{"id":1077,"date":"2016-05-13T17:44:51","date_gmt":"2016-05-13T20:44:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=1077"},"modified":"2016-05-13T17:44:51","modified_gmt":"2016-05-13T20:44:51","slug":"a-mao-invisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=1077","title":{"rendered":"Artigo &#8211; A m\u00e3o (in)vis\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para os n\u00e3o-economistas importa saber que o conceito de m\u00e3o invis\u00edvel n\u00e3o \u00e9 uma coisa qualquer; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 algo da maior relev\u00e2ncia em qualquer economia do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para amenizar d\u00favidas, de pronto, pode-se dizer que a m\u00e3o invis\u00edvel, assim como a moeda, \u00e9 uma luva ou um v\u00e9u no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es de mercado, i.e., sem a m\u00e3o invis\u00edvel os mercados n\u00e3o funcionariam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito, quem surgiu primeiro: O mercado ou a moeda? O mercado ou o Estado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida, foi o mercado, quando das realiza\u00e7\u00f5es das trocas de mercadorias ofertadas pelos caixeiros-viajantes que buscavam por um lugar comum que concentrasse um n\u00famero de pessoas interessadas nas trocas, o que deu in\u00edcio ao fim do feudalismo com esse escambo a partir de uma economia mercantil de trocas diretas de mercadorias (M-M).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moedas das mais rudimentares e Estados dos mais absolutistas que existiram vieram depois, sendo que as primeiras vieram para facilitar as trocas diretas e o Estado para possibilitar a ordem, a justi\u00e7a, a distribui\u00e7\u00e3o e a seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas afinal o que seria essa m\u00e3o invis\u00edvel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SMITH, A. (1776) sentenciou: \u201cN\u00e3o \u00e9 da benevol\u00eancia do a\u00e7ougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da considera\u00e7\u00e3o que ele tem pelos pr\u00f3prios interesses.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto quer dizer: \u201cm\u00e3o invis\u00edvel \u00e9 um mecanismo de coordena\u00e7\u00e3o pelo qual nossas a\u00e7\u00f5es ego\u00edstas acabam gerando um aumento do bem-estar geral.\u201d (DELFIM NETTO, A.\u00a0 1999)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O auto-interesse \u00e9 que define o equil\u00edbrio dos mercados, segundo Smith, pois, com o mercado livre os agentes ir\u00e3o buscar o lucro (seus interesses), naturalmente, por\u00e9m, pautados pela racionalidade e efici\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Racionalidade e efici\u00eancia essas que o pensador escoc\u00eas enfatiza em sua f\u00e1bula dos alfinetes ao pormenorizar a divis\u00e3o do trabalho quando mencionou: \u201c&#8230; no ambiente da f\u00e1brica ao inv\u00e9s de um trabalhador desenrolar, cortar, afinar, encabe\u00e7ar, niquelar e acomodar em caixas os alfinetes; o ideal era fazer uma ou duas dessas atividades, ao m\u00e1ximo, o que resultaria num fabuloso aumento de produtividade beneficiando a sociedade em geral.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, m\u00e3o invis\u00edvel \u00e9 o mercado autorregulado pelas a\u00e7\u00f5es (interesses) dos agentes econ\u00f4micos que possibilita a concorr\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o circuito produtivo de uma economia mercantil simples, aut\u00f4noma e independente (M-D-M), desviou-se para uma economia capitalista complexa, aut\u00f4noma e interdependente (D-M-D\u2019), com ganhos dos capitalistas sobre as mercadorias vendidas, numa reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do capital fren\u00e9tica e desenfreada, ou seja, mais dinheiro sem lastro produtivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A contradi\u00e7\u00e3o efetiva foi o ganho sem produ\u00e7\u00e3o, quer dizer, dinheiro fazendo dinheiro (D-D\u2019) na ciranda financeira das bolsas de valores decorrente do boom produtivo moment\u00e2neo dos pa\u00edses p\u00f3s-primeira Grande Guerra, exceto Europa, mas que terminou numa crise sem igual na hist\u00f3ria dos mercados mundiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mister se faz pormenorizar o que ficou conhecido com a crise de 1929\/1930 \u2013 a Grande Depress\u00e3o.<br \/>\n Foi uma crise de superprodu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o havia demanda suficiente para absorver toda a oferta (no Brasil, pasmem, queimou-se cafezais para tentar estabilizar pre\u00e7os), o que fez com que sobrassem muitos produtos sem serem consumidos, e, como conseq\u00fc\u00eancia, uma queda generalizada dos pre\u00e7os (defla\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como decorr\u00eancia disso, uma redu\u00e7\u00e3o expressiva da renda dos empres\u00e1rios que por sua vez reduziram substancialmente os investimentos, afetando significativamente o n\u00edvel de emprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda essa conjuntura depressiva da economia resultou numa diminui\u00e7\u00e3o acentuada do valor das a\u00e7\u00f5es das empresas, o que causou um movimento de venda generalizada no mercado acion\u00e1rio, a Bolsa de Valores, acarretando queda no valor das a\u00e7\u00f5es e alastrando, por toda a economia, as conseq\u00fc\u00eancias da depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E cad\u00ea a m\u00e3o invis\u00edvel? Foi pro \u201cb\u00e9l\u00e9l\u00e9u\u201d, oportunizando o \u201cquid pro quo\u201d (no popular dizemos quiproc\u00f3) referenciado acima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem a substituiu? A m\u00e3o vis\u00edvel do Estado. Como? A partir da implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas fiscais e monet\u00e1rias no combate ao ciclo descendente e aquela crise destrutiva e perversa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00e3o me alongar mais e n\u00e3o cansar prezadas e prezados leitores, para que entendam um \u201cxiriri\u201d o que sejam pol\u00edticas fiscais e monet\u00e1rias, basta que reparem bem para o or\u00e7amento p\u00fablico brasileiro, hoje deficit\u00e1rio, e para as nossas taxas de juros extremamente elevadas, tendo em mente a d\u00edvida p\u00fablica, e, principalmente, os juros de outros pa\u00edses (de rendas semelhantes ao Brasil ou n\u00e3o) numa modesta an\u00e1lise comparativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recado para os economistas e pol\u00edticos em momento cr\u00edtico da economia brasileira: n\u00e3o confundir teoria econ\u00f4mica com economia pol\u00edtica, mesmo porque, vejam que a Alemanha fez as reformar necess\u00e1rias, o que a qualifica como umas das economias mais s\u00f3lidas da Zona do Euro, e me parece, que a Gr\u00e9cia dos s\u00e1bios voltou a ser s\u00e1bia em decis\u00e3o recente do seu Parlamento no mesmo sentido da Alemanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que haja respeito, confian\u00e7a e compromisso cooperativo entre as m\u00e3os invis\u00edvel (Mercado), vis\u00edvel (Estado) e as calejadas m\u00e3os do Povo Brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ernani L\u00facio Pinto de Souza &#8211;<\/strong> Economista do Niepe\/Fe\/Ufmt, Ms. em Planejamento do Desenvolvimento pela Anpec\/Naea\/Ufpa e conselheiro do Codir\/Fiemt pelo Corecon-MT.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para os n\u00e3o-economistas importa saber que o conceito de m\u00e3o invis\u00edvel n\u00e3o \u00e9 uma coisa qualquer; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 algo da maior relev\u00e2ncia em qualquer economia do mundo. 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