{"id":13914,"date":"2021-01-27T10:03:01","date_gmt":"2021-01-27T13:03:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=13914"},"modified":"2021-01-27T10:03:01","modified_gmt":"2021-01-27T13:03:01","slug":"artigo-governo-biden-e-o-programa-economico-buy-american","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=13914","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Governo Biden e o programa econ\u00f4mico Buy American"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Antonio Corr\u00eaa de Lacerda &#8211; Professor-doutor, diretor da FEA-PUC-SP e presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon). Publicou recentemente &#8220;O mito da austeridade&#8221;, pela editora Contracorrente. Site: www.aclacerda.com.<\/p>\n<p>Artigo originalmente publicado no Estad\u00e3o, em 27 de janeiro de 2021 &#8211; <a href=\"https:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,governo-biden-e-o-programa-de-economico-buy-american,70003595273?utm_source=estadao:whatsapp&amp;utm_medium=link\"><strong>Clique aqui.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p class=\"text\">O novo governo dos EUA, de Joe Biden, deve implementar um programa j\u00e1 anunciado na sua campanha que visa a promover a compra de produtos de origem local. O\u00a0<strong>Buy American<\/strong>\u00a0n\u00e3o \u00e9 propriamente novo, j\u00e1 fora implementado em v\u00e1rios outros governos, tanto de republicanos como de democratas.<\/p>\n<div class=\"related-news-shell\">\n<div class=\"related-news anchor-right border-economy \">\n<p class=\"text\">O programa tem um impacto econ\u00f4mico expressivo. S\u00e3o cerca de US$ 400 bilh\u00f5es de compras do governo federal, montante que pode ser significativamente ampliado para alguns trilh\u00f5es, se vier acompanhado de investimentos voltados para combater os efeitos da crise da pandemia. Uma vez adotado, ter\u00e1 impactos significativos, considerando seu efeito multiplicador para a atividade econ\u00f4mica como um todo e a gera\u00e7\u00e3o de empregos.<\/p>\n<p class=\"text\">A iniciativa \u00e9 acompanhada de perto pelos parceiros comerciais dos EUA, pois na pr\u00e1tica poder\u00e1 significar restri\u00e7\u00f5es de acesso de exportadores ao mercado. Na verdade, embora haja limita\u00e7\u00f5es de restri\u00e7\u00e3o de mercados anteriormente assumidas pelos norte-americanos na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), sempre h\u00e1 brechas para a ado\u00e7\u00e3o de alguma forma de protecionismo.<\/p>\n<p class=\"text\">Proteger mercados dom\u00e9sticos, exigir conte\u00fado nacional e outras medidas de cunho protecionista podem parecer uma contradi\u00e7\u00e3o para um pa\u00eds tido como liberal do ponto de vista econ\u00f4mico. Mas sempre houve uma enorme dist\u00e2ncia entre o discurso liberalizante e a pr\u00e1tica intervencionista.<\/p>\n<p class=\"text\">Alexander Hamilton, primeiro secret\u00e1rio do Tesouro norte-americano (1789-1795), foi um dos principais formuladores de pol\u00edticas protecionistas de est\u00edmulo de desenvolvimento da ind\u00fastria manufatureira nos EUA. Seu trabalho\u00a0<em>Reports of the Secretary of the Treasury on the subject of manufactures<\/em>\u00a0(1791) trouxe muitos conceitos e an\u00e1lises defendendo a prote\u00e7\u00e3o a ind\u00fastrias nascentes, posteriormente aprofundados por Friedrich List (1789-1846), especialmente no seu livro\u00a0<em>The National System of Political Economy<\/em>\u00a0(1841).<\/p>\n<p class=\"text\">A partir desses princ\u00edpios, com idas e vindas pol\u00edticas e econ\u00f4micas, as pol\u00edticas p\u00fablicas norte-americanas jamais deixaram de fazer uso de instrumentos de fomento para viabilizar e desenvolver a sua ind\u00fastria, num conceito mais amplo, integrada \u00e0 agricultura e aos servi\u00e7os. Toda essa experi\u00eancia de desenvolvimento, tanto dos EUA como de muitos pa\u00edses hoje entre os mais ricos, est\u00e1 fartamente documentada. N\u00e3o se trata de sugerir imitar a sua trajet\u00f3ria, mas de levar em conta mais a pr\u00e1tica do que o discurso no tocante \u00e0s decis\u00f5es de pol\u00edticas a serem adotadas.<\/p>\n<p class=\"text\">A grande li\u00e7\u00e3o para o Brasil \u00e9 de que n\u00e3o se deve abrir m\u00e3o dos pr\u00f3prios interesses em prol de uma aparente modernidade. Mais ainda pelo fato de sermos uma na\u00e7\u00e3o com enormes desafios pela frente, cujas debilidades se agravaram na pandemia.<\/p>\n<p class=\"text\">\u00c9 preciso conduzir as pol\u00edticas de desenvolvimento com foco nas oportunidades a serem geradas. Limita\u00e7\u00f5es autoimpostas, como o teto de gastos (EC95), por exemplo, t\u00eam de ser revistas, considerando as necessidades que se apresentam. Da mesma forma, uma eventual abertura comercial deve levar em conta o desafio de reverter a desindustrializa\u00e7\u00e3o em curso.<\/p>\n<p class=\"text\">Para al\u00e9m da revers\u00e3o do retrocesso na \u00e1rea, \u00e9 imprescind\u00edvel integrar de outra forma nossa atividade produtiva aos preceitos da ind\u00fastria 4.0, da nanotecnologia, da internet das coisas e da tecnologia 5G. S\u00e3o enormes desafios, mas o Brasil conta, al\u00e9m da sua tradi\u00e7\u00e3o industrial, com economias de escala e de escopo para enfrent\u00e1-los.<\/p>\n<p class=\"text\">Isso, no entanto, n\u00e3o ocorrer\u00e1 de forma autom\u00e1tica, apenas contando com as for\u00e7as do mercado, embora estas devam fazer parte, obviamente, da estrat\u00e9gia. \u00c9 necess\u00e1rio um claro projeto de desenvolvimento, no qual estejam expl\u00edcitos os pap\u00e9is tanto das unidades federativas como das empresas, dos trabalhadores e dos institutos de pesquisa e sua rela\u00e7\u00e3o com a universidade.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":13052,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27,7,2],"tags":[],"class_list":["post-13914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acoes-da-presidencia-lacerda","category-cofecon-na-midia","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13914"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13914\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13052"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}