{"id":13083,"date":"2020-10-24T14:34:10","date_gmt":"2020-10-24T17:34:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=13083"},"modified":"2020-10-24T14:34:10","modified_gmt":"2020-10-24T17:34:10","slug":"artigo-fome-no-df","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=13083","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Fome no DF"},"content":{"rendered":"\n<p>Por J\u00falio Miragaya &#8211; Doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico Sustent\u00e1vel, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia. Artigo publicado originalmente no Bsb Capital.<\/p>\n<p>A fome sempre foi um problema cr\u00f4nico, no Brasil e no mundo. J\u00e1 na d\u00e9cada de 1950, o m\u00e9dico e ge\u00f3grafo pernambucano Josu\u00e9 de Castro, em seu not\u00e1vel \u201cGeografia da Fome\u201d, denunciava que o problema da fome no Brasil (e no mundo) era estrutural, ou seja, o n\u00e3o acesso de milh\u00f5es de brasileiros ao alimento derivava de nossa estrutura social extremamente desigual. De fato, n\u00e3o se trata de falta de capacidade de produ\u00e7\u00e3o ou de terras para cultivo. Agora em 2020 o Brasil est\u00e1 colhendo a maior safra de gr\u00e3os de sua hist\u00f3ria, mais de 250 milh\u00f5es de toneladas, mas nada menos que 85% do total v\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o ou para ra\u00e7\u00e3o animal. A \u00e1rea plantada com arroz, feij\u00e3o e mandioca, alimentos b\u00e1sicos do brasileiro, vem caindo a cada ano, substitu\u00eddas por \u00e1rea plantada com soja, milho e cana-de-a\u00e7\u00facar. Isto explica os absurdos aumentos nos pre\u00e7os desses alimentos essenciais, notadamente o feij\u00e3o e o arroz.<\/p>\n<p>O Brasil tinha, segundo a FAO\/ONU, sa\u00eddo do mapa da Fome em 2014, ou seja, n\u00e3o tinha ainda acabado com a fome no pa\u00eds, mas tinha reduzido substantivamente a dimens\u00e3o do problema. Hoje, o Brasil do neoliberalismo, ap\u00f3s anos de estagna\u00e7\u00e3o\/retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, que resultaram em enorme aumento do desemprego e do subemprego e subsequente queda da renda, associados a aumentos \u201ccriminosos\u201d nos pre\u00e7os dos alimentos b\u00e1sicos, geraram um s\u00fabito e absurdo aumento no n\u00famero de brasileiros em situa\u00e7\u00e3o de fome.\u00a0<\/p>\n<p>A Pesquisa de Or\u00e7amento Familiar (POF), realizada pelo IBGE, revelou que a fome atinge hoje a quase 15 milh\u00f5es de brasileiros. E nem a unidade da federa\u00e7\u00e3o mais rica, o nosso DF, escapa: nada menos que 207 mil fam\u00edlias (22% do total) apresentam algum grau de inseguran\u00e7a alimentar. O mais grave \u00e9 que 49 mil fam\u00edlias (cerca de 200 mil brasilienses) se encontram no grau de maior gravidade, ou seja, chegam a passar 24 horas do dia sem se alimentar, inclusive as crian\u00e7as. Se considerarmos nosso Entorno Metropolitano, este contingente no m\u00ednimo dobra.<\/p>\n<p>Em 2014, \u00faltimo ano do governo petista na cidade, eram 14 mil fam\u00edlias. Nesses \u00faltimos anos o contingente de fam\u00e9licos aumentou nada menos que 250%, enquanto a popula\u00e7\u00e3o total aumentou 11%. Como agravante, o DF alcan\u00e7ou 205 mil contaminados pela COVID-19, com 3,6 mil mortos. D\u00e1 para se falar em normalidade?<\/p>\n<p>Tenho falado muito nesta coluna sobre a desigualdade como o problema maior da sociedade brasileira. Nesta semana tivemos uma not\u00edcia inacredit\u00e1vel: uma fam\u00edlia paulista remeteu para o exterior a \u201cm\u00f3dica\u201d quantia de R$ 50 bilh\u00f5es (isso mesmo). O mais estarrecedor \u00e9 que recolheu apenas R$ 2 bilh\u00f5es de tributo (apenas o ITCM), ou seja, meros 4%, isenta que \u00e9 do Imposto de Renda. Um trabalhador com renda de 3 SM recolhe muito mais de impostos. Precisa falar mais alguma coisa? \u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>*O artigo traz a vis\u00e3o do autor e n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o do Cofecon.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":13084,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-13083","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13083"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13083"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13083\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}