{"id":13642,"date":"2020-12-15T11:40:46","date_gmt":"2020-12-15T14:40:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=13642"},"modified":"2025-08-26T12:43:17","modified_gmt":"2025-08-26T15:43:17","slug":"economia-solidaria-se-apresenta-como-alternativa-aos-mais-vulneraveis-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=13642","title":{"rendered":"Economia solid\u00e1ria se apresenta como alternativa aos mais vulner\u00e1veis durante a pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-13643 alignleft\" src=\"http:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/ecosol.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/ecosol.jpg 350w, https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/ecosol-300x214.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>A palavra \u201ccoletivo\u201d talvez nunca tenha feito tanto sentido quanto em 2020. Com o avan\u00e7o da pandemia do novo coronav\u00edrus, o enorme potencial de cont\u00e1gio e poucas alternativas de tratamento cientificamente comprovadas, o isolamento social foi determinante para frear a transmiss\u00e3o viral. Foi preciso deixar de lado a perspectiva individual e se isolar para cuidar do outro, mas, ao mesmo tempo, redes de solidariedade aproximaram as pessoas, em um movimento para auxiliar aqueles que mais sofreram com os impactos socioecon\u00f4micos.<\/p>\n<p>\u00c9 comprovado que em 2020 as desigualdades sociais foram potencializadas. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, conflitos, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a Covid-19 geraram o maior desafio humanit\u00e1rio desde a Segunda Guerra Mundial. No Brasil, segundo o IBGE, o contingente de desempregados em outubro deste ano foi de 13,8 milh\u00f5es e a taxa de desemprego bateu 14,1%, a maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a economia popular solid\u00e1ria se apresenta como uma alternativa \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel pela grande possibilidade de gera\u00e7\u00e3o de renda. S\u00e3o empreendimentos econ\u00f4micos coletivos, pautados por valores como solidariedade e coopera\u00e7\u00e3o, voltados para o faturamento da produ\u00e7\u00e3o e melhoria da qualidade de vida dos seus integrantes.<\/p>\n<p>Para a vice-presidente do Cofecon, Denise Kassama Franco do Amaral, o economista pode e deve fazer parte desse processo de apoio aos neg\u00f3cios solid\u00e1rios. \u201cO papel do economista consiste em ajudar a impulsion\u00e1-los para que efetivamente possam gerar renda e dignidade a seus participantes. Dessa forma, cumprimos o papel social de trabalhar pelo desenvolvimento econ\u00f4mico justo do Pa\u00eds\u201d, defende Denise Kassama. A vice-presidente ressalta que a economia solid\u00e1ria tem muito potencial para crescer e beneficiar uma parcela maior da popula\u00e7\u00e3o. No entanto, em sua opini\u00e3o, s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio e est\u00edmulo ao setor.<\/p>\n<p><strong>Parcerias para desenvolvimento do setor<\/strong><\/p>\n<p>Em 2020 o Conselho Federal de Economia firmou parceria com a C\u00e1ritas Brasileira e publicou uma cartilha virtual que apresenta, de forma did\u00e1tica, boas pr\u00e1ticas para gerenciar esse tipo de empresa. O material est\u00e1 dispon\u00edvel no site do Cofecon e os cap\u00edtulos abordam temas pr\u00e1ticos como planejamento, gest\u00e3o financeira, documentos necess\u00e1rios para a cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de empreendimentos solid\u00e1rios; e conceituais, como explica\u00e7\u00f5es sobre a diferen\u00e7a entre empresas comuns e solid\u00e1rias e as principais caracter\u00edsticas desse tipo de neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A C\u00e1ritas atua h\u00e1 40 anos no campo da economia solid\u00e1ria por meio da forma\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o dos grupos comunit\u00e1rios e das redes, com a\u00e7\u00f5es voltadas a cooperativas e grupos de produ\u00e7\u00e3o. Diretor-executivo da entidade, Carlos Humberto Campos explica que o Brasil est\u00e1 em um momento de organiza\u00e7\u00e3o do processo de mobiliza\u00e7\u00e3o da economia popular solid\u00e1ria e que a parceria com o Cofecon traz visibilidade a iniciativas do setor.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAo mesmo tempo que os economistas contribuem com conhecimento t\u00e9cnico, com a viabilidade da produ\u00e7\u00e3o, com os estudos t\u00e9cnicos de produ\u00e7\u00e3o, consumo e mercado, tamb\u00e9m as experi\u00eancias dos agricultores, dos pequenos produtos e dos artes\u00e3os contribuem com os economistas na perspectiva de conhecer e trabalhar uma outra economia, uma economia que n\u00e3o vise apenas o lucro, mas que esteja \u00e0 servi\u00e7o das pessoas e viabilize o bem viver e qualidade de vida\u201d, destaca o diretor-executivo da C\u00e1ritas Brasileira.<\/p>\n<p>Carlos Humberto Campos conta que h\u00e1 136 grupos comunit\u00e1rios assistidos pela C\u00e1ritas Brasileira, entre cooperativas e associa\u00e7\u00f5es, reunindo cerca de 2.500 pessoas em todo o Pa\u00eds. Ele acredita no potencial desse segmento como alternativa para enfrentar o desemprego, a fome e a mis\u00e9ria. \u201cNesse tempo de pandemia, as experi\u00eancias de economia popular solid\u00e1ria garantiram a sobreviv\u00eancia e vida das pessoas em nossas comunidades e grupos; produzindo alimentos, entregando nas casas, partilhando muitas vezes com aqueles que n\u00e3o tinham, comercializando produtos para distribui\u00e7\u00e3o de cesta b\u00e1sica\u201d, relatou. Na vis\u00e3o de Carlos Humberto, a economia solid\u00e1ria traz um olhar diferente sobre a produ\u00e7\u00e3o de riqueza, gera\u00e7\u00e3o de empregos e reconhecimento das pessoas no processo de produ\u00e7\u00e3o. S\u00e3o neg\u00f3cios que n\u00e3o visam apenas o lucro, combatem a exclus\u00e3o social por permitirem o processo de transforma\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, que passam a fazer a pr\u00f3pria gest\u00e3o do que produzem.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos viver em um mundo com grandes concentra\u00e7\u00f5es de riqueza. \u00c9 abomin\u00e1vel ver que no per\u00edodo de pandemia de tantas mortes e fome, dor e sofrimento, seja um per\u00edodo que bancos e grandes empresas alcancem os maiores lucros. Esse modelo de economia n\u00e3o \u00e9 humano, n\u00e3o est\u00e1 direcionado para as pessoas, tem outros interesses. A economia popular solid\u00e1ria trabalha na dimens\u00e3o da justi\u00e7a, do direito das pessoas, e sobretudo do bem viver de cada um\u201d, destacou.<\/p>\n<p><strong>Mulheres Transformadoras <\/strong><\/p>\n<p>Por acreditar no potencial da economia solid\u00e1ria para modificar realidades, o Cofecon lan\u00e7ou, em 2020, o Pr\u00eamio Mulher Transformadora, no \u00e2mbito da Comiss\u00e3o Mulher Economista, coordenada pela conselheira federal M\u00f4nica Beraldo. Voltado a reconhecer mulheres que fazem a diferen\u00e7a na economia local, mesmo sem a forma\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, teve seis finalistas: Alice Kuerten, do Instituto Guga Kuerten (SC); Ticiana Rolim Queiroz, do Somos Todos Um (CE); Meiriane Nunes Amaro, do Artes\u00e3s do Parano\u00e1 (DF); Suelen Ramos, lideran\u00e7a do Movimento Nacional de Catadores do Amazonas (AM); Francisca Erb\u00eania, coordenadora da C\u00e1ritas Dioscesana de Crate\u00fas (CE); e Lourdes Dill, do projeto Esperan\u00e7a Cooesperan\u00e7a de Santa Maria (RS).<\/p>\n<p>O primeiro lugar ficou com Lourdes Dill, a organizadora da Feira Internacional do Cooperativismo, evento que est\u00e1 em sua 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o e neste ano ocorreu de forma virtual por causa da pandemia do novo coronav\u00edrus. Lourdes conta que est\u00e1 \u00e0 frente do projeto Esperan\u00e7a Cooesperan\u00e7a h\u00e1 33 anos. A iniciativa atende 34 munic\u00edpios da regi\u00e3o, com 300 grupos organizados e um p\u00fablico de mais de 25 mil pessoas. \u201cS\u00e3o mais de cinco mil fam\u00edlias que participam desse trabalho no campo e na cidade, em diferentes segmentos. S\u00e3o agricultores familiares, agroind\u00fastria, pessoas que trabalham com confec\u00e7\u00f5es, com artesanato, com plantas ornamentais, povos ind\u00edgenas, quilombolas, catadores, e um grande p\u00fablico tamb\u00e9m de consumidores que se organizam e participam conosco\u201d, explica. Ela conta que os participantes do projeto contam com um espa\u00e7o f\u00edsico de comercializa\u00e7\u00e3o direta: uma grande feira que ocorre aos s\u00e1bados, feiras nas pra\u00e7as de Santa Maria e a tradicional Feicoop.<\/p>\n<p>Lourdes Dill acredita que, considerando que na economia solid\u00e1ria n\u00e3o existem patr\u00f5es e empregados, mas todos gerenciam o pr\u00f3prio neg\u00f3cio, o segmento pode representar um projeto de futuro para a humanidade. \u201cCom o grande \u00edndice de desemprego que n\u00f3s temos hoje n\u00e3o vai haver mais emprego tradicional para todo mundo. Estamos vendo muitas pessoas come\u00e7ando a trabalhar por conta pr\u00f3pria, outros se organizam. No projeto Esperan\u00e7a Cooesperan\u00e7a n\u00f3s temos a participa\u00e7\u00e3o de pessoas que j\u00e1 t\u00eam doutorado, mestrado, especializa\u00e7\u00e3o, cursos superiores em v\u00e1rias \u00e1reas e n\u00e3o conseguem emprego. Vemos que muitos t\u00eam optado por uma nova forma de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho nessa dimens\u00e3o autogestion\u00e1ria e do bem viver\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Francisca Erb\u00eania de Souza, tamb\u00e9m finalista do Pr\u00eamio Mulher Transformadora, defende que um outo mundo \u00e9 poss\u00edvel a partir do olhar da economia popular solid\u00e1ria. Natural do sert\u00e3o central, de Quixeramobim (CE), afirma que a ess\u00eancia da economia solid\u00e1ria \u00e9 fortalecer o que j\u00e1 \u00e9 natural entre os mais vulner\u00e1veis socioeconomicamente: a partilha e a solidariedade. \u201cEsse modelo \u00e9 inclusivo, solid\u00e1rio, e seu fio condutor \u00e9 o cuidado com a vida. Temos toda uma metodologia de aproximar, ver a realidade e nos unirmos para transform\u00e1-la em espa\u00e7os de discuss\u00e3o e de qualidade de vida\u201d, explica.<\/p>\n<p>Erb\u00eania relata que antes de investirem na economia popular solid\u00e1ria, a cultura alimentar da cidade era de basicamente arroz e feij\u00e3o, com algumas exce\u00e7\u00f5es de produtores que criavam animais e contavam com prote\u00edna nas refei\u00e7\u00f5es. A economia solid\u00e1ria diversificou e tornou a alimenta\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias mais rica na medida em que descobriram o valor de alimentos como a cenoura, diversas formas de preparo e a venda do excedente para complementar a renda. Al\u00e9m disso, beneficiou a produ\u00e7\u00e3o do quintal, que virou horta, com reaproveitamento de folhas de verduras e de \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o. Outra dimens\u00e3o apontada por Francisca Erb\u00eania foram as qualifica\u00e7\u00f5es e rodas de conversa. \u201cPor que tudo tem que virar moeda de troca? Por que n\u00e3o conseguimos ser mais solid\u00e1rios a partir do que temos? A economia popular solid\u00e1ria nos permite a fazer e a vivenciar o milagre da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Suelen Cardoso Ramos \u00e9 catadora de materiais recicl\u00e1veis na cidade de Manaus e atua como lideran\u00e7a do Movimento Nacional de Catadores do Amazonas. Ela conta que em 2008 come\u00e7ou a trabalhar nesse ramo por necessidade financeira e que passou a lutar para que o grupo de pessoas que atuavam nessa \u00e1rea fossem reconhecidos como associa\u00e7\u00e3o ou cooperativa. Desde ent\u00e3o, se formou em Gest\u00e3o Ambiental, representa os catadores no Conselho Estadual de Meio Ambiente do Amazonas e no F\u00f3rum de Log\u00edstica Reversa \u201cD\u00ea a m\u00e3o para o futuro\u201d, em que acompanha duas associa\u00e7\u00f5es e cooperativas para que sejam inclu\u00eddos de forma organizada na sociedade, tirando-os da insalubridade e conquistando espa\u00e7os.<\/p>\n<p>Em sua vis\u00e3o, a pandemia mostrou que todos s\u00e3o seres iguais, independentemente de serem ricos ou pobres, e que precisam viver a solidariedade com o pr\u00f3ximo, ajudando e dividindo o que t\u00eam. \u201cA partir do momento em que eu compreendi o que \u00e9 a economia solid\u00e1ria, nunca mais passei fome e nem necessidade; e principalmente, ao pratic\u00e1-la a minha vida mudou completamente\u201d, revela.<\/p>\n<p>A vice-presidente do Cofecon, Denise Kassama, acredita na economia solid\u00e1ria como uma filosofia de vida que muda a percep\u00e7\u00e3o sobre o dinheiro, promovendo uma busca mais humana pela qualidade de vida. \u201cEntendemos que \u00e9 de grande import\u00e2ncia o Cofecon apoiar tais iniciativas, cumprindo seu papel social e apoiando legitimas iniciativas de gera\u00e7\u00e3o de renda de forma mais justa e humana\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>(Reportagem publicada na 38\u00aa edi\u00e7\u00e3o da revista Economistas &#8211; http:\/\/cofecon.org.br\/downloads\/revistas\/2020\/capa38.pdf)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":13643,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35,1],"tags":[],"class_list":["post-13642","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia-solidaria","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13642"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13642"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13642\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26086,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13642\/revisions\/26086"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13643"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13642"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13642"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}