{"id":20767,"date":"2023-07-13T15:29:47","date_gmt":"2023-07-13T18:29:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=20767"},"modified":"2023-07-13T15:29:47","modified_gmt":"2023-07-13T18:29:47","slug":"novo-retrato-da-populacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=20767","title":{"rendered":"Novo retrato da popula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Artigo de opini\u00e3o publicado originalmente no jornal Tribuna Independente, pelo economista Marcos Calheiros.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O IBGE publicou recentemente os resultados do Censo Demogr\u00e1fico de 2022. Esta publica\u00e7\u00e3o \u00e9 o retrato dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros, cuja quase metade destes, especificamente 44,8%, tinha menos de dez mil habitantes em 2022. Isso \u00e9 um claro indicativo de uma concentra\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica que perdura na hist\u00f3ria brasileira, mesmo que tenha ocorrido um baix\u00edssimo crescimento populacional. Algumas considera\u00e7\u00f5es devem ser levantadas neste primeiro de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Ainda que a popula\u00e7\u00e3o do Brasil tenha somado um total de 203,1 milh\u00f5es de habitantes \u2014 um contingente 6,5% maior que o \u00faltimo Censo de 2010 \u2014, o crescimento m\u00e9dio populacional, de 0,52%, \u00e9 o menor desde 1872. Ademais, a regi\u00e3o Sudeste se manteve como a mais populosa, com 84,8 milh\u00f5es de habitantes. Nela, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram 39,9% da popula\u00e7\u00e3o brasileira; j\u00e1 o Nordeste, por outro lado, responde por 26,9% dos habitantes do pa\u00eds. Assim, S\u00e3o Paulo continua sendo o estado mais populoso do Brasil, com 44,4 milh\u00f5es de habitantes, i.e., um quinto da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, mostraram-se como as tr\u00eas capitais mais populosas do Brasil: S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Bras\u00edlia. Em alternativa, salientase que a popula\u00e7\u00e3o de Salvador teve uma queda de 9,6% de seus habitantes, enquanto Manaus cresceu 14,5%. Este alto crescimento demogr\u00e1fico de Manaus foi similar \u00e0s cidades da regi\u00e3o Centro-Oeste.<\/p>\n<p>Apenas Jo\u00e3o Pessoa, em contrapartida, teve um crescimento mais elevado do que Manaus, no patamar de 15,3%; por outro lado, a quantidade de habitantes de Bras\u00edlia aumentou 9,6% em dez anos. Alagoas, todavia, \u00e9 um caso sui generis em todo o pa\u00eds, inclusive no Nordeste: o crescimento de sua popula\u00e7\u00e3o foi o menor de todo o Brasil, aumentando somente 0,21%.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o alagoana, deste modo, corresponde hoje a 3.127.511 habitantes, dos quais 30,6% est\u00e3o concentradas em sua capital, Macei\u00f3, que conta hoje com 957.916 habitantes. Em segundo lugar vem Arapiraca, com 7,5% da popula\u00e7\u00e3o de Alagoas, correspondendo a 234.696 habitantes, apenas 24,5% do total de residentes em Macei\u00f3.<\/p>\n<p>Em outras palavras, embora tenha ocorrido um diminuto crescimento populacional, o perfil de sua concentra\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica pouco mudou. A priori, percebe-se um maior crescimento populacional dos munic\u00edpios que circunscrevem a capital, com destaque a Satuba, Paripueira e Rio Largo. Outros munic\u00edpios pr\u00f3ximos tamb\u00e9m cresceram com maior intensidade relativa, como Pilar, Marechal Deodoro e Barra de S\u00e3o Miguel, no litoral sul, e Barra de Santo Ant\u00f4nio, no litoral norte.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 not\u00f3rio o crescimento de munic\u00edpios que abrigam aportes de investimentos oriundos de polos produtivos e mesmo de setores tur\u00edsticos, como um processo de atra\u00e7\u00e3o populacional, destacandose o novo turismo em torno de Maragogi, como Japaratinga, Porto de Pedras e S\u00e3o Miguel dos Milagres. Ao mesmo tempo, os munic\u00edpios situados mais ao interior nesta regi\u00e3o norte perderam contingente populacional.<\/p>\n<p>No Agreste alagoano, apenas Arapiraca, Feira Grande e Cra\u00edbas apresentaram crescimento demogr\u00e1fico consider\u00e1vel. Da mesma forma, no Sert\u00e3o de Alagoas, somente Delmiro Gouveia, Carneiros e Ouro Branco apresentaram este mesmo quadro. Nos demais munic\u00edpios, o crescimento ou foi extremamente baixo, chegando a ser praticamente nulo, ou foi negativo. Este novo retrato da popula\u00e7\u00e3o brasileira, principalmente da alagoana, traz implica\u00e7\u00f5es para a nossa sociedade em curto, m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>Primeiramente, um menor crescimento populacional acompanhado de cada vez maiores expectativas de vida significa um envelhecimento da populacional, aumentando vertiginosamente a demanda por servi\u00e7os de sa\u00fade. Por exemplo, na \u00e1rea m\u00e9dica, vislumbra-se um maior crescimento de profissionais voltados para a parte idosa. Da mesma forma, os profissionais m\u00e9dicos voltados ao cuidado de crian\u00e7as dever\u00e3o, consequentemente, diminuir.<\/p>\n<p>No futuro, poderemos ter s\u00e9rios problemas em rela\u00e7\u00e3o a nossa previd\u00eancia, devido ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e \u00e0 baixa taxa no que diz respeito ao seu crescimento. Um modelo de financiamento por meio da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa tender\u00e1 \u00e0 sua crise num contexto de envelhecimento populacional, pois a massa de popula\u00e7\u00e3o beneficiada, em determinado momento, dever\u00e1 ser maior que a quantidade de pessoas que contribuam e sustentem tais gastos previdenci\u00e1rios.<\/p>\n<p>O presente Censo Demogr\u00e1fico, portanto, dever\u00e1 servir prontamente de subs\u00eddio para a formula\u00e7\u00e3o de novas pol\u00edticas p\u00fablicas para o atendimento eficaz e eficiente das demandas das sociedades brasileira e alagoana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de opini\u00e3o publicado originalmente no jornal Tribuna Independente, pelo economista Marcos Calheiros. O IBGE publicou recentemente os resultados do Censo Demogr\u00e1fico de 2022. Esta publica\u00e7\u00e3o \u00e9 o retrato dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros, cuja quase metade destes, especificamente 44,8%, tinha<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=20767\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20768,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-20767","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20767"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20767\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/20768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}