{"id":1315,"date":"2016-12-22T10:31:01","date_gmt":"2016-12-22T12:31:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=1315"},"modified":"2016-12-22T10:31:01","modified_gmt":"2016-12-22T12:31:01","slug":"exportar-pequi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=1315","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Exportar pequi"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de saber que o governo est\u00e1 ficando cada vez mais cainha, tendo em vista uma gastan\u00e7a criativa recente em nome do social, da distribui\u00e7\u00e3o de renda e do nacionalismo xen\u00f3fobo, duvido se ele n\u00e3o v\u00e1 criar condi\u00e7\u00f5es para a readequa\u00e7\u00e3o institucional visando fortalecer a produ\u00e7\u00e3o e as exporta\u00e7\u00f5es matogrossenses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 porque, mister se faz exportar para garantir a estabilidade do c\u00e2mbio e torn\u00e1-lo menos dependente de juros altos como fator de atra\u00e7\u00e3o para investidores do mercado cambial e monet\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de que, &#8220;a internacionaliza\u00e7\u00e3o comercial vem evidenciar o fracasso do ideal de auto-sufici\u00eancia definido por muitos pa\u00edses ao longo do tempo, cuja insist\u00eancia em fabricar determinados produtos, \u00e0 custa de muito desperd\u00edcio, acabou penalizando sobremaneira suas economias.&#8221; (SUZUKI, A. L. et alii, 1992)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, no \u00e2mbito do com\u00e9rcio internacional \u00e9 cl\u00e1ssico e prudente que os pa\u00edses se pautem pelos princ\u00edpios das vantagens comerciais, isto \u00e9, vantagem absoluta, vantagem comparativa, vantagem natural, vantagem constru\u00edda e vantagem revelada, que, sem d\u00favida, garantem uma vantagem competitiva sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para UNGER, R. M., 2010, diz-se que um pa\u00eds desfruta de vantagem absoluta sobre outro na produ\u00e7\u00e3o de um bem se pode produzi-lo de forma mais eficaz, isto \u00e9, a um custo mais baixo que o outro. Diz-se que ele desfruta vantagem comparativa em rela\u00e7\u00e3o a outro na produ\u00e7\u00e3o de um bem se pode produzi-lo a um custo de oportunidade mais baixo que o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, continua ele, o pa\u00eds que n\u00e3o goza de vantagem absoluta na produ\u00e7\u00e3o de um bem pode ainda assim ter uma vantagem comparativa. Essa vantagem comparativa expande muito a base para a especializa\u00e7\u00e3o internacional da produ\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o, e por ser contra-intuitivo em seu significado e profundo em suas consequ\u00eancias, tem sido, desde a formula\u00e7\u00e3o por David Ricardo (1772-1823) quase 200 anos atr\u00e1s, a base do pensamento sobre o com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos fundamentos arrolados at\u00e9 aqui, torna-se poss\u00edvel indagar: quais as condi\u00e7\u00f5es para que possamos exportar pequi?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido as caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas e t\u00edpicas do pequi, tanto no que diz respeito a seus aspectos naturais como os costumes e h\u00e1bitos para seu consumo, o leitor h\u00e1 de convir com nosso argumento de que seria dif\u00edcil exportar pequi in natura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, imaginem s\u00f3 um gringo dando aquela abocanhada num pequizinho, que por tr\u00e1s de sua beleza e aroma esconde muitos espinhos que podem ferir a l\u00edngua e o palato (popularmente conhecido como c\u00e9u da boca); mas, tamb\u00e9m, n\u00e3o sabe ele que basta um pequeno peda\u00e7o de algod\u00e3o para eliminar todo o estrago provocado pela gula bem-dita, e dona Alda, minha m\u00e3e, que o diga, devido \u00e0 minha primeira experi\u00eancia com o pequi na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelas caracter\u00edsticas desse fruto \u00e9 importante que busquemos nas vantagens naturais e constru\u00eddas as condi\u00e7\u00f5es que melhor atendam as exig\u00eancias do mercado consumidor externo, pautando-nos da utiliza\u00e7\u00e3o dos mesmos n\u00e3o-somente em tempos de sua esta\u00e7\u00e3o (\u00e9poca) ou esperar pela benevol\u00eancia da natureza junto a pr\u00e1tica do extrativismo como renda complementar (existem outra esta\u00e7\u00e3o ou outras esta\u00e7\u00f5es que muito nos envergonham por n\u00e3o terem gerado bons frutos da mobilidade, estradas, hospitais, etc.), mas, sim, associada a forma\u00e7\u00e3o de vantagens constru\u00eddas a partir da planta\u00e7\u00e3o de pequizeiros em escala e escopo em conformidade com as necessidades e prefer\u00eancias do mercado com o uso desses frutos para variados fins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito, existem milhares e milhares de \u00e1reas improdutivas que podem ser aproveitadas, prudentemente, para tal fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criar condi\u00e7\u00f5es microecon\u00f4micas e macroecon\u00f4micas eficazes e eficientes s\u00e3o os caminhos para n\u00e3o se exportar impostos e nem inibir o consumo interno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, nos \u00faltimos anos, a Argentina enveredou-se em taxar absurdamente sua agricultura exportadora, algo em torno de 30% (CNI, 2016) e deu no que deu: desinvestimento pelo setor, o que provocou crise de abastecimento e infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa dizer que a rec\u00e9m-reforma tribut\u00e1ria, ainda em debate em Mato Grosso, esteja na contram\u00e3o da l\u00f3gica reformista tribut\u00e1ria; pelo contr\u00e1rio, a proposta atual objetiva efic\u00e1cia e efici\u00eancia tribut\u00e1rias, que v\u00e3o e devem ir muito al\u00e9m da mera justi\u00e7a tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oportuno dizer que Lei Kandir \u00e9 outra discuss\u00e3o a ser observada e debatida em sintonia com a tributa\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o praticada internamente (qual o percentual que o fethab representa nos custos da \u00e1rea plantada?) e por outros pa\u00edses no seu setor produtivo de com\u00f3dites agr\u00edcolas, al\u00e9m de atentar para o fato de que a referida Lei afetou em cheio estados exportadores, \u00e0 \u00e9poca, e Mato Grosso era incipiente exportador de madeiras, basicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, cada discuss\u00e3o a seu tempo e a sua relev\u00e2ncia, sem que isso iniba a iniciativa de investimentos em tantas oportunidades existentes em Mato Grosso, raz\u00e3o da incontest\u00e1vel confian\u00e7a no estadista nato para se evitar &#8220;que o poder p\u00fablico e pol\u00edtico se converta em vantagens privadas.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como pondera\u00e7\u00e3o final, menciona-se que o pequi, aqui aventado, foi apenas pela quest\u00e3o de estar no quase-auge de sua esta\u00e7\u00e3o, e infelizmente, terra para plant\u00e1-lo, somente a tenho debaixo da unha, vez ou outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 s\u00f3.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ernani L\u00facio Pinto de Souza<\/strong> &#8211; Economista da UFMT\/FE\/Niepe e Ms. em Planejamento do Desenvolvimento pela Anpec\/Ufpa\/Naea (<span id=\"cloak37224\"><a href=\"mailto:elpsouza@ufmt.br\">elpsouza@ufmt.br<\/a><\/span>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de saber que o governo est\u00e1 ficando cada vez mais cainha, tendo em vista uma gastan\u00e7a criativa recente em nome do social, da distribui\u00e7\u00e3o de renda e do nacionalismo xen\u00f3fobo, duvido se ele n\u00e3o v\u00e1 criar condi\u00e7\u00f5es para a<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=1315\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-1315","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1315"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1315"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1315\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}