{"id":15383,"date":"2021-08-11T09:43:03","date_gmt":"2021-08-11T12:43:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=15383"},"modified":"2021-08-11T09:43:03","modified_gmt":"2021-08-11T12:43:03","slug":"15383","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=15383","title":{"rendered":"Presidente fala sobre retomada da economia e v\u00ea desempenho fraco em 2022"},"content":{"rendered":"\n<p>O presidente do Cofecon, Antonio Corr\u00eaa de Lacerda, falou ao jornal Correio Braziliense sobre as proje\u00e7\u00f5es de retomada da economia para 2021. Lacerda avaliou que o crescimento de 2021 (cuja proje\u00e7\u00e3o pelo mercado, conforme divulgado pelo Banco Central no boletim Focus, encontra-se acima de 5%) se d\u00e1 sobre uma base de queda de 4,1% em 2020. Lacerda tamb\u00e9m v\u00ea novas press\u00f5es para a infla\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses. Leia abaixo a mat\u00e9ria, publicada originalmente <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/economia\/2021\/08\/4942962-inflacao-dos-ultimos-12-meses-chega-a-quase-9.html\"><strong>AQUI<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Infla\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos 12 meses chega a quase 9%<\/strong><br \/>Energia el\u00e9trica, combust\u00edvel e alimentos lideram alta de pre\u00e7os, que \u00e9 mais sentida pela popula\u00e7\u00e3o de baixa renda. Especialistas veem cen\u00e1rio delicado nos pr\u00f3ximos meses<br \/><br \/>Fernanda Fernandes<\/p>\n<p>Nem tanques, nem voto impresso. O que est\u00e1 tirando o sossego dos brasileiros \u00e9 o avan\u00e7o da infla\u00e7\u00e3o. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou, ontem, dados sobre o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao m\u00eas de julho. O per\u00edodo registrou 0,96% de crescimento, quase o dobro do registrado no m\u00eas anterior, quando o \u00edndice foi de 0,53%. Com o novo levantamento, o \u00edndice acumulado no ano chegou a 4,76%. Em 12 meses, quase bateu os 9%, registrando 8,99%. Entre os vil\u00f5es da alta infla\u00e7\u00e3o est\u00e3o a energia el\u00e9trica, o combust\u00edvel e os alimentos \u2014 itens que castigam, principalmente, os mais pobres.<\/p>\n<p>O economista Paulo Duarte, da Valor Investimentos, explica a \u201cinjusta\u201d din\u00e2mica da pandemia e da alta infla\u00e7\u00e3o. Enquanto uma parcela reduzida da popula\u00e7\u00e3o consome sem preocupa\u00e7\u00e3o, milh\u00f5es de brasileiros sofrem com a carestia em itens b\u00e1sicos. \u201cQuando entramos nos componentes do IPCA, notamos que a energia el\u00e9trica, os combust\u00edveis e os alimentos est\u00e3o com infla\u00e7\u00e3o bem maior. S\u00e3o itens consumidos, principalmente, por cidad\u00e3os de renda mais baixa, fazendo com que a infla\u00e7\u00e3o efetiva seja maior para essa parcela da popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo Duarte, a alta nos alimentos, item mais b\u00e1sico da lista, vem sendo puxada pela supervaloriza\u00e7\u00e3o das commodities agr\u00edcolas. \u201cProte\u00ednas animais, soja, caf\u00e9, todos s\u00e3o itens afetados pela infla\u00e7\u00e3o\u201d, pontua o especialista.<\/p>\n<p>De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Supermercados (Abras), entre os alimentos mais impactados nos \u00faltimos meses, est\u00e3o o \u00f3leo de soja, com 90% de aumento; a carne bovina, com 40%; e o arroz, com mais de 50%. Mas apesar da carestia nas prateleiras, o item mais pesado no IPCA ainda \u00e9 a energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos doze meses, os dados mensais do IBGE mostram um salto no IPCA de abril para maio, de 6,7% para 8%, per\u00edodo em que come\u00e7ou a ser cobrada a taxa de bandeira vermelha na conta de energia el\u00e9trica. Os dados divulgados ontem pelo instituto apontam que o reajuste de 52% na tarifa vermelha patamar 2, incidiu fortemente na conta de luz. O item, que entra dentro do grupo de habita\u00e7\u00e3o, corresponde, sozinho, a 0,35% do total acumulado no m\u00eas de julho.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, sustentar a casa \u00e9 um drama. Chauana Francisco, 32 anos, moradora de Os\u00f3rio (RS), sabe bem o peso da infla\u00e7\u00e3o no bolso. A auxiliar administrativa, m\u00e3e de Stella (8 anos) e Charlotte (8 meses), conta que, ap\u00f3s o t\u00e9rmino da licen\u00e7a maternidade da filha ca\u00e7ula, foi despedida do emprego sem justa causa. Desde ent\u00e3o, Chauana \u201cse vira como pode\u201d, com o seguro desemprego no valor de R$1.100 e R$ 380 de pens\u00e3o aliment\u00edcia.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o tenho carro, mas pago aluguel, internet, luz, \u00e1gua. Tudo est\u00e1 caro. O que mais pesa \u00e9 o mercado e coisas para a beb\u00ea. Eu quase n\u00e3o consigo dar conta\u201d. Apesar das dificuldades, Chauana \u00e9 otimista. \u201cConfio muito em Deus. Tento fazer o melhor por elas\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Ata do Copom alerta para risco fiscal<\/strong><\/p>\n<p>O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica (Copom) do Banco Central divulgou ontem a ata de sua \u00faltima reuni\u00e3o, realizada em 3 e 4 de agosto. No documento, o comit\u00ea reafirma a evolu\u00e7\u00e3o positiva da atividade dom\u00e9stica, especialmente com o avan\u00e7o da campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 no Brasil. O documento, no entanto, sinaliza a preocupa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o fiscal. \u201cOs riscos fiscais continuam implicando um vi\u00e9s de alta nas proje\u00e7\u00f5es (de infla\u00e7\u00e3o)\u201d, se at\u00e9m o documento sobre o tema, apontado por especialistas como uma das principais causas de press\u00e3o inflacion\u00e1ria no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o fiscal pode ser um grande obst\u00e1culo no caminho da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, segundo Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest. Para ela, a demonstra\u00e7\u00e3o de perda de compromisso do governo com o ajuste fiscal, o per\u00edodo pr\u00e9-eleitoral e um cen\u00e1rio externo em recupera\u00e7\u00e3o, formam a tr\u00edade que prejudica o mercado. \u201cEm diversos momentos, o governo tentou furar o teto de gastos, manteve um discurso de menos comprometimento da parte fiscal. E h\u00e1 outros fatores: as elei\u00e7\u00f5es, que trazem preocupa\u00e7\u00e3o com aumento de gastos; o cen\u00e1rio externo, com crescimento global desacelerando; e a expectativa de arrefecimento nos pre\u00e7os de commodities. Tudo isso prejudica o mercado\u201d, afirma Quartaroli.<\/p>\n<p>O economista Paulo Duarte concorda. Segundo ele, o mercado voltou a monitorar mais de perto a quest\u00e3o do d\u00e9ficit fiscal, e a press\u00e3o s\u00f3 aumenta sobre o BC. \u201c\u00c9 um quadro preocupante e vamos ver at\u00e9 onde vai continuar a tranquilidade do BC, que j\u00e1 come\u00e7ou a elevar um pouco mais a taxa selic para tentar controlar essa infla\u00e7\u00e3o\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>Economias centrais<\/strong><\/p>\n<p>Outro quadro preocupante, mas que n\u00e3o foi ignorado pelo Copom, \u00e9 o impacto da retomada econ\u00f4mica dos pa\u00edses desenvolvidos nas economias emergentes. \u201cO Comit\u00ea avalia que, a despeito dos movimentos recentes nas curvas de juros, ainda h\u00e1 risco relevante de aumento da infla\u00e7\u00e3o nas economias centrais. Ainda assim, o ambiente para pa\u00edses emergentes segue favor\u00e1vel com os est\u00edmulos monet\u00e1rios de longa dura\u00e7\u00e3o, os programas fiscais e a reabertura das principais economias\u201d, diz o colegiado.<\/p>\n<p>Para Cristiane Quartaroli, ainda que exista preocupa\u00e7\u00e3o com as variantes do coronav\u00edrus e poss\u00edveis impactos nas economias, no Brasil n\u00e3o h\u00e1 como ignorar outro fator: o \u201ccen\u00e1rio pol\u00edtico nebuloso\u201d, com processo de CPI em curso. \u201cIsso acaba afetando a confian\u00e7a dos empres\u00e1rios e impacta na decis\u00e3o de investimento das empresas\u201d, explica a economista do Ourinvest. Ainda segundo ela, a tend\u00eancia sobre a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 de piora, devido ao IPCA acumulado no ano de 8,9%, \u00e0 alta do d\u00f3lar que acaba sendo repassada ao consumidor no consumo de bens industrializados e ao aumento dos pre\u00e7os no setor de servi\u00e7os. \u201c\u00c9 press\u00e3o inflacion\u00e1ria por todos os lados, e o desafio de conter o avan\u00e7o da infla\u00e7\u00e3o fica com o BC. Temos hoje o Brasil na sua ess\u00eancia: baixo crescimento, infla\u00e7\u00e3o e juros em ascens\u00e3o\u201d, refor\u00e7a a economista do Banco Ourinvest.<\/p>\n<p>Os riscos externos citados por Quartaroli foram reconhecidos pelo Copom na \u00faltima ata. \u201cNesse contexto, novas discuss\u00f5es sobre o risco de um aumento duradouro da infla\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos e a consequente reprecifica\u00e7\u00e3o nos mercados financeiros podem tornar o ambiente para as economias emergentes desafiador\u201d, diz o documento assinado pelo colegiado.<\/p>\n<p><strong>Retomada de 2021 \u00e9 ilus\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>O \u00faltimo boletim Focus, divulgado na segunda-feira, mant\u00e9m a previs\u00e3o de crescimento do PIB de 2021 em 5,3%, mas aponta redu\u00e7\u00e3o de 2,10% para 2,05% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2022. Para Antonio Corr\u00eaa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor-doutor em Economia Pol\u00edtica da PUC-SP, a \u201cboa fase\u201d de 2021 \u00e9 ilus\u00f3ria, pois grande parte dessa recupera\u00e7\u00e3o decorre do efeito estat\u00edstico da paralisa\u00e7\u00e3o da economia em 2020, quando houve uma queda do PIB de 4,1%, o que n\u00e3o ocorrer\u00e1 em 2022. \u201cAno que vem n\u00e3o haver\u00e1 o mesmo efeito. E o desemprego \u00e9 elevado, a renda real em queda, e o n\u00edvel de investimentos muito baixo. Portanto, a economia brasileira voltar\u00e1 ao velho padr\u00e3o de crescimento baixo, entre 1 e 2%\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A alta infla\u00e7\u00e3o que pesa no bolso do brasileiro hoje n\u00e3o \u00e9 decorrente de press\u00f5es de demanda, diz Lacerda, mas de choques de pre\u00e7os de commodities, alimentos, petr\u00f3leo e min\u00e9rio de ferro, por exemplo, al\u00e9m da desvaloriza\u00e7\u00e3o do real. \u201cComo os alimentos t\u00eam um peso maior na cesta de consumo dos mais pobres, s\u00e3o esses que mais sentem os efeitos da carestia\u201d, ressalta o professor.<\/p>\n<p>Ainda segundo ele, a tend\u00eancia deve se manter em 2021, podendo arrefecer somente em 2022 a depender dos pre\u00e7os internacionais das commodities. \u201cOs produtos agr\u00edcolas tamb\u00e9m v\u00eam sofrendo efeitos clim\u00e1ticos, como frio intenso em algumas regi\u00f5es e estiagem prolongada. Se a crise energ\u00e9tica se intensificar, o que \u00e9 prov\u00e1vel, novas press\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o vir\u00e3o\u201d, alerta.<\/p>\n<p><strong>BC erra maioria das proje\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do segundo semestre de 2020, quando a alta das commodities no mercado internacional passou a impulsionar os pre\u00e7os de alimentos no Brasil, o Banco Central vem errando seguidamente, para baixo, suas proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o de curto prazo. De julho de 2020 a julho de 2021, o BC subestimou a infla\u00e7\u00e3o em suas proje\u00e7\u00f5es em 9 dos 13 meses considerados. No epis\u00f3dio mais recente, calculou uma infla\u00e7\u00e3o de apenas 0,39% em julho, enquanto o IBGE revelou nesta ter\u00e7a-feira, 10, uma taxa de 0,96%. Apesar disso, o BC, comandado por Roberto Campos Neto, manteve o discurso de que as eleva\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os dos alimentos eram transit\u00f3rias. Com o passar do tempo, foi ficando claro que as press\u00f5es n\u00e3o seriam tempor\u00e1rias. Ainda assim, o BC se manteve otimista, subestimando o avan\u00e7o dos pre\u00e7os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":14437,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,2],"tags":[],"class_list":["post-15383","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cofecon-na-midia","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15383"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15383"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15383\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14437"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}