{"id":15819,"date":"2021-10-05T15:35:00","date_gmt":"2021-10-05T18:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=15819"},"modified":"2021-10-05T15:35:00","modified_gmt":"2021-10-05T18:35:00","slug":"lacerda-na-radio-bandeirantes-inflacao-e-crise-economica-em-pauta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=15819","title":{"rendered":"Lacerda na R\u00e1dio Bandeirantes: infla\u00e7\u00e3o e crise econ\u00f4mica em pauta\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>No \u00faltimo s\u00e1bado, o presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon),\u00a0Antonio\u00a0Corr\u00eaa de Lacerda, foi o entrevistado do programa Jornal Gente, da R\u00e1dio Bandeirantes, para falar sobre o atual processo inflacion\u00e1rio no Brasil. O programa foi comandado pelos jornalistas\u00a0Thays\u00a0Freitas e Agostinho Teixeira. A entrevista aconteceu ao vivo e voc\u00ea pode conferi-la na \u00edntegra\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Of2-8gUjuYQ\"><strong>clicando aqui<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>De in\u00edcio, Lacerda ressaltou que a acentua\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o que temos tido no Brasil \u00e9 um processo que atinge, sobretudo, a popula\u00e7\u00e3o socioeconomicamente mais vulner\u00e1vel. \u201cO aumento de pre\u00e7os afeta a todos n\u00f3s, mas principalmente \u00e0s pessoas de menor renda, porque, para essas pessoas, o peso dos alimentos, da energia el\u00e9trica, do g\u00e1s de cozinha e dos combust\u00edveis no or\u00e7amento tende a pesar muito mais. \u00c9 um processo muito perverso, porque alia a infla\u00e7\u00e3o com a acentua\u00e7\u00e3o da pobreza e da desigualdade, o que tem sido agravado ainda mais pelos efeitos da pandemia, como o aumento do desemprego. Ent\u00e3o \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil e, sobretudo, cruel com os menos favorecidos\u201d, apontou o economista.<\/p>\n<p>A jornalista\u00a0Thays\u00a0Freitas lembrou que a alta do pre\u00e7o das commodities \u00e9 um fen\u00f4meno que tem sido observado em todo o mundo e questionou at\u00e9 que ponto esse fato tem influenciado no pre\u00e7o dos alimentos que verificamos no Brasil. \u201c\u00c9 fato que existe essa press\u00e3o internacional, com a valoriza\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas, e que isso tem afetado v\u00e1rios pa\u00edses. No caso brasileiro, isso \u00e9 agravado pela falta de mecanismos de regula\u00e7\u00e3o do mercado, principalmente estoques reguladores e combate aos monop\u00f3lios e oligop\u00f3lios. Isso certamente agrava o problema inflacion\u00e1rio no Brasil\u201d, explicou Lacerda.<\/p>\n<p>O outro jornalista da bancada, Agostinho Teixeira, trouxe um dado pertinente \u00e0 discuss\u00e3o: a exporta\u00e7\u00e3o de carne bovina acabou de bater um recorde hist\u00f3rico para o m\u00eas de setembro, com a negocia\u00e7\u00e3o de 187 mil toneladas. Essa marca, lembra o jornalista, foi alcan\u00e7ada ao passo em que fam\u00edlias brasileiras t\u00eam enfrentado filas em busca de ossos com resto de sebo de carne. Agostinho questionou ao presidente do\u00a0Cofecon\u00a0porqu\u00ea mesmo neste cen\u00e1rio n\u00e3o h\u00e1 um estoque regulador efetivo no Brasil para atenuar o problema da fome e da inseguran\u00e7a alimentar. Perguntou, ainda, se a aus\u00eancia desse mecanismo \u00e9 uma decis\u00e3o pol\u00edtica ou se h\u00e1 algum fator que o justifique. \u201cNos \u00faltimos cinco anos, temos experimentado uma pol\u00edtica econ\u00f4mica de car\u00e1ter liberal, que acredita mais no mercado do que na interven\u00e7\u00e3o do Estado para atender as demandas sociais. Ent\u00e3o \u00e9 uma escolha. Essa vis\u00e3o est\u00e1 cada vez mais na contram\u00e3o das melhores pr\u00e1ticas internacionais. \u00c9 um erro\u201d, respondeu Lacerda ao lembrar que o pa\u00eds j\u00e1 teve, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s um instrumento regulador eficiente.<\/p>\n<p>O presidente do\u00a0Cofecon\u00a0tamb\u00e9m criticou as armas com as quais o governo tem tentado combater as press\u00f5es inflacion\u00e1rias no Brasil. \u201cA conten\u00e7\u00e3o da carestia generalizada tem se dado excessivamente por meio da eleva\u00e7\u00e3o de juros, o que \u00e9 uma ilus\u00e3o. \u00c9 claro que os juros t\u00eam um impacto sobre o processo inflacion\u00e1rio, mas com efeitos colaterais terr\u00edveis, como o encarecimento do cr\u00e9dito para pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas. Em um momento de estagna\u00e7\u00e3o, em que a economia precisa de incentivos, essa pol\u00edtica \u00e9 um contrassenso\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>Outro ponto alto da entrevista foi a discuss\u00e3o em torno do papel do Estado na recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e no controle da infla\u00e7\u00e3o. \u201cA combina\u00e7\u00e3o perversa que eu j\u00e1 citei, de carestia generalizada com estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, n\u00e3o ser\u00e1 resolvida apenas pelas for\u00e7as do mercado. Precisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas para reestabelecer o controle dos pre\u00e7os e podemos fazer isso sem inviabilizar o crescimento econ\u00f4mico\u201d, defendeu. Para tanto, Lacerda lembrou que \u00e9 preciso uma mudan\u00e7a de rota na pol\u00edtica econ\u00f4mica do Governo Federal.<\/p>\n<p>\u201cO discurso da chamada austeridade, do aumento da eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros, h\u00e1 alguns anos ganhou o debate econ\u00f4mico no Brasil. Hoje, ele tem mostrado claramente os seus malef\u00edcios, gerando uma situa\u00e7\u00e3o muito dram\u00e1tica em desfavor da popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel\u201d, defendeu Lacerda, citando o aumento da pobreza e as dificuldades da popula\u00e7\u00e3o pobre e de classe m\u00e9dia em acessar servi\u00e7os e produtos b\u00e1sicos no mercado.<\/p>\n<p>O economista abordou ainda a pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobr\u00e1s, que \u00e9 determinante para o custo do combust\u00edvel no Brasil, com consequ\u00eancias em toda a cadeia produtiva nacional. Para ele, \u201cna pol\u00edtica em voga, a Petrobras \u00e9 favorecida, porque a carestia do petr\u00f3leo no mercado internacional e a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real s\u00e3o automaticamente abatidas nos pre\u00e7os. Isso \u00e9 bom para os acionistas da empresa, que t\u00eam seus lucros garantidos. Agora, para a sociedade, isso \u00e9 muito ruim, uma vez que afeta toda a estrutura de pre\u00e7os no mercado interno. \u00c9 preciso e \u00e9 poss\u00edvel encontrar um caminho que seja sustent\u00e1vel para os acionistas e que n\u00e3o penalize t\u00e3o fortemente os consumidores, lembrando que o maior acionista da Petrobr\u00e1s \u00e9 a Uni\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Lacerda tamb\u00e9m criticou o baixo n\u00edvel de investimentos p\u00fablicos, fato que vem, como apontou, de uma vis\u00e3o econ\u00f4mica que diminui a import\u00e2ncia do papel do Estado na economia. O presidente do\u00a0Cofecon\u00a0lembrou que a taxa de investimentos do Brasil est\u00e1 no menor n\u00edvel da nossa hist\u00f3ria, exatamente quando o pa\u00eds atravessa uma de suas maiores crises, o que, de acordo com o economista, \u00e9 um cen\u00e1rio que requer a amplia\u00e7\u00e3o dos investimentos p\u00fablicos. \u201c\u00c9 uma grande contradi\u00e7\u00e3o\u201d, resumiu.<\/p>\n<p>O aux\u00edlio emergencial foi defendido pelo economista, uma vez que \u00e9 um importante mecanismo de revers\u00e3o da forte queda da renda das pessoas e de atenua\u00e7\u00e3o dos efeitos do alto \u00edndice de desemprego. No entanto, criticou a forma como o Governo Federal tem buscado financiar o projeto. \u201cUm aux\u00edlio do Estado para as pessoas mais necessitadas no contexto em que vivemos \u00e9 necess\u00e1rio. Mas o projeto do governo \u00e9 claramente eleitoreiro, na medida em que est\u00e3o criando uma ajuda financeira com base em algum artif\u00edcio fiscal. Qual outro sentido h\u00e1 em se criar um programa dessa grandeza com uma fonte de recursos provis\u00f3ria?\u201d, questionou\u00a0Antonio\u00a0Corr\u00eaa de Lacerda.<\/p>\n<p>A jun\u00e7\u00e3o de diversos minist\u00e9rios que cuidavam de \u00e1reas fundamentais da economia tamb\u00e9m foi desaprovada pelo presidente do\u00a0Cofecon. \u201cVeja, n\u00e3o tem como uma \u00fanica pasta cuidar de temas t\u00e3o complexos. Fazenda; Planejamento; Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio; Emprego e Trabalho; Previd\u00eancia&#8230; \u00e9 imposs\u00edvel, voc\u00ea perde capacidade de atua\u00e7\u00e3o sobre temas estrat\u00e9gicos. \u00c9 uma demagogia sem qualquer fundamento\u201d, afirmou o economista.<\/p>\n<p>Ao final da entrevista, Lacerda foi questionado sobre as elei\u00e7\u00f5es de 2022. Ele criticou o atual presidente, Jair Bolsonaro, e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, por n\u00e3o terem exposto com clareza em 2018 o plano econ\u00f4mico que pretendiam praticar. Para o pleito do ano que vem, Lacerda enfatizou a necessidade de se estabelecer um debate aprofundado sobre a economia. \u201c\u00c9 muito importante que todos esses aspectos que estamos discutindo aqui sejam amplamente debatidos entre os candidatos. Isso \u00e9 fundamental para que a popula\u00e7\u00e3o possa fazer uma escolha consciente e eficiente acerca de como enfrentar os atuais problemas que atravessamos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O programa foi ao ar no s\u00e1bado (02), ao vivo, com distribui\u00e7\u00e3o audiovisual para todo o Brasil, por meio do canal da R\u00e1dio Bandeirantes no YouTube. Um dos papeis essenciais do\u00a0Cofecon\u00a0\u00e9 promover o amplo e sadio debate econ\u00f4mico, sendo refer\u00eancia como entidade profissional que contribui de forma decisiva para o desenvolvimento econ\u00f4mico com justi\u00e7a social. E \u00e9 com esse prop\u00f3sito que o Conselho tem se empenhado em participar ativamente das discuss\u00f5es econ\u00f4micas levantadas pela imprensa.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo s\u00e1bado, o presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon),\u00a0Antonio\u00a0Corr\u00eaa de Lacerda, foi o entrevistado do programa Jornal Gente, da R\u00e1dio Bandeirantes, para falar sobre o atual processo inflacion\u00e1rio no Brasil. 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