{"id":12026,"date":"2020-07-29T11:14:16","date_gmt":"2020-07-29T14:14:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=12026"},"modified":"2020-07-29T11:14:16","modified_gmt":"2020-07-29T14:14:16","slug":"artigo-as-miserias-da-ortodoxia-economica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=12026","title":{"rendered":"Artigo &#8211; As mis\u00e9rias da ortodoxia econ\u00f4mica"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: center;\">Em novo livro de Robert Skidelsky, uma an\u00e1lise de como economistas abandonaram o pensamento cr\u00edtico, e criaram fic\u00e7\u00e3o de n\u00fameros e conceitos vazios. Reset metodol\u00f3gico ser\u00e1 crucial para dar resposta efetiva aos dilemas de nosso tempo<\/p>\n<p>por\u00a0<a title=\"Posts de Ladislau Dowbor\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/author\/ladislaudowbor\/\" rel=\"author\">Ladislau Dowbor<\/a><\/p>\n<p>Artigo publicado originalmente em <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/as-miserias-da-ortodoxia-economica\/\"><strong>https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/as-miserias-da-ortodoxia-economica\/<\/strong><\/a><\/p>\n<p><em><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12027 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/516wPD60bhL-195x300.jpg\" alt=\"\" width=\"195\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/516wPD60bhL-195x300.jpg 195w, https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/516wPD60bhL.jpg 325w\" sizes=\"(max-width: 195px) 100vw, 195px\" \/>What\u00b4s weong with economics? \u2014 A primer for the perplexed\u00a0[O que h\u00e1 de errado com a ci\u00eancia econ\u00f4mica: uma cartilha para os perplexos], de Robert Skidelsky, publicado pela Yale University Press, New Haven (2020)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00c9 fundamental entender que a economia que ensinamos, e muitas das an\u00e1lises econ\u00f4micas que fazemos est\u00e3o atoladas em simplifica\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas e interpreta\u00e7\u00f5es interessadas, profundamente ideol\u00f3gicas, que exigem n\u00e3o mais alguns acertos, mas um deslocamento sist\u00eamico, um reset geral que nos permita evoluir de uma pretensa \u201cci\u00eancia\u201d econ\u00f4mica para a mais modesta e produtiva economia pol\u00edtica, ancorada na hist\u00f3ria e nas outras ci\u00eancias sociais. Skidelsky traz um excelente sobrevoo de como repensar a economia, e \u00e9 mais necess\u00e1rio do que nunca.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O que deu errado com a chamada ci\u00eancia econ\u00f4mica? O livro, significativamente, \u00e9 dedicado aos alunos e professores de economia. O que estamos ensinando ainda \u00e9 relevante? \u00c9 cientificamente correto? Celso Furtado, num dos seus \u00faltimos escritos, j\u00e1 alertava que o que ensinamos em economia provavelmente n\u00e3o ajudaria os alunos a entender o que acontece. O Papa Francisco lan\u00e7ou um desafio planet\u00e1rio por \u201cuma outra economia\u201d. De Joseph Stiglitz a Jeffrey Sachs, com Amartya Sen, Kate Raworth, H\u00e1-Joon Chang, Thomas Piketty e tantos outros, est\u00e1 amadurecendo uma nova vis\u00e3o cient\u00edfica. Esse deslocamento profundo de como interpretamos o mundo econ\u00f4mico vai nos impactar a todos.<\/p>\n<p>No presente trabalho, Robert Skidelsky sistematiza de maneira curta e direta como a economia ensinada, o chamado mainstream, ou economia ortodoxa, enveredou pelo absurdo, construindo caminhos matematicamente complexos, conceitualmente elegantes, mas divorciados da realidade. N\u00e3o s\u00e3o corre\u00e7\u00f5es de rumo que precisamos, e sim de um \u201creset\u201d metodol\u00f3gico, de uma reorienta\u00e7\u00e3o sist\u00eamica. Por penoso que seja, em particular para professores que passaram anos ensinando vis\u00f5es que pouco funcionam, temos de mudar os rumos. Nossos alunos terminam os cursos com modelos na cabe\u00e7a e perplexidade quanto ao seu futuro. Rever o que chamamos de ci\u00eancia econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de coer\u00eancia cient\u00edfica, \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de \u00e9tica profissional.<\/p>\n<p>Quisera salientar qu\u00e3o oportuno \u00e9 o livro. Estamos vivendo o colapso de uma era de simplifica\u00e7\u00f5es, frente \u00e0 converg\u00eancia do desastre ambiental planet\u00e1rio, da desigualdade explosiva, e do caos financeiro, sobre os quais desaba a paralisia econ\u00f4mica gerada n\u00e3o por uma invas\u00e3o alien\u00edgena, mas por uma min\u00fascula mol\u00e9cula que simplesmente n\u00e3o se interessa em saber se somos poderosos ou n\u00e3o,\u00a0<em>homo sapiens\u00a0<\/em>ou\u00a0<em>homo stultus.\u00a0<\/em>A disfuncionalidade do sistema que nos rege ficou escancarada. Estamos todos \u00e0 procura de novos rumos. Um choque de mod\u00e9stia seria bem-vindo.<\/p>\n<p>Estamos aqui na companhia de um economista que n\u00e3o mastiga as palavras, e vai direto ao ponto: \u201cHoje estamos vivendo uma crise do liberalismo. O colapso financeiro trouxe para a cena uma insatisfa\u00e7\u00e3o crescente com a corrup\u00e7\u00e3o do dinheiro. O neoconservatismo buscou justificar remunera\u00e7\u00f5es fabulosas \u00e0 plutocracia financeira enquanto as rendas m\u00e9dias estagnam ou mesmo caem; em nome da efici\u00eancia promoveu o deslocamento para\u00a0<em>off-shore\u00a0<\/em>de milh\u00f5es de empregos, o solapamento das comunidades nacionais, e o estupro da natureza. \u201d Skidelsky qualifica isso como \u201c<em>spectacular failure\u201d,\u00a0<\/em>e compreend\u00ea-lo facilitaria aos estudantes de economia \u201cse situarem eles mesmos e o ensino que recebem no fluxo de eventos. Ajuda a explicar porque narrativas econ\u00f4micas, plaus\u00edveis numa \u00e9poca, perdem o seu poder em outros. \u201d (158)<\/p>\n<p>Precisamos \u201crepensar radicalmente a metodologia a metodologia adotada\u2026Se a economia quiser ser \u00fatil hoje em dia, precisar\u00e1 modificar a sua cren\u00e7a no mercado autorregulado\u201d. Precisamos de um pouco de distanciamento e de vis\u00e3o de conjunto. \u201cHistoriadores futuros, olhando para tr\u00e1s, possivelmente identificariam a globaliza\u00e7\u00e3o dirigida pelas finan\u00e7as como a raiz causal das atribula\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo vinte e um\u201d. Na vis\u00e3o de uma economia reinserida na an\u00e1lise de conjunto da sociedade, \u201cos t\u00f3picos essenciais seriam o papel do Estado, a distribui\u00e7\u00e3o do poder, e o efeito de ambos sobre a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza e da renda\u201d (193).<\/p>\n<p>O problema da desigualdade \u00e9 central, e Skidelsky denuncia \u201ca escassez artificialmente criada\u201d: \u201cA pobreza no mundo de hoje n\u00e3o \u00e9 devida \u00e0 escassez, mas \u00e0 desigualdade. H\u00e1 suficiente comida para alimentar uma popula\u00e7\u00e3o global mesmo mais elevada do que a de hoje. Uma economia que priorizasse a redu\u00e7\u00e3o da pobreza e das doen\u00e7as buscaria a efici\u00eancia da distribui\u00e7\u00e3o tanto quanto a efici\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o e das trocas \u201d (24). Esses economistas (do mainstream) \u201ct\u00eam sido relativamente cegos quanto \u00e0 habilidade das grandes corpora\u00e7\u00f5es privadas extra\u00edrem renta (<em>rent<\/em>).<a href=\"https:\/\/dowbor.org\/2020\/05\/robert-skidelsky-whats-wrong-with-economics-a-primer-for-the-perplexed-yale-university-press-new-haven-2020.html\/#_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Hoje a maior for\u00e7a de extra\u00e7\u00e3o de renta \u00e9 o cartel de grandes bancos, que controlam os meios de financiamento da produ\u00e7\u00e3o\u2026Ao insistirem que a escassez \u00e9 dada pela natureza, n\u00e3o pelas institui\u00e7\u00f5es, a economia\u00a0<em>mainstream\u00a0<\/em>trava os esfor\u00e7os de regula\u00e7\u00e3o dos mercados e de redistribui\u00e7\u00e3o de renda\u201d (25).<\/p>\n<p>\u00c9 essencial deixar de se referir \u00e0 economia como\u00a0<em>ci\u00eancia<\/em>\u00a0econ\u00f4mica. Em ingl\u00eas\u00a0<em>economics\u00a0<\/em>se refere ao estudo da economia, enquanto a pr\u00f3pria economia \u00e9 qualificada de\u00a0<em>the economy,\u00a0<\/em>como por exemplo \u201c<em>the American economy\u201d.\u00a0<\/em>O fato de qualificarmos o\u00a0<em>economics\u00a0<\/em>de\u00a0<em>ci\u00eancia econ\u00f4mica<\/em>\u00a0em portugu\u00eas tende a puxar para essa \u00e1rea um manto da cientificidade como o que utilizamos para as ci\u00eancias naturais. \u201c\u00c9 porque a ci\u00eancia econ\u00f4mica (<em>economics<\/em>) n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia que ela precisa de outros campos de estudo, notadamente psicologia, sociologia, pol\u00edtica, \u00e9tica, hist\u00f3ria para preencher os vazios no seu m\u00e9todo de entender a realidade. N\u00e3o devemos ter medo de dizer ao economista, \u2018H\u00e1 mais coisas no c\u00e9u e na terra, Hor\u00e1cio, do que sonhado na sua filosofia\u2019. A tarefa \u00e9 nada menos que a de resgatar a ci\u00eancia econ\u00f4mica para as humanidades\u201d (78). Ao se isolar das outras ci\u00eancias sociais, a economia abandonou o seu nome original, economia pol\u00edtica (<em>political economy<\/em>\u00a0na literatura cl\u00e1ssica) para se chamar\u00a0<em>economics,\u00a0<\/em>no nosso caso\u00a0<em>ci\u00eancia econ\u00f4mica<\/em>.<a href=\"https:\/\/dowbor.org\/2020\/05\/robert-skidelsky-whats-wrong-with-economics-a-primer-for-the-perplexed-yale-university-press-new-haven-2020.html\/#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>As apar\u00eancias de ci\u00eancia se basearam numa constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica que definiu o ser humano,\u00a0<em>homo economicus<\/em>, como um agente racional que maximiza de forma individual e calculada as suas vantagens econ\u00f4micas. As pessoas gostam de se identificar com essa imagem fict\u00edcia, lhes assegura uma aura de superioridade, e a fic\u00e7\u00e3o pega, mas a verdade \u00e9 que as nossas decis\u00f5es s\u00e3o em grande parte determinadas por condi\u00e7\u00f5es sociais, por grupos aos quais pertencemos, por valores n\u00e3o-econ\u00f4micos, portanto por din\u00e2micas cuja compreens\u00e3o exige, precisamente, o apoio de outras disciplinas. O ser humano simplificado passou a ter comportamentos racionalmente previs\u00edveis. Gera-se assim uma \u201cci\u00eancia\u201d que permitiria prever o que acontecer\u00e1 na economia, com a condi\u00e7\u00e3o de deixarmos os mercados \u201clivres\u201d para se equilibrarem. \u00c9 sobre essa premissa n\u00e3o demonstrada, e claramente simplificadora da realidade, que se constru\u00edram complexos modelos.<\/p>\n<p>O fato \u00f3bvio dos acontecimentos econ\u00f4micos raramente coincidirem com as previs\u00f5es, mesmo no caso de desequil\u00edbrios sist\u00eamicos como os da crise de 2008, \u2013 \u201c<em>Why didn\u2019t anyone see the financial crisis coming?\u00a0<\/em>\u201d, perguntou a Rainha \u2013 \u00e9 discretamente resolvido com termos como\u00a0<em>fric\u00e7\u00f5es<\/em>, que dificultariam o restabelecimento de equil\u00edbrios, ou de forma mais geral como efeitos perniciosos das interven\u00e7\u00f5es do Estado. O que permite obviamente jogar a culpa dos erros nos c\u00e1lculos sobre uma \u00e1rea n\u00e3o-econ\u00f4mica, a pol\u00edtica. Como se pudesse haver uma economia n\u00e3o pol\u00edtica. \u00a0<\/p>\n<p>Essa suposta ci\u00eancia econ\u00f4mica apresenta \u201cuma forte motiva\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Se os mercados se equilibram naturalmente (<em>are naturally self-balancing<\/em>), n\u00e3o precisam de governos para equilibr\u00e1-los. Os governos na realidade, aparecem nesta narrativa como uma das fric\u00e7\u00f5es que impedem os mercados de funcionar de maneira otimizada\u2026assim a no\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio refor\u00e7a a vis\u00e3o anti-estado da ci\u00eancia econ\u00f4mica\u201d (59). A\u00a0<em>ci\u00eancia<\/em>\u00a0termina assim por se tornar uma constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, curiosamente na mesma propor\u00e7\u00e3o em que se declara cient\u00edfica, portanto isenta de opini\u00f5es, apenas presa a\u00a0<em>fatos<\/em>. \u00c9 muito impressionante qualificarmos investimentos nas pessoas como\u00a0<em>gastos<\/em>: \u201cAssim, justificamos dinheiro gasto em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade como\u00a0<em>meios,\u00a0<\/em>em vez de trat\u00e1-los como parte do bem-estar, e t\u00e3o intrinsicamente valiosas. \u201d (173)<\/p>\n<p>\u00c9 uma fic\u00e7\u00e3o, obviamente, separar a esfera econ\u00f4mica da esfera do poder. \u201cA hostilidade aos monop\u00f3lios constitui uma saud\u00e1vel tradi\u00e7\u00e3o. Mas ao modelar o sistema de mercado como um espa\u00e7o autorregulado povoado por \u2018agentes\u2019 atomizados, a economia ortodoxa ignora a estrutura real dos mercados modernos nos quais grandes empresas, plataformas digitais, sindicatos (por vezes), marqueteiros e governos passam a determinar a maioria das decis\u00f5es (<em>call most of the shots<\/em>). Assim a maior parte dos economistas minimiza o problema do poder no sistema de mercado\u201d (128). Em vez de apresentar a sua vis\u00e3o como l\u00f3gica geral do funcionamento da economia, seria melhor os economistas, escreve Skidelsky, \u201ccome\u00e7arem na outra ponta: aceitarem que os mercados em geral n\u00e3o satisfazem, nem podem satisfazer as condi\u00e7\u00f5es de efici\u00eancia que deles se demanda, e identificar aquelas \u00e1reas particulares onde funcionam ou podem funcionar\u201d Os mercados eficientes constituiriam assim um \u201ccaso especial\u201d. (129)<\/p>\n<p>E se trata sim de resgatar a quest\u00e3o da \u00e9tica. \u201cDevemos retornar a uma quest\u00e3o central no pensamento pr\u00e9-moderno, mas posta de lado pela economia \u2018cient\u00edfica\u2019: para que serve a riqueza? A \u00e9tica precisa ser reinserida na base (<em>the ground floor<\/em>) da economia. Ao tomar os desejos como dados, a economia n\u00e3o apresenta nenhuma cr\u00edtica quanto \u00e0 fome humana por acumular riqueza sem limites. Que isso permita aprovar pol\u00edticas que levam \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana n\u00e3o seria algo com que algu\u00e9m que \u00e9 apenas um economista precise se preocupar. Mas um economista bem formado ter\u00e1 seguramente fazer melhor do que isso. \u201d (190) \u201c\u00c9 porque a economia n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia natural, que a resposta \u2018certo\u2019 ou \u2018errado\u2019 no caso de um problema econ\u00f4mico \u00e9 ao mesmo tempo tanto \u00e9tica e como positiva\u201d (13).<\/p>\n<p>O desafio real que enfrentamos \u00e9 o desenho de uma metodologia renovada que nos tire da fic\u00e7\u00e3o, e permita responder efetivamente aos desafios econ\u00f4micos, que nunca s\u00e3o apenas econ\u00f4micos. Trata-se, no conjunto, de assegurar de maneira sustent\u00e1vel o bem-estar generalizado. E aqui, n\u00e3o basta medir o PIB, e se fixar apenas no crescimento. Na parte final do trabalho, Skidelsky enumera os avan\u00e7os na constru\u00e7\u00e3o de vis\u00f5es modernas da economia, com autores como os mencionados acima. \u201c\u00c9 hoje o caso de um repensar radical da metodologia. O economista neocl\u00e1ssico \u00e9 um conselheiro perigoso para tempos turbulentos, porque promete coisas que mercados n\u00e3o-administrados n\u00e3o podem entregar \u201d (192). A linguagem simples e direta desse sobrevoo das fragilidades e dos potenciais do estudo da economia ajuda muito, e este pequeno livro vem em bom momento. A economia tem sim de ser repensada. E n\u00f3s, professores de economia, precisamos repensar o que estamos ensinando.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<p><a href=\"https:\/\/dowbor.org\/2020\/05\/robert-skidelsky-whats-wrong-with-economics-a-primer-for-the-perplexed-yale-university-press-new-haven-2020.html\/#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0Traduzo \u201crente\u201d como \u201crenta\u201d, apesar de n\u00e3o constar no Aur\u00e9lio, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o termos em portugu\u00eas o equivalente de \u201crent\u201d, em ingl\u00eas, ou de \u201crente\u201d em franc\u00eas, diferentes, respectivamente, de \u201cincome\u201d e \u201crevenu\u201d. Utilizar \u201crenda\u201d para dois processos profundamente diferentes de apropria\u00e7\u00e3o do excedente social tende a confundir. Em portugu\u00eas ainda temos \u201crentismo\u201d, uma aproxima\u00e7\u00e3o insuficiente, mas \u201cviver de rendas\u201d, como encontramos em alguns personagens de Machado de Assis, apresenta sim o essencial. S\u00e3o pessoas que vivem do trabalho dos outros, ganhos sem contrapartida produtiva. Hoje pode se tratar tamb\u00e9m de institui\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/dowbor.org\/2020\/05\/robert-skidelsky-whats-wrong-with-economics-a-primer-for-the-perplexed-yale-university-press-new-haven-2020.html\/#_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0A PUC de S\u00e3o Paulo, para dar um exemplo, continua a ensinar Economia Pol\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":12028,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-12026","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12026"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12026"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12026\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/12028"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}