{"id":1619,"date":"2016-11-28T13:37:26","date_gmt":"2016-11-28T15:37:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=1619"},"modified":"2016-11-28T13:37:26","modified_gmt":"2016-11-28T15:37:26","slug":"debates-abordaram-principais-entraves-das-economias-latinas-e-caribenhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=1619","title":{"rendered":"Debates abordaram principais entraves das economias latinas e caribenhas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro dia do semin\u00e1rio internacional \u201cModelo de Desenvolvimento para a Am\u00e9rica Latina e Caribe\u201d, tr\u00eas palestras promoveram discuss\u00f5es sobre o Desenvolvimento; Integra\u00e7\u00e3o Regional na Am\u00e9rica Latina e Caribe; e Modelo de Desenvolvimento, tema central do evento. As apresenta\u00e7\u00f5es ocorreram das 10h \u00e0s 17h30, nesta segunda-feira, 28 de novembro, no audit\u00f3rio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palestra de abertura sobre \u201cDesenvolvimento\u201d foi ministrada pelo economista chileno e professor em Cambridge Dr. Gabriel Palma, que abordou as caracter\u00edsticas da economia dos pa\u00edses latinos e caribenhos e seus principais entraves. Segundo o economista, h\u00e1 uma caracter\u00edstica comum aos pa\u00edses da regi\u00e3o: nenhum deles conseguiu manter um crescimento que fosse sustent\u00e1vel com o tempo. O que diferencia o Chile das demais economias \u00e9 a rapidez na recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s um per\u00edodo de crise, segundo Gabriel Palma. Ele acredita que a produtividade \u00e9 motor de desenvolvimento.\u00a0 \u201cNo in\u00edcio dos anos 80, a m\u00e9dia de produtividade do Chile e da Cor\u00e9ia era a mesma. Em 2012, todos os setores produtivos chilenos estavam muito atr\u00e1s dos coreanos. Se olharmos setor por setor, vemos que deixamos para tr\u00e1s os investimentos em manufatura, o que \u00e9 comum em toda a Am\u00e9rica Latina, e a manufatura \u00e9 o grande diferencial entre o crescimento latino-americano e asi\u00e1tico\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/images\/DSC06427_.jpg\" alt=\"DSC06427 \" width=\"250\" height=\"165\" \/>Gabriel Palma destacou que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds em que houve a maior queda de produtividade por produto de trabalhadores manufatureiros, comparando com Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), da qual fazem parte Fran\u00e7a, Portugal, Reino Unido, Noruega, entre outros. \u201c\u00c9 surpreendente o quanto deixamos para tr\u00e1s a manufatura, o que considero um vandalismo econ\u00f4mico, uma pol\u00edtica basicamente destrutiva\u201d, disse. O economista chileno informou que a produ\u00e7\u00e3o manufatureira do Brasil \u00e9 praticamente a mesma dos anos 80, com zero de crescimento. \u201cQuem poderia imaginar que o Brasil, a economia mais din\u00e2mica da Am\u00e9rica Latina e que era modelo de crescimento no terceiro mundo, seria dessa forma com a manufatura? \u201d, indagou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vis\u00e3o de Gabriel Palma, o que distingue as economias latino-americanas do restante do mundo \u00e9 a capacidade de gerar emprego. \u201cDe 1980 a 2014 fomos capazes de gerar empregos na mesma velocidade do PIB, enquanto nos demais pa\u00edses do mundo o \u00edndice n\u00e3o chega a metade do PIB\u201d, explicou. Segundo o economista, tal feito tem um lado positivo, que \u00e9 a pr\u00f3pria gera\u00e7\u00e3o de empregos, mas, por outro lado, s\u00e3o trabalhos prec\u00e1rios que pagam sal\u00e1rios m\u00ednimos e que t\u00eam baixo potencial de crescimento da produtividade, al\u00e9m disso, h\u00e1 pouco investimento nos trabalhadores e em inova\u00e7\u00e3o. \u201cQuem pode pensar em economia crescendo de forma significativa quando o \u00edndice de investimento por trabalhador est\u00e1 estancado h\u00e1 35 anos, como \u00e9 o caso do Brasil? \u201d, questionou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Modelo de Desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moderada pelo presidente do Cofecon, J\u00falio Miragaya, a mesa de debate contou com a participa\u00e7\u00e3o do economista colombiano Ruben D. Utria e dos economistas brasileiros Jo\u00e3o Sics\u00fa e Ricardo Bielchowsky, ambos do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ruben Utria afirmou que o PIB n\u00e3o deve ser um indicador isolado de desenvolvimento. \u201cSeguimos repetindo que o desenvolvimento equivale ao PIB, o que n\u00e3o permite saber se a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 conveniente para o pa\u00eds ou como se reparte no plano social, territorial e tampouco ambiental. Esse indicador n\u00e3o nos diz nada do que precisamos saber sobre onde est\u00e1 o desenvolvimento e como faz\u00ea-lo\u201d, disse. Utria comparou o indicador de PIB a um term\u00f4metro, que marca a intensidade de febre mas n\u00e3o explica porque ela se manifestou nem como cur\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Sics\u00fa argumentou que o desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 assunto exclusivo de economistas e que deveria ser debatido entre todas as \u00e1reas do conhecimento, de forma interdisciplinar. \u201c\u00c9 uma discuss\u00e3o que est\u00e1 muito al\u00e9m da economia e o fato de que s\u00f3 economistas tratem desse tema atrasa a constru\u00e7\u00e3o de um projeto de desenvolvimento\u201d, argumentou. O economista prop\u00f4s dois conjuntos de pol\u00edticas para constru\u00e7\u00e3o de um projeto de desenvolvimento: p\u00fablicas (envolvendo quest\u00f5es como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, cultura e moradia, entre outras) e macroecon\u00f4micas. Na vis\u00e3o do economista, a separa\u00e7\u00e3o se justifica porque todas as pol\u00edticas p\u00fablicas precisam de financiamento e quem abre o canal para que aconte\u00e7am s\u00e3o as macroecon\u00f4micas. No entanto, projeto de desenvolvimento jamais poderia ser reduzido a pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, na vis\u00e3o de Jo\u00e3o Sics\u00fa. Ao abordar pol\u00edticas monet\u00e1ria, cambial e fiscal como forma de sugerir medidas para o desenvolvimento, Sics\u00fa defendeu taxa de juros baixa, controle da infla\u00e7\u00e3o mais detalhada do que \u00e9 feita nos dias de hoje e o equil\u00edbrio fiscal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ricardo Bielschowsky apresentou dois modelos de desenvolvimento futuro no plano produtivo para a Am\u00e9rica Latina e Caribe: economias de mercado interno grande (Brasil, Argentina e M\u00e9xico): ampla reindustrializa\u00e7\u00e3o orientada ao mercado interno e, secundariamente, \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es; e economias relativamente menores: aproveitamento da riqueza de recursos naturais em bases distintas \u00e0s que est\u00e3o sendo empregadas atualmente. \u201cProjetos nacionais s\u00f3 se sustentam quando inscritos na l\u00f3gica pol\u00edtica e na l\u00f3gica dos processos socioecon\u00f4micos espec\u00edficos de cada pa\u00eds\u201d, defendeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bielschowsky listou os desafios que acredita estarem postos pelas tend\u00eancias em curso: contrapor-se \u00e0 liberdade e volatilidade dos fluxos de capitais; corrigir o problema da baixa diversifica\u00e7\u00e3o produtiva e exportadora; ampliar os investimentos em infraestrutura econ\u00f4mica e social; enfrentar a problem\u00e1tica ambiental e realizar adequada governan\u00e7a de recursos naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Integra\u00e7\u00e3o Regional<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O embaixador Samuel Pinheiro Guimar\u00e3es e o economista brasileiro Ricardo Ubiraci Sennes, coordenador do Grupo de An\u00e1lise da Conjuntura Internacional da Universidade de S\u00e3o Paulo (Gacint-USP) fecharam os debates do dia. O embaixador explicou todo o contexto hist\u00f3rico necess\u00e1rio para o entendimento do desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina e a quest\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o, passando pelas rela\u00e7\u00f5es entre antigas col\u00f4nias e metr\u00f3poles, Segunda Guerra Mundial, hegemonia norte-americana mundial e in\u00edcio dos blocos econ\u00f4micos. \u201cO que acontece na pr\u00e1tica \u00e9 que a estrat\u00e9gia da economia norte-americana para integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina \u00e9 diferente da estrat\u00e9gia de integra\u00e7\u00e3o real de mercados e de cria\u00e7\u00e3o de economias nacionais e regionais, como no caso do Mercosul. S\u00e3o duas estrat\u00e9gias distintas de desenvolvimento econ\u00f4mico e \u00e9 natural que seja assim porque n\u00e3o interessa aos pa\u00edses altamente industrializados que surjam outros, mas sim fornecedores de mat\u00e9rias-primas; ou que sejam industrializados com o capital de megaempresas multinacionais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Ricardo Sennes afirma que integra\u00e7\u00e3o regional \u00e9 um assunto que nos convida a tirar a aten\u00e7\u00e3o da conjuntura e recuperar a ideia de que mesmo em per\u00edodos de crise a sociedade precisa encontrar f\u00f4lego para discuss\u00e3o de temas mais estrat\u00e9gicos. A apresenta\u00e7\u00e3o esteve focada na din\u00e2mica entre os pa\u00edses e decis\u00f5es adotadas. \u201cNa minha opini\u00e3o, n\u00e3o acertamos em grande parte das decis\u00f5es nesse campo econ\u00f4mico, acho que a n\u00e3o op\u00e7\u00e3o pela integra\u00e7\u00e3o regional \u00e9 um dos fatores cr\u00edticos nesse processo\u201d, destacou. Para Ricardo Sennes, a l\u00f3gica da economia n\u00e3o \u00e9 parte determinante na integra\u00e7\u00e3o regional. \u201cOlhar apenas a dimens\u00e3o econ\u00f4mica do processo n\u00e3o o explica. O guarda-chuva fundamental \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, de modelo de desenvolvimento, e pressup\u00f5e uma certa converg\u00eancia geopol\u00edtica entre os pa\u00edses envolvidos e seu modelo de desenvolvimento. \u00c9 multidimensional, na qual a economia \u00e9 uma parte dela\u201d, defendeu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro dia do semin\u00e1rio internacional \u201cModelo de Desenvolvimento para a Am\u00e9rica Latina e Caribe\u201d, tr\u00eas palestras promoveram discuss\u00f5es sobre o Desenvolvimento; Integra\u00e7\u00e3o Regional na Am\u00e9rica Latina e Caribe; e Modelo de Desenvolvimento, tema central do evento. 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