recursos\u201d.<\/p>\n<p>Para promover a reindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil, ser\u00e1 necess\u00e1rio utilizar tarifas de importa\u00e7\u00e3o? \u201cSim. Nos anos 90 fizemos uma abertura apressada, com a tarifa m\u00e9dia caindo de 50% para 11%, al\u00e9m das v\u00e1rias exce\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o houve a prepara\u00e7\u00e3o do ambiente econ\u00f4mico e dos fatores de competitividade sist\u00eamica: estrutura tribut\u00e1ria, condi\u00e7\u00f5es de financiamento, log\u00edstica e burocracia. N\u00e3o se trata de fechar a economia, mas de recalibrar as tarifas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que se quer para agregar valor local\u201d, afirmou Lacerda. E finalizou vislumbrando a oportunidade que o momento atual traz para o Brasil: \u201cTemos a reestrutura\u00e7\u00e3o das cadeias internacionais, com processos de produ\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima e mais amig\u00e1vel, e tamb\u00e9m com a descarboniza\u00e7\u00e3o da economia. Isso representa uma chance \u00fanica, nessa fase da hist\u00f3ria econ\u00f4mica mundial, de requalifica\u00e7\u00e3o da economia brasileira dentro do processo de industrializa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conselheiro federal foi entrevistado pelo jornalista Leonardo Attuch nesta segunda-feira (02), com transmiss\u00e3o pelo YouTube O conselheiro federal Antonio Corr\u00eaa de Lacerda foi entrevistado na noite desta segunda-feira (02) pelo jornalista Leonardo Attuch. 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