{"id":16008,"date":"2021-10-20T12:34:38","date_gmt":"2021-10-20T15:34:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=16008"},"modified":"2021-10-20T12:34:38","modified_gmt":"2021-10-20T15:34:38","slug":"critica-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=16008","title":{"rendered":"Cr\u00edtica da m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>Anualmente, o Cofecon entrega o pr\u00eamio Destaque Econ\u00f4mico, que contempla tr\u00eas categorias: Academia, Desempenho T\u00e9cnico e M\u00eddia. Esta \u00faltima, conforme o texto da Resolu\u00e7\u00e3o 1.892, tem por finalidade &#8220;nobilitar as entidades de comunica\u00e7\u00e3o que tenham transmitido \u00e0 sociedade informa\u00e7\u00f5es de natureza econ\u00f4mica de elevada qualidade&#8221;.<\/p>\n<p>Em 2019 o ganhador na categoria foi o Portal GGN, cujo autor &#8211; o jornalista Lu\u00eds Nassif &#8211; lan\u00e7ou neste ano o livro &#8220;O Caso Veja&#8221; (Editora Kotter, 344 p\u00e1ginas), \u00e0 venda em diversos sites. &#8220;Neste livro, um pouco da hist\u00f3ria da imprensa e do apogeu e queda da imprensa brasileira. E uma an\u00e1lise de como a desorganiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, promovida pela m\u00eddia, desestruturou todos os poderes e levou o pa\u00eds ao maior retrocesso civilizat\u00f3rio da sua hist\u00f3ria&#8221;, afirma o site da editora.<\/p>\n<p>A revista CartaCapital publicou recentemente uma resenha do livro. &#8220;Nos Estados Unidos e na Europa, os meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o escapam do escrut\u00ednio dos pr\u00f3prios pares&#8221;, inicia o texto do jornalista S\u00e9rgio L\u00edrio. &#8220;N\u00e3o fosse a vigil\u00e2ncia, os conglomerados, mais do que conseguem nos dias atuais, teriam submetido a democracia aos seus caprichos&#8221;.<\/p>\n<p>Leia a seguir a resenha publicada:<\/p>\n<p><em><strong>Resenha: Em O Caso Veja, Luis Nassif relembra um per\u00edodo obscuro da imprensa e produz um manual de bom jornalismo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Por Sergio Lirio<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos e na Europa, os meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o escapam do escrut\u00ednio dos pr\u00f3prios pares. A cobertura atenta lastreia-se em uma constata\u00e7\u00e3o \u00f3bvia: a m\u00eddia \u00e9 parte da estrutura do poder, o quarto, dizem, n\u00e3o uma entidade can\u00f4nica livre de v\u00edcios, composta por santos e santas iluminados pela verdade incontest\u00e1vel. Erros, tramoias, negociatas e desvios \u00e9ticos merecem, portanto, a aten\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio jornalismo, como qualquer institui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fosse a vigil\u00e2ncia, os conglomerados, mais do que conseguem nos dias atuais, teriam submetido a democracia aos seus caprichos.<\/p>\n<p>No Brasil do oligop\u00f3lio-quase monop\u00f3lio midi\u00e1tico, a virtude foi, no entanto, transformada em v\u00edcio. No lugar da cr\u00edtica embasada, as quatro ou cinco fam\u00edlias que dominam o espectro midi\u00e1tico sustentam um pacto: entre elas, prospera a bajula\u00e7\u00e3o m\u00fatua e a remiss\u00e3o dos pecados. Aos desafetos reserva-se a cal\u00fania e os assassinatos de reputa\u00e7\u00e3o. A falta de profissionalismo do autoproclamado \u201cjornalismo profissional&#8221; atinge, neste momento, os p\u00edncaros da cafajestagem &#8211; e \u00e9 dado aos pistoleiros a servi\u00e7o dos donos a licen\u00e7a para matar, a qualquer custo. Lu\u00eds Nassif tem sido testemunha e v\u00edtima dessa m\u00e1quina de difama\u00e7\u00e3o. S\u00f3 por essa raz\u00e3o, estaria plenamente habilitado a produzir uma an\u00e1lise das escolhas que empurraram os meios de comunica\u00e7\u00e3o, de tantos desservi\u00e7os ao Pa\u00eds, ao per\u00edodo mais vergonhoso de sua hist\u00f3ria. A qualidade da obra est\u00e1, por\u00e9m, na capacidade de distanciamento do jornalista.<\/p>\n<p>O <em>Caso Veja<\/em> reflete o amadurecimento das reflex\u00f5es de Nassif, conforme os primeiros textos que produziu a partir da primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo e no limiar da m\u00eddia on-line, da qual tamb\u00e9m foi um pioneiro. N\u00e3o se trata de uma escolha aleat\u00f3ria: a revista <em>Veja<\/em> simboliza a cruzada midi\u00e1tica contra o Brasil, ou ao menos contra um Brasil mais democr\u00e1tico e justo. Seu comandante \u00e0 \u00e9poca, Victor Civita, herdeiro do Grupo Abril, pretendia personificar a vers\u00e3o cabocla de Rupert Murdoch, magnata da m\u00eddia fundador da <em>Fox News<\/em> que enriqueceu \u00e0 custa de esc\u00e2ndalos, manipula\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Passadas quase duas d\u00e9cadas da &#8220;aventura&#8221;, Civita est\u00e1 morto e a Abril desapareceu do mapa, mas o Pa\u00eds sonhado, em certa medida, prospera, mergulhado no lodo das <em>fake news<\/em>, da ignor\u00e2ncia altiva e da descren\u00e7a generalizada nos valores b\u00e1sicos do Estado de Direito. O Caso Veja \u00e9, ao mesmo tempo, um registro hist\u00f3rico e um primoroso manual de jornalismo. O livro peca, no entanto, por certas lacunas. O autor n\u00e3o \u00e9 um lobo solit\u00e1rio na den\u00fancia dos abusos da m\u00eddia, como deixa a entender em in\u00fameros trechos. <em>CartaCapital <\/em>ao longo de seus 27 anos, dedicou in\u00fameras reportagens \u00e0s tentativas dos &#8220;bar\u00f5es da imprensa&#8221; de influenciar jogo eleitoral ou impor seus interesses econ\u00f4micos imediatos, normalmente dissociados das necessidades do Pa\u00eds, quando n\u00e3o opostos. O editorial do jornal <em>O Globo<\/em> citado em uma das p\u00e1ginas do livro, \u201cVictor Civita n\u00e3o \u00e9 Rupert Murdoch&#8221;, n\u00e3o brotou da criatividade dos escribas a servi\u00e7o da fam\u00edlia Marinho. Foi uma resposta a uma capa desta revista que enfatizava a compara\u00e7\u00e3o, a partir do esc\u00e2ndalo da associa\u00e7\u00e3o criminosa da Abril com o doleiro Carlinhos Cachoeira.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anualmente, o Cofecon entrega o pr\u00eamio Destaque Econ\u00f4mico, que contempla tr\u00eas categorias: Academia, Desempenho T\u00e9cnico e M\u00eddia. 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