{"id":17379,"date":"2022-03-28T11:27:39","date_gmt":"2022-03-28T14:27:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=17379"},"modified":"2022-03-28T11:27:39","modified_gmt":"2022-03-28T14:27:39","slug":"o-brasil-na-segunda-desglobalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=17379","title":{"rendered":"O Brasil na segunda desglobaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Artigo originalmente publicado no portal Terapia Pol\u00edtica<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s ter emitido v\u00e1rios alarmes acerca de sua disfuncionalidade, a globaliza\u00e7\u00e3o parece ter ficado para tr\u00e1s, concomitante com o receitu\u00e1rio neoliberal adotado por parte da direita e da esquerda. Para descortinar o novo horizonte, que n\u00e3o seja a repeti\u00e7\u00e3o do passado, \u00e9 fundamental constituir uma outra maioria pol\u00edtica, sobretudo composta pelos sujeitos sociais emergentes da Era Digital.<\/p>\n<p>Na primeira desglobaliza\u00e7\u00e3o (1914-1980), que sucedeu o final da Ordem Liberal liderada pela Inglaterra (1870-1914), o Brasil formou uma maioria pol\u00edtica que superou as for\u00e7as das antigas oligarquias prim\u00e1rio-exportadoras e reposicionou o pa\u00eds. Para tanto, teve que abandonar o padr\u00e3o ouro-libra vigente at\u00e9 ent\u00e3o e se conectou \u00e0s tecnologias e padr\u00f5es de financiamento comprometidos com a internaliza\u00e7\u00e3o do sistema produtivo representado \u00e0 \u00e9poca pelo paradigma mec\u00e2nico-qu\u00edmico.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, o capitalismo brasileiro viveu a sua \u00e9poca de ouro, com um dinamismo econ\u00f4mico superior ao do resto do mundo, constituindo uma nova sociedade urbano-industrial. Mesmo n\u00e3o tendo resolvido os graves problemas socioecon\u00f4micos, o padr\u00e3o mostrou-se superior ao vivido anteriormente, onde predominaram as ideias liberais do Estado m\u00ednimo.<\/p>\n<p>O segundo ciclo da globaliza\u00e7\u00e3o, iniciado a partir da d\u00e9cada de 1980, foi dominado pela Ordem Neoliberal liderada pelos Estados Unidos. Nele, o Brasil passou a regredir social e materialmente. A desarticula\u00e7\u00e3o do seu sistema produtivo avan\u00e7ou substancialmente desde 1990, quando a forma passiva e subordinada de ingresso na globaliza\u00e7\u00e3o prevaleceu no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A economia complexa, diversificada e integrada constitu\u00edda desde a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930 foi substitu\u00edda pela simplifica\u00e7\u00e3o da especializa\u00e7\u00e3o produtiva. E, por estar cada vez mais conectada com o exterior, a reprimariza\u00e7\u00e3o da pauta de exporta\u00e7\u00e3o se descolou dos interesses nacionais.<\/p>\n<p>O setor exportador de produtos prim\u00e1rios foi privilegiado pelas isen\u00e7\u00f5es de tributa\u00e7\u00e3o, bem como pelos juros subsidiados para financiar o aumento da produ\u00e7\u00e3o e pelas taxas de c\u00e2mbio valorizadas, favorecendo a importa\u00e7\u00e3o de tecnologias e insumos. Este processo, requereu formar uma base parlamentar para defender os seus interesses durante o ciclo pol\u00edtico da Nova Rep\u00fablica, de certa forma igual ao que acontecera durante a Rep\u00fablica Velha (1889-1930).<\/p>\n<p>Por conta disso, o Brasil vem se inserindo na Era Digital como importador de bens e servi\u00e7os digitais, dependendo crescentemente da especializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1rio-exportadora. Atualmente o pa\u00eds ocupa o posto da 13\u00aa maior economia do mundo, com a sexta maior popula\u00e7\u00e3o do planeta e o quarto mercado consumidor de bens e servi\u00e7os digitais globais.<\/p>\n<p>At\u00e9 a d\u00e9cada de 1920, por exemplo, o Brasil tamb\u00e9m esteve subordinado ao modelo prim\u00e1rio-exportador. Para poder ter acesso \u00e0 Era industrial, enquanto um grande mercado consumidor, dependia das receitas da exporta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e mineral para financiar a grande importa\u00e7\u00e3o de bens manufaturados.<\/p>\n<p>Desde 2001, com a crise das empresas\u00a0<em>Ponto Com<\/em>\u00a0e o ataque \u00e0s torres g\u00eameas, os Estados Unidos frearam o rito expansionista da globaliza\u00e7\u00e3o. Depois, com a crise financeira de 2008, a desregula\u00e7\u00e3o neoliberal passou a ser questionada e o Estado foi chamado para interceder socializando os preju\u00edzos das grandes corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, amea\u00e7adas de irem \u00e0 bancarrota.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o foi travada. Houve o decl\u00ednio da expans\u00e3o do com\u00e9rcio externo e uma acelera\u00e7\u00e3o de aquisi\u00e7\u00f5es e fus\u00f5es no interior do setor privado. Ao mesmo tempo, as empresas estatais assumiram maior participa\u00e7\u00e3o entre as 500 maiores empresas do mundo.<\/p>\n<p>Na pandemia do coronav\u00edrus, em 2020, as cadeias globais de valor foram novamente atingidas em diversas partes do mundo. Diante da crescente vulnerabilidade imposta pela enorme interdepend\u00eancia entre economia e finan\u00e7as, os governos de v\u00e1rios pa\u00edses pisaram no acelerador dos investimentos internos, protegendo e recuperando os seus pr\u00f3prios sistemas produtivos e o emprego e renda nacional.<\/p>\n<p>Neste ano, o conflito armado entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia e, sobretudo as puni\u00e7\u00f5es impostas pelas significativas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, definiram o fim da globaliza\u00e7\u00e3o, tal como era conhecida.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio complexo e inseguro, o Brasil, depois de muito tempo, tem a oportunidade de se transformar internamente e se reposicionar externamente. Para isso, precisa formar-se outra maioria pol\u00edtica munida de uma estrat\u00e9gia nacional e de um planejamento governamental. Neste quadro, pode ser constru\u00edda uma nova hist\u00f3ria para um povo criativo, embora empobrecido e sofrido.<\/p>\n<p>\u201cQuem sabe faz a hora, n\u00e3o espera acontecer\u201d, conforme a m\u00fasica de Gerado Vandr\u00e9 (<strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=KdvsXn8oVPY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei das flores<\/a><\/strong>).<\/p>\n<h6 class=\"fusion-responsive-typography-calculated\" data-fontsize=\"16\" data-lineheight=\"20.8px\">***<br \/>\nOs artigos representam a opini\u00e3o dos autores e n\u00e3o necessariamente do Conselho Editorial do Terapia Pol\u00edtica.<\/h6>\n<p><em>Por <a class=\"\" title=\"Marcio Pochmann\" href=\"https:\/\/terapiapolitica.com.br\/author\/marciopochmann\/\" rel=\"author\"><span class=\"fusion-author-widget-name\">Marcio Pochmann<\/span><\/a>, Economista, professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais da UNICAMP, ex-presidente do IPEA, autor de v\u00e1rios livros e artigos publicados sobre economia social, trabalho e emprego.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo originalmente publicado no portal Terapia Pol\u00edtica Ap\u00f3s ter emitido v\u00e1rios alarmes acerca de sua disfuncionalidade, a globaliza\u00e7\u00e3o parece ter ficado para tr\u00e1s, concomitante com o receitu\u00e1rio neoliberal adotado por parte da direita e da esquerda. Para descortinar o novo<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=17379\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17380,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-17379","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17379"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17379\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}