{"id":15161,"date":"2021-07-16T17:42:06","date_gmt":"2021-07-16T20:42:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=15161"},"modified":"2021-07-16T17:42:06","modified_gmt":"2021-07-16T20:42:06","slug":"crescimento-em-perspectiva-de-longo-prazo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=15161","title":{"rendered":"Crescimento em perspectiva de longo prazo"},"content":{"rendered":"<p>Ainda sob a intermin\u00e1vel pandemia do Coronav\u00edrus, foi conhecido o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) da economia brasileira no 1\u00b0 trimestre de 2021. O dado positivo provocou otimismo nos agentes econ\u00f4micos, sobretudo ap\u00f3s a queda in\u00e9dita da atividade apresentada em 2020. O crescimento do 1\u00b0 trimestre, embora positivo, ainda pode ser considerado t\u00edmido e o descontrole da pandemia, somado ao poss\u00edvel colapso energ\u00e9tico na regi\u00e3o Sudeste, sugerem prud\u00eancia nas estimativas para o ano, at\u00e9 para que o otimismo n\u00e3o se torne frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O crescimento de 1% ocorreu frente a um recuo de 0,3% no primeiro trimestre do ano passado e ap\u00f3s 4 trimestres de queda consecutivas na atividade verificadas em 2020. Este dado indica que o Brasil voltou para o n\u00edvel pr\u00e9-pandemia. Entretanto, as taxas de crescimento verificadas antes da pandemia eram baixas, de forma que o pa\u00eds apenas voltou para o padr\u00e3o anterior de baixo crescimento e de PIB per capita pr\u00f3ximo de 0%.<\/p>\n<p>Pelo lado da oferta, percebe-se que este crescimento se deu muito calcado no desempenho do setor agropecu\u00e1rio, fomentado por pre\u00e7os atrativos de <em>commodities<\/em> no exterior e por uma taxa de c\u00e2mbio bastante desvalorizada. Isso, a princ\u00edpio, imp\u00f5e um desafio porque o setor agr\u00edcola \u00e9 intensivo em capital e demanda pouco trabalho. Crescer ancorado no desempenho do campo \u00e9 problem\u00e1tico, podendo causar o descolamento entre as curvas do produto e do emprego, ou seja, a atividade se acelera mesmo diante de taxas de desemprego estruturalmente elevadas. Em contraste, setores intensivos em m\u00e3o de obra como os servi\u00e7os, seguem paralisados, aguardando o desfecho da vacina\u00e7\u00e3o para retomarem seu crescimento.<\/p>\n<p>Sob uma perspectiva de longo prazo, o Nobel de Economia Robert Solow sustentava que o crescimento das economias dependeria da combina\u00e7\u00e3o de entrada de novos trabalhadores no mercado de trabalho; somado ao aumento da produtividade e a capacidade de acumular capital. Neste sentido, o principal indicador positivo do PIB rec\u00e9m divulgado \u00e9 a Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo (FBCF) que voltou a crescer e j\u00e1 superou em muito os n\u00edveis anteriores \u00e0 pandemia, isso pode indicar o in\u00edcio de um novo ciclo de crescimento mais sustentado.<\/p>\n<p>Durante a crise de 2014, a taxa de FBCF entrou em decl\u00ednio no 3\u00b0 trimestre de 2013, permaneceu em queda at\u00e9 o 1\u00b0 tri de 2016 e s\u00f3 retornou aos n\u00edveis iniciais no 3\u00b0 trimestre de 2018. Dessa vez a retomada do investimento se deu com muito mais velocidade, a queda na FBCF teve in\u00edcio no 1\u00b0 trimestre do ano passado, seu vale ocorreu no trimestre seguinte e, deste ent\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o de capital no Brasil vem se expandindo continuamente, de forma que desde o 4\u00b0 trimestre os valores do FBCF j\u00e1 haviam ultrapassado, em muito, os valores pr\u00e9 pandemia.<\/p>\n<p>A acumula\u00e7\u00e3o de capital parece ser fundamental para uma perspectiva de crescimento s\u00f3lida do pa\u00eds na d\u00e9cada que se inicia. Nos 40 anos compreendidos entre o milagre econ\u00f4mico em 1970 e 2010, o padr\u00e3o de crescimento nacional se deu calcado na inclus\u00e3o de novos trabalhadores no mercado de trabalho. Em outras palavras o perfil demogr\u00e1fico corroborou para que o pa\u00eds crescesse no per\u00edodo. A partir de 2010, este perfil vem mudando estruturalmente e os novos trabalhadores apenas rep\u00f5em os trabalhadores que saem do mercado. Neste sentido, o Brasil depende de ampliar seu estoque de capital e aumentar a sua produtividade para voltar a crescer de forma sustentada por um longo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Sobre a produtividade, \u00e9 preciso estar atento ao comportamento do setor manufatureiro. Isso porque Nicolas Kaldor sustentou que a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 principal o motor do crescimento das economias. Essa abordagem considera que este setor, por ser intensivo em inova\u00e7\u00f5es que v\u00e3o gerar transbordamentos para os setores agr\u00edcola e de servi\u00e7os, \u00e9 fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o de uma din\u00e2mica consistente de crescimento em economias de grande porte.<\/p>\n<p>Em ensaio publicado em 2019, estimei que a taxa de crescimento no emprego do setor industrial, contribui para o crescimento do PIB da economia brasileira com o triplo de intensidade do que a taxa de crescimento do emprego no setor de servi\u00e7os. Para crescer de forma sustentada, o Brasil ter\u00e1 tr\u00eas desafios urgentes: manter o ritmo de crescimento em FBCF; gerar empregos na ind\u00fastria e elevar a produtividade geral no setor de servi\u00e7os. N\u00e3o se trata de uma tarefa trivial.<\/p>\n<p>Benito Salom\u00e3o \u2013 Economista, vinculado ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia UFU.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda sob a intermin\u00e1vel pandemia do Coronav\u00edrus, foi conhecido o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) da economia brasileira no 1\u00b0 trimestre de 2021. 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