{"id":19912,"date":"2023-02-14T17:31:39","date_gmt":"2023-02-14T20:31:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=19912"},"modified":"2023-02-14T17:31:39","modified_gmt":"2023-02-14T20:31:39","slug":"artigo-contribuicoes-para-um-novo-arcabouco-fiscal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=19912","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Contribui\u00e7\u00f5es para um novo arcabou\u00e7o fiscal"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Fernando de Aquino Fonseca Neto<\/strong><\/p>\n<p>Os riscos de uma d\u00edvida p\u00fablica explosiva s\u00e3o considerados pelos chamados economistas ortodoxos e tamb\u00e9m por parte dos heterodoxos, embora com prem\u00eancia e consequ\u00eancias diferentes. Por isso a aceita\u00e7\u00e3o generalizada de regras fiscais, formando o que se tem chamado de \u201carcabou\u00e7o fiscal\u201d. Dentro do vigente, a regra mais contestada tem sido a de teto de gastos. S\u00e3o limites reajustados apenas pela infla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo afetado por qualquer aumento de arrecada\u00e7\u00e3o, seja decorrente de aumento de tributos ou de crescimento do PIB, nem por aumentos da popula\u00e7\u00e3o, que demanda mais pol\u00edticas p\u00fablicas. Ao longo do tempo, o teto em vigor vai comprimindo as despesas em rela\u00e7\u00e3o ao PIB e os gastos per capita.<\/p>\n<p>De fato, funciona como um mecanismo para persistente redu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e de regula\u00e7\u00e3o. Providencial para um governo neoliberal, que ainda assim n\u00e3o conseguiu cumpri-lo. Um governo social-democrata, como o atual, se prop\u00f5e a realizar gastos para promover o crescimento e o pleno emprego, ampliar pol\u00edticas p\u00fablicas e aprimorar a regula\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas. Mesmo buscando minimizar desperd\u00edcios e desvios e elevar a qualidade da despesa, n\u00e3o pode dispensar aumentos de arrecada\u00e7\u00e3o e de endividamento como fontes de financiamento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de aguardar a proposta do governo de um novo arcabou\u00e7o fiscal, vale antecipar algumas regras que possam contribuir para conciliar o controle do endividamento com oportunidades de financiamento das despesas p\u00fablicas. No lugar do teto de gastos, tr\u00eas regras poderiam ser adotadas:<\/p>\n<p>i. As m\u00e9dias, em v\u00e1rios per\u00edodos, da taxa de juros incidente sobre a d\u00edvida p\u00fablica n\u00e3o podem ultrapassar a taxa de crescimento nominal do PIB. Essa limita\u00e7\u00e3o evitaria a necessidade de super\u00e1vits prim\u00e1rios para conter o crescimento do endividamento em rela\u00e7\u00e3o ao PIB. Importa observar que essa regra limitaria apenas um dos poss\u00edveis instrumentos de controle da infla\u00e7\u00e3o, no caso, a taxa de juros. Outros instrumentos podem e devem ser usados, como impostos sobre importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es, estoques reguladores, matriz energ\u00e9tica com menores custos de produ\u00e7\u00e3o e par\u00e2metros que condicionam a alavancagem de cr\u00e9dito, como al\u00edquotas de recolhimentos compuls\u00f3rios e \u00edndices de Basil\u00e9ia.<\/p>\n<p>ii. Os gastos prim\u00e1rios podem ser financiados com receitas prim\u00e1rias, com d\u00edvida p\u00fablica tempor\u00e1ria ou com d\u00edvida p\u00fablica permanente. Com as duas primeiras fontes, as suas m\u00e9dias, em v\u00e1rios per\u00edodos, devem ser iguais \u00e0s m\u00e9dias das receitas prim\u00e1rias, possibilitando uma pol\u00edtica fiscal antic\u00edclica sem eleva\u00e7\u00f5es permanentes no endividamento p\u00fablico \u2013 d\u00e9ficits nas recess\u00f5es, para estimular a economia, e super\u00e1vits nos superaquecimentos, para evitar press\u00f5es inflacion\u00e1rias.<\/p>\n<p>iii. Determinar as condi\u00e7\u00f5es e crit\u00e9rios em que os gastos prim\u00e1rios poder\u00e3o ser financiados com d\u00edvida p\u00fablica permanente, preferencialmente para despesas com investimentos p\u00fablicos.<\/p>\n<p><strong>Fernando de Aquino \u00e9 economista e conselheiro coordenador da Comiss\u00e3o de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Cofecon. Artigo originalmente publicado no Jornal GGN. Para acessar a publica\u00e7\u00e3o origina, clique <a href=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/politica-fiscal\/contribuicoes-para-um-novo-arcabouco-fiscal-por-fernando-de-aquino\/\"><span style=\"text-decoration: underline;\">AQUI<\/span><\/a>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":19922,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-19912","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19912"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19912"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19912\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/19922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}