{"id":18446,"date":"2015-03-30T16:16:00","date_gmt":"2015-03-30T19:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=18446"},"modified":"2015-03-30T16:16:00","modified_gmt":"2015-03-30T19:16:00","slug":"crescimento-economico-do-brasil-deve-ser-imediatamente-retomado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=18446","title":{"rendered":"Crescimento econ\u00f4mico do Brasil deve ser imediatamente retomado"},"content":{"rendered":"\n<p>O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu em 2014, segundo o IBGE, t\u00e3o somente 0,1%, com forte desacelera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a 2013 (2,7%). O Conselho Federal de Economia entende que este ritmo de crescimento de nossa economia, expresso na queda do PIB per capita de 0,7%, est\u00e1 muito aqu\u00e9m das necessidades do pa\u00eds e da gera\u00e7\u00e3o de empregos.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do desempenho setorial do PIB, pela \u00f3tica da oferta, revela que o pior desempenho foi do setor industrial, com queda de 1,2%, e que, n\u00e3o obstante o forte crescimento da ind\u00fastria extrativa mineral (8,7%), decorreu do p\u00e9ssimo resultado da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o (queda de 3,8%) e do grupo composto pela constru\u00e7\u00e3o civil, energia, g\u00e1s, \u00e1gua e esgoto (queda de 2,6%).<\/p>\n<p>O setor de servi\u00e7os teve crescimento de 0,7%, com destaque positivo nos segmentos de servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o (4,6%) e atividades imobili\u00e1rias (3,3%) e negativo do com\u00e9rcio (-1,8%). J\u00e1 o setor agropecu\u00e1rio teve crescimento modesto, de 0,4%.<\/p>\n<p>Pela \u00f3tica da demanda, embora tenha havido expans\u00e3o do consumo das fam\u00edlias (0,9%), ocorreu uma forte desacelera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a 2013 (2,9%). O mesmo se deu no consumo do governo (crescimento de 1,3% contra 2,2% em 2013). J\u00e1 a Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo (FBCF) teve queda de 4,4%, levando sua participa\u00e7\u00e3o no PIB a recuar de 20,5% em 2013 para 19,7% em 2014.<\/p>\n<p>Neste momento em que o governo federal promove um ajuste fiscal, o Cofecon revela sua preocupa\u00e7\u00e3o com a possibilidade de as medidas propostas virem a comprometer a necess\u00e1ria retomada do crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 carente de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica de longo prazo, resistente no tempo, cujo objetivo seja promover o crescimento da economia e proporcionar a redu\u00e7\u00e3o da pobreza e da desigualdade social e elevar o bemestar da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>O Governo Federal tem constantemente tomado decis\u00f5es de pol\u00edtica econ\u00f4mica de curto prazo, com base em conveni\u00eancias conjunturais. Assim, nesses \u00faltimos anos, num contexto internacional de oscila\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a gest\u00e3o anterior foi marcada por medidas que, a rigor, n\u00e3o surtiram os efeitos esperados: desonera\u00e7\u00f5es fiscais; manuten\u00e7\u00e3o artificial de importantes pre\u00e7os da economia, como combust\u00edveis e energia; e eleva\u00e7\u00e3o dos gastos de capital e correntes, mas sem compensa\u00e7\u00e3o de receita, o que resultou em deteriora\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas e eleva\u00e7\u00e3o das expectativas de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse contexto levou \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de ajuste fiscal e monet\u00e1rio, muito embora parte delas ainda em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional. Os sinais que chegam do mercado s\u00e3o de pessimismo, com empres\u00e1rios adiando projetos de investimentos em raz\u00e3o dos elevados juros e baixa competitividade enquanto, de outro lado, trabalhadores sofrem com a perspectiva de redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios reais e desemprego, determinada pelo crescimento da infla\u00e7\u00e3o e queda nos resultados das empresas, que se reflete no desempenho insatisfat\u00f3rio do PIB.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, soa preocupante e inaceit\u00e1vel a perspectiva que se avizinha de eleva\u00e7\u00e3o da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que j\u00e1 sofreu majora\u00e7\u00e3o em dezembro, constrangendo ainda mais um elemento fundamental de pol\u00edtica credit\u00edcia e dificultando a retomada do investimento produtivo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O objetivo da equipe econ\u00f4mica \u00e9 alcan\u00e7ar, em 2015, super\u00e1vit prim\u00e1rio correspondente a 1,2% do PIB, ou R$ 66,3 bilh\u00f5es, sendo R$ 55,3 bilh\u00f5es advindos da Uni\u00e3o e o restante dos estados e munic\u00edpios. Esse montante corresponde a t\u00e3o somente cerca de 20% dos gastos com juros da d\u00edvida p\u00fablica. Dito de outra forma, o ajuste fiscal ser\u00e1 feito com sacrif\u00edcio do setor produtivo, com consequ\u00eancias mais profundas para a classe trabalhadora, em prol do setor financeiro, promovendo a transfer\u00eancia de recursos do primeiro para o segundo. Vale ainda destacar que a pr\u00e1tica de gerar super\u00e1vits prim\u00e1rios eterniza uma situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel aos rentistas, credores dos t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica, uma vez que a manuten\u00e7\u00e3o de altas taxas de juros eleva o valor total da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias prov\u00e1veis ser\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o do volume de recursos a serem transferidos pela Uni\u00e3o e, portanto, os estados e munic\u00edpios tender\u00e3o a realizar esfor\u00e7o fiscal maior, a partir da utiliza\u00e7\u00e3o de outros mecanismos para eleva\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o, assim como a racionaliza\u00e7\u00e3o de despesas.<\/p>\n<p>\u00c9 de se esperar tamb\u00e9m que cortes de subs\u00eddios e em programas de grande impacto social, como o Minha Casa Minha Vida, gerem consequ\u00eancias negativas no n\u00edvel de emprego e na aquisi\u00e7\u00e3o de insumos da ind\u00fastria, impactando negativamente o dinamismo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Diligentes com a nossa miss\u00e3o institucional, alertamos quanto aos poss\u00edveis desalinhamentos que essa pol\u00edtica econ\u00f4mica poder\u00e1 causar aos setores produtivos com efeito direto nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida da sociedade brasileira.<\/p>\n<p><strong>Conselho Federal de Economia &#8211; Cofecon <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":7388,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-18446","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-notas-oficiais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18446"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18446"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18446\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}