{"id":17267,"date":"2022-03-16T11:11:26","date_gmt":"2022-03-16T14:11:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=17267"},"modified":"2022-03-16T11:11:26","modified_gmt":"2022-03-16T14:11:26","slug":"quando-problemas-urgentes-nao-podem-esperar-uma-solucao-futura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=17267","title":{"rendered":"Quando problemas urgentes n\u00e3o podem esperar uma solu\u00e7\u00e3o futura"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cNo longo prazo todos estaremos mortos\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>John Maynard Keynes<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p>A frase de John Keynes, citada pelo presidente do Cofecon, Antonio Corr\u00eaa de Lacerda, em entrevista ao programa Jornal Gente, da R\u00e1dio Bandeirantes, no \u00faltimo s\u00e1bado (12), chama a aten\u00e7\u00e3o para a inadi\u00e1vel necessidade de solu\u00e7\u00e3o dos problemas atuais para garantir, principalmente aos mais vulner\u00e1veis, uma chance de futuro. A fome, o desemprego, a infla\u00e7\u00e3o, a (falta) de sa\u00fade, nesse contexto, n\u00e3o podem esperar uma solu\u00e7\u00e3o a longo prazo.<\/p>\n<p>Assim, ao longo da entrevista, Lacerda levantou pontos importantes incluindo pre\u00e7o dos combust\u00edveis, privatiza\u00e7\u00f5es e efeitos da guerra na economia brasileira. Ele defende que setores estrat\u00e9gicos, que afetam a vida do cidad\u00e3o e da na\u00e7\u00e3o, devem permanecer sob controle estatal. \u201cNestes setores h\u00e1 monop\u00f3lios ou oligop\u00f3lios naturais, e isso n\u00e3o pode ser deixado ao sabor do mercado\u201d, argumentou o economista. \u201cEstamos falando de seguran\u00e7a alimentar, energ\u00e9tica e h\u00eddrica. Al\u00e9m disso, o cidad\u00e3o ser\u00e1 \u201cjogado aos le\u00f5es\u201d. Mesmo nos casos em que houver privatiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso um poder regulat\u00f3rio muito forte do Estado para proteger o mercado e o cidad\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ao discutir as privatiza\u00e7\u00f5es, comentou o caso da telefonia \u2013 normalmente citado como um caso de sucesso, mas que, na vis\u00e3o do presidente do Cofecon, foi exatamente o contr\u00e1rio. \u201cAntes era muito caro ter um telefone e hoje todos t\u00eam. Isso n\u00e3o decorreu s\u00f3 da privatiza\u00e7\u00e3o. Decorreu de uma mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica que foi mundial, e houve um barateamento com a telefonia m\u00f3vel\u201d, comentou. \u201cMas a regula\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 prec\u00e1ria e o consumidor fica sem alternativa. \u00c9 um oligop\u00f3lio. As empresas exploram seus assinantes. O usu\u00e1rio reclama, reclama, e quando se cansa e vai para outra operadora, corre o risco de ter os mesmos problemas: p\u00e9ssimos servi\u00e7os e tarifas absurdas\u201d.<\/p>\n<p>Falando especificamente da Petrobras, Lacerda pontua que a Uni\u00e3o ainda \u00e9 a principal acionista e tem muito controle sobre a empresa. \u201cMas a l\u00f3gica presente na gest\u00e3o atual \u00e9 privatista e adota a paridade de pre\u00e7os com o mercado internacional. Ent\u00e3o temos dois impactos: um \u00e9 o pre\u00e7o internacional do petr\u00f3leo e o outro \u00e9 a cota\u00e7\u00e3o cambial\u201d, explicou. \u201cHoje o Brasil \u00e9 quase autossuficiente, s\u00f3 n\u00e3o consegue ser totalmente porque n\u00e3o tem capacidade de processamento. Um ouvinte lembrou muito bem: se a Petrobras tem tanto lucro, por que n\u00e3o investe mais em refinarias?\u201d.<\/p>\n<p>Embora tamb\u00e9m tenha argumentado que \u201cn\u00e3o d\u00e1 para congelar os pre\u00e7os ou ignorar o mercado internacional\u201d, Lacerda critica o repasse imediato da cota\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo para os pre\u00e7os dos combust\u00edveis. \u201cGera um efeito ben\u00e9fico exclusivamente para a empresa. No ano passado a Petrobras distribuiu mais de 100 bilh\u00f5es de reais em lucros. Isso n\u00e3o \u00e9 ilegal, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 l\u00f3gico, porque significa que a empresa est\u00e1 tendo um lucro exorbitante em cima da popula\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, questionou. \u201cTemos de ter mecanismos que amenizem a volatilidade e criar ferramentas para que o consumidor n\u00e3o seja t\u00e3o onerado. Este reajuste onera o trabalhador mais pobre\u201d, completou, fazendo refer\u00eancia ao cidad\u00e3o que, mesmo sem ter carro, \u00e9 afetado em todo o seu consumo pela alta nos pre\u00e7os do g\u00e1s e do transporte, afetando muito do que consome.<\/p>\n<p>O investimento em novas refinarias, para aumentar a capacidade brasileira, passa por uma quest\u00e3o importante: a matriz energ\u00e9tica do mundo encontra-se em mudan\u00e7a. Qualquer decis\u00e3o a respeito deve equilibrar presente e futuro. \u201cO petr\u00f3leo \u00e9 um bem em extin\u00e7\u00e3o, tender\u00e1 a ser substitu\u00eddo nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, mas hoje ainda dependemos dele. Precisamos de um planejamento, atraindo recursos do setor privado para suprir as necessidades de investimento dentro de um plano energ\u00e9tico, para um m\u00ednimo de 10 anos, para a sustentabilidade da matriz energ\u00e9tica brasileira\u201d, prop\u00f4s o presidente do Cofecon. \u201cHoje j\u00e1 temos uma razo\u00e1vel autossufici\u00eancia. Precisamos de uma matriz mais justa de precifica\u00e7\u00e3o e do repasse dos pre\u00e7os ao consumidor final\u201d.<\/p>\n<p>Para isso, o economista considera relevante o planejamento \u2013 e o fundo soberano fazia parte desta vis\u00e3o. \u201cO melhor exemplo que conhe\u00e7o \u00e9 o da Noruega. O fundo \u00e9 abastecido por uma parte das receitas do petr\u00f3leo e serve para a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, ligadas a ci\u00eancia e tecnologia, economia verde, tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio\u201d, apontou o presidente. \u201cO Brasil tem outra riqueza importante que s\u00e3o as reservas cambiais. S\u00e3o cerca de 370 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para que, nos momentos de crise, seja poss\u00edvel intervir no mercado para evitar a desvaloriza\u00e7\u00e3o. Mas isso fere a l\u00f3gica privatista que prevalece no governo atual\u201d.<\/p>\n<p>Finalmente, o presidente do Cofecon falou sobre a alta dos pre\u00e7os dos alimentos causada pela guerra. Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization, \u00f3rg\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas), a eleva\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de 20%. \u201cNos \u00faltimos 30 anos tivemos a globaliza\u00e7\u00e3o da economia, elevando o poder das chamadas cadeias globais de valor. O mundo \u00e9 muito interdependente quanto a fornecimento de mat\u00e9rias-primas e alimentos\u201d, comentou Lacerda. \u201cPrecisamos de \u00f3rg\u00e3os reguladores internacionais para ter pol\u00edticas de atendimento \u00e0s regi\u00f5es e pa\u00edses mais afetados pela guerra, e at\u00e9 mesmo para a pr\u00f3pria preserva\u00e7\u00e3o da ordem econ\u00f4mica internacional. Se quisermos ter um clima de paz, temos que cuidar da seguran\u00e7a aliment\u00edcia, energ\u00e9tica, h\u00eddrica e, sobretudo, da seguran\u00e7a das pessoas\u201d.<\/p>\n<p>Para a entrevista na \u00edntegra acesse clicando <a href=\"https:\/\/youtu.be\/4BbTkhxGImY?t=2275\">aqui<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNo longo prazo todos estaremos mortos\u201d John Maynard Keynes A frase de John Keynes, citada pelo presidente do Cofecon, Antonio Corr\u00eaa de Lacerda, em entrevista ao programa Jornal Gente, da R\u00e1dio Bandeirantes, no \u00faltimo s\u00e1bado (12), chama a aten\u00e7\u00e3o para<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=17267\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17268,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2],"tags":[],"class_list":["post-17267","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17267\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}