{"id":20060,"date":"2023-03-10T16:20:17","date_gmt":"2023-03-10T19:20:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=20060"},"modified":"2023-03-10T16:20:17","modified_gmt":"2023-03-10T19:20:17","slug":"nota-de-repudio-ao-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=20060","title":{"rendered":"Nota de rep\u00fadio ao trabalho escravo"},"content":{"rendered":"\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o, pelas autoridades, de condi\u00e7\u00f5es de trabalho an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o em colheitas de uva para algumas empresas mostrou ao p\u00fablico um repugnante n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o do ser humano. Ainda mais revoltante \u00e9 n\u00e3o se tratar de caso isolado, ocorrendo em todo o pa\u00eds. Os s\u00e9culos de trabalho escravo, legalizado e naturalizado durante todo o Brasil-Col\u00f4nia e o Brasil-Imp\u00e9rio, criaram um apartheid de fato que perdura at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>A aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, ocorrida h\u00e1 quase 135 anos, foi um avan\u00e7o jur\u00eddico-formal, mas n\u00e3o proporcionou a inclus\u00e3o dos libertados com gera\u00e7\u00e3o de oportunidades, produzindo-se uma d\u00edvida social persistente para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. A popula\u00e7\u00e3o negra migrou para a periferia das grandes cidades e passou a viver de trabalhos eventuais, totalmente precarizados, com alguns compelidos \u00e0 criminalidade.<\/p>\n<p>Parte da m\u00e3o-de-obra para a coloniza\u00e7\u00e3o do Sul e Sudeste, a partir do S\u00e9culo XIX, foi trazida de pa\u00edses europeus, beneficiada com v\u00e1rios incentivos, tamb\u00e9m para \u201cembranquecer\u201d nossa popula\u00e7\u00e3o. Tais processos fazem com que classes sociais e regi\u00f5es brasileiras tenham cores diferenciadas, alimentando sentimentos de xenofobia entre regi\u00f5es. Um avan\u00e7o bem posterior, iniciado h\u00e1 80 anos, foi a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, alvo permanente de desconstru\u00e7\u00e3o sob o pretexto de moderniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas conquistas jur\u00eddico-formais nunca impediram a persist\u00eancia de trabalhos em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. No setor agropecu\u00e1rio, pela menor ocorr\u00eancia de den\u00fancias e maior dificuldade de fiscaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 pr\u00e1tica mais comum. Contudo, n\u00e3o deixa de ocorrer em grandes cidades brasileiras, em setores como o de confec\u00e7\u00f5es, inclusive com imigrantes ilegais. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel encontrar, atualmente em menor escala, os chamados \u201ccriados\u201d, trabalhadores dom\u00e9sticos sem remunera\u00e7\u00e3o trazidos do interior a t\u00edtulo de \u201ccaridade\u201d.<\/p>\n<p>Em que pese se tratar de uma quest\u00e3o estrutural, a desregulamenta\u00e7\u00e3o dos mercados e minimiza\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o do Estado contribu\u00edram com a manuten\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a expans\u00e3o dessas condi\u00e7\u00f5es desumanas. A \u00faltima reforma trabalhista, a incorpora\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho pelo Minist\u00e9rio da Economia e a redu\u00e7\u00e3o da capacidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho favoreceram a eleva\u00e7\u00e3o dessa forma intoler\u00e1vel de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":20066,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-20060","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-notas-oficiais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20060"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20060"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20060\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/20066"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20060"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20060"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20060"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}