{"id":15043,"date":"2021-07-02T13:21:09","date_gmt":"2021-07-02T16:21:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=15043"},"modified":"2021-07-02T13:21:09","modified_gmt":"2021-07-02T16:21:09","slug":"desigualdade-e-adiamento-do-censo-desafiam-politicas-publicas-no-pos-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=15043","title":{"rendered":"Desigualdade e adiamento do Censo desafiam pol\u00edticas p\u00fablicas no p\u00f3s-covid"},"content":{"rendered":"<p>O portal do Correio Braziliense publicou nesta quinta-feira (01) uma mat\u00e9ria repercutindo o debate de conjuntura realizado pelo Cofecon, que contou com a participa\u00e7\u00e3o dos economistas Marcelo Neri e Rosa Maria Marques. Leia abaixo o texto de Fernanda Fernandes, que pode ser acessado em:\u00a0<a href=\"https:\/\/bityli.com\/NnY7N\">https:\/\/bityli.com\/NnY7N<\/a>.<\/p>\n<p><em>Economistas avaliam impactos da pandemia em diversos setores, em especial na educa\u00e7\u00e3o, na qual o retrocesso \u00e9 n\u00edtido. Eles lamentam a decis\u00e3o do governo de adiar o Censo, instrumento fundamental para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas<\/em><\/p>\n<p>Com 14,8 milh\u00f5es de desempregados e praticamente um quarto da popula\u00e7\u00e3o dependente de um aux\u00edlio emergencial, o Brasil p\u00f3s-pandemia enfrenta um desafio social de propor\u00e7\u00f5es continentais. Essa realidade tem impulsionado debates entre especialistas sobre poss\u00edveis cen\u00e1rios posteriores ao momento mais agudo crise sanit\u00e1ria no Brasil. Nesta quinta-feira (01\/07), o Conselho Federal de Economia (Cofecon) promoveu uma videoconfer\u00eancia sobre o tema.<\/p>\n<p>Para o economista Marcelo Neri, o Brasil j\u00e1 enfrentava um cen\u00e1rio de crise anterior \u00e0 pandemia. Segundo ele, 11% das fam\u00edlias eram consideradas pobres na pr\u00e9-pandemia, e a extrema pobreza j\u00e1 havia subido 67% nos indicadores, dentro dos par\u00e2metros da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) \u2014 que considera baixa renda as fam\u00edlias que recebem at\u00e9 R$ 250 por pessoa.<\/p>\n<p>\u201cA gente observou, desde 2014, a desigualdade de renda do trabalho durante 17 trimestres consecutivos. Em 2019, quando essa desigualdade estava querendo parar de subir, veio a pandemia. \u00c9 uma crise sobre outra crise\u201d, afirmou o professor da Escola Brasileira de Economia e Finan\u00e7as &#8211; EPGE\/FGV.<\/p>\n<p>De acordo com Neri, a pobreza medida em renda caiu de 11% para 5,5% durante a primeira fase da pandemia, gra\u00e7as ao aux\u00edlio emergencial. O recurso liberado pelo governo federal beneficiou 67 milh\u00f5es de pessoas e teve custo de 300 bilh\u00f5es, em nove meses.<\/p>\n<p>\u201cEm agosto de 2020, 82% das pessoas que eram pobres em 2019 deixaram de ser consideradas nessa categoria. O \u00edndice de pobreza chegou a encostar nos 4,8%, mas conforme o aux\u00edlio foi sendo reduzido, pelas nossas estimativas, esse percentual chegou em 15%. Ou seja, triplicou, tamb\u00e9m por for\u00e7a da crise que j\u00e1 existia\u201d, refor\u00e7ou o especialista.<\/p>\n<p>Marcelo Neri tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o para o aumento da desigualdade na educa\u00e7\u00e3o. \u201cOs n\u00edveis de matr\u00edcula escolar voltaram aos mesmos que eram em 2007. Entre as crian\u00e7as mais remotas, como as do Par\u00e1, 42 % dos estudantes declaram que n\u00e3o realizaram atividades por n\u00e3o receberem materiais, enquanto em Santa Catarina esse percentual \u00e9 2%\u201d, destacou.<\/p>\n<p><strong>Censo em 2022<\/strong><\/p>\n<p>Levar\u00e1 tempo, no entanto, para a desigualdade brasileira no p\u00f3s-pandemia ser mensurada. Isso porque o Censo Demogr\u00e1fico de 2021 foi adiado pelo governo. A pesquisa \u00e9 realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e \u00e9 considerada a mais importante para a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para a economista Rosa Maria Marques, outra participante do debate promovido pelo Conselho Federal de Economia, o adiamento do censo \u00e9 uma incoer\u00eancia, pois prejudica a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas em diversos setores. \u201cDo ponto de vista racional, se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos fazendo isolamento (contra a pandemia), talvez coubesse o adiamento (do censo), mas nunca houve. Eu n\u00e3o consigo entender como fazer pol\u00edticas p\u00fablicas sem as informa\u00e7\u00f5es do censo, sem saber qual \u00e9 o perfil do Brasil\u201d, disse a professora titular da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP).<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas \u201ccongeladas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Durante o debate promovido pelo Cofecon, os economistas tamb\u00e9m falaram sobre a Emenda Constitucional N\u00ba 95, que imp\u00f5e limite anual de gastos do governo. Rosa Marques criticou o teto de gastos que, para ela, \u201cengessa\u201d o investimento necess\u00e1rio em setores b\u00e1sicos, como o de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cA parte social est\u00e1 inclu\u00edda dentro do teto de gastos. N\u00f3s entramos na pandemia com subfinanciamento na \u00e1rea da sa\u00fade. Do ponto de vista social e econ\u00f4mico, o Brasil est\u00e1 congelado, pois, se eu aumentar a rubrica de investimento em um setor, eu tiro de outro peda\u00e7o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo dados do Tesouro Nacional, divulgados em abril, os recursos aplicados no combate \u00e0 pandemia que est\u00e3o fora do teto de gastos podem ultrapassar R$ 103 bilh\u00f5es em 2021. Desse montante, R$ 88 bilh\u00f5es estariam empenhados para despesas com sa\u00fade e programas emergenciais, de acordo com Bruno Funchal, secret\u00e1rio do Tesouro Nacional. At\u00e9 esta quinta-feira (01\/07), os gastos registrados no teto de gastos representavam 37,27% do previsto.<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O portal do Correio Braziliense publicou nesta quinta-feira (01) uma mat\u00e9ria repercutindo o debate de conjuntura realizado pelo Cofecon, que contou com a participa\u00e7\u00e3o dos economistas Marcelo Neri e Rosa Maria Marques. 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