{"id":14576,"date":"2021-05-07T10:04:24","date_gmt":"2021-05-07T13:04:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=14576"},"modified":"2021-05-07T10:04:24","modified_gmt":"2021-05-07T13:04:24","slug":"cofecon-realizou-debate-sobre-politica-monetaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=14576","title":{"rendered":"Cofecon realizou debate sobre pol\u00edtica monet\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>O Cofecon realizou nesta quinta-feira (06) um debate de conjuntura. O tema desta vez foi pol\u00edtica monet\u00e1ria e os economistas convidados foram Guilherme Mello e Gabriel Gal\u00edpolo. O evento foi transmitido ao vivo pelo canal do Cofecon no YouTube e pode ser acessado <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2dfrXq_udw0\"><strong>AQUI<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Em sua fala de abertura, o presidente do Cofecon, Antonio Corr\u00eaa de Lacerda, falou sobre o Plano Biden como uma quebra de paradigma por parte da na\u00e7\u00e3o mais importante da economia mundial. \u201cO Brasil est\u00e1 na contram\u00e3o, preso \u00e0s suas pr\u00f3prias armadilhas, como a lei do teto de gastos, algo que n\u00e3o tem precedente na hist\u00f3ria econ\u00f4mica mundial\u201d, argumentou o presidente.<\/p>\n<p>J\u00e1 o conselheiro coordenador da Comiss\u00e3o de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, Fernando de Aquino Fonseca Neto, afirmou que o debate era muito oportuno porque o Banco Central elevou a taxa de juros em 0,75 ponto percentual pela segunda reuni\u00e3o consecutiva, passando de 2% para 3,5%. \u201cMas \u00e9 claro que a pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o se restringe \u00e0 Selic\u201d, observou Aquino.<\/p>\n<p>Guilherme Mello foi o primeiro a falar e destacou a pol\u00edtica monet\u00e1ria como um tema que tem ganho relev\u00e2ncia e complexidade, uma vez que a crise de 2008 obrigou a repensar a macroeconomia. \u201cO tema vem passando por uma transforma\u00e7\u00e3o gigantesca na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, comentou Mello. \u201cA pol\u00edtica monet\u00e1ria era um instrumento importante, mas n\u00e3o central no arranjo de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas. No arranjo financeiro e monet\u00e1rio p\u00f3s-Bretton Woods foi dado mais espa\u00e7o para a atua\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas nacionais e para a utiliza\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica fiscal\u201d.<\/p>\n<p>O economista caracterizou a pol\u00edtica monet\u00e1ria at\u00e9 os anos 70 como algo discricion\u00e1rio, que n\u00e3o seguia necessariamente uma regra. Com o fen\u00f4meno da estagfla\u00e7\u00e3o e a ascens\u00e3o de governos conservadores (como os de Margareth Tatcher e Ronald Reagan) vem a primeira onda monetarista, trazendo a vis\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o como um fen\u00f4meno monet\u00e1rio. \u201cEles defendiam que a velocidade de circula\u00e7\u00e3o da moeda era constante e criavam hip\u00f3teses ad hoc, e foi a partir da\u00ed que a pol\u00edtica monet\u00e1ria passou a estar submetida a uma regra\u201d, argumentou Mello. \u201cE a regra era: aumentar a base monet\u00e1ria conforme se aumenta a renda e o produto. \u00c9 um fracasso retumbante, porque \u00e9 descolado dos mecanismos de funcionamento do capitalismo. O fracasso foi abandonado, mas n\u00e3o a ideia de que deveria haver regras\u201d.<\/p>\n<p>A crise de 2008 trouxe uma mudan\u00e7a de entendimento da pol\u00edtica monet\u00e1ria. \u201cOs policy makers perceberam que os modelos e a teoria utilizada n\u00e3o d\u00e3o conta da realidade e t\u00eam furos enormes, seja na concep\u00e7\u00e3o sobre a moeda, seja sobre a pol\u00edtica fiscal\u201d, observou o palestrante. Comentou o caso do Jap\u00e3o, onde o est\u00edmulo \u00e0 infla\u00e7\u00e3o levou a taxa de juros real a um patamar negativo. \u201cHouve uma quebra de paradigmas, com o salvamento de empresas e o abandono de qualquer regra de pol\u00edtica monet\u00e1ria. Em alguns pa\u00edses a taxa de juros foi para abaixo de zero. Os Bancos Centrais passaram a atuar em todo o espectro da taxa de juros, no curto, m\u00e9dio e longo prazo\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um ano, o mundo vive a pandemia causada pela Covid-19. \u201cA pol\u00edtica monet\u00e1ria continua absolutamente n\u00e3o convencional. O Banco Central japon\u00eas \u00e9 acionista majorit\u00e1rio de centenas de empresas e compra a\u00e7\u00f5es para manter a bolsa se valorizando e evitar uma crise financeira. A Alemanha compra empresas para que n\u00e3o sejam vendidas para a China\u201d, apontou Mello. \u201cO Banco Central Europeu pede que os Estados gastem. Enquanto isso, n\u00f3s reduzimos a taxa de juros, promovendo uma fuga de capitais. Nessa infla\u00e7\u00e3o gigantesca que temos n\u00e3o h\u00e1 nenhum controle de capitais. Estamos numa recess\u00e3o aumentando a taxa de juros. S\u00f3 este aumento j\u00e1 nos custou todo o aux\u00edlio emergencial do ano passado\u201d.<\/p>\n<p>O segundo debatedor, Gabriel Gal\u00edpolo, come\u00e7ou sua fala argumentando que as metas de infla\u00e7\u00e3o, que existem desde os anos 80, trazem consigo a ideia de que a moeda \u00e9 end\u00f3gena. \u201c\u00c9 a ideia de que n\u00e3o importa controlar a quantidade de moeda existente. O que importa \u00e9 controlar, atrav\u00e9s do pre\u00e7o, do custo de oportunidade de preservar a riqueza na forma l\u00edquida, ou n\u00e3o\u201d, apontou. Em seguida, citou uma fala de Alan Greenspan, na qual afirma que o pa\u00eds sempre poder\u00e1 emitir moeda para pagar a d\u00edvida; e outra de Jerome Powell, dizendo que para inundar o mercado com liquidez n\u00e3o \u00e9 preciso imprimir dinheiro, que isso pode ser feito digitalmente.<\/p>\n<p>Os bancos centrais promoveram o chamado \u201cquantitative easing\u201d. \u201cSe eu somar os cinco principais bancos centrais do mundo, eles injetaram 30 milh\u00f5es de d\u00f3lares no mercado financeiro para sustentar e fazer o pre\u00e7o destes ativos. Comprando t\u00edtulos no mercado secund\u00e1rio, o banco central controla a taxa de juros de longo prazo\u201d, apontou o economista. Isso \u00e9 relevante porque em 2008 se aprofunda uma nova forma de rentismo: \u201cEle vive da queda na taxa de juros, o que provoca uma eleva\u00e7\u00e3o no valor presente dos t\u00edtulos, e quanto menor a taxa de juros, maior o valor presente\u201d.<\/p>\n<p>Gal\u00edpolo apontou para a necessidade de que a pol\u00edtica fiscal acompanhe a pol\u00edtica monet\u00e1ria. \u201cPara ampliar a moeda n\u00e3o enquanto reserva de valor, mas enquanto poder aquisitivo e meio de pagamento. Esse gasto \u00e9 que vai gerar renda e reativar o consumo\u201d, argumentou. Em seguida, tratou do caso brasileiro: \u201cEm 2013 e 2014 a taxa de juros foi de 7 para 14%, e em 2015 fizemos aquele ajuste que zera os investimentos. Agora chegamos \u00e0 taxa de juros t\u00e3o baixa pelo excesso de liquidez que havia na economia internacional. Com a retomada da atividade econ\u00f4mica nos Estados Unidos e Europa os juros v\u00e3o subir. Estamos ficando com o pior dos mundos: nosso programa de metas de infla\u00e7\u00e3o \u00e9 uma muleta para a \u00e2ncora cambial. Apesar da atividade econ\u00f4mica ainda estar ap\u00e1tica, estamos tendo que subir os juros\u201d.<\/p>\n<p>Ao falar sobre a recente alta nos juros, apontou que o mandato do Banco Central, com a recente ado\u00e7\u00e3o da autonomia, deveria observar tamb\u00e9m o emprego. \u201cIsso foi percebido no comunicado com Copom ontem. Mas estamos subindo os juros porque entendemos que o crescimento est\u00e1 vindo mais r\u00e1pido e forte do que deveria. Como \u00e9 que voc\u00ea vai falar isso para as pessoas? N\u00e3o est\u00e1 acontecendo nada disso na vida delas. \u00c9 o efeito do c\u00e2mbio\u201d, criticou o economista. \u201cTemos um problema de c\u00e2mbio, uma moeda n\u00e3o convers\u00edvel. Por isso, dever\u00edamos fazer mais do que os outros pa\u00edses fazem. Temos que atuar tamb\u00e9m no mercado de c\u00e2mbio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Os convidados<\/strong><\/p>\n<p>Gabriel Gal\u00edpolo \u00e9 graduado pela PUC\/SP e mestre em Economia Pol\u00edtica pela mesma universidade. Desde 2017 \u00e9 presidente do Banco Fator. Foi chefe da assessoria econ\u00f4mica da Secretaria de Transportes Metropolitanos do Estado de S\u00e3o Paulo (2007), diretor da Unidade de Estrutura\u00e7\u00e3o de Projetos da Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de S\u00e3o Paulo (2008). Em 2009 fundou a Gal\u00edpolo Consultoria, da qual \u00e9 s\u00f3cio-diretor. Foi professor da Gradua\u00e7\u00e3o da PUC\/SP e do MBA de PPPs e Concess\u00f5es da Funda\u00e7\u00e3o Escola de Sociologia e Pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo. \u00c9 tamb\u00e9m coautor dos livros \u201cManda quem pode, obedece quem tem preju\u00edzo\u201d e \u201cA escassez na abund\u00e2ncia capitalista\u201d.<\/p>\n<p>Guilherme Mello \u00e9 graduado em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas (PUC\/SP, 2006) e em Ci\u00eancias Sociais (USP, 2008), Mestre em Economia Pol\u00edtica (PUC\/SP, 2009) e doutor em Ci\u00eancia Econ\u00f4mica (Unicamp, 2013). Atua como professor e coordenador do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em desenvolvimento econ\u00f4mico do Instituto de Economia da Unicamp.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":14577,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27,2],"tags":[],"class_list":["post-14576","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acoes-da-presidencia-lacerda","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14576"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14576"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14576\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}