{"id":16837,"date":"2022-01-31T16:14:55","date_gmt":"2022-01-31T19:14:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=16837"},"modified":"2022-01-31T16:14:55","modified_gmt":"2022-01-31T19:14:55","slug":"artigo-a-retomada-dos-investimentos-e-fundamental-para-fomentar-o-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=16837","title":{"rendered":"Artigo: A retomada dos investimentos \u00e9 fundamental para fomentar o desenvolvimento"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u00c9 preciso repensar as regras fiscais intertemporais, tendo em vista a preserva\u00e7\u00e3o dos investimentos p\u00fablicos como instrumento de pol\u00edtica econ\u00f4mica<\/em><\/p>\n<p><strong>Antonio Corr\u00eaa de Lacerda *<\/strong><\/p>\n<p>A Emenda Constitucional (EC) 95, aprovada no Congresso Nacional no fim de 2016, fixou uma regra impondo limite de gastos p\u00fablicos para os pr\u00f3ximos 20 anos. A medida, embora atenda ao &#8220;senso comum&#8221;, parte de uma premissa equivocada de que o Or\u00e7amento p\u00fablico, como analogia, deveria se equiparar ao or\u00e7amento dom\u00e9stico: &#8220;S\u00f3 pode gastar o que arrecada&#8221;. No entanto, essa assertiva n\u00e3o vale para a macroeconomia, j\u00e1 que o Estado tem fun\u00e7\u00f5es, assim como prerrogativas, que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, no Brasil, diante da dificuldade em restringir os gastos correntes, como despesas decorrentes de emendas parlamentares, o Executivo acaba instado a reduzir os investimentos. N\u00e3o por acaso o n\u00edvel de investimento p\u00fablico, que j\u00e1 era baixo historicamente, caiu da m\u00e9dia de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) no per\u00edodo 2013-2016 para pouco mais de a metade, 2,2%, em 2017-2021.<\/p>\n<p>A queda da participa\u00e7\u00e3o do investimento p\u00fablico coincide com uma das nossas maiores crises, cuja supera\u00e7\u00e3o recomendaria justamente o inverso, ou seja, uma atua\u00e7\u00e3o antic\u00edclica do Estado para gerar o &#8220;efeito multiplicador&#8221; do investimento p\u00fablico e provocar o &#8220;efeito demonstra\u00e7\u00e3o&#8221; para o setor privado. A\u00ed j\u00e1 temos a grande contradi\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o: a limita\u00e7\u00e3o do gasto p\u00fablico engessa o papel do Estado quando ele pode ser mais do que necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>O total de investimento da economia, a Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo, que inclui todos os aportes p\u00fablicos e privados, nacionais e estrangeiros em infraestrutura, constru\u00e7\u00e3o civil e m\u00e1quinas e equipamentos, na m\u00e9dia dos \u00faltimos anos equivale a apenas pouco mais de 16% do PIB, menos da metade da m\u00e9dia de 33% dos pa\u00edses em desenvolvimento. A retomada dos investimentos \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o fundamental para fomentar o desenvolvimento.<\/p>\n<p>O rompimento do teto de gastos que ora observamos \u00e9 totalmente oportunista e eleitoreiro e pouco tem a ver com a cr\u00edtica acima. O governo federal e seus aliados no Congresso Nacional est\u00e3o &#8220;passando a boiada&#8221;, com a aprova\u00e7\u00e3o da chamada &#8220;PEC dos Precat\u00f3rios&#8221; e as emendas parlamentares.<\/p>\n<p>No entanto, independentemente do descalabro em curso, insustent\u00e1vel, \u00e9 preciso repensar regras fiscais intertemporais, tendo em vista a preserva\u00e7\u00e3o dos investimentos p\u00fablicos como instrumento de pol\u00edtica econ\u00f4mica. Obviamente respeitando-se a responsabilidade e os princ\u00edpios republicanos.<\/p>\n<p><strong>(*) Presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e Professor-Doutor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia Pol\u00edtica da PUC\/SP. \u00c9 autor de &#8220;O Mito da Austeridade&#8221; (Contracorrente). Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo no dia 28\/01\/2022.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":16640,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-16837","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16837"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=16837"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16837\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/16640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=16837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=16837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=16837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}