{"id":16634,"date":"2022-01-13T17:03:46","date_gmt":"2022-01-13T20:03:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=16634"},"modified":"2022-01-13T17:03:46","modified_gmt":"2022-01-13T20:03:46","slug":"artigo-educacao-a-distancia-ou-distancia-da-educacao-no-pos-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=16634","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia ou Dist\u00e2ncia da Educa\u00e7\u00e3o no P\u00f3s-Pandemia?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Prof. Dr. M\u00e1rio S\u00e9rgio de Moraes<\/strong><\/p>\n<p>Este texto \u00e9 escrito durante a pandemia de Covid-19. Neste cen\u00e1rio de incertezas \u00e9 problem\u00e1tico analisar qualquer tema de forma definitiva, ainda mais quanto ao futuro da Educa\u00e7\u00e3o e ao EAD (Ensino a Dist\u00e2ncia). Igualmente, outros assuntos como neg\u00f3cios, turismo, consumo das fam\u00edlias, seguran\u00e7a p\u00fablica, bolsa de valores e desemprego tamb\u00e9m geram mais especula\u00e7\u00f5es do que afirma\u00e7\u00f5es categ\u00f3ricas sobre quanto seremos afetados.<\/p>\n<p>Ensino a dist\u00e2ncia e\/ou presencial? Quais os acr\u00e9scimos ou d\u00e9ficits na educa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pandemia? Ainda pouco sabemos &#8211; de forma definitiva &#8211; da contribui\u00e7\u00e3o das \u201csalas virtuais\u201d para o aprofundamento do conhecimento para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. Assim, n\u00e3o farei conclus\u00f5es categ\u00f3ricas sobre tema proposto. Diante da instabilidade do cen\u00e1rio existente e da ambival\u00eancia do tema, estaremos \u00e0 vontade para criticar amanh\u00e3 o que defendermos hoje.<\/p>\n<p><strong>O pesadelo<\/strong><\/p>\n<p>O impacto da pandemia estra\u00e7alha a economia: proje\u00e7\u00f5es de queda de 8 a 10% no PIB para o ano de 2020; desemprego de mais de 8 milh\u00f5es de pessoas somados aos outros 12 milh\u00f5es j\u00e1 existentes; aumento de 7% no n\u00famero dos chamados desalentados (pessoas que desistiram de procurar emprego), chegando a 5 milh\u00f5es. Pelas contas do Banco Mundial passaremos de 41,8 milh\u00f5es de brasileiros pobres em 2019 para 48,8 milh\u00f5es no ano de 2020. Pela primeira vez, ficam desocupados um pouco mais da metade dos trabalhadores brasileiros.<\/p>\n<p>No campo escolar houve a paralisa\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas. Em mar\u00e7o decretou-se, pelos governos municipais e estaduais, a suspens\u00e3o das aulas em todos os estados. Em termos federais, no dia 01 de abril de 2020 foi estabelecida a Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 934\/2020, que dispensou as institui\u00e7\u00f5es de ensino de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica de cumprirem os 200 dias letivos determinados pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases). Posteriormente, todas as universidades suspenderam seus ensinos presenciais e algumas recorreram aos recursos dispon\u00edveis no EAD.<\/p>\n<p>O drama \u00e9 maior porque o fechamento de escolas afetou de forma desigual as crian\u00e7as. A maioria n\u00e3o possui as oportunidades e as ferramentas de acesso ao ensino remoto em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0s aulas presenciais para continuar aprendendo durante esta pandemia.<\/p>\n<p><strong>Retrato do Brasil <\/strong><\/p>\n<p>O maior problema brasileiro \u00e9 a horr\u00edvel desigualdade de renda. Em 2017, segundo IBGE, 10% dos brasileiros detinham 43,3% da renda total do pa\u00eds. Na outra ponta, os 10% mais pobres detinham apenas 0,7%. E segundo pesquisa do estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, em 2015 os 10% mais ricos da popula\u00e7\u00e3o tiveram aumento de 3,3% da renda acumulada e os 40% mais pobres queda de mais de 20%.<\/p>\n<p>Quando surgiu a pandemia de Covid-19, o problema da desigualdade potencializou-se no Brasil. Pesquisa do Datafolha, apresentada em janeiro de 2021, apontou que aproximadamente 4 milh\u00f5es de estudantes brasileiros entre 6 e 34 anos deixaram as aulas em 2020, o que significa 8,4% de evas\u00e3o escolar. Na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, a taxa \u00e9 ainda maior: 10,8% dos alunos largaram a escola em 2020, sendo 4,6% no ensino fundamental. Em termos de compara\u00e7\u00e3o, em 2019 as taxas oficiais de evas\u00e3o foram de 4,8% no ensino m\u00e9dio e de 1,2% no fundamental.<\/p>\n<p>Pior: o percentual de\u00a0alunos sem motiva\u00e7\u00e3o para estudar passou de 46%, em maio, para 54% em setembro. A\u00a0dificuldade em se organizar para estudar em casa tamb\u00e9m aumentou de 58% para 68%, no mesmo per\u00edodo, de acordo com a Funda\u00e7\u00e3o Lemann e com o Ita\u00fa Social.<\/p>\n<p>Diante desta trag\u00e9dia, qual foi a solu\u00e7\u00e3o adotada por 90% das escolas? A implanta\u00e7\u00e3o das tecnologias digitais, salas virtuais, o mundo on-line. Qual ser\u00e1 a consequ\u00eancia disto? A resposta ouvida por quase todos: \u201cIsto veio para ficar, crescer\u00e1 o EAD\u201d.<\/p>\n<p>O objetivo destes coment\u00e1rios \u00e9 questionar de que forma isto ser\u00e1 implantado. O problema n\u00e3o \u00e9 quanto \u00e0 efetiva\u00e7\u00e3o &#8211; imprescind\u00edvel &#8211; mas \u00e0 maneira como ser\u00e1 discutida e absorvida esta tecnologia no campo da Educa\u00e7\u00e3o. Considerando a realidade de um pa\u00eds que reproduz a desigualdade como engenharia de poder, como ser\u00e1 politicamente sistematizado o mundo on-line no sistema escolar?<\/p>\n<p>Num futuro pr\u00f3ximo, o aprendizado ser\u00e1 o resultado, al\u00e9m do papel, da efetiva\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do computador, do celular e dos iPads. Professores precisar\u00e3o se reinventar, alguns sendo edutubers. Pais ter\u00e3o que se readequar no acompanhamento de suas crian\u00e7as no trato do mundo virtual, aumentando responsabilidades com o futuro. Nas pol\u00edticas p\u00fablicas, novas mat\u00e9rias aparecer\u00e3o incentivando a interdisciplinaridade e a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados mais amplos. Aprender n\u00e3o vai ser sin\u00f4nimo somente de ir \u00e0 escola, sentar na cadeira e ouvir o professor que escreve na lousa com giz, ensino que remonta ao s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 preciso um acompanhamento virtual ao lado do presencial. Isto n\u00e3o prejudica o aprendizado, nem o computador pode ser demonizado por problemas de d\u00e9ficits de aten\u00e7\u00e3o! Ningu\u00e9m defende, como os ludistas do s\u00e9culo XVIII, que estas m\u00e1quinas ser\u00e3o respons\u00e1veis por futuros desajustes escolares. No entanto, existem problemas ser\u00edssimos a que poucos est\u00e3o atentos quanto a conceitua\u00e7\u00e3o, implementa\u00e7\u00e3o, novos formatos pedag\u00f3gicos e consequ\u00eancias sociais.<\/p>\n<p>O primeiro diz respeito \u00e0 filosofia que orientar\u00e1 a concretiza\u00e7\u00e3o on-line, isto \u00e9, de que maneira salas virtuais estar\u00e3o alinhadas \u00e0 transmiss\u00e3o de valores do conhecimento. Na implementa\u00e7\u00e3o, responderemos quais grupos sociais poder\u00e3o \u201ccomandar\u201d este processo. O terceiro aspecto \u00e9 a instrumenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria aos objetivos apontados. E a \u00faltima: salas virtuais poder\u00e3o potencializar ou n\u00e3o as desigualdades sociais.<\/p>\n<p>H\u00e1 aproximadamente 10 anos o EAD vem sendo implementado. As universidades p\u00fablicas e privadas estimulam este formato de aprendizagem. At\u00e9 aqui, este modelo virtual no mundo acad\u00eamico \u00e9 visto pelos professores e alunos, acertadamente ou erroneamente, como um ensino auxiliar, pouco influente quanto \u00e0 avali\u00e7\u00e3o do aprendiz. Funciona como complementa\u00e7\u00e3o ou como recheio secund\u00e1rio das aulas presenciais. Seu crescimento \u00e9 exponencial: de acordo com a Abed (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Ensino a Dist\u00e2ncia), esta forma de ensino passou de 7.773.828 de brasileiros em 2017 para 9.374.647 em 2018 &#8211; um crescimento de 17%.<\/p>\n<p>No entanto, muitas d\u00favidas surgem: ser\u00e1 que apenas os n\u00fameros revelar\u00e3o os dados qualitativos desta forma de transmiss\u00e3o do saber? Como analisaremos a profundidade da transmiss\u00e3o de valores &#8211; principalmente o de cidadania &#8211; no mundo virtual? Cooperar\u00e1 para uma qualifica\u00e7\u00e3o adequada ao mercado de trabalho? Funcionar\u00e1 como elemento complementar ao ensino presencial?<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia ou Dist\u00e2ncia da Educa\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Se entendermos por educa\u00e7\u00e3o a transmiss\u00e3o de valores, cultura, comportamentos, linguagens de gera\u00e7\u00f5es a outras gera\u00e7\u00f5es, dentro ou n\u00e3o de salas de aulas (pais, livros, cinemas, esportes, tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis) e, de outro lado, o termo \u201ca dist\u00e2ncia\u201d indicando separa\u00e7\u00e3o f\u00edsica no espa\u00e7o e no tempo mediada por tecnologias de informa\u00e7\u00e3o, perguntamos: ser\u00e1 que estes dois conceitos educa\u00e7\u00e3o\/dist\u00e2ncia n\u00e3o se contrap\u00f5em no campo escolar? Ou mesmo o conceito de ensino, como m\u00e9todo de transmiss\u00e3o do saber, \u00e9 poss\u00edvel pelo modo virtual? Ser\u00e1 que n\u00e3o possuem &#8211; a educa\u00e7\u00e3o e a virtualidade &#8211; linguagens diferentes?\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Como se efetiva a linguagem da Educa\u00e7\u00e3o? O fluxo mais profundo do conhecimento absorve-se na rela\u00e7\u00e3o direta entre o professor e o aluno de diversos modos. Pelo primeiro, na entona\u00e7\u00e3o da voz, na antecipa\u00e7\u00e3o de uma pausa, nos gestos das m\u00e3os, na improvisa\u00e7\u00e3o. E, evidentemente, na empatia entre os participantes, semeando a intelig\u00eancia racional e a emocional. Pelos alunos, na recep\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, criando-se diversas \u201cfalas\u201d que se somam numa partitura \u00fanica, baseada nas rela\u00e7\u00f5es pessoais, em tempo real, o que permite construir confian\u00e7a m\u00fatua por meio da leitura de sinais das express\u00f5es vocal e corporal de todos por todos, pois est\u00e3o juntos vivendo uma mesma experi\u00eancia na recep\u00e7\u00e3o de diversos olhares, nos risos em comum, nas distintas sobrancelhas arqueadas que indicam ao mestre para onde dirigir sua narrativa.<\/p>\n<p>Na virtualidade o \u201cmundo\u201d \u00e9 diferente. Por mais que a imagem queira nos representar na intera\u00e7\u00e3o com as pessoas, a verdade \u00e9 que estamos olhando para uma tela, antes do pr\u00f3prio interlocutor. \u00c9 sempre uma rela\u00e7\u00e3o dissociativa, pois os espa\u00e7os e as experi\u00eancias compartilhadas s\u00e3o radicalmente diferentes. Uma pessoa pode estar na cozinha, outra no quarto, fulano dirigindo, sicrano no escrit\u00f3rio. Enfim: cada pessoa num contexto social e emocional totalmente distinto.<\/p>\n<p>No on-line a linguagem \u00e9 muito diferente. As pessoas est\u00e3o presas em quadradinhos numa tela e blindados numa pequena moldura. Por este formato n\u00e3o se d\u00e1 conta das intera\u00e7\u00f5es de m\u00e3os, dos gestos, dos sorrisos, das espontaneidades que acontecem em sala de aula.\u00a0Numa reuni\u00e3o virtual cada qual imprime uma conex\u00e3o diferente e as rea\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegam no mesmo \u201ctiming\u201d, chegam embaralhadas e n\u00e3o causam uma \u201csinfonia coletiva\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, a linguagem virtual tem as suas especificidades. Suas caracter\u00edsticas s\u00e3o a instantaneidade, a rapidez e a superficialidade pela velocidade da sua informa\u00e7\u00e3o. Suas positividades v\u00eam pelo maior alcance de espectadores, pelas possibilidades de diversas imagens fornecidas pelo Youtube, pela capta\u00e7\u00e3o de dados possibilitando maior n\u00famero de informa\u00e7\u00f5es num banco de dados. Concluindo: traz informa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o necessariamente maior conhecimento.<\/p>\n<p>Enfim, num processo de comunica\u00e7\u00e3o pelo mundo virtual o emissor e o receptor n\u00e3o leem com precis\u00e3o as mensagens emitidas. Em primeiro lugar, o emissor n\u00e3o sabe como o receptor reage \u00e0 sua mensagem e, por sua vez, o receptor tamb\u00e9m v\u00ea um min\u00fasculo e perturbador buraco negro na tela do computador, procurando uma sensa\u00e7\u00e3o de \u201colho no olho\u201d que inteiramente n\u00e3o se efetiva. Um descontrole que n\u00e3o se completa.<\/p>\n<p>O resultado disto, depois de algum tempo (bem diferente da aula presencial) \u00e9 o cansa\u00e7o, o estresse, a raiva. Surgiu at\u00e9 uma express\u00e3o em ingl\u00eas para definir esse momento: o \u201czoom fatigue\u201d em refer\u00eancia \u00e0 plataforma mais popular usada durante estes tempos de epidemia.<\/p>\n<p>Hoje, com o problema da pandemia, o que passou a se chamar de \u201chomeschooling\u201d nada mais \u00e9 do que um dado emergencial, um arremedo al\u00e7ado \u00e0 categoria de educa\u00e7\u00e3o ou ensino. Basilar e aprendizagem, principalmente a infantil, onde as dificuldades s\u00e3o muito maiores, com a produtividade do home office, nos d\u00e1 a ilus\u00e3o canhestra desta proposta. \u00c9 o neoliberalismo fazendo escola.<\/p>\n<p>Ironicamente, uma compara\u00e7\u00e3o da aula presencial com o EAD: existe educa\u00e7\u00e3o ou ensino \u201cdos pais\u201d a dist\u00e2ncia? Aprendizado \u201cde sociabiliza\u00e7\u00e3o de pessoas\u201d a dist\u00e2ncia? Sabor de manga a dist\u00e2ncia? Beijos a dist\u00e2ncia? Teatro a dist\u00e2ncia? Neste \u00faltimo caso sim, mas n\u00e3o \u00e9 teatro. Havia na TV Tupi nos anos 50 o programa Teatro de Vanguarda, mas j\u00e1 era outra linguagem!<\/p>\n<p>O conhecimento &#8211; relacionamento de diversas ci\u00eancias e artes &#8211; \u00e9 pr\u00f3prio da din\u00e2mica de aula. Como compara\u00e7\u00e3o: \u00e9 poss\u00edvel assistir uma boa aula reproduzida pelo v\u00eddeo por mais de 1 hora havendo a mesma disposi\u00e7\u00e3o de absor\u00e7\u00e3o de dados? O resultado fica muito chato.<\/p>\n<p>Concluindo: as duas se complementam, mas n\u00e3o se pode confundi-las. O modo presencial \u00e9 como um veleiro onde o piloto \u00e9 o professor percebendo o rumo do vento e indicando aos navegantes, com suas \u201cfalas\u201d, a dire\u00e7\u00e3o. Ele os instrui ao \u201cvivo e em cores\u201d. As salas virtuais s\u00e3o os instrumentos de navega\u00e7\u00e3o (b\u00fassola, GPS) que simulam para a embarca\u00e7\u00e3o o seu destino.<\/p>\n<p>O isolamento e a comunica\u00e7\u00e3o visual t\u00eam um efeito comparativo com outros comportamentos sociais. Quem tem condi\u00e7\u00f5es de ficar em casa se tornou dependente dos aplicativos de entrega e do modo delivery. Por exemplo: o gar\u00e7om do boteco que cham\u00e1vamos por apelido foi substitu\u00eddo pelo motoqueiro sem nome. Este veio atrav\u00e9s de plataformas como Rappi e IFood que n\u00e3o foram conectados pelo Z\u00e9 da Quitanda ou pela Maria do Boteco que ficam a 300 metros da sua casa. Ao contr\u00e1rio, o entregador veio de um com\u00e9rcio mais forte e que est\u00e1 a 10 km do local de moradia. Empresas como Nestl\u00e9, JBS e BRF criaram lojinhas virtuais que eliminam os intermedi\u00e1rios mais pr\u00f3ximos da viv\u00eancia cotidiana das pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel estancar este processo de despersonaliza\u00e7\u00e3o do relacionamento social? N\u00e3o sabemos, mas \u00e9 poss\u00edvel analis\u00e1-lo para a compreens\u00e3o de um futuro ainda pouco vis\u00edvel e tentar modific\u00e1-lo dentro dos limites impostos pelo cen\u00e1rio hist\u00f3rico. N\u00e3o podemos fazer tudo o que desejamos, mas fa\u00e7amos o poss\u00edvel para n\u00e3o aceitarmos a impessoalidade que tentam nos impor.<\/p>\n<p>Assim sendo, a educa\u00e7\u00e3o (valores de conhecimento) e ensino (m\u00e9todo do conhecimento) s\u00f3 podem ser efetivados de forma abrangente de forma primordialmente presencial e com menor \u00eanfase no mundo virtual, pois possuem duas linguagens diferentes.<\/p>\n<p>Para o ensino virtual, eis a pergunta central: quem ou quais grupos sociais ir\u00e3o dirigir esta nova forma de apreens\u00e3o da realidade? Como o poder p\u00fablico e as escolas particulares comandar\u00e3o estas implementa\u00e7\u00f5es? Reproduzir\u00e3o numa sociedade desigual os valores de domina\u00e7\u00e3o? \u00c9 poss\u00edvel ou n\u00e3o criar \u201csalas virtuais\u201d de resist\u00eancias com padr\u00f5es baseados numa pluralidade de percep\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Temo que o problema educacional se agrave, pois a predomin\u00e2ncia dos interesses capitalistas &#8211; tanto nas escolas p\u00fablicas como nas particulares &#8211; ganha uma hegemonia maior do que os valores do conhecimento e pesquisa.\u00a0Um exemplo desta filosofia ou empulha\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica foi o pequeno artigo publicado na Folha de S. Paulo, caderno Est\u00fadio Folha, no dia 28 de outubro de 2021 que tinha o seguinte t\u00edtulo: \u201cPresencial ou a Dist\u00e2ncia\u201d?<\/p>\n<p><em>Estar numa sala de aula tradicional ou virtual n\u00e3o interfere na qualidade do curso, desde que alunos e professores estejam adaptados e \u00e0 vontade com cada uma das modalidades&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p>Ser\u00e1 isto verdadeiro? Ou este deslize n\u00e3o \u00e9 apenas um erro e sim um projeto dos \u201cnovos tempos\u201d? Creio que este ponto de vista ser\u00e1 mais defendido pelas empresas de educa\u00e7\u00e3o do que aceito pelos professores que realmente conhecem a enorme diferen\u00e7a entre os dois modos de ensino.<\/p>\n<p>Aula a dist\u00e2ncia, virtual, modo on-line ou ensino sem presen\u00e7a f\u00edsica n\u00e3o se comparam \u00e0 presencial por raz\u00f5es j\u00e1 explicadas. No entanto, temo que mais uma vez os padr\u00f5es de lucratividade estejam prontos para amesquinhar o sentido da Educa\u00e7\u00e3o.\u00a0Se muito dizem que o modo virtual veio \u201cpara ficar\u201d, \u00e9 ainda oportuno afirmar: qual modo? A valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento ou o adestramento de m\u00e3o de obra proporcionado pelo ensino mercantilista?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":16636,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-16634","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16634"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=16634"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16634\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/16636"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=16634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=16634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=16634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}