{"id":1305,"date":"2016-07-25T10:23:15","date_gmt":"2016-07-25T13:23:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=1305"},"modified":"2016-07-25T10:23:15","modified_gmt":"2016-07-25T13:23:15","slug":"licoes-de-viagem-conhecendo-a-amazonia-e-a-regiao-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=1305","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Li\u00e7\u00f5es de viagem &#8211; conhecendo a Amaz\u00f4nia e a Regi\u00e3o Norte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, em palestra proferida na Funda\u00e7\u00e3o Espa\u00e7o Democr\u00e1tico, centro de estudos e pesquisas do Partido Social Democr\u00e1tico (PSD), o pr\u00e9-candidato a prefeito Andrea Matarazzo, fez uma afirma\u00e7\u00e3o em tom de brincadeira \u2013 mas que tem sem d\u00favida uma ponta de verdade \u2013 sobre o desconhecimento que os habitantes das zonas mais nobres da capital a respeito n\u00e3o apenas da periferia, mas at\u00e9 do centro hist\u00f3rico da cidade de S\u00e3o Paulo, parte do qual, infelizmente, encontra-se em acentuado estado de deteriora\u00e7\u00e3o. Com evidente ironia, falou; \u201cTem gente que acha que depois da Avenida Paulista h\u00e1 um abismo que leva ao desconhecido\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exagero \u00e0 parte, as coloca\u00e7\u00f5es de Matarazzo remeteram-me a in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es em que me defrontei com pessoas que fazem afirma\u00e7\u00f5es repletas de certeza e convic\u00e7\u00e3o a respeito do Brasil e das a\u00e7\u00f5es que deveriam ser tomadas para que ele deixe definitivamente de ser o \u201cPa\u00eds do futuro\u201d para se transformar no \u201cPa\u00eds do presente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o raras vezes, tais afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o enunciadas por indiv\u00edduos que conhecem apenas algumas capitais, a maior parte das quais, diga-se de passagem, frequentadas em viagens de lazer, quando foi poss\u00edvel apenas visitar os pontos tur\u00edsticos mais tradicionais, os chamados cart\u00f5es postais dessas localidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconhe\u00e7o que \u00e9 extremamnte dif\u00edcil conhecer profundamente um pa\u00eds com as dimens\u00f5es continentais como o Brasil, com enormes diferen\u00e7as n\u00e3o apenas entre as regi\u00f5es em que o Pa\u00eds se divide, mas tamb\u00e9m dentro de cada regi\u00e3o entre seus diferentes estados-membros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por uma s\u00e9rie de circunst\u00e2ncias, tive oportunidade de viajar bastante pelo Brasil, no in\u00edcio por conta de competi\u00e7\u00f5es esportivas e, mais tarde, por conta de cursos, palestras e participa\u00e7\u00f5es em eventos, quer representando a FAAP, quer como conselheiro do Corecon-SP e do Cofecon. Com isso, chego aos 60 anos numa condi\u00e7\u00e3o rara entre os brasileiros, qual seja, tendo visitado todos os estados do Pa\u00eds, com exce\u00e7\u00e3o de Tocantins, sendo que em muitos deles estive diversas vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale destacar que em v\u00e1rias dessas viagens, n\u00e3o me limitei \u00e0s capitais ou \u00e0s principais cidades de cada estado, indo a rinc\u00f5es pouqu\u00edssimo conhecidos, a n\u00e3o ser pelos habitantes da regi\u00e3o. Lembro-me da primeira vez que minha esposa viajou comigo a Sergipe. Est\u00e1vamos em Aracaju e propus a ela que f\u00f4ssemos at\u00e9 Mangue Seco, lind\u00edssima localidade situada na fronteira com a Bahia, que se tornou nacionalmente conhecida gra\u00e7as \u00e0 novela Tieta do Agreste. Alugamos um buggy e durante a viagem fui passando por diversas placas indicativas de cidades que se situavam \u00e0 beira da estrada. \u00c0 medida que avan\u00e7\u00e1vamos, passamos por v\u00e1rias cidades nas quais eu j\u00e1 havia dado aula ou ministrado palestra, entre as quais Est\u00e2ncia, Lagarto e Itabaianinha. Diante da surpresa dela, falei que o mesmo ocorrera em diversos outros estados, o que ela p\u00f4de comprovar em sucessivas viagens a Pernambuco, onde pude trabalhar em cidades como Nazar\u00e9 da Mata, Vit\u00f3ria de Santo Ant\u00e3o, Tracunha\u00e9m e Petrolina; Santa Catarina, onde estive a trabalho em cidades como Ca\u00e7ador, Chapec\u00f3 e Indaial, al\u00e9m das mais conhecidas Joinvile, Blumenau e Itaja\u00ed; Mato Grosso do Sul, onde estive em Dourados, Ponta Por\u00e3, Deod\u00e1polis e Rio Brilhante; ou Rio Grande do Sul, em que pude me apresentar em Bag\u00e9, Cachoeira do Sul, Canela, Pelotas, Caxias do Sul, Bento Gon\u00e7alves, Santa Maria e Santa Cruz do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00e3o me alongar muito, afirmo \u2013 com ineg\u00e1vel orgulho \u2013 que algo parecido aconteceu em outros estados, tais como Paran\u00e1, Goi\u00e1s, Bahia, Minas Gerais, Cear\u00e1, Piau\u00ed, Maranh\u00e3o e Par\u00e1, no qual s\u00f3 a Santar\u00e9m fui por cinco vezes. Numa dessas vezes, ocorreu um epis\u00f3dio que revela bem as diferentes formas de encarar a realidade num pa\u00eds como o Brasil. Como j\u00e1 estivera em Santar\u00e9m outras vezes, fazendo escala em Manaus e em Bel\u00e9m, perguntei a um interlocutor local quanto tempo ficava cada um delas. Quando ele me respondeu \u201cDepende\u201d, minha primeira impress\u00e3o \u00e9 que ele estava brincando comigo. Foi quando ele completou a resposta: \u201cDepende se voc\u00ea estiver subindo ou descendo o rio\u201d. S\u00f3 ent\u00e3o compreendi que a no\u00e7\u00e3o de tempo da maior parte dos habitantes daquela regi\u00e3o estava associada ao transporte fluvial, muito mais comum do que o limitado transporte rodovi\u00e1rio ou o caro transporte a\u00e9reo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De 21 a 23 de maio, fui convidado a fazer a palestra de encerramento do X Encontro de Entidades de Economia da Amaz\u00f4nia (X ENAM), voltando assim uma vez mais a Manaus. O evento, que re\u00fane representates dos Conselhos Regionais dos estados da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, tinha uma programa\u00e7\u00e3o que contemplava na sua esmagadora maioria quest\u00f5es regionais, com paineis recheados de palestrantes de grande gabarito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora tenha estado por mais de vinte vezes nos estados daquela regi\u00e3o, jamais tivera uma oportunidade t\u00e3o boa para conhecer in\u00fameras peculiariedades, que me foram chamando a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que as palestras se sucediam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e3o rica foi a programa\u00e7\u00e3o, que fica dif\u00edcil apontar qual o melhor painel ou a melhor palestra ou depoimento. N\u00e3o gostaria, por\u00e9m, de deixar de registrar a exposi\u00e7\u00e3o do general Geraldo Ant\u00f4nio Miotto, comandante do Comando Militar da Amaz\u00f4nia, em que fez uma ampla explana\u00e7\u00e3o a respeito do papel e das a\u00e7\u00f5es da institui\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, que v\u00e3o muito al\u00e9m da \u00f3bvia prote\u00e7\u00e3o das fronteiras, combatendo a entrada de drogas e armas, englobando in\u00fameras a\u00e7\u00f5es em parceria com o governo estadual e os munic\u00edpios, medidas que tamb\u00e9m contemplam as \u00e1reas de sa\u00fade, engenharia, log\u00edstica e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A outra marcante exposi\u00e7\u00e3o foi do Prof. Eduardo Monteiro da Costa, meu colega no Cofecon e atual presidente da Funda\u00e7\u00e3o (Fapespa). Especialista em desenvolvimento regional, Eduardo mostrou todo o conhecimento que possui da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, apresentando dados reveladores do potencial e dos problemas enfrentados, quer pela regi\u00e3o como um todo, quer pelos seus estados-membros em particular, no que recebeu a colabora\u00e7\u00e3o dos presidentes dos Conselhos Regionais de Rond\u00f4nia, Roraima e Tocantins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os quadros que se seguem, que me foram gentilmente cedidos pelo Eduardo para serem utilizados neste artigo, refletem bem tanto o potencial como os problemas e desafios da regi\u00e3o. O primeiro fornece uma detalhada vis\u00e3o da hist\u00f3ria recente (1960 em diante) da regi\u00e3o, enfatizando a ativa participa\u00e7\u00e3o do estado em seu processo de forma\u00e7\u00e3o, do qual resultou uma sociedade marcadamente dualista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo revela a matriz econ\u00f4mica da Amaz\u00f4nia Legal[1], destacando a import\u00e2ncia da Zona Franca de Manaus, bem como aspectos ligados \u00e0 energia, \u00e0 minera\u00e7\u00e3o e ao agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/192.185.176.81\/%7Esouza517\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/image1.jpeg\">O terceiro focaliza a quest\u00e3o da sustentabilidade, dividindo-a em dois pilares: um relacionado ao bem-estar humano e outro ao bem-estar ambiental.<\/a> O quarto focaliza os principais desafios da regi\u00e3o, sintetizados por Eduardo como \u201cO enigma do \u2018I\u2019\u201d, representado a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quinto, que despertou enorme aten\u00e7\u00e3o da plateia, constitu\u00edda em sua maioria por economistas, professores e estudantes de economia, mostra os impactos por regi\u00e3o decorrentes da Lei Kandir, evidenciando as desvantagens da regi\u00e3o Norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sexto e \u00faltimo revela a participa\u00e7\u00e3o relativa das Unidades da Federa\u00e7\u00e3o na Receita Corrente no ano de 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, uma observa\u00e7\u00e3o de ordem pessoal com base no que pude constatar tendo viajado, no espa\u00e7o de um m\u00eas, para as duas principais capitais da regi\u00e3o, Bel\u00e9m e Manaus. Em que pese seja poss\u00edvel sentir a presen\u00e7a da crise que se abate sobre a economia brasileira como um todo, os efeitos dessa crise afetam diferentemente os dois estados por conta do modelo de desenvolvimento praticado em cada um deles. A economia do estado do Amazonas, em que o peso do Polo Industrial de Manaus (denomina\u00e7\u00e3o do que se conhece genericamente como Zona Franca) \u00e9 muito relevante, est\u00e1 sendo mais afetada. Afinal, tratando-se de um modelo substituidor de importa\u00e7\u00f5es voltado ao fornecimento principalmente de produtos eletroeletr\u00f4nicos para o mercado interno, ocorre uma esp\u00e9cie de crise dentro da crise, decorrente da redu\u00e7\u00e3o acentuada da demanda interna de seus produtos. O Par\u00e1, cuja economia possui um grau bem mais acentuado de diversifica\u00e7\u00e3o, tem condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis de enfrentar a dura situa\u00e7\u00e3o vivida pela economia brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este simples exemplo serve para evidenciar qu\u00e3o rica, diferenciada e multifacetada \u00e9 a realidade do Brasil, raz\u00e3o pela qual sugiro que se olhe com desconfian\u00e7a a quem faz afirma\u00e7\u00f5es do tipo \u201ceu conhe\u00e7o o Brasil\u201d ou mesmo \u201ceu conhe\u00e7o bem esse estado ou essa regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E um alerta \u00e0queles que vivem se vangloriando por viajar apenas ao exterior: h\u00e1, no Brasil, uma enorme variedade de locais extraordin\u00e1rios e desafiantes que devem e merecem ser descobertos e explorados!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Luiz Alberto Machado, conselheiro do Conselho Federal de Economia.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia webgr\u00e1fica<\/strong><\/p>\n<p>MACHADO, Luiz Alberto. Li\u00e7\u00f5es de viagem 6 \u2013 Conhecendo o Mato Grosso do Sul. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.souzaaranhamachado.com.br\/2014\/08\/licoes-de-viagem-6-conhecendo-o-mato-grosso-do-sul\/\">http:\/\/www.souzaaranhamachado.com.br\/2014\/08\/licoes-de-viagem-6-conhecendo-o-mato-grosso-do-sul\/<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia musical\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>RIO AMAZONAS. Emerson Maia. Boi Garantido, 1993<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] Amaz\u00f4nia Legal \u00e9 o nome atribu\u00eddo pelo governo brasileiro a uma determinada \u00e1rea da Floresta Amaz\u00f4nica, pertencente ao Brasil, e que abrange nove Estados: Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Roraima e parte dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranh\u00e3o. A \u00e1rea corresponde a aproximadamente 5.217.423 km2, cerca de 61% do territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, em palestra proferida na Funda\u00e7\u00e3o Espa\u00e7o Democr\u00e1tico, centro de estudos e pesquisas do Partido Social Democr\u00e1tico (PSD), o pr\u00e9-candidato a prefeito Andrea Matarazzo, fez uma afirma\u00e7\u00e3o em tom de brincadeira \u2013 mas que tem sem d\u00favida uma ponta de<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=1305\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-1305","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1305"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1305\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}