{"id":14648,"date":"2021-05-14T12:53:35","date_gmt":"2021-05-14T15:53:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=14648"},"modified":"2021-05-14T12:53:35","modified_gmt":"2021-05-14T15:53:35","slug":"as-micro-e-pequenas-empresas-e-o-necessario-acesso-ao-credito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=14648","title":{"rendered":"As micro e pequenas empresas e o necess\u00e1rio acesso ao cr\u00e9dito"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: left;\">Origin\u00e1rios notadamente do artesanato e do com\u00e9rcio, os empreendimentos de pequeno\u00a0porte v\u00eam, ao logo do tempo, participando ativamente da hist\u00f3ria econ\u00f4mica nacional,\u00a0sobretudo pela sua grande relev\u00e2ncia para os rumos tomados pelo mercado de trabalho no\u00a0Pa\u00eds. Nos dias de hoje, est\u00e3o presentes em v\u00e1rios setores da economia e possuem participa\u00e7\u00e3o\u00a0igualmente importante nos cen\u00e1rios pol\u00edtico e social. No Brasil, este tipo de neg\u00f3cio abrange\u00a099% das empresas estabelecidas, respons\u00e1veis por 55% das ocupa\u00e7\u00f5es formais e por quase\u00a030% de tudo que \u00e9 produzido no pa\u00eds (SEBRAE, 2020), e possuem grande import\u00e2ncia para\u00a0sustenta\u00e7\u00e3o da economia brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Dito isso, podemos notar que as micro e pequenas empresas s\u00e3o um dos principais pilares de\u00a0sustenta\u00e7\u00e3o da nossa economia, quer pela sua enorme capacidade geradora de empregos,\u00a0quer pelo infind\u00e1vel n\u00famero de estabelecimentos desconcentrados geograficamente. Outro\u00a0fator de destaque \u00e9 o importante papel desses neg\u00f3cios como indutores do desenvolvimento e\u00a0do empreendedorismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00c9 sabido que o objetivo central de toda e qualquer empresa \u00e9 a busca pelo crescimento, pois faz parte da g\u00eanese de qualquer neg\u00f3cio. De fato, durante a sua trajet\u00f3ria de crescimento, a empresa passa por diversos ciclos de vida organizacional, que tem reflexos diretos em suas estrat\u00e9gias, processos e estruturas. O ciclo econ\u00f4mico que \u00e9 medido em dias, contados da compra de insumos at\u00e9 a venda final do produto, sem considerar valores recebidos, reflete o prazo m\u00e9dio de estocagem. J\u00e1 no ciclo operacional \u00e9 conhecido o tempo total gasto desde a compra dos insumos at\u00e9 o recebimento referente \u00e0s vendas realizadas. Finalmente, temos o\u00a0ciclo financeiro, conhecido como ciclo de caixa, que mostra o tempo entre o pagamento a\u00a0fornecedores e o recebimento das vendas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Conhecer e buscar a permanente redu\u00e7\u00e3o de tais ciclos \u00e9 sin\u00f4nimo de efici\u00eancia e \u00e9 de grande\u00a0import\u00e2ncia na maximiza\u00e7\u00e3o do retorno sobre os investimentos, possibilitando planejar o\u00a0crescimento do neg\u00f3cio ao longo dos anos. Sem este esfor\u00e7o pode acontecer que o giro\u00a0financeiro n\u00e3o seja suficiente para o pagamento dos fornecedores e as atividades passam a ser\u00a0financiadas pelo pr\u00f3prio capital de giro. Chegar\u00e1 o momento em que o empres\u00e1rio ter\u00e1 que ir\u00a0buscar capital de terceiros para sanar os per\u00edodos de fluxo de caixa negativo, com irrevers\u00edveis\u00a0preju\u00edzos aos resultados financeiros do empreendimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Isto posto, \u00e9 necess\u00e1rio que se fa\u00e7a presente uma mentalidade empresarial embasada na\u00a0busca de conhecimentos na \u00e1rea de gest\u00e3o estrat\u00e9gica, que permita a essas empresas\u00a0enxergarem uma oportunidade \u00fanica de fazer com que esse conhecimento seja aproveitado\u00a0para um crescimento sustent\u00e1vel de seus neg\u00f3cios.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ocorre, entretanto, que qualquer acontecimento extraordin\u00e1rio, conhecido como risco\u00a0sist\u00eamico ou de mercado, pode ensejar desequil\u00edbrios que as micro e pequenas empresas\u00a0dificilmente conseguem superar. As necessidades geradas pelo distanciamento social e outras\u00a0medidas visando combater a dissemina\u00e7\u00e3o do COVID 19, acabaram fragilizando todas as\u00a0cadeias de atividades econ\u00f4micas, com reflexos diretos na organiza\u00e7\u00e3o social urbana, que\u00a0atingiram os ciclos organizacionais das micro e pequenas empresas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ao longo de todo esse processo, alguns setores conseguiram implementar novos arranjos de\u00a0neg\u00f3cios que permitiram n\u00e3o s\u00f3 mant\u00ea-los, mas, tamb\u00e9m, desenvolv\u00ea-los. Outros segmentos\u00a0foram bastante prejudicados. Al\u00e9m disso, os grandes grupos empresariais, por possu\u00edrem\u00a0maior f\u00f4lego financeiro e de estrutura, conseguiram administrar as dificuldades e, de alguma\u00a0forma, tiveram \u00eaxito na implementa\u00e7\u00e3o das necess\u00e1rias adapta\u00e7\u00f5es aos protocolos sanit\u00e1rios\u00a0exigidos pelo momento de absoluta excepcionalidade. Neste processo n\u00e3o foi previsto um\u00a0espa\u00e7o para o tratamento das micro e pequenas empresas, que sofreram um processo de\u00a0espolia\u00e7\u00e3o maior que o normal, pois exclu\u00eddas de cr\u00e9dito e da adequada comercializa\u00e7\u00e3o de\u00a0seus produtos, deram origem a um alto grau de estagna\u00e7\u00e3o verificado em seus neg\u00f3cios.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Com efeito, sabemos que o custo da marginalidade urbana \u00e9 certamente maior do que o custo de um programa de aux\u00edlio a esses empreendedores, sobretudo neste momento de grande dificuldade gerada pela situa\u00e7\u00e3o de pandemia que vivenciamos, o que tem comprometido a qualidade de vida de todos os segmentos urbanos. Este quadro \u00e9 t\u00e3o verdadeiro que o n\u00famero\u00a0de 14 milh\u00f5es de desempregados n\u00e3o deixam margem para d\u00favidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Al\u00e9m das medidas emergenciais lan\u00e7adas em meio \u00e0 pandemia para dar f\u00f4lego aos pequenos\u00a0neg\u00f3cios, o Governo procurou dar passos importantes visando colocar em pr\u00e1tica medidas\u00a0estruturantes de m\u00e9dio e longo prazos, como forma de trazer mais competitividade e\u00a0produtividade ao setor. Dentre elas, destacamos a melhora no acesso ao cr\u00e9dito, necess\u00e1rio\u00a0para aumento da produtividade, mediante a cria\u00e7\u00e3o do Programa Nacional de Apoio \u00e0s\u00a0Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) \u2013 Lei 13999\/2020 \u2013 que teve um\u00a0papel importante em garantir capital de giro para empreendedores, al\u00e9m de ter solucionado\u00a0uma dificuldade hist\u00f3rica para que o cr\u00e9dito chegasse na ponta destes segmentos ao fornecer\u00a0garantias do Tesouro Nacional para os empr\u00e9stimos. Os n\u00fameros expressam o sucesso do\u00a0Pronampe, que se encerrou em dezembro de 2020, com 470 mil opera\u00e7\u00f5es contratadas,\u00a0envolvendo R$ 37,5 bilh\u00f5es em libera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Desta forma, podemos verificar que o Estado continua a ter um papel fundamental, pois a ele cabe liderar o encaminhamento das quest\u00f5es relacionadas \u00e0 melhoria deste ambiente ca\u00f3tico gerado pela continuidade e agravamento da situa\u00e7\u00e3o de pandemia. O Congresso Nacional, inclusive, mostrando-se sens\u00edvel a todos esses problemas enfrentados pelas micro e pequenas empresas, vem buscando aprovar projeto que torna permanente o Pronampe. O projeto foi aprovado pela C\u00e2mara dos Deputados e encaminhado para a aprecia\u00e7\u00e3o do Senado Federal. A diferen\u00e7a agora est\u00e1 no aumento da taxa de juros para 6% mais a Selic.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Vale real\u00e7ar, que essa decis\u00e3o legislativa, de alguma forma, atende a Agenda 2030 1 que, em\u00a0sua meta 8.3, aponta para a necessidade de \u201cpromover pol\u00edticas orientadas para o\u00a0desenvolvimento, que apoiem as atividades produtivas, gera\u00e7\u00e3o de emprego decente,\u00a0empreendedorismo, criatividade e inova\u00e7\u00e3o, e incentivar a formaliza\u00e7\u00e3o e o crescimento das\u00a0micro, pequenas e m\u00e9dias empresas, inclusive por meio do acesso a servi\u00e7os financeiros\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">N\u00e3o bastaria apenas gerar empregos e investimentos com efeitos multiplicadores no mercado\u00a0interno. \u00c9 importante construir uma estrutura educacional que ofere\u00e7a a real oportunidade de\u00a0os empreendedores realizarem uma gest\u00e3o cient\u00edfica, tecnol\u00f3gica e de inova\u00e7\u00e3o de seus<br \/>neg\u00f3cios, buscando, tamb\u00e9m, a efici\u00eancia na aloca\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para compreender por que parece dif\u00edcil obter cr\u00e9dito, \u00e9 preciso compreender o que est\u00e1 em jogo. Para ganhar dinheiro com o empr\u00e9stimo, o agente financeiro precisa de dinheiro barato, que prov\u00e9m, em geral, de investidores e depositantes. A seguir, o agente financeiro concede empr\u00e9stimos que pagam juros mais altos do que o total de juros pagos aos investidores e depositantes, mais custos operacionais. Caso haja inadimpl\u00eancia dos devedores, quem perde tudo \u00e9 quem concedeu o cr\u00e9dito. \u00c9 o risco de perda que exige um processo detalhado de concess\u00e3o de empr\u00e9stimos. Ao colher os dados para o cadastro a institui\u00e7\u00e3o financeira busca\u00a0determinar se o cliente tem condi\u00e7\u00f5es de pagar o empr\u00e9stimo. Os devedores confi\u00e1veis\u00a0continuam a receber empr\u00e9stimos e os maus pagadores perdem a confian\u00e7a dos agentes\u00a0financeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os Bancos p\u00fablicos, que j\u00e1 mantem em seu plano de neg\u00f3cios o desempenho como agente do\u00a0Governo para execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, ter\u00e3o papel fundamental nessa assist\u00eancia\u00a0credit\u00edcia \u00e0s micro e pequenas empresas. Sabemos que os agentes financeiros privados n\u00e3o\u00a0t\u00eam correspondido adequadamente em termos de concess\u00e3o de cr\u00e9dito. Isso pode ser\u00a0explicado, em parte, pela pouca adapta\u00e7\u00e3o dessas institui\u00e7\u00f5es ao atual cen\u00e1rio de risco gerado\u00a0pela grave crise sanit\u00e1ria, bem como pelo desconhecimento das respectivas implica\u00e7\u00f5es\u00a0diretas nos diversos ramos de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">N\u00e3o resta d\u00favida que, em perspectiva estrat\u00e9gica, o momento representa uma excelente janela de oportunidades, uma vez que fica patente que o agente financeiro n\u00e3o poder\u00e1 aguardar passivamente pelo cliente; ele precisa adiantar-se aos problemas, antes que a concorr\u00eancia o fa\u00e7a. Neste novo cen\u00e1rio, ganham relevo os contatos estreitos com clientes e a agiliza\u00e7\u00e3o dos processos de neg\u00f3cios, alicer\u00e7ados por ferramentas de business intelligence. Os grandes desafios para a ind\u00fastria de intermedia\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 o de conhecer o cliente, entender seus interesses e prever suas necessidades futuras com a finalidade de fideliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do tomador de cr\u00e9dito como, tamb\u00e9m, de toda sua cadeia de stakeholders.<\/p>\n<p>1 Agenda 2030 \u00e9 um plano de a\u00e7\u00e3o global que re\u00fane 17 objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel e 169 metas, criados para erradicar a pobreza e promover vida digna a todos. Esse plano foi firmado por 193 pa\u00edses membros da ONU, com o compromisso de seguir medidas recomendadas no documento \u201cTransformando o Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d.\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>C\u00e9sar Augusto Moreira Bergo<\/strong>, \u00e9 Presidente do CORECON-DF. Economista, soci\u00f3logo e mestre em finan\u00e7as e especialista em administra\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e governan\u00e7a corporativa pela FIA\/USP. Professor de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria e de diversos cursos no mercado financeiro. Atua h\u00e1 mais de 40 anos no mercado financeiro tendo exercido cargos de executivo em bancos, corretoras e distribuidoras de valores, al\u00e9m de possuir diversas certifica\u00e7\u00f5es para atuar no mercado financeiro.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":14649,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-14648","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14648"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14648"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14648\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14649"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}