{"id":20070,"date":"2023-03-10T18:08:40","date_gmt":"2023-03-10T21:08:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=20070"},"modified":"2023-03-10T18:08:40","modified_gmt":"2023-03-10T21:08:40","slug":"situacao-fiscal-nao-e-confortavel-afirma-vilma-pinto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=20070","title":{"rendered":"\u201cSitua\u00e7\u00e3o fiscal n\u00e3o \u00e9 confort\u00e1vel\u201d, afirma Vilma Pinto"},"content":{"rendered":"\n<p><em><span class=\"ui-provider xi b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z ab ac ae af ag ah ai aj ak\" dir=\"ltr\">Para a diretora da Institui\u00e7\u00e3o Fiscal Independente, que participou de debate no Cofecon, superavit do ano passado ocorreu devido a situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o recorrentes<\/span><\/em><\/p>\n<p>O Conselho Federal de Economia realizou nesta quinta-feira um debate sobre perspectivas para a pol\u00edtica fiscal no pa\u00eds. A convidada foi a economista Vilma da Concei\u00e7\u00e3o Pinto, diretora da Institui\u00e7\u00e3o Fiscal Independente (IFI). Vilma abordou a realidade macroecon\u00f4mica do pa\u00eds e tamb\u00e9m falou sobre sua trajet\u00f3ria profissional.<\/p>\n<p>Na abertura do evento, o presidente do Cofecon, Paulo Dantas da Costa, destacou a import\u00e2ncia do debate. \u201cEsse \u00e9 um tema atual, da mais elevada proced\u00eancia e, aberto esse evento, desejo que possamos retirar daqui as melhores conclus\u00f5es a respeito do tema\u201d, disse Dantas. \u201cN\u00e3o podemos falar de redu\u00e7\u00e3o de desigualdade no Brasil sem falar na quest\u00e3o de g\u00eanero, que \u00e9 uma das principais fontes de desigualdades neste pa\u00eds, sem falar em quest\u00e3o de ra\u00e7a e tamb\u00e9m das popula\u00e7\u00f5es que foram esquecidas\u201d, completou o presidente do Corecon-DF, Jos\u00e9 Luiz Pagnussat.<\/p>\n<p><strong>Perspectivas para a pol\u00edtica fiscal<\/strong><\/p>\n<p>Vilma abordou a cria\u00e7\u00e3o da IFI, em 2016, num contexto internacional em que outros pa\u00edses criavam institui\u00e7\u00f5es semelhantes, enquanto no plano local o Brasil vivia uma crise econ\u00f4mica, com d\u00e9ficit fiscal elevado. \u201cO objetivo era dar transpar\u00eancia \u00e0s contas p\u00fablicas e fazer um contraponto saud\u00e1vel com o poder executivo a partir de an\u00e1lises t\u00e9cnicas independentes e apartid\u00e1rias\u201d, comentou Vilma. \u201cN\u00f3s monitoramos as regras fiscais, avaliamos as pol\u00edticas e as propostas que tenham algum impacto fiscal relevante. Focamos na responsabilidade fiscal, mas sabemos que ela est\u00e1 associada \u00e0 responsabilidade social. As duas devem andar de m\u00e3os dadas\u201d.<\/p>\n<p>Ao falar sobre a situa\u00e7\u00e3o fiscal atual do Brasil, a economista apontou que a pandemia trouxe mais luz sobre os gastos com sa\u00fade e as transfer\u00eancias de renda e citou a PEC da Transi\u00e7\u00e3o, aprovada com o objetivo de criar um espa\u00e7o fiscal que permitisse atender \u00e0s demandas sociais. \u201cO governo fez a amplia\u00e7\u00e3o do gasto e n\u00e3o necessariamente sinalizou as fontes de financiamento. Isso impacta a trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica e agora o governo come\u00e7a a sinalizar com ajustes\u201d, explicou Vilma. \u201cAgora o governo come\u00e7a a sinalizar com medidas de ajuste, que n\u00e3o s\u00f3 v\u00e3o na linha de aumentar a receita ou diminuir a despesa, mas tamb\u00e9m na linha de melhorar a qualidade do gasto\u201d.<\/p>\n<p>O ano de 2022 foi de superavit fiscal \u2013 o primeiro em nove anos \u2013 mas esta situa\u00e7\u00e3o se deu por circunst\u00e2ncias espec\u00edficas. \u201cA situa\u00e7\u00e3o fiscal n\u00e3o \u00e9 nada confort\u00e1vel. Ano passado o governo teve superavit fiscal, mas foi essencialmente por fatores n\u00e3o recorrentes. O choque do petr\u00f3leo aumentou o perfil das receitas, mas de forma tempor\u00e1ria. Quando o pre\u00e7o internacional do petr\u00f3leo cair, teremos menos receitas\u201d, analisou. \u201cPrecisamos repensar a quest\u00e3o das regras fiscais, que o governo deve anunciar ainda este m\u00eas, de modo que possamos ter solidez, sustentabilidade e, ao mesmo tempo, avan\u00e7ar em pautas e agendas importantes\u201d.<\/p>\n<p>Para 2023, a Institui\u00e7\u00e3o Fiscal Independente projeta um d\u00e9ficit de 1,3% do PIB nas contas do governo. \u201cPara que a d\u00edvida seja est\u00e1vel como propor\u00e7\u00e3o do PIB, precisamos de um superavit da ordem de 1,5% do PIB. Isso tamb\u00e9m precisa conversar com a qualidade do gasto p\u00fablico e com a import\u00e2ncia das pol\u00edticas p\u00fablicas em termos de impacto econ\u00f4mico e social\u201d, argumentou Vilma. \u201cEu sou de fam\u00edlia pobre, todo o meu ensino foi em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, exceto o mestrado. As pol\u00edticas assistenciais ajudaram muito, assim como o ambiente familiar\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, a economista abordou sua escolha pelo curso de economia. \u201cMinha inspira\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a partir de programas de televis\u00e3o, onde via um economista no supermercado comentando o pre\u00e7o do arroz, do tomate, e eu me questionava por que isso era importante e por que precisava ter um economista falando sobre o assunto. Eu tamb\u00e9m me perguntava por que h\u00e1 pessoas pobres e pessoas muito ricas, e n\u00e3o encontrava resposta\u201d, contou Vilma. \u201cEu vi que na economia poderia ter a resposta para isso. Quando comecei a estagiar na Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, fui trabalhar com pol\u00edtica fiscal e estou nesta \u00e1rea at\u00e9 hoje\u201d.<\/p>\n<p>\u201cViemos de muitos anos de recess\u00e3o e estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e o gasto p\u00fablico vai ter uma fun\u00e7\u00e3o fundamental agora na reconstru\u00e7\u00e3o do Brasil. Vemos uma preocupa\u00e7\u00e3o do presidente da Rep\u00fablica n\u00e3o s\u00f3 com a pol\u00edtica monet\u00e1ria, mas tamb\u00e9m com a qualidade do gasto\u201d, observou a conselheira Fl\u00e1via Vinhaes, mediadora do debate. Ela tamb\u00e9m abordou o ajuste fiscal de 2,8% do PIB. \u201cA melhor coisa que aprendi em economia foi que or\u00e7amento p\u00fablico n\u00e3o tem nada a ver com or\u00e7amento privado e das fam\u00edlias. Os gastos p\u00fablicos, para al\u00e9m dos gastos, s\u00e3o investimentos que t\u00eam efeitos multiplicadores muito importantes\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma palestra maravilhosa e n\u00f3s, da Comiss\u00e3o, estamos muito realizadas\u201d, expressou a coordenadora da Comiss\u00e3o Mulher Economista e Diversidade, Teresinha de Jesus Ferreira da Silva, ap\u00f3s o evento. \u201cEste foi o lan\u00e7amento efetivo da nossa Comiss\u00e3o neste ano. Agrade\u00e7o \u00e0 Vilma, a todos os presentes e os que nos assistiram pelo Youtube\u201d.<\/p>\n<p><strong>Participa\u00e7\u00e3o em v\u00eddeo<\/strong><\/p>\n<p>A economista Luciana Servo, presidente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), tamb\u00e9m foi convidada para o evento e gravou um v\u00eddeo no qual abordou a representatividade feminina na profiss\u00e3o. \u201cA economia ainda \u00e9 vista como um campo de forma\u00e7\u00e3o mais masculino ou mais atrativo para os homens. Isso demonstra a import\u00e2ncia de ter uma comiss\u00e3o que discuta mulheres economistas e diversidade e amplie a participa\u00e7\u00e3o e as discuss\u00f5es sobre a forma\u00e7\u00e3o de mulheres economistas\u201d, pontuou Luciana.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o da presidente do IPEA, a presen\u00e7a de mulheres em posi\u00e7\u00f5es de destaque pode servir de est\u00edmulo e inspira\u00e7\u00e3o para aumentar a presen\u00e7a feminina na profiss\u00e3o. \u201cVemos mulheres aparecendo no cen\u00e1rio nacional e se destacando, tanto no campo da macroeconomia como na educa\u00e7\u00e3o, economia social e economia internacional\u201d, observou Luciana. \u201cElas podem atrair jovens mulheres para que percebam a economia n\u00e3o como um campo de atua\u00e7\u00e3o dos homens, mas como uma \u00e1rea com possibilidades de forma\u00e7\u00e3o desde a gradua\u00e7\u00e3o para mulheres. Isso amplia as possibilidades de que as quest\u00f5es de g\u00eanero e as desigualdades e discrimina\u00e7\u00f5es que vemos no mercado de trabalho sejam combatidas e reduzidas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":20072,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,2],"tags":[],"class_list":["post-20070","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulhereconomista","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20070"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20070"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20070\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/20072"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}