{"id":10658,"date":"2020-04-09T18:20:48","date_gmt":"2020-04-09T21:20:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=10658"},"modified":"2020-04-09T18:20:48","modified_gmt":"2020-04-09T21:20:48","slug":"artigo-crise-sanitaria-e-crise-economica-o-mundo-em-convulsao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=10658","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Crise sanit\u00e1ria e crise econ\u00f4mica: o mundo em convuls\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10659 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rosa2.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rosa2.jpg 350w, https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rosa2-300x214.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>Por Rosa Maria Marques: Professora titular do Departamento de Economia da PUCSP e membro de Grupos de Trabalho da Clacso.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que d\u00e9cadas de pol\u00edticas neoliberais levaram ao enfraquecimento e \/ ou ao desmantelamento das pol\u00edticas sociais, especialmente no campo da sa\u00fade. Esse processo, no entanto, n\u00e3o foi homog\u00eaneo no mundo, havendo pa\u00edses onde a sa\u00fade p\u00fablica, por mais que tenha sofrido ataques de todos os tipos, geralmente no tocante ao financiamento e a sua gest\u00e3o, continuou a se manter como refer\u00eancia. Estou me referindo ao Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (National Health Services \u2013 NHS), na Inglaterra, e ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), no Brasil. De qualquer maneira, o avan\u00e7o do novo coronav\u00edrus n\u00e3o deu op\u00e7\u00e3o aos estados, por mais neoliberais que tenham sido seus governos nos \u00faltimos 30, 40 anos. Uns mais tarde do que outros, tiveram que tomar para si a luta contra o avan\u00e7o da doen\u00e7a, centralizando em seu Minist\u00e9rio da Sa\u00fade as informa\u00e7\u00f5es relativas aos recursos dispon\u00edveis tanto no setor p\u00fablico como no setor privado (de leitos, materiais, equipamentos e pessoal da \u00e1rea da sa\u00fade), planejando sua amplia\u00e7\u00e3o mediante compra, reconvers\u00e3o de ind\u00fastrias e constru\u00e7\u00e3o de hospitais de campanha; conclamando os aposentados e mesmos os estudantes de medicina a virem ajudar na luta contra a pandemia.<\/p>\n<p>E em todos os pa\u00edses, os profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade, que n\u00e3o t\u00eam tido descanso nessa luta, s\u00e3o saudados por sua popula\u00e7\u00e3o agradecida. \u00c9 uma triste ironia, mas passar\u00e1 \u00e0 hist\u00f3ria o fato de uma pandemia ter ressignificado o papel e o lugar do servidor p\u00fablico, principalmente os mais diretamente comprometidos no combate ao covid-19.<\/p>\n<p>O impacto dessa pandemia sobre a economia mundial ser\u00e1 avassalador, mas certamente maior para os pa\u00edses que n\u00e3o fazem parte do grupo dos mais \u201cdesenvolvidos\u201d. \u00c9 preciso lembrar que essa \u00e9 a primeira pandemia que ocorre em um mundo onde o capital se faz presente em todos os lugares (a chamada globaliza\u00e7\u00e3o), onde as interconex\u00f5es s\u00e3o in\u00fameras, tal como um tecido de N fios, e com um alto grau de especializa\u00e7\u00e3o ou concentra\u00e7\u00e3o de atividades em alguns pa\u00edses. A pandemia, ao exigir a paralisa\u00e7\u00e3o das atividades, acabou afetando o mundo inteiro, mesmo antes de ela se fazer presente em todos os pa\u00edses.\u00a0 No plano local, dos estados nacionais, a paralisa\u00e7\u00e3o parcial ou total das atividades (n\u00e3o considerando as essenciais), atuou (atua) como um segundo choque, destruindo empregos e renda, desfazendo os la\u00e7os cont\u00ednuos de que se vale o mercado, nas rela\u00e7\u00f5es entre empresas, bancos e fam\u00edlias. H\u00e1 quem considere que o impacto sobre a economia ser\u00e1 compar\u00e1vel \u00e0 crise dos anos 1930. Mesmo que assim n\u00e3o seja, certamente ser\u00e1 pior do que a crise dos anos 2007\/08, por sua profundidade e rapidez de manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que os mesmos estados, que at\u00e9 a pouco defendiam ferrenhamente o princ\u00edpio do or\u00e7amento equilibrado, est\u00e3o dispendendo volumosos recursos para manter a liquidez, para ajudar as m\u00e9dias e pequenas empresas, para\u00a0 amparar os trabalhadores e as fam\u00edlias mais necessitadas; ao mesmo tempo que est\u00e3o suspendendo\u00a0 o pagamento de impostos e de servi\u00e7os essenciais por alguns meses, entre outras medidas. Para essa \u201cmudan\u00e7a\u201d de atitude, certamente pesou o fato de a desestrutura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica estar ocorrendo em grande parte do mundo e da trag\u00e9dia humana ser generalizada.<\/p>\n<p>A pandemia tem demonstrado duas facetas no que se refere \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com o exterior. De um lado, a solidariedade entre pa\u00edses, tais como a ajuda propiciada \u00e0 It\u00e1lia pela China e Cuba, e a transfer\u00eancia de enfermos franceses para a Alemanha. De outro, uma corrida para garantir, a qualquer custo, o suprimento de insumos, materiais e equipamentos, cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9 altamente centralizada na China e mesmo na \u00cdndia (insumos para medicamentos); o n\u00e3o cessamento das hostilidades nos pa\u00edses que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de guerra; e a manuten\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas aos pa\u00edses n\u00e3o alinhados aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio fortalecer os la\u00e7os de solidariedade, apoiando todas as iniciativas que v\u00e3o nesse sentido, rompendo todos os cercos e promovendo a troca de experi\u00eancias, informa\u00e7\u00f5es, expertises e recursos. Nessa situa\u00e7\u00e3o, quando a defesa da integridade da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 em quest\u00e3o, as d\u00edvidas externas devem ser \u201cesquecidas\u201d por seus governantes ou fortemente reduzidas pelos seus propriet\u00e1rios (credores). Para isso, os pa\u00edses que enfrentam esse tipo de constrangimento devem buscar o apoio junto \u00e0queles que, por suas caracter\u00edsticas de pa\u00edses perif\u00e9ricos ou dependentes, certamente sofrer\u00e3o mais os efeitos da crise econ\u00f4mica que se inicia. Colocar a necessidade humanit\u00e1ria acima dos reclames dos credores \u00e9 mais do que uma estrat\u00e9gia a ser adotada pelos pa\u00edses com d\u00edvida. Trata-se de uma obriga\u00e7\u00e3o. No m\u00ednimo, \u00e9 preciso entender que n\u00e3o h\u00e1 d\u00edvida se n\u00e3o h\u00e1 vida, e essa est\u00e1 sujeita a desaparecer pela doen\u00e7a ou pela fome decorrente da crise econ\u00f4mica que se abate sobre as economias.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 fuga de capitais, que bateu o recorde nas economias chamadas de emergentes, n\u00e3o h\u00e1 o que fazer se mantido o c\u00e2mbio flutuante, sem nenhum tipo de controle sobre o fluxo de capitais.<\/p>\n<p>A crise ser\u00e1 intensa e longa, pois as caracter\u00edsticas do novo coronav\u00edrus n\u00e3o permite se dizer por quando tempo estaremos ref\u00e9m de sua evolu\u00e7\u00e3o. Somente o surgimento de uma vacina pode alterar o quadro de incerteza a ela relacionado. A brusca e profunda parada das atividades, desorganizando as rela\u00e7\u00f5es locais, nacionais e mundiais, ser\u00e1 tanto maior quanto mais longa for a supera\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. No meio disso, podem se fortalecer sa\u00eddas chauvinistas, com certeza. Mas devemos lutar para que a\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias entre na\u00e7\u00f5es amigas se fortale\u00e7am em nome de projetos comuns. Nesse caso, n\u00e3o se trata de um jarg\u00e3o: de fato o futuro est\u00e1 em aberto, pois o mundo, tal como o conhecemos, n\u00e3o tem como voltar a se impor.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Artigo publicado em <\/strong><a style=\"font-size: inherit;\" href=\"https:\/\/observatoriodademocracia.org.br\/2020\/04\/09\/%ef%bb%bfcrise-sanitaria-e-crise-economica-o-mundo-em-convulsao\/\"><strong>https:\/\/observatoriodademocracia.org.br\/2020\/04\/09\/%ef%bb%bfcrise-sanitaria-e-crise-economica-o-mundo-em-convulsao\/<\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":10659,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-10658","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10658"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10658"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10658\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10659"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}