{"id":11404,"date":"2020-06-09T16:44:10","date_gmt":"2020-06-09T19:44:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=11404"},"modified":"2020-06-09T16:44:10","modified_gmt":"2020-06-09T19:44:10","slug":"artigo-economia-em-apuros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=11404","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Economia em apuros"},"content":{"rendered":"\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11406 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/miragaya-Foto-Marcelo-Camargo-Ag-Brasil1-768x512-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/>Por J\u00falio Miragaya &#8211; doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico Sustent\u00e1vel, ex-presidente da Codeplan (2011\/14) e do Conselho Federal de Economia (2016\/17). Artigo publicado originalmente no BSB Capital, em 31 de maio de 2020: https:\/\/www.bsbcapital.com.br\/economia-em-apuros\/<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O Brasil vive hoje a maior crise de sua hist\u00f3ria, resultado combinado da pior crise na sa\u00fade p\u00fablica desde a gripe espanhola de 1919; da precipita\u00e7\u00e3o de uma gigantesca crise econ\u00f4mica e seus perversos desdobramentos sociais e da maior amea\u00e7a \u00e0 sua d\u00e9bil democracia desde 1964. Embora o governo federal estime uma queda no PIB em 2020 da ordem de -4,7% e o mercado projete queda de -6,0%, n\u00e3o ser\u00e1 surpreendente, caso a pandemia se prolongue por mais dois ou tr\u00eas meses, conforme previsto, que cheguemos ao final do ano com queda superior a -10,0%, o que seria o pior resultado econ\u00f4mico de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><br \/>Expliquemos: pela \u00f3tica da oferta, o \u00fanico setor que deve se salvar, inclusive crescer, \u00e9 o agropecu\u00e1rio, mas seu peso no PIB \u00e9 pequeno, incapaz de neutralizar a gigantesca retra\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria e em servi\u00e7os. Pela \u00f3tica da demanda, \u00e9 esperada uma enorme redu\u00e7\u00e3o no consumo das fam\u00edlias, que representa mais de 60% do PIB. Por fim, pela \u00f3tica da renda, \u00e9 inevit\u00e1vel a forte retra\u00e7\u00e3o no rendimento dos trabalhadores, formais e informais, assim como nos lucros das empresas, alugu\u00e9is e impostos. Como efeito colateral, deveremos saltar dos atuais 18 milh\u00f5es de desempregados, incluindo os desalentados, para mais de 25 milh\u00f5es, um recorde dram\u00e1tico.<\/p>\n<p><br \/>No DF as consequ\u00eancias do COVID-19 na economia dever\u00e3o ser expressivas, embora com caracter\u00edsticas distintas de outras UFs em face as caracter\u00edsticas peculiares de nossa estrutura econ\u00f4mica. De um lado, o impacto na receita dever\u00e1 ser menor, visto que o or\u00e7amento local \u00e9 menos dependente de receitas vinculadas a atividades produtivas. De outro, a enorme presen\u00e7a de micro e pequenas empresas e o alto grau de informalidade nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho dever\u00e3o ter impacto devastador nos n\u00edveis de desemprego, que j\u00e1 excede 330 mil. Isto posto, a tend\u00eancia \u00e9 que a concentra\u00e7\u00e3o de renda aumente ainda mais em Bras\u00edlia, ela que j\u00e1 ostenta o mais elevado \u00edndice de gini para este indicador no Brasil.<\/p>\n<p>Enquanto o ultraliberal Guedes, f\u00e3 de Pinochet, comemora ter colocado uma granada no bolso dos servidores p\u00fablicos, defende dar dinheiro para os bancos e grandes empresas e n\u00e3o para as pequenas e prega que se privatize logo a \u201cp.\u201d do Banco do Brasil, o povo sofre e constata o qu\u00e3o perverso s\u00e3o os cortes sistem\u00e1ticos nos gastos e investimentos p\u00fablicos em sa\u00fade, qu\u00e3o esp\u00faria \u00e9 a tese do Estado M\u00ednimo e que o \u201cvelho\u201d Estado \u00e9 insubstitu\u00edvel no enfrentamento e supera\u00e7\u00e3o da crise. Que valha como li\u00e7\u00e3o! <br \/><br \/><br \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":11405,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-11404","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11404"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11404"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11404\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11405"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}